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Leonor Wicke

Conheça os novos apoios a projetos sociais em Portugal, Angola e Moçambique

10 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

Até dia 18 de outubro, estão a decorrer as candidaturas ao financiamento a projetos sociais a decorrer em Portugal, Angola e Moçambique. As entidades do terceiro setor de cada país podem submeter um, ou mais projetos nas áreas da educação, empregabilidade, empreendedorismo e sustentabilidade ambiental. 

O PACT Fund, iniciativa da Deloittte, concede um financiamento, num valor máximo de 30.000€, em que para além do apoio monetário, é alocado a cada projeto um grupo de mentores da consultora que, em regime de voluntariado, acompanham de perto as entidades, apoiando no cumprimento dos objetivos de impacto. 

Após o fecho das candidaturas, o comité de avaliação composto por profissionais de diferentes áreas de negócio da Deloitte, irá analisar e selecionar os projetos e instituições a apoiar, tendo em conta elementos como o impacto e viabilidade do projeto ou o caráter inovador da abordagem. Os projetos selecionados serão anunciados em dezembro. 

Em dez edições do PACT Fund, foram apoiados 73 projetos e houve um impacto em mais de 135 mil pessoas, direta ou indiretamente. 

Saiba mais aqui.  

O PACT Fund permite-nos compreender, ano após ano, que há ainda muito trabalho a ser feito no setor social, sobretudo fruto das crescentes assimetrias resultantes de um período de grande instabilidade como o que vivemos. Apesar disso, orgulhamo-nos de ao longo da última década termos impactado positivamente a vida de vários milhares de pessoas em Portugal, Angola e Moçambique. O grande diferencial desta iniciativa é o facto de, comprovadamente, conseguirmos observar as melhorias que decorrem do apoio que damos, através do acompanhamento de proximidade que os mentores da Deloitte fazem ao longo do ano.

Afonso Arnaldo, Partner da Deloitte e Corporate Responsibility & Sustainability Leader 

Arquivado em:África, Angola, Moçambique, Notícias

A tralha e o espanto

9 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

O presentismo é a mentalidade segundo a qual as ideias geradas no tempo em que eu vivo são melhores do que as outras, pelo facto de terem sido geradas no tempo em que eu vivo. Conclusão: o século XXI é que é. Lá atrás, no corredor escuro do passado, encontram-se algumas ruínas com certo interesse turístico, na melhor das hipóteses.  

Esta forma de ver as coisas, notavelmente provinciana, corresponde a uma concepção quase mágica da história, que faz equivaler a passagem do tempo a uma marcha imparável da Humanidade em direcção a um lugar melhor. Assenta numa crença curiosa: os homens enganam-se mas a história não. E traduz-se num princípio de orientação vital: se é novo, se acabou de aparecer, então deve ser bom; se está associado a um tempo remoto, lamentamos mas…  

Há factores pragmáticos a alimentar o êxito do presentismo nos dias que correm. Ele é potenciado por uma organização da sociedade marcada pelo bombardeamento constante de estímulos, estímulos esses que apontam para o presente como ponto de encontro exclusivo de todas as possibilidades interessantes. Estar a par daquilo que se apresenta como a actualidade é hoje um trabalho a tempo inteiro, como se sabe.

Puxados a cada minuto pelos mecanismos da economia da atenção, lá vamos nós — funcionários obedientes e sem esperança de um regime que não nos entusiasma particularmente — espreitar a mais recente notícia do jornal, responder à derradeira mensagem de WhatsApp, navegar pelas redes sociais entre frequentes tempestades publicitárias, num ciclo tão frenético quanto monotonamente repetido. 

Uma das consequências deste afunilamento no imediato é perder de vista a riqueza que a tradição oferece. A actualidade passa a ocupar todo o espaço e acaba por soterrar o património cultural do passado — que poderia ajudar a ver melhor o presente, mas exige, para isso, outro tipo de disponibilidade da parte dos indivíduos.  

Esquecido sob a tralha que se vai acumulando no espaço público e determinando a paisagem das relações sociais, jaz pacientemente o tesouro das grandes ideias que os grandes espíritos reuniram ao longo dos séculos. A Grécia antiga e o Cristianismo, em particular, nunca deixam de oferecer luz a quem lhes oferecer o seu tempo. 

