Duas mulheres, duas perspetivas que partilham ideias e refletem sobre os novos tempos que exigem líderes que escutam e que adotam uma linguagem transparente, construída com base na verdade, de forma a criar organizações mais éticas e humanas.
Ana Porfírio é Diretora de Recursos Humanos da Jaba Recordati e Sofia Barros Carvalhosa é Sócia na Deloitte Legal – Sociedade de Advogados / Global Deloitte Legal Talent Leader. Hoje, partilhamos a quinta conversa, de um conjunto de seis, no âmbito do projeto editorial Promova/ Líder.
Sob o ponto de vista das lideranças, o que que está em jogo quando se fala em ações éticas?
Ana Porfírio (AP): Trabalhei numa empresa onde um dos seus valores era precisamente: lead by example. Este é um valor que impele a responsabilização pela conduta própria e dos outros ao mesmo tempo que deve inspirar os colaboradores a fazer o mesmo.
Viver a ética nos negócios e na liderança é crucial na construção da reputação do líder que se materializa na emergência de relações de confiança e credibilidade dentro da organização, com clientes, parceiros e investidores, tão críticas nos tempos e contextos de incerteza e desconhecimento que vivemos. Quando uma empresa age de forma ética, cria-se o ambiente certo para o aumento da motivação das equipas, aumentos da perceção de justiça e reforço da colaboração o que promove a fidelização dos colaboradores.
Sofia Carvalhosa (SC): Já muito se escreveu sobre a liderança ética, sendo por todos defendido que as ações éticas desempenham um papel fundamental na construção e no fortalecimento das relações de confiança, de lealdade e de respeito entre as pessoas. E tal aplica-se também às lideranças, sendo reconhecido que a ética constitui um pilar essencial para o exercício eficaz e de sucesso da liderança. De facto, traduzindo-se a liderança na capacidade de motivar e inspirar pessoas para alcançar um objetivo, é inegável e notório que os líderes têm responsabilidades éticas acrescidas, na medida em que, pela posição e protagonismo que assumem na organização, beneficiam da oportunidade de poderem constantemente influenciar de forma significativa, através da sua atuação, a conduta dos colaboradores.
Os líderes estão na “linha da frente”, sendo reconhecidos como exemplo de referência da missão, dos valores e da estratégia da organização, adotando comportamentos que moldam e influenciam a conduta das pessoas em seu redor, nas relações que estabelecem, quer a nível interno como a nível externo. Um líder que revela um comportamento assente em princípios éticos e valores fundamentais, que se paute pelo rigor, excelência, transparência, honestidade e integridade, permite assegurar de forma eficaz o fortalecimento das relações de confiança e de lealdade com os colaboradores, influenciando a sua conduta ao estimular que estes adotem o mesmo tipo de comportamento, e permite reforçar também o respeito das equipas pelos respetivos líderes.
Também é reconhecido que a liderança de ética é determinante, ainda, para aumentar os níveis de motivação, inspiração, empenho e de compromisso dos colaboradores, e para promover uma cultura organizacional que valoriza a inovação, a criatividade e a excelência, que, por sua vez, terá impacto nos resultados e no reforço da reputação e da confiança na sustentabilidade da organização. O compromisso pela atuação ética deverá estar presente em todas as decisões e atos de liderança, evidenciando-se de forma clara e inequívoca, transmitindo o verdadeiro role model de referência e de inspiração que o líder deve ser para os colaboradores, clientes e demais stakeholders.
Uma liderança ética, responsável, comprometida e exemplar é uma liderança de sucesso que promove a confiança, admiração, inspiração, motivação, lealdade e compromisso dos colaboradores, clientes e demais stakeholders. Ética, honestidade, transparência e integridade numa liderança, são valores fundamentais e não são negociáveis!
As organizações não devem descurar os valores como responsabilidade, integridade e honestidade. Como não perder esse foco?
AP: Não perder este foco, implica manter vivos estes valores no dia-a-dia da organização. Para isso existem várias estratégias com definir políticas claras e códigos de conduta que reflitam esses valores. Certificar-se de que todos os colaboradores conhecem e compreendem essas diretrizes. Promover a transparência e liderar pelo exemplo como já atrás referido. As lideranças devem personificar esses valores em todas as suas ações. Quando os líderes agem com responsabilidade, integridade e honestidade, isso define um padrão para toda a organização. O investimento no desenvolvimento permanente das equipas de forma a reforçar a importância destes valores e manter os colaboradores alinhados e comprometidos.
Reconhecer a demonstração destes valores motiva os colaboradores a seguir o exemplo e cria uma cultura organizacional positiva. Incentivar uma comunicação aberta e honesta com todos os stakeholders. A transparência nas decisões e nos processos constrói confiança e reforça a integridade. Ao implementar essas estratégias, as organizações podem manter o foco nos valores da responsabilidade, integridade e honestidade, garantindo que permeiem todas as suas operações e relações.
