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Leonor Wicke

«Portugal é uma nação espacial emergente»: conheça a astronauta análoga, Ana Pires

10 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

A ideia de que Portugal está a dar cartas no panorama espacial internacional pode não ser óbvia para a maior parte da população, mas Ana Pires, Investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e Astronauta-Análoga, garante que o país está no caminho para se tornar cada vez mais relevante.

No âmbito da sua participação na primeira edição das Jornadas Aeroespaciais, organizadas pelo Instituto Universitário Atlântica, a Líder conversou com a primeira cientista astronauta portuguesa para saber qual o caminho que Portugal está a trilhar, rumo às estrelas.

Como foi o seu percurso profissional? Sempre quis ser astronauta?

Acho que todos nós passamos por essa fase, não é? De querermos ser um dia astronautas e eu também olhava muitas vezes para a Lua. Também passei por uma fase em que queria ser advogada e professora, mas o que prevaleceu foi esta paixão pela engenharia. Não me arrependo até hoje!

Tive influência do meu avô paterno, que tinha o sonho de ter algum engenheiro na família, e segui engenharia geotécnica, que se tornou na minha grande paixão.

Toda a minha vida trabalhei na área das tecnologias do mar, relacionadas com dinâmica litoral e erosão costeira, portanto fiz muita coisa como bolseira e jovem investigadora. Há cerca de oito anos tive a oportunidade de integrar a equipa de investigadores do Centro de Robótica e Sistemas Autónomos do INESC TEC e foi aí que pensei: «Estou no sítio certo para continuar a fazer engenharia, desenvolver tecnologias, trabalhar com colegas de robótica e candidatar-me ao programa apoiado pela NASA de cientista astronauta».

Foi então que surgiu esta ligação à área de exploração espacial e onde tenho desenvolvido a minha investigação, que é focada na interação espaço-terra-mar.

Quando me deram esta oportunidade, nunca mais a larguei. É o que eu gosto de fazer, engenharia e ciência.

Às vezes existem fracassos na nossa vida profissional e, sobretudo na área das ciências, perdem-se projetos ou financiamentos. Mas é o ir à descoberta, aprender todos os dias, que me faz acordar de manhã com esta vontade de querer fazer o meu trabalho.

 

Em que consiste ser astronauta análoga?

Tanto os astronautas análogos como os “verdadeiros” têm de fazer treinos de atividades, que acontecem em ambientes extremos, tais como desertos, a Antártida ou dentro de um tubo de lava (túnel natural, na rocha, através do qual a lava pode chegar à superfície), como foi o caso da Missão Camões, primeira missão análoga em Portugal. Estas missões consistem numa simulação de uma missão verdadeira, como se fosse na Lua ou em Marte, com o objetivo de testar os limites dos astronautas. Usam-se fatos espaciais, come-se comida desidratada e existe um plano de atividades para o dia-a-dia para fazer ciência e testar tecnologias.

É fantástico saber que o nosso planeta Terra oferece locais que são similares àquilo que vamos encontrar na Lua e em Marte. Isso acontece, por exemplo, em Israel, na Polónia, no Havai ou no Utah – onde eu tive a oportunidade de estar, na Mars Desert Research Station.

São ambientes que, visualmente e geologicamente, são muito similares ao que vamos encontrar, no espaço, mas também é extremo e permite testar os nossos limites. Os verdadeiros astronautas têm de fazer expedições e treinos para saber como é estar sob stress, sob pressão, resolver problemas e encontrar soluções neste tipo de ambientes, em conjunto com a equipa, confinados e isolados, sem poder ver a família.

É também nos treinos que conseguimos perceber se um equipamento, como um computador ou telemóvel, que vamos usar em missão funciona, se é suficientemente potente.

Isso significa que vamos poder vê-la numa Missão Espacial em breve?

Vou ser muito franca: apesar de sonhar e poder trabalhar para o espaço nesta área da exploração, eu tenho os pés bem assentes na terra e sei perfeitamente que ir ao espaço não é para a minha geração. Mas também sei que a minha obrigação é indicar aos mais novos as diferentes oportunidades que existem cá em Portugal, abrir portas.

Se tivesse financiamento, se me saísse Euromilhões, eu adorava poder fazer um voo suborbital e finalmente poder pôr em prática tudo o que tenho aprendido.

 

Que papel tem Portugal no panorama espacial? O que é que falta no país?

Como investigadora, penso que não poderia estar mais orgulhosa de Portugal na área de exploração espacial. Vejo empresas, colegas e diferentes stakeholders já a dar cartas e a participar em missões espaciais, na área dos satélites, microssatélites e comunicações.