Se eu tivesse de recuperar hoje uma dessas peças soterradas — uma só peça desse tesouro de perspectivas menosprezado pela cultura contemporânea — seria a consciência de que nós recebemos a vida. A consciência de que somos resultado de uma espécie de beneplácito alheio, talvez cruel, talvez generoso, mas em todo o caso alheio.

De facto, nenhum ser humano parece ter vindo parar aqui por decisão própria, nem consta que algum tenha tido uma palavra a dizer na construção da encrenca em que está metido. Damos por nós já configurados de uma determinada forma, com nariz e paixões e língua e memória e vontade de ir à casa-de-banho e aspirações principescas e toda uma constituição de deixar boquiaberto o mais sábio dos sábios. Damos por nós determinados de uma maneira que não escolhemos e sem notícias do propósito de isto ser como é.

É certo que, com uma naturalidade também ela digna de espanto, tendemos a lidar com a forma da existência como se fôssemos velhos amigos que se tratam por tu.

Mas, dando um passo atrás e procurando ver as coisas pela primeira vez, assombrar-nos-emos com a circunstância de termos recebido, vindo sabe-se lá de onde, o desafio de assistir e participar nesta vida, nesta vida tão exigente e tão sem mapa, com todas as possibilidades grandiosas e miseráveis que contém. Descobrir que se está vivo é ser tomado pela estranheza de uma dádiva desmesurada. 

É evidente que este tipo de pasmo radical está na origem de quase todas as produções culturais relevantes. A poesia portuguesa — isto é, a poesia de um povo que nem sequer tem uma propensão metafísica muito vincada — é um caso sintomático. Abrimos um poema de Camões e lá está ele a lamentar a forma desconcertada como o Mundo se organiza.

Abrimos um poema de Pessoa e lá está ele às voltas com o mistério insondável de “haver ser”. Se destaco hoje esta ideia do carácter recebido e estranho da vida, não é, portanto, com qualquer pretensão de originalidade, mas apenas porque se trata de um dado básico da consciência de si que a cultura contemporânea tem varrido para debaixo do tapete. Sondando a cultura actual, é notório que a ênfase foi deslocada para a questão da auto-determinação. O que queremos ser, a maneira como a sociedade impede que o sejamos, a distância entre os desejos já estabelecidos e o Mundo, etc. No princípio era o Desejo Humano, proclama-se por todo o lado. Mas trata-se de uma mentira.  

No princípio — se quisermos ser rigorosos quanto aos fenómenos — era o facto de a vida, com a sua peculiaríssima forma e como um enigma por decifrar, nos ter chovido em cima.  

Talvez a ansiedade do Homem contemporâneo esteja relacionada com esta novidade histórica: ter sido dispensado pela própria época de procurar a verdade sobre o enigma que é e convidado a assumir — com um sorriso amarelo e um aceno morno para as câmaras — que está radiante por poder ser o que quiser.  

O ponto que pretendo sublinhar, porém, é outro. As consequências psicológicas das formas de sentido existencial em voga têm sido alvo de destaque, com referências múltiplas à saúde mental e problemas afins. Menos referidas são as suas consequências cognitivas.

É precisamente esse o aspecto digno de nota: não descurando a quantidade de maravilhas que a cultura contemporânea nos oferece, ela promove, através da multiplicação dos estímulos e da obsessão mono-maníaca com o direito à auto-determinação, uma forma de lidar com o Mundo inimiga desse espanto radical que é o início de toda a lucidez. Vendo bem, tomar consciência de que nascemos com o poder de decidirmos que rumo seguir só deveria agravar o espanto de as coisas serem como são. 

O que me posso determinar a ser, por mim próprio, ocorre já no interior do constrangimento do que me constitui — ser um sujeito com pernas e desejos, filho dos seus pais, etc. — e, mais relevante do que isso, em virtude desse mesmo modo-de-ser que me calhou em sorte: eu não determinarei nada de nada se antes o livre-arbítrio não me tiver sido concedido. É nesse sentido que a descoberta da capacidade de auto-determinação reforça a impressão de estranheza descrita atrás. Porque é que me tiraram da paz do sono do nada, obrigando-me a tomar decisões nesta encruzilhada de alternativas? Através de que artes mágicas, por que razões obscuras, fui eu atirado para este lugar em que tudo sabe a tão pouco e em que não posso não definir um caminho? Mas há mais. Tomar consciência deste poder de auto-determinação não só aprofunda o espanto, como transforma o seu conteúdo numa interpelação: que faço eu com isto?  