SC: Os valores organizacionais como a responsabilidade, integridade e honestidade são fundamentais para a construção de uma cultura organizacional sólida e ética, bem como para o fortalecimento de relações de confiança, de lealdade e de respeito com os respetivos colaboradores, clientes e demais stakeholders. Mas as organizações e as respetivas lideranças enfrentam constantemente novos desafios e de elevada complexidade que exigem o constante reforço no foco e na determinação em assegurar a responsabilidade e a observância dos valores éticos por todos os colaboradores, mas em particular pela liderança, como exemplo de referência que representam para as suas equipas. Esta preocupação assume maior relevância, sendo uma prioridade da liderança, em virtude de acontecimentos de natureza política, económica e social que evidenciam casos de falta de ética na liderança ou fragilidades, e que justificou também a intervenção do legislador com vista a reforçar o regime legal nesta matéria.
Hoje constitui uma prioridade transversal às diversas organizações a divulgação constante dos valores que estão incorporados na missão, visão e cultura da organização, bem como das estratégias e políticas implementadas para assegurar uma cultura ética e responsável. Neste sentido, as organizações dispõem de Código de Ética ou de Políticas que podem ser facilmente consultados por todos os colaboradores, clientes e stakeholders, de modo a que todos possam ter pleno conhecimento dos valores fundamentais que pautam a organização e que devem ser reproduzidos sempre na conduta de todos os seus colaboradores, a todos os níveis hierárquicos.
É também uma prática comum a disponibilização de meios e de canais formais de reporte de ética que permitam aos colaboradores reportar situações que se afigurem contrárias àqueles valores e princípios fundamentais, ou para poderem esclarecer eventuais dúvidas de interpretação daqueles valores, de modo a auxiliar qualquer colaborador sempre que lhe surja um desafio no seu dia-a-dia que possa suscitar o receio de prejudicar ou colocar em causa os valores e princípios que sustentam a organização. Os mecanismos de monitorização e de feedback implementados nas organizações apresentam-se também como eficientes para assegurar a monitorização regular do alinhamento das ações e decisões da liderança com os valores da organização, permitindo identificar eventuais desvios e oportunidades de melhoria e promover ações corretivas quando necessário.
Sem prejuízo de outras medidas e exemplos de boas práticas que as organizações têm implementado nesta matéria, é fundamental assegurar a implementação de uma estratégia e gestão integrada, dinâmica e interativa nesta área, com vista a abranger todos os colaboradores da organização e assegurar que cada um, sempre que interage no âmbito das suas áreas com diferentes stakeholders externos à organização, atue em conformidade com os referidos valores e seja também uma referência e embaixador dos valores fundamentais e alicerces da sua organização. E, para o efeito, é necessário que sejam os líderes os primeiros a darem o exemplo através da sua conduta e a serem efetivamente reconhecidos, de forma transversal, como verdadeiros agentes de referência, servindo de motivação e de inspiração a todos os níveis para cada um dos colaboradores.
Numa realidade cada vez mais incerta e ambígua, quais os desafios para as lideranças na moderação da verdade e do que está certo?
AP: Numa realidade em que a incerta, ambiguidade e também o desconhecido imperam, as lideranças devem pautar a sua conduta pela transparência, manutenção da ética nas tomadas de decisão sob pressão, que se exigem cada vez mais rápidas e com pouca ou contraditória informação/dados. As lideranças precisam reforçar a comunicação clara e honesta, mesmo quando não têm todas as respostas de forma a cultivar a confiança das equipas. Nem sempre há uma resposta clara sobre o que é “certo”. As lideranças precisam estar preparadas para enfrentar dilemas éticos mantendo-se alinhadas com a missão e os valores da organização. Finalmente investir no desenvolvimento de skills de flexibilidade e adaptação a mudança constantes são um add on. Manter este equilíbrio entre flexibilidade e princípios é essencial.
SC: O exercício da liderança ética também pode implicar desafios e dilemas para os líderes, que muitas vezes têm de enfrentar situações mais complexas, que podem eventualmente colidir ou fragilizar os princípios éticos e valores fundamentais da organização. Tal exige que os líderes estejam cada vez mais atentos e preparados para lidar com esses dilemas, de forma ética e responsável. Os desafios enfrentados pelas lideranças podem ser complexos e exigem ponderação, equilíbrio, sensibilidade, responsabilidade e ética. Muitos autores têm defendido que a capacidade de conciliar a transparência com a diplomacia, de tomar decisões éticas alinhadas com os valores organizacionais e de gerir a informação de forma responsável são fundamentais para o sucesso e a credibilidade da liderança. Os líderes devem estar preparados para enfrentar esses desafios, promovendo uma cultura de integridade, respeito e confiança nas suas práticas de liderança, apostando numa comunicação constante e transparente com os seus colaboradores.