Vemos jovens a entrar nos cursos de engenharia aeroespacial com notas de 19 e 20 valores, portanto isto diz-nos alguma coisa. Mas é preciso mais. É preciso que estes jovens tenham oportunidades como eu tive, de se poderem preparar e de treinar para um dia, finalmente, conseguirmos ter o primeiro ou a primeira astronauta portuguesa.

A exploração espacial não pode ser resumida só a satélites ou comunicações, pois é muito mais do que isso: é medicina aeroespacial, fisiologia humana, voos tripulados, etc.

O problema da exploração espacial é transversal a todas as áreas, desde a ciência até à saúde: falta de financiamento. A obrigação do cientista é ser imaginativo, pensar noutras soluções e eu vejo isso acontecer aqui no INESC TEC. Conseguimos fazer coisas incríveis low cost, com pouco dinheiro, relacionadas com projetos exploratórios e começamos também a preparar-nos para projetos maiores.

Não tenho dúvidas de que estamos no caminho certo e que Portugal é uma nação espacial emergente.

Sim, temos muito a aprender com outros países e por isso é importante ir para fora, trazer esses conhecimentos para o nosso país. Mas é preciso mais e nós não podemos ficar satisfeitos. Temos sempre de ter esta ambição de querer ir mais longe e, para mim, ir mais longe é Portugal conseguir ter uma tecnologia na Lua e Marte ou ter o primeiro astronauta a ir a uma estação internacional.

Em termos de economia espacial, deve apostar-se mais na área de Human and Robotic Exploration (Exploração Humana e Robótica), um conceito que precisa de financiamento.

Quais são os próximos projetos em que está envolvida?

Eu fui, em conjunto com outros colegas, a comandante da primeira missão análoga em Portugal. A missão chegou ao fim, mas ainda estamos a tratar todos os dados e a publicá-los, portanto ainda há muita coisa para contar ao Mundo, em termos científicos e em termos tecnológicos, do que se passou durante aquela semana dentro da gruta de Natal, na Ilha Terceira, num tubo lava.

Para além disso, também temos um projeto exploratório que é o desenvolvimento de um robô – um scout robot, ou robô escuteiro – que explora e apoia missões no espaço. É uma esfera pequenina, que vai ter oportunidade de voar em microgravidade.

A exploração espacial, o facto de estarmos a fazer investigação para o espaço, também nos permite encontrar soluções para o planeta Terra. Há muita tecnologia que se desenvolve para o espaço que depois é útil para resolver problemas aqui. Há muitas similaridades entre estar no fundo do mar e estar no espaço, por exemplo, portanto há aqui um denominador comum que é espetacular explorar e trabalhar.

Apesar de sonharmos com as estrelas e em ir ao espaço, ao fazermos isso, encontramos algumas soluções que podem ser úteis para resolver problemas. Penso que algumas pessoas não se apercebem de como isto é importante.

Encontrar soluções para o nosso planeta, mas ao mesmo tempo apontar para as estrelas.

Alguns exemplos: o tecido utilizado nos speedos e nos fatos de banho, que são patenteados, foram desenvolvidos para fatos espaciais da NASA, para dar mais conforto e absorver o suor; o pequeno comprimido que era usado para monitorizar os sinais vitais dos astronautas, também desenvolvido pela NASA, é usado por desportistas de futebol americano ou europeu; usar deteção remota por satélites para, desde o espaço, resolver problemas como o lixo marinho; usar técnicas de inteligência artificial para conseguir detetar a evolução costeira.

 

Como será o futuro da exploração espacial? Será mesmo possível habitar a Lua ou Marte?

Tudo indica que sim. Todas as investigações, tudo o que eu vejo a acontecer em engenharia, construção e arquitetura na Lua vai ter um papel essencial. Será como ir a uma bomba de combustível, abastecemos na Lua e seguimos para outros planetas, para missões mais profundas e longas.

Estamos a viver uma era incrível em termos da exploração espacial. Não só de inovação, mas também porque finalmente a nossa geração vai ter o prazer de ver o programa Artemis e ver uma mulher a pisar novamente na Lua. Tudo isto está a acontecer e não tenho dúvidas que Portugal está muito bem nessa corrida.

Quais são as competências essenciais para se ser astronauta?

Os mais jovens querem perceber se há alguma receita e o que eu lhes digo é exatamente o que os verdadeiros astronautas transmitem nas suas apresentações: não há regras.

Para ser astronauta não é preciso seguir necessariamente engenharia aeroespacial ou ser piloto. Se formos ver os backgrounds e as qualificações académicas da última classe da Agência Espacial Europeia, vamos encontrar desde médicos a físicos, até biólogos.

O fator importante que todos frisam são as soft skills e capacidade de trabalhar em equipa. Mais do que ser boa profissional, é importante ter inteligência emocional e capacidade de trabalhar em conjunto. Na última missão suborbital da Space X vimos um astronauta a tocar violino!