Temos em cima da mesa, assim, duas versões do espanto significativamente diferentes. De um lado, a versão corrente, acerca da qual não há muito a dizer. O espanto como exercício intermitente, arejamento mental, passatempo burguês. Uma actividade com hora de abertura e hora de fecho, quando tiramos a tarde de folga e compramos bilhetes para o museu.

Do outro lado, o espanto de quem acordou para o facto primeiro: haver ser, comigo cá dentro. Um espanto que é a inteligência a rir-se dela própria e o coração em curto-circuito por se descobrir estrangeiro de si mesmo. O horror sagrado perante a existência, que Coleridge afirma ter acometido as mentes mais nobres das idades antigas.   

 

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o  tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

 

Simão Lucas Pires  

Nasceu em Lisboa, em 1990. Formado em Filosofia, tem estudado sobretudo o pensamento de Blaise Pascal — em particular as reflexões acerca da extraordinária aspiração dos homens e da extraordinária incompetência para lhes dar resposta. Foi Professor do ensino secundário e escreve textos sobre literatura em publicações como o jornal Observador e a revista LER. A Trombeta Vaga (Quetzal, 2023) é o seu primeiro livro de ficção, um livro de contos. 

 

Arquivado em:Artigos, Leadership

«Vivemos num mundo onde a única certeza é que estamos numa era de incerteza», Brian Klaas

9 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

A Humanidade está à deriva, num Mundo cada vez mais caótico e confuso. O que é certo, torna-se incerto, e o ritmo dos acontecimentos, climáticos, geopolíticos, humanitários, entre tantos, é cada vez mais acelerado, sobretudo no último século, e ainda mais desde o ano 2000. 

Navigating a World of Chaotic Uncertainty é a talk onde Brian Klaas nos leva a tomar o rumo entre uma «incerteza radical». O Professor e Cientista Político é apresentador do podcast Power Corrupts, e autor do livro Corruptiveis. É especialista em democracia, autoritarismo e política externa dos EUA. 

Na sua perspectiva, a aprendizagem para conseguir a estabilidade está nas «pequenas coincidências» que podem mudar o mundo, bem como na teoria do caos e a forma como os nossos cérebros ignoram a aleatoriedade e os efeitos arbitrários, e tentam agarrar-se à certeza. 

A única certeza é que vivemos numa era de incerteza. As empresas que conseguem adaptar-se rapidamente a novas realidades são as que terão mais sucesso no futuro.

E acrescenta que «a incerteza não é necessariamente uma coisa má», pelo contrário ela cria «oportunidades para inovação e mudança».  

Quatro coordenadas para navegar numa Era de incerteza 

Em parte, a chave está nos pequenos acasos, efeitos arbitrários, ou até, aleatórios, que podem realmente mudar o mundo. Para exemplificar a como as pequenas decisões que os líderes tomam, podem ter um impacto profundo no Mundo, Brian Klaas refere o episódio da História do lançamento da primeira bomba atómica, em Hiroshima, que estava destinada a Quioto. 

Henry Stimson, Secretário da Guerra dos Estados Unidos, tinha estado em Quioto de férias, anos antes, no exato local onde seria largada a bomba (Hotel Miyako) e foi isso que o levou a convencer o presidente Truman a retirar Quioto da lista de alvos, em agosto de 1945. 

A segunda bomba atómica, lançada em Nagasaki, foi também resultado de um acaso, pois estava destinada a parar em Kokura, mas havia nevoeiro sobre essa cidade. Com estas histórias, ilustra o que são ‘pequenos acasos’ que têm repercussões enormes.  

Brian Klaas faz também a ligação com a teoria do caos – do ‘efeito borboleta’, em que o bater de asas pode causar um furacão no outro lado do mundo. No entanto, conforme explica, quando se tenta entender rigorosamente a ideia, ela diz que «em sistemas interconectados e complexos, pequenas mudanças podem ter efeitos profundos, que uma pequena ondulação pode causar grandes alterações».  

O que fazemos hoje, as pessoas com quem falamos, as coisas em que pisamos, as nossas ações criam ondulações no futuro. O tempo todo somos essas borboletas. As nossas ações são profundamente importantes para moldar o futuro. E para os líderes, isso é ainda mais influente, porque as vossas asas, por assim dizer, no efeito borboleta, são maiores do que as de outras pessoas.