Uma boa liderança ética deverá revelar-se bastante sólida, consistente e resiliente transmitindo segurança e confiança aos colaboradores e restantes stakeholders, no sentido de que a ética e a transparência não são negociáveis, nem alvo de moderação ou hesitação. Ética e transparência (verdade) são elementos e parte integrante do DNA da organização, do líder e de cada um dos colaboradores.
Como conseguem os líderes encontrar o equilíbrio no processo de tomada de decisão?
AP: Os líderes conseguem encontrar o equilíbrio no processo de tomada de decisão mantendo-se informados, ouvindo diversas opiniões, e priorizando a transparência. Precisam confiar nos seus valores, ser flexíveis e estar preparados para ajustar o curso conforme necessário. Manter uma comunicação aberta e contínua com as equipas também é crucial para garantir que todas as vozes sejam ouvidas e consideradas.
SC: O papel dos líderes é crucial em qualquer organização, sendo responsáveis por tomar decisões que impactam diretamente a conduta dos colaboradores, os resultados e a reputação da organização. Conforme tem sido defendido por vários autores, encontrar o equilíbrio no processo de decisão é um desafio constante para os líderes, obrigando estes a desenvolverem sistematicamente a sua capacidade de conciliar de forma equilibrada diferentes aspetos, como a análise racional, a intuição, a consideração dos valores éticos da empresa e a gestão das emoções. Ora, esta não é uma “tarefa “nada fácil.
A estes fatores acresce a ética, os valores fundamentais e a responsabilidade, como elementos importantes a considerar em todo o processo de tomada de decisão dos líderes, para que consigam manter o equilíbrio desejado e garantindo que as suas escolhas e decisões estejam alinhadas com a missão e a visão organizacional.
Ora, não podemos deixar de concordar com aqueles que têm defendido que a capacidade de conciliar a análise racional, intuição, experiência, prudência, justiça, valores e ética em todo o processo de decisão e de forma equilibrada e assertiva é provavelmente uma das prioridades de muitos líderes, os quais procuram desenvolver de forma contínua e consistente esta capacidade, na medida em que lhes permite a tomada de decisões eficazes e alinhadas com os objetivos da organização.
Um líder deve silenciar-se para pensar e ouvir os outros. Concorda?
AP: Sim, concordo. Esta é uma prática essencial por várias razões. Primeiro, permite tomar decisões mais informadas, considerando diferentes perspetivas e refletindo sobre as informações disponíveis. Segundo, demonstra que o líder valoriza as opiniões das equipas, o que fortalece a confiança e fomenta a colaboração.
Além disso, ouvir ativamente ajuda a identificar problemas e encontrar soluções práticas que o líder talvez não tenha considerado. Promove também uma cultura inclusiva, onde todos se sentem ouvidos e respeitados, o que pode levar a maior inovação e criatividade. Finalmente, ouvir os outros ajuda a construir relacionamentos mais fortes e autênticos. Quando os líderes mostram empatia e compreensão, ganham o respeito e a lealdade da sua equipa.
SC: Um líder deve saber “escutar” os outros. E “escutar” pressupõe “empatia”, ou seja, manifestar oportunidade e “dar espaço e tempo” para o efeito, procurando estar totalmente disponível e focado quando “escuta”. É fundamental saber ouvir, sem interrupções, empenhado, para compreender os seus colaboradores.
Mas tal pressupõe também a construção prévia de uma relação de confiança sólida entre os líderes e os colaboradores que fomenta a proximidade e “abertura” para que os colaboradores possam exprimir livremente, sem receios ou constrangimentos, as suas ideias e posições. Um dos elementos que contribui para a criação bem sucedida desta relação de confiança é a comunicação realizada de forma regular, consistente, clara e transparente, assente na partilha e na escuta ativa.
O líder deve saber “escutar”, mas tal não implica necessariamente “silenciar-se” sob pena de tal poder ser interpretado como “relativizar”, “desvalorizar” ou até “ignorar” algo que pode ser importante para um colaborador. Os líderes devem procurar ter disponibilidade para “escutar” todos os colaboradores, sem distinção, devendo fazê-lo de forma atenta, construtiva e com respeito pelas suas opiniões, contributos e ideias, promovendo um ambiente de trabalho mais colaborativo e inclusivo. Por outro lado, deverá ter a capacidade de ponderar e refletir sobre aquela informação, ideia ou opinião, ainda que seja distinta daquela que seria a sua perspetiva, revelando ainda ponderação e assertividade na tomada da sua decisão. Esta conduta promoverá ainda o desenvolvimento e o crescimento das próprias equipas, para reforçar a energia, compromisso e empenho destas, contribuindo ainda para a criação de um melhor ambiente de trabalho e mais produtivo e inovador.