Parece que não, mas há uma ligação muito forte entre a música e artes às engenharias e matemáticas. Tudo se interliga.

As agências espaciais também gostam que se tenha um mestrado, doutoramento ou especialização. Falar mais do que uma língua também é bem-vindo. Mas o caminho que cada astronauta segue vai depender de cada um e da área que mais gosta. Astrofísica, geologia planetária, pilotar, todas estas áreas são necessárias e por isso é que precisamos de equipas multidisciplinares.

 

Que características deve ter um “Líder Espacial”?

Eu estive na Mars Desert Research Station, que fica no deserto do Utah, confinada, isolada, com mais quatro colegas, três americanos e uma indiana. Éramos cinco e eu era a crew scientist, a cientista, e a comandante era uma mulher.

Em 2023 tive a oportunidade de ser a líder da Missão Camões e consegui liderar de forma diferente. Foi um trabalho conjunto e quis partilhá-lo com o meu braço direito, que era outra mulher, pelo que foi uma liderança no feminino, o que foi muito interessante.

Neste tipo de missões estamos sob pressão e queremos que tudo corra bem, portanto eu, como comandante, tenho a obrigação de que os membros da equipa estejam seguros. A liderança feminina é totalmente diferente porque há uma sensibilidade para ambientes extremos, traz ao de cima coisas fantásticas. Gostava de replicar esta liderança partilhada e no feminino noutras oportunidades.

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

E se a nova onda de tecnologia for um maremoto?

10 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

Quase todas as culturas têm um mito do dilúvio.  

Nos antigos textos hindus, o primeiro homem do nosso universo, Manu, é avisado de um dilúvio iminente e tornase o único sobrevivente. A Epopeia de Gilgamesh regista o deus Enlil a destruir o Mundo numa cheia gigantesca, uma história que terá eco em qualquer pessoa familiarizada com a narrativa da arca de Noé do Antigo Testamento. Platão falou da cidade perdida da Atlântida, levada por uma imensa torrente. Nas tradições orais e nos escritos antigos da Humanidade encontrase a ideia de uma onda gigante que varre tudo no seu caminho, deixando o Mundo refeito e renascido.  

As cheias também marcam a história num sentido literal – o volume sazonal dos grandes rios do Mundo, a subida dos oceanos após o fim da Idade do Gelo, o raro choque de um maremoto que surge sem aviso no horizonte. O asteroide que matou os dinossauros criou uma onda com mais de um quilómetro de altura e alterou o curso da evolução. O poder absoluto destes vagalhões ficou gravado na consciência coletiva: muros de água, imparáveis, incontroláveis, irreprimíveis. São das forças mais possantes do Planeta. Moldam continentes, irrigam as sementeiras do Mundo e alimentam o crescimento da civilização.  

Outros tipos de vagas têm sido igualmente transformadores. Se analisarmos de novo a história, vemos que está marcada por uma série de ondas metafóricas: ascensão e queda de impérios e religiões, explosões de comércio. Pensemos no cristianismo ou no islamismo, religiões que começaram por fazer pequenas ondas até se erguerem e abaterem sobre enormes extensões da Terra. Ondas como esta são um motivo recorrente, enquadrando as marés da história, grandes lutas de poder, e altos e baixos económicos. 

O surgimento e a disseminação das tecnologias também assumiram a forma de ondas que mudam o Mundo. Uma única tendência dominante tem resistido à prova do tempo desde a descoberta do fogo e dos utensílios de pedra, as primeiras tecnologias aproveitadas pela nossa espécie. Quase todas as tecnologias basilares jamais inventadas, das picaretas aos arados, da cerâmica à fotografia, dos telefones aos aviões, seguem uma só lei, aparentemente imutável: fica mais barata e mais fácil de usar, e acaba por proliferar por todo o lado.  

Esta proliferação da tecnologia em ondas é a história do Homo tecnologicus – do animal tecnológico. A demanda de aperfeiçoamento da Humanidade – nós próprios, a nossa sina, as nossas capacidades e a nossa influência no ambiente – tem impulsionado uma evolução incessante de ideias e criação. A invenção é um processo emergente, em constante evolução e expansão, impulsionado por inventores, académicos, empreendedores e líderes, auto-organizados e extremamente competitivos, cada qual avançando com motivações próprias. Este ecossistema de invenção abraça, por omissão, a expansão. É a natureza inerente da tecnologia.  

A questão é: o que acontece a partir daqui? Nas páginas que se seguem, conto a história da próxima grande onda da história.  