O Mundo está estruturado em regressões lineares, padrões, gráficos e previsões, e o Homem finge que o pode controlar quando «claramente está cheio de incertezas profundas». Porquê? 

 

A resposta está nos nossos cérebros que evoluíram para «contar histórias que fazem sentido e que enfatizam a ordem sobre a desordem e a certeza sobre a incerteza».  

Quando acontecem coisas aleatórias, muitas vezes não as aceitamos como tal e, em vez disso, «criamos uma narrativa para as explicar, que muitas vezes ignora a aleatoriedade e tenta trazer ordem ao caos».  

«O problema com este tipo de narrativa é que, muitas vezes, elas ignoram a realidade caótica e aleatória da vida. Temos de aceitar a incerteza, em vez de a ignorar», afirma.  

A incerteza também se justifica com a globalização, como tal, o Mundo está tão interconectado, que pequenos eventos numa parte do mundo podem ter grandes repercussões noutras. 

A velocidade da mudança tecnológica, é outra das razões para a incerteza, com «novas tecnologias a ser desenvolvidas e implementadas a um ritmo mais rápido do que nunca, e isso está a transformar indústrias da noite para o dia». Nota final para as alterações climáticas estão a introduzir uma nova dimensão de incerteza nas nossas vidas.  

 

Veja a talk aqui: 

Brian Klaas – Navigating a World Of Chaotic Uncertainty

 

 

Tenha acesso à galeria de imagens aqui. 

Assista a todos os momentos, on demand, na Líder TV em www.lidertv.pt, na posição 165 do MEO e 560 da NOS. 

 

Arquivado em:Liderança, Notícias

A vaga mundial de insolvências não vai abrandar até 2025

9 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

 

É esperado que o nível global das insolvências aumente 23% ainda este ano, devido à redução das margens, endurecimento das condições de financiamento e baixo crescimento. 

É a Crédito y Caución que avança esta informação, acrescentando que o fraco desempenho de 2024 juntar-se-á ao aumento de 31% nas insolvências já registado em 2023.

Segundo a seguradora de crédito, dos 29 mercados monitorizados no seu relatório, 23 recuperaram ou já ultrapassaram os níveis pré-pandemia. Na América do Norte, as insolvências vão aumentar 29%, impulsionadas pelos Estados Unidos da América. Na Ásia-Pacífico e na Europa, situar-se-á nos 23% e 16%, respetivamente.

 

A que se deve o aumento das insolvências?

As reservas acumuladas pelas empresas estão sob pressão devido à redução das suas margens de lucro e ao aperto das condições de financiamento. A dívida acumulada durante a pandemia é cada vez mais difícil de resolver num ambiente de taxas de juro elevadas e baixo crescimento.

Nos EUA, Países Baixos e Itália, a deterioração das insolvências ocorre num contexto de ajustamento aos níveis pré-pandemia. Alemanha e Japão também registam crescimento face aos valores similares de 2019.

A dinâmica mais preocupante verifica-se em mercados como Espanha, França, Austrália, Suécia e Áustria, onde a deterioração das insolvências em 2024 se conjuga com elevados níveis de insolvência, indicando que o aumento se deve a fatores alheios ao regresso à normalidade. Em alguns mercados, como o Reino Unido ou a Suíça, as insolvências estão a consolidar-se num novo normal adverso.

Em Portugal, parecem ter-se estabilizado a um nível inferior ao pré-pandemia. A Dinamarca é o único mercado que sofrerá um declínio significativo nas insolvências.

As perspetivas para 2025 são mais estáveis num contexto de previsível recuperação do crescimento económico. À medida que a política monetária relaxa e o ambiente económico estabiliza, é provável que a tendência das insolvências registe uma melhoria. À escala global, as insolvências registarão uma queda de -3%.

Arquivado em:Economia, Notícias

O papel da mobilidade para tornar as cidades mais habitáveis

9 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

Quando pensamos numa cidade, pensamos em prédios, passeios movimentados, vida noturna e, provavelmente, carros. À medida que as cidades evoluem, estes elementos fundamentais do que constitui uma cidade precisam também de evoluir. O objetivo de todas as metrópoles é tornarem-se “cidades inteligentes” – uma cidade em sintonia com a tecnologia e a inovação que reage ativamente às necessidades dos seus habitantes.