Sempre ouvimos ‘errar é humano’. O que está em causa quando se assume o erro?
AP: “Gerir o erro” para não dizer “celebrar o erro” é ainda uma prática desafiante de implementar em muitas organizações quando na realidade e quando as práticas em relação ao erro são bem aplicadas, todos ganham. Admitir um erro demonstra humildade e responsabilidade, fortalece a confiança da equipa e cria um ambiente de trabalho mais aberto e honesto. Permite aprender e melhorar, contribuindo para o crescimento contínuo tanto do líder quanto da equipa. Inventiva a transparência, promovendo uma cultura onde todos se sentem seguros para admitir falhas e trabalhar juntos para encontrar soluções.
SC: O erro faz parte do processo de desenvolvimento e de aprendizagem, de qualquer pessoa, assumindo relevância quando somos capazes de reconhecer o erro e aprender de forma construtiva com este. Conforme tem sido defendido por muitos, saber reconhecer o erro revela, antes de mais, um ato de coragem, de responsabilidade, de ética, de honestidade e de humildade, contribuindo para o crescimento da maturidade e do reforço de relações mais transparentes, sólidas e de confiança.
Mas é também uma oportunidade de aprendizagem, de evolução e de desenvolvimento pessoal e profissional. O reconhecimento do erro obriga-nos a analisar a situação, identificando a causa, o enquadramento, mas sobretudo as nossas fragilidades que carecem de ser desenvolvidas. Errar é também uma oportunidade para aprender com a experiência e identificar formas de desenvolver novas capacidades para ultrapassar e transformar essas mesmas fragilidades, de modo a evitar repetir o mesmo erro em eventos futuros.
É de salientar ainda que errar pressupõe também uma decisão que terá sido tomada num momento anterior. E decidir significa, em muitas situações, ter de ponderar e analisar diferentes opções e fazer necessariamente escolhas para assumir uma opção e um caminho que naquele momento em que a decisão é tomada, e tendo presente todos os elementos já anteriormente referidos e que devem ser considerados no processo de tomada de decisões, é aquele que se apresenta como o mais correto, assertivo e apropriado. Mas não obstante a convicção, determinação e assertividade que reveste a decisão tomada, a responsabilidade implícita naquela, que seja assegurada também a monitorização da decisão tomada para que, caso se revele necessário, a mesma possa vir a ser corrigida ou ajustada.
Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.
Notas Biográficas
Ana Porfírio
É Diretora de Recursos Humanos da multinacional farmacêutica Recordati desde 2015, conta também no seu percurso profissional com mais de 15 anos em funções exercidas na consultora KPMG, em Portugal, Angola e Polónia. É membro da Comissão de Remunerações da SL Benfica SAD e Professora Assistente Adjunta na NOVA SBE.
Licenciada em Gestão Estratégica de Recursos Humanos, pós-graduada em Gestão de Mudança, Mestre em Comportamento Organizacional, com formação executiva em Gestão Comercial, Promova Executive Program for Women to Balance the Power e Women on Boards VdA, é ainda doutoranda em Políticas de Desenvolvimento de Recursos Humanos.
Sofia Barros Carvalhosa
É licenciada em Direito desde 1994, Mestre em Direito Comercial e das Empresas. Sócia coordenadora responsável pelas equipas de Direito Societário, Direito Comercial e de Contratos (Contratos Internacionais e Contract Management).
Desde setembro de 2019 que também assume as funções de Global Deloitte Legal Talent Leader, no âmbito da rede internacional da Deloitte Legal, e integra desde 2023 a Deloitte Legal Global Executive. Distinguida pela Legal 500 ranking 2023, 2022 e 2021 Corporate Lawyer; Legal Leaders League 2022 Recommended Corporate Law Lawyer; “Recommended Lawyer” Portugal – Best Law Firms – Corporate M&A-2021; “Women in Business Law Expert Guides 2016, 2017 and 2018” (Euromoney).
Promova
O Promova é um projeto coordenado pela CIP e desenvolvido em parceria com a NovaSBE que promove a igualdade de género no acesso a altos cargos de direção em organizações privadas. O Promova quer contribuir para aumentar a presença de mulheres na atividade empresarial portuguesa, em funções de gestão de maior responsabilidade, diversificando as perspetivas na tomada de decisões estratégicas das empresas. O projeto já vai na 4ª edição, com 72 empresas, 129 participantes e uma taxa de promoção de 49%. Apoiam financeiramente a ANA-Aeroportos de Portugal, EDP, Gilead, Randstad, Sogrape e Sonae. A próxima edição do Promova está agendada para 2024.
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