Olhe à sua volta. O que vê? Móveis? Edifícios? Telefones? Comida? Um parque ajardinado? Quase todos os objetos na sua linha de visão foram, com toda a probabilidade, criados ou alterados pela inteligência humana. A linguagem – os alicerces das interações sociais, das culturas, das organizações políticas e, talvez, do que significa ser humano – é outro produto e motor da nossa inteligência. Cada princípio e conceito abstrato, cada pequeno esforço ou projeto criativo, cada encontro na vida do leitor, foi mediado pela capacidade única e infinitamente complexa da nossa espécie para imaginar, criar e raciocinar. O engenho humano é uma coisa espantosa. Só há outra força tão omnipresente neste quadro: a própria vida biológica. Antes da era moderna, além de algumas rochas e minerais, a maioria dos artefactos humanos – de casas de madeira a roupa de algodão e a fogos de carvão – provinha de coisas que já estiveram vivas. Tudo o que entrou no Mundo desde então vem de nós, do facto de sermos seres biológicos.  

Não é exagero dizer que a totalidade do mundo humano depende dos sistemas vivos ou da nossa inteligência. No entanto, ambos estão atualmente num momento sem precedentes de inovação exponencial e convulsão, um aumento sem paralelo que pouco deixará inalterado. Começa a abaterse à nossa volta uma nova onda de tecnologia. Esta onda liberta o poder de criar estes dois fundamentos universais: uma onda de, nada mais nada menos, inteligência e vida.  

A onda iminente define-se por duas tecnologias nucleares: a inteligência artificial (IA) e a biologia sintética. Juntas, darão início à nova aurora da Humanidade, gerando riqueza e excedentes como nunca se viu. Porém, a sua rápida proliferação também ameaça dar poder a um conjunto diversificado de maus intervenientes para desencadear perturbações, instabilidade, e até catástrofes a uma escala indizível.

Esta onda cria um imenso desafio que definirá o século XXI: o nosso futuro depende dessas tecnologias e é ameaçado por elas.  

Do ponto em que nos encontramos, parece que conter esta onda – isto é, controlar, refrear ou mesmo parar – não é possível. Neste livro, perguntase porque pode isso ser verdade e o que significa se for. As implicações destas questões afetarão todas as pessoas vivas e cada geração vindoura.  

Acredito que esta nova onda de tecnologia está a levar a história humana a um ponto de viragem. Se a sua contenção for impossível, as consequências para a nossa espécie serão dramáticas, potencialmente terríveis. Do mesmo modo, sem os seus frutos, ficamos expostos e precários.

É um argumento que já apresentei muitas vezes na última década, à porta fechada, mas à medida que os impactos se tornam pouco a pouco mais incontornáveis, é a altura de o defender publicamente.  

 

O dilema  

Contemplar o poder profundo da inteligência humana levoume a uma pergunta simples, que consome a minha vida desde então: suponhamos que conseguimos destilar a essência do que torna os seres humanos tão produtivos e capazes num software, num algo ritmo? Encontrar a resposta poderia desbloquear ferramentas indizivelmente possantes para ajudar a resolver os nossos problemas mais difíceis. Poderá estar aqui uma ferramenta, impossível mas extraordinária, para nos ajudar a ultrapassar os grandes desafios das próximas décadas, das alterações climáticas ao envelhecimento da população e à alimentação sustentável.  

Com isto em mente, num pitoresco escritório da Era da Regência com vista para a Russell Square em Londres, cofundei uma empresa chamada DeepMind, com dois amigos, Demis Hassabis e Shane Legg, no verão de 2010. Este era o nosso objetivo, que, em retrospetiva, ainda parece tão ambicioso, louco e esperançoso como na altura: replicar aquilo que nos torna únicos enquanto espécie: a inteligência.  

Para atingir este objetivo, teríamos de criar um sistema que pudesse imitar e, com o tempo, superar todas as capacidades cognitivas humanas, da visão e fala ao planeamento e à imaginação e, por fim, empatia e criatividade. Uma vez que tal sistema ganharia com o processamento paralelo maciço dos supercomputadores, e da explosão de novas e vastas fontes de dados de toda a Web aberta, sabíamos que mesmo um modesto progresso em direção a este objetivo teria profundas implicações sociais.  

Na altura, parecia algo do outro Mundo. A adoção generalizada da inteligência artificial era coisa de devaneios, mais fantasia do que facto, domínio de alguns académicos enclausurados e fãs de ficção científica deslumbrados. Ora, enquanto escrevo isto e penso na última década, o progresso da IA tem sido nada menos do que espantoso. A DeepMind tornouse uma das principais empresas de IA do Mundo, conseguindo uma série de descobertas. A velocidade e o poder desta nova revolução têm surpreendido, mesmo aqueles de nós que estão mais próximos da sua vanguarda. Enquanto escrevi este livro, o ritmo de progresso da IA foi impressionante, com novos modelos e novos produtos a serem lançados todas as semanas, por vezes todos os dias. É evidente que esta onda está a acelerar.  