O termo “cidade inteligente” é bastante comum, e a maioria das pessoas sabe o que significa; mas existe outro termo igualmente importante – o de “cidade habitável”. De que serve ter tecnologia e inovação, se uma cidade não é agradável para viver? Esta constitui uma força enorme, não expressa, que impulsiona o aspeto que as cidades terão no futuro. Neste aspeto, a mobilidade deve ser uma prioridade fundamental para as cidades pois, sem ela, uma cidade pode entrar em colapso e parar completamente. Uma adequada mobilidade urbana significa reduzir o stress dos condutores, promover viagens ecológicas, aliviar o congestionamento, diminuir a criminalidade e equilibrar a sustentabilidade e a tecnologia num novo estilo de vida urbana – que, combinados, tornam uma cidade habitável.  

Os condutores portugueses são os que mais aderem à utilização da tecnologia como ferramenta para facilitar a sua vida: 92,5% reconhecem a existência de aplicações de estacionamento e 47,3% utilizaram uma aplicação para estacionar no último ano. Durante vários anos, a EasyPark tem vindo a estudar as cidades inteligentes e o seu desenvolvimento, publicando há alguns anos o Índice das Cidades do Futuro.

Analisámos cidades em todo o Mundo, incluindo as 4 mil em que o Grupo EasyPark opera, e constatámos que muitas estão a adotar tecnologia de ponta para a mobilidade, como o carregamento de veículos elétricos ou o estacionamento com câmara, para proporcionar um futuro mais sustentável e melhorar o bem-estar dos seus residentes.

O índice concluiu que as cidades mais inteligentes do Mundo, as Cidades do Futuro, são Londres, Copenhaga, Estocolmo, Nova Iorque, Lund e Stavanger. Espanha entrou várias vezes na lista das 150 cidades mais inteligentes, com localidades como Madrid, Barcelona, Alicante, Bilbau e Valência. Já Portugal só apareceu uma vez na lista, com a cidade de Aveiro. As preocupações dos portugueses são claras em tornar as cidades mais habitáveis: um estudo recente, realizado pela EasyPark, revelou preocupações reais com a mobilidade, com 55,3% dos inquiridos a considerarem o estacionamento um problema e 47,3% a apontarem o trânsito como a principal preocupação para a melhoria da mobilidade das cidades. 

Uma das formas de avaliarmos a abordagem de uma cidade à Inovação da Mobilidade é através do Transporte Limpo. À medida que cada vez mais pessoas se preocupam com o seu impacto no ambiente, a procura por veículos elétricos está a aumentar. À medida que o crescimento dos veículos elétricos e híbridos continua, aumenta também a procura de lugares de estacionamento com capacidade de carregamento e a necessidade de uma forma simples de gerir estes serviços. A EasyPark tem vindo a oferecer o carregamento de veículos elétricos (EVC) desde o seu lançamento há quase 10 anos e, à medida que a procura aumenta, a EasyPark desenvolveu a sua oferta de EVC com mais parceiros, mais estacionamento e mais pontos de carregamento na Europa. Em 2023, o número total de pontos de carregamento na aplicação cresceu mais de 65%. As cidades do futuro terão de construir infraestruturas urbanas antes que as exigências dos consumidores ultrapassem a oferta das cidades.  

As vantagens do transporte limpo são óbvias: menos poluição e melhor qualidade do ar. Mas há muitas outras inovações em questões de estacionamento e soluções inteligentes de gestão do tráfego que podem tornar uma cidade mais habitável. Um inquérito online realizado em 2023 a automobilistas na Alemanha revelou que 61% dos inquiridos acreditavam que os parques de estacionamento cobertos reduzem o congestionamento do trânsito e a procura de estacionamento na rua.