Atualmente, os sistemas de IA conseguem reconhecer, quase na perfeição, rostos e objetos. A transcrição de voz para texto e a tradução linguística instantânea são um dado adquirido. A IA consegue navegar nas estradas e no trânsito suficientemente bem para conduzir de forma autónoma em determinadas situações. Com base em algumas instruções simples, uma nova geração de modelos de IA pode gerar imagens e compor textos com níveis extraordinários de pormenor e coerência. Os sistemas de IA são capazes de produzir vozes sintéticas com um realismo insólito, e compor música de uma beleza estonteante. Mesmo em domínios mais difíceis, que há muito se pensava estarem exclusivamente adaptados às capacidades humanas, como, por exemplo, planeamento a longo prazo, imaginação, e simulação de ideias complexas, os progressos são cada vez maiores.  

Há décadas que a IA sobe a escada das capacidades cognitivas, e parece preparada para atingir um nível humano numa vasta gama de tarefas nos próximos três anos. É uma grande alegação, mas, se eu estiver quase correto, as implicações são na verdade profundas. Quando fundámos a DeepMind, aquilo que parecia quixotesco tornouse não só plausível, mas aparentemente inevitável.  

Desde o início, era claro para mim que a IA seria uma ferramenta poderosa para um bem extraordinário, mas, como a maioria das formas de poder, também repleta de imensos perigos e dilemas éticos. Há muito que me preocupo com as consequências do avanço da IA, mas de igual modo com o rumo de todo o ecossistema tecnológico. Estava em curso uma revolução mais ampla, com a IA a alimentar uma geração poderosa e emergente de tecnologias genéticas e robótica. Os progressos numa área aceleram as outras, num processo caótico e catalisador transversal, fora do controlo direto de quem quer que seja. Evidenciavase que, se nós ou outros fôssemos bemsucedidos na replicação da inteligência humana, não seria apenas um negócio lucrativo, como de costume, mas também uma mudança sísmica para a Humanidade, inaugurando uma Era em que oportunidades inéditas acarretariam riscos inéditos.  

Com o avanço da tecnologia ao longo dos anos, as minhas preocupações só aumentaram. Suponhamos que a onda é, de facto, um maremoto? 

Em 2010, quase ninguém falava seriamente sobre IA. No entanto, o que antes parecia uma missão de nicho para um pequeno grupo de investigadores e empresários tornouse agora um vasto empreendimento global. A IA está em todo o lado, nas notícias e no smartphone do leitor, a negociar ações e a criar sítios na Web. Muitas das maiores empresas, e das nações mais ricas, do Mundo avançam a passos largos, desenvolvendo modelos de IA e técnicas de engenharia genética de ponta, alimentadas por dezenas de biliões de dólares de investimento. Uma vez amadurecidas, estas tecnologias emergentes espalharseão rapidamente, tornandose mais baratas, mais acessíveis e amplamente difundidas por toda a sociedade. Oferecerão novos e extraordinários avanços na medicina e na energia limpa, criando não só empresas, mas também indústrias e melhorias na qualidade de vida em quase todos os domínios imagináveis.  

No entanto, além destes benefícios, a IA, a biologia sintética e outras formas avançadas de tecnologia produzem riscos extremos a uma escala demasiado preocupante. Podem representar uma ameaça existencial para os Estadosnação – riscos tão profundos que podem perturbar ou mesmo derrubar a atual ordem geopolítica. Abrem caminho a imensos ciberataques e guerras automatizadas, com a força motriz da IA, capazes de devastar países; pandemias engendradas; e um Mundo sujeito a forças inexplicáveis, mas, aparentemente, omnipotentes. A probabilidade de cada qual pode ser ínfima, mas as consequências possíveis são enormes. Mesmo a mínima hipótese de desfechos como estes exige atenção urgente.  

Certos países reagirão à possibilidade de tais riscos catastróficos com um autoritarismo carregado de tecnologia para abrandar a propagação destes novos poderes. Isto exigirá enormes níveis de vigilância, juntamente com intrusões maciças na nossa vida privada. Manter a tecnologia sob rédea curta pode vir a fazer parte de uma deriva para tudo e toda a gente a ser vigiada, a toda a hora, num sistema global distópico, justificado pelo desejo de nos precavermos contra os desfechos mais extremos possíveis.  

Também plausível é uma reação ludita. Seguirseão proibições, boicotes e moratórias. Será possível deixar de desenvolver novas tecnologias e introduzir uma série de moratórias? É pouco provável. Com o seu enorme valor geoestratégico e comercial, é difícil ver como é que os Estadosnação ou as multinacionais se deixam convencer a abdicar unilateralmente do poder transformador desencadeado por estas descobertas. Além disso, a tentativa de proibir o desenvolvimento de novas tecnologias é, em si mesma, um risco: as sociedades tecnologicamente estagnadas são historicamente instáveis e propensas ao colapso. Perdem a capacidade de resolver problemas, de progredir.  