A integração de sistemas de reconhecimento automático de matrículas (ANPR – Automatic Number Plate Recognition) em parques de estacionamento ajuda também as cidades a reduzirem a criminalidade, o congestionamento e o tempo necessário para encontrar um lugar de estacionamento. Ao utilizar esta tecnologia reduz-se o estacionamento ilegal, o trânsito provocado para encontrar um lugar de estacionamento e torna-se a condução urbana mais agradável. Num outro estudo, realizado na Dinamarca, 85% dos inquiridos consideraram-se “muito satisfeitos” com a sua experiência ANPR e 15% afirmaram que começaram a estacionar mais em parques de estacionamento do que na rua devido à melhoria na experiência proporcionada pela ANPR. O Grupo EasyPark mais do que duplicou a tecnologia ANPR em 15 países europeus nos últimos dois anos. 76,8% dos portugueses mostram-se preocupados com o futuro da mobilidade e do estacionamento no País e o carregamento de veículos elétricos disponível na maioria das cidades e ANPR está no topo das suas preocupações. 

Uma vez satisfeitas as exigências físicas e estruturais das cidades é necessário garantir que existe uma infraestrutura digital à altura. As aplicações e os métodos de pagamento digital, como a EasyPark, são igualmente vitais para o bom funcionamento de uma cidade, uma vez que facilitam o estacionamento aos condutores. A possibilidade de iniciar, parar ou prolongar uma sessão de estacionamento através do telemóvel ou mesmo do próprio carro, é uma das principais mudanças nos próximos 10 anos para os condutores. O estacionamento com recurso à tecnologia é utilizado por todos os tipos de condutores. Um inquérito realizado no Reino Unido revelou que 86% das pessoas com mais de 60 anos acreditam que os smartphones tornam as suas vidas significativamente melhores – uma ideia partilhada na maior parte da Europa. 

Independentemente do futuro das cidades, haverá sempre movimento e mobilidade e isso significa carros, e os carros irão precisar sempre de um lugar para estacionar. É importante que, à medida que as cidades se desenvolvem, os objetivos de ser “inteligente” e “habitável” andem de mãos dadas para que as cidades sejam não só fáceis, mas também agradáveis para viver. 

 

Este artigo faz parte do Repto publicado na edição de outono da revista Líder, com o  tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Um Equilíbrio Delicado entre Objetivos e Valores

9 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

A liderança, na sua essência, é a arte de inspirar as pessoas para alcançarem objetivos comuns. Contudo, num Mundo cada vez mais complexo, os líderes deparam-se com impasses éticos que podem comprometer a confiança e a reputação das suas organizações. A procura por resultados, muitas vezes, entra em conflito com os valores e os princípios morais, o que exige uma tomada de decisão mais delicada e, por vezes, difícil. 

É frequente os líderes serem pressionados a tomarem decisões que podem não estar alinhadas com os seus valores pessoais. Atingir os objetivos, a pressão dos vários stakeholders e a própria competitividade do mercado podem exigir escolhas que comprometem a integridade da organização. Porém, é crucial relembrar que a ética não é um obstáculo ao sucesso, mas sim um pilar fundamental para a construção de uma empresa sólida e sustentável. 

Valores como a responsabilidade, a honestidade e a integridade são a base de qualquer relação, seja profissional ou pessoal. Na liderança, estes valores são ainda mais importantes, pois influenciam o comportamento das equipas e dos departamentos, e a própria cultura organizacional. Ao cultivá-los, os líderes demonstram que se preocupam com o bem-estar das suas pessoas e com o impacto que as suas ações têm na sociedade. 

O líder assume aqui o papel de principal responsável pela criação de um ambiente de trabalho onde a ética seja valorizada e praticada por todos. Ao dar o exemplo, através da promoção da transparência e da comunicação, e ao incentivar a participação de todos nas decisões, o líder demonstra que a ética é uma prioridade para a empresa. 

Na Egor, reconhecemos a importância de uma escuta ativa para construir uma liderança colaborativa. Através da implementação de iniciativas, como o “US People”, procuramos ouvir as vozes de todos os nossos colaboradores, independentemente da sua posição hierárquica. Ao colocar as pessoas em primeiro lugar, demonstramos que valorizamos as suas opiniões e que estamos comprometidos a construir um ambiente mais justo e humano. É essencial que o líder compreenda que não gere as responsabilidades do seu cargo sozinho, há equipas que o apoiam e que, em conjunto, encontram as melhores soluções tanto para a organização, como para os seus colaboradores. 

A liderança ética não significa apenas seguir as regras, mas também desenvolver valores que permitam tomar decisões responsáveis e justas. A verdadeira liderança virtuosa está no centro das virtudes e é a procura do equilíbrio entre ética, responsabilidade e excelência. 

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

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