Tanto a prossecução como a não prossecução das novas tecnologias estão, a partir daqui, repletas de riscos. As probabilidades de se percorrer uma «via estreita» e evitar um ou outro resultado – distopia tecnoautoritária, por um lado, catástrofe induzida pela abertura, por outro – diminuem ao longo do tempo consoante a tecnologia desencarece, ganha poder, fica mais insidiosa e os riscos acumulam se. No entanto, afastarmonos também não é opção. Mesmo que nos preocupemos com os riscos, precisamos mais do que nunca dos incríveis benefícios das tecnologias da onda iminente.

Este é o dilema nuclear: que, mais cedo ou mais tarde, uma poderosa geração de tecnologia conduza a Humanidade rumo a resultados catastróficos ou distópicos. Creio que este é o grande metaproblema do século XXI.  

Este artigo descreve porque está esta situação terrível a tornarse inevitável, e explora a forma de a enfrentarmos. De algum modo, precisamos de tirar o melhor partido da tecnologia, essencial para enfrentar um conjunto imperioso de desafios globais, e também para sair do dilema. O atual discurso em torno da ética e da segurança tecnológicas é insuficiente. Apesar dos muitos livros, debates, publicações em blogues e desgarradas no Twitter sobre tecnologia, raramente se ouve falar em contenção. Vejo nisto um conjunto interligado de mecanismos técnicos, sociais e legais que restringem e controlam a tecnologia, e que funcionam a todos os níveis possíveis: um meio, em teoria, de fugir ao dilema. Contudo, mesmo os críticos mais severos tendem a esquivarse a esta linguagem de forte contenção.  

Isto tem de mudar. Espero que este livro* mostre porquê e indique como. 

 

*Este excerto do livro A Próxima Vaga, de Mustafa Suleyman com Michael Bhaskar, foi adaptado com o consentimento dos autores e da Editora Clube do Autor. Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o  tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

 

Arquivado em:Artigos, Leadership

«Os jovens ajudam-nos a tomar melhores decisões», afirma Nuno Piteira Lopes

10 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

O projeto Leadership Summit NEXT GEN promete dar palco à Geração Z, envolvendo jovens a partir dos 15 anos na discussão dos temas de liderança. Nascidos entre 1996 e 2010, esta é a primeira geração a crescer com a Internet e com valores fortes relacionados com a justiça racial e a sustentabilidade.

A iniciativa foi apresentada na Leadership Summit Portugal, que levou ao palco os estudantes David Amorim, Natacha Ferreira e Filipe Carvalho, que demonstraram muita preocupação com o coletivo e saber bem o papel de um líder. Partilharam o momento com Nuno Piteira Lopes, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cascais, que fez questão de salientar que esta geração contém «os líderes de hoje e do presente, não do futuro».

Nuno Piteira Lopes, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cascais

Os conselhos dos jovens para as lideranças

Natacha Ferreira começa por afirmar que um líder deve não só motivar os colaboradores, mas também remar «no barco com a equipa». «Do que é que vale chegarmos a uma meta sozinhos? Na minha opinião, acho que o líder devia saber o que é que a sua equipa sente», acrescenta.

A jovem afirmou ainda que são essas perguntas que contribuem para uma liderança mais inclusiva e equilibrada. Filipe Carvalho depreende que «não existe uma diferença na essência do que foram os líderes do passado e da atualidade», afirmando existirem «elementos-chave que são inerentes à própria função».

Natacha Ferreira
Filipe Carvalho

Os líderes são a representação dos anseios e objetivos de quem lideram. Portanto, devem olhar para isso e liderar para eles, pois só assim terão a sua confiança.

David Amorim acrescenta que um líder deve ponderar se as suas decisões são partilhadas com a equipa, de forma a garantir que todos estão na mesma página.

Nuno Piteira Lopes referiu que também a política deve ter em conta as opiniões e ideias dos jovens. «Muitas vezes os líderes, nomeadamente os líderes políticos, têm tendência para se preocuparem muito com as eleições e nunca pensam nas futuras gerações», disse.

Não podemos estar a tomar decisões, a pensar que são as melhores, quando a geração abaixo, que vai usufruir destas mudanças, pensar uma coisa completamente contrária. Os jovens ajudam-nos a tomar melhores decisões.

Um conselho que Natacha Ferreira deixa aos políticos é «liderar com empatia e pensar no futuro, a longo prazo». Já David Amorim sublinha ainda a importância de uma comunicação saudável nas lideranças.

David Amorim

Nuno Piteira Lopes sublinhou a importância de envolver esta comunidade na tomada de decisões, e deixou um conselho aos jovens que se aplica aos pais, avós e aos líderes. «Temos de reumanizar estes jovens. Faz-me confusão estarem presos no mundo digital. Se o Mundo fosse mais humanizado, era um Mundo mais bonito e com mais amor. Temos de desligar das redes sociais», conclui.

 

Assista ao debate completo aqui:

Leadership Summit NEXT GEN

 

Tenha acesso à galeria de imagens aqui.

Assista a todos os momentos, on demand, na Líder TV em www.lidertv.pt, na posição 165 do MEO e 560 da NOS.

Arquivado em:Liderança, Notícias, Política

Verdadeiros oásis de sustentabilidade

10 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

Fechem os olhos e imaginem a cidade do futuro. As imagens que nos vêm à mente são moldadas pela cultura que consumimos ao longo dos anos. Filmes como Blade Runner, Minority Report e Star Trek transportam-nos para um futuro que, em muitos aspetos, já é o nosso presente. Unidades móveis e pessoais de comunicação, carros autónomos, robôs humanoides com inteligência artificial, o fim do dinheiro físico… Tudo o que essas referências previram, está a acontecer. Tudo, menos uma coisa: as cidades. 

Aqueles espaços feios, impessoais, escuros e metálicos que tantas vezes vimos no cinema não se tornaram realidade. A tendência é exatamente a oposta. As cidades estão a transformar-se em espaços cada vez mais verdes, harmoniosas com a Natureza e com os humanos. No futuro, as cidades serão verdadeiros oásis de sustentabilidade. Imagine ruas arborizadas, com muito menos carros, edifícios cobertos de jardins verticais e telhados verdes, silêncio… Os transportes públicos serão eficientes e ecológicos, onde veículos elétricos autónomos e ciclovias seguras e acessíveis serão a norma, reduzindo a poluição e os congestionamentos. As ciclovias e os caminhos pedonais serão amplamente utilizados, promovendo um estilo de vida mais saudável e ativo.  

A tecnologia estará integrada de forma invisível, facilitando a vida sem devassar a privacidade (a perda de alguma privacidade será o preço de maior segurança e de níveis de conforto elevado, mas esse é outro tema). 

As comunidades serão mais coesas, com espaços públicos desenhados para promover a interação social e o bem-estar. A inclusão social será uma prioridade nas cidades do futuro porque as cidades terão cada vez mais uma população heterogénea. Programas comunitários e iniciativas de participação dos cidadãos serão incentivados para fortalecer o senso de comunidade e promover a coesão social.  

A energia será renovável, com painéis solares e turbinas eólicas a alimentar as necessidades urbanas. A água será gerida de forma inteligente, com sistemas de reciclagem e aproveitamento da chuva. As cidades do futuro serão um reflexo do nosso compromisso com o Planeta e com as gerações vindouras. Serão lugares onde a inovação e a tradição se encontram, criando ambientes que respeitam e celebram a Natureza e a Humanidade. 

Além disso, as cidades do futuro serão projetadas para serem resilientes às mudanças climáticas. Isso significa que haverá infraestruturas robustas para enfrentar desastres naturais, como inundações e tempestades. As cidades serão equipadas com sistemas de alerta precoce e planos de evacuação eficientes para garantir a segurança dos seus habitantes. A arquitetura será adaptável, permitindo que os edifícios se ajustem às condições climáticas variáveis, mantendo o conforto e a eficiência energética. 

A tecnologia desempenhará um papel crucial na gestão das cidades do futuro. Sensores inteligentes serão instalados em toda a infraestrutura urbana para monitorar e otimizar o uso de recursos. A inteligência artificial será usada para prever e resolver problemas antes que eles se tornem críticos, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. 

Em resumo, as cidades do futuro serão um reflexo do nosso compromisso com a sustentabilidade, a inovação e a inclusão. Serão lugares onde a tecnologia e a Natureza coexistem harmoniosamente, proporcionando um ambiente saudável e vibrante para todos os seus habitantes.  

Fechem os olhos e imaginem: se… conseguirmos salvar o Planeta, as cidades do futuro serão verdes, sustentáveis e humanas. 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Combater o idadismo nas organizações: saiba como, neste episódio dos ‘Wellow Insights’

10 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

A discriminação baseada na idade – ou idadismo – embora muitas vezes menos visível que outras formas de discriminação, tem efeitos igualmente prejudiciais no mercado de trabalho. Este é um tema vital para a construção de uma sociedade mais inclusiva e justa para todas as idades, sendo necessário trazê-lo para o debate corporativo.

Nesta edição dos Wellow Insights participam Maria Ana Gonçalves, formada em Psicologia Social e Gestora de Projetos no Setor do Envelhecimento Ativo na Aproximar, e Maria do Carmo Marques Pinto, Diretora Executiva na dNovo.

Com moderação de Rui Fiolhais, Vice-Presidente do Grupo Wellow, esta conversa abordou o idadismo e abriu o debate para as suas implicações no mercado de trabalho. Foram exploradas políticas eficazes para combater este preconceito, assentes na valorização da experiência dos mais novos ou dos mais velhos e promover uma cultura organizacional inclusiva.

Criados pelo Grupo Wellow, cada episódio dos Wellow Insights promete trazer uma mesa-redonda composta por especialistas e profissionais de diversas áreas para debater tópicos tão distintos como diversidade, equidade e inclusão, propósito organizacional, confiança, ética e integridade, entre outros.

 

Assista ao episódio, disponível na Líder TV:

Wellow™ Insights | Idadismo

 

Episódios anteriores:

Wellow Insights: conheça o videocast sobre inovação no mundo organizacional

A importância do trabalho digno nas empresas é tema nos ‘Wellow Insights’

Qual é a importância do propósito organizacional? Os ‘Wellow Insights’ dão a resposta

Arquivado em:Líder Corner

Humanidade: O que estamos dispostos a sacrificar?

10 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

As Nossas Decisões São Baseadas em Informação Verdadeira? 

A Humanidade está diante de um momento crucial, onde a necessidade de reflexão e de tomar decisões assentes na verdade nunca foi tão urgente. Num Mundo cada vez mais dominado pelo populismo e pela polarização, é imperativo que reconsideremos os líderes que escolhemos, não apenas para governar os nossos países, mas também para dirigir as nossas organizações e comunidades locais. A Democracia, que deveria ser um pilar de estabilidade e justiça, está a ser testada pela desinformação e pela rapidez das opiniões formadas nas redes sociais, que muitas vezes são influenciadas por fake news e pela inteligência artificial generativa. 

Pergunta para reflexão: Antes de decidir, costuma validar a veracidade da informação que recolheu? Ficaria surpreendido(a) com as diferentes versões da veracidade da informação. Será que está disponível para sacrificar uma boa decisão se a verdade for inconveniente? 

As Nossas Decisões São Resultado de uma Reflexão Silenciosa? 

Nesse cenário, as escolas desempenham um papel fundamental. Instituições como a Nova School of Business & Economics devem ser protagonistas na promoção de uma educação que vá além do conhecimento técnico. Precisamos de uma educação que cultive o pensamento crítico, que incentive o silêncio como forma de reflexão e que ensine a importância de decidir com base na verdade. Os alunos, sejam eles mais novos ou executivos, devem ser preparados não apenas para o mercado de trabalho, mas para serem cidadãos conscientes, capazes de contribuir para um Mundo mais equilibrado e justo. 

Pergunta para reflexão: Antes de decidir, reflete sobre o caminho que pretende seguir, escrevendo em silêncio o que essa decisão representa para si? Estará disponível para sacrificar a sua verdade pela que irá descobrir no silêncio? 

As Nossas Decisões São Baseadas numa Perspetiva de Crescimento Contínuo ou Decrescimento Sereno? 

O conceito de «decrescimento sereno» tem, por isso, ganho mais relevância nas discussões. A ideia de um crescimento económico contínuo e ilimitado está a ser desafiada, abrindo espaço a uma transição para um modelo de desenvolvimento que priorize a sustentabilidade ambiental, o bem-estar social e a qualidade de vida, em vez de se focar exclusivamente no aumento do Produto Interno Bruto. Não se trata de retroceder, mas de compreender que existe um equilíbrio entre «profit» e «purpose». Se a “Humanidade está a chamar”, então temos de recordar o que realmente é importante, reconhecer a nossa finitude e o nosso papel para as futuras gerações. 

Por essa razão, acredito que profissionais mais maduros, com vasta experiência de vida e carreira, podem oferecer uma perspetiva valiosa para enfrentar os desafios atuais, em particular ajudando a formar líderes a aprender lições que só uma vida pode ensinar. Lições como o silêncio, que para as gerações mais jovens pode ser traduzido em mindfulness e, para gerações mais velhas, pode significar paciência e tolerância. 

Pergunta para reflexão: Vive para uma vida de procura pelo crescimento económico contínuo ou para um equilíbrio sustentável da sua vida e comunidade? Será que está disponível para sacrificar crescimento económico por um caminho mais sustentável, mas potencialmente menos atrativo do ponto de vista social ou para os acionistas? 

E se, ao invés de corrermos incessantemente em busca de mais, parássemos para questionar o que realmente significa «crescer»? E se o verdadeiro progresso estivesse, não na expansão contínua, mas na capacidade de recuar, de silenciar, de reavaliar e, acima de tudo, de decidir com a verdade? Talvez a resposta não esteja no que ganhamos, mas no que escolhemos preservar e valorizar. A Humanidade chama-nos a refletir: até que ponto estamos dispostos a sacrificar o essencial em nome do supérfluo? 

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

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