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Leonor Wicke

Ucrânia: O que se sabe em 495 dias de conflito

4 Julho, 2023 by Leonor Wicke

A guerra na Ucrânia potenciada pela invasão russa tem originado constantes acontecimentos de um conflito que insiste em prolongar-se. Prestes a atingir o 500º dia, estes são os mais recentes desenvolvimentos do conflito, sintetizados pelo The Guardian. 

– O ministro da Defesa da Ucrânia diz que as forças ucranianas obtiveram «certos avanços», que não foram divulgados, e que a maior parte das suas reservas de tropas ainda não foi mobilizada. Oleksiy Reznikov disse ao Financial Times que a reconquista de pequenas aldeias da ocupação russa nas últimas semanas não foi «o evento principal» dos planos de Kiev; 

– Vyacheslav Gladkov, governador da região de Belgorod, na Rússia, afirmou que mais de 200 pessoas tiveram seu abastecimento de água interrompido após um ataque transfronteiriço ucraniano na região; 

– Yevgeny Prigozhin, líder do grupo Wagner, voou para o exílio na Bielorrússia no seu avião particular na passada terça-feira, após Moscovo afirmar que a força paramilitar concordou em entregar o armamento, após uma fracassada insurreição do grupo. «Sim, de facto, ele está hoje na Bielorrússia», disse o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, em comentários divulgados em primeira mão pela Belta, agência de notícias nacional daquele país; 

– O movimento das tropas do grupo Wagner para a Bielorrússia é um sinal negativo para a Polónia, segundo afirmações o presidente Andrzej Duda. «A deslocação das forças russas do grupo Wagner para a Bielorrússia e do seu chefe, é um sinal muito negativo para nós, que nos queremos fortalecer com os nossos aliados», disse aos repórteres, a caminho de uma reunião com líderes da NATO nos Países Baixos; 

– A NATO está pronta para se defender de Moscovo ou Minsk, após apelos dos países que fazem fronteira com a Bielorrússia e a Rússia para que a aliança fortaleça as suas defesas a leste. O líder da NATO, Jens Stoltenberg, disse que é «demasiado cedo para fazer qualquer julgamento final sobre as consequências» da mudança do líder do grupo Wagner, Prigozhin, para a Bielorrússia; 

«O que é absolutamente claro é que enviámos uma mensagem clara para Moscovo e Minsk de que a Nato está lá para proteger cada aliado e cada centímetro do seu território», acrescentou o dirigente; 

– O grupo Wagner na Rússia deve começar o processo de desarmamento, depois de Moscovo ter anunciado planos para a devolução de armas, veículos e equipamentos. Os elementos da força serão desmantelados, absorvidos pelo exército russo ou exilados na Bielorrússia juntamente com Prigozhin, segundo o acordo estabelecido entre o líder mercenário e o presidente russo, Vladimir Putin; 

– O grupo de mercenários Wagner foi totalmente financiado pelo Estado russo, que gastou 86 mil milhões de rublos (cerca de mil milhões de euros), entre maio de 2022 e maio de 2023, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin. Além disso, Prigozhin ganhou quase a mesma quantia durante este período com o seu negócio de alimentação e catering, disse Putin numa reunião com as forças de segurança; 

– O presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, confirmou que o seu país fornecerá dois lançadores Nasams à Ucrânia e visitou Kiev na quarta-feira passada; 

– Volodymyr Zelenskiy agradeceu ao parlamento da Croácia por reconhecer o Holodomor como um genocídio. 

 

Imagem de Destaque: Twitter de Volodymyr Zelenskiy con

Arquivado em:Notícias, Política

Finlândia na liderança de soluções para a neutralidade carbónica

4 Julho, 2023 by Leonor Wicke

As empresas em toda a Europa procuram formas de reduzir as emissões de CO2 e a Finlândia tem experiência e soluções pioneiras e já disponíveis em indústrias de descarbonização e na criação de cadeias de valor mais sustentáveis. 

O enorme volume de emissões continua no setor industrial e o relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) adverte que o aquecimento global de 1,5 °C e depois de 2 °C será excedido durante o século 21, a menos que reduções consideráveis de dióxido de carbono (CO2) e outras emissões de gases com efeito de estufa (GEE) ocorram nas próximas décadas.  

O objetivo da Finlândia é tornar-se neutra em carbono até 2035 e já nos anos 90 foi um país pioneiro, como o primeiro do mundo, ao lançar uma taxa de carbono. Isto levou os setores industriais finlandeses a procurar soluções com baixas emissões, para além de criar o primeiro roteiro de economia circular do mundo, com 14 indústrias finlandesas a introduziram os seus próprios roteiros da indústria de baixo carbono. 

A Business Finland, organização finlandesa de comércio, promoção de investimento e financiamento da inovação, partilha alguns exemplos.  

Quais as indústrias e as melhores práticas?   

As empresas finlandesas são precursoras no fornecimento de soluções de descarbonização comprovadas em várias indústrias. Alguns casos como a AFRY, Gasmet Technologies e Valmet, oferecem métodos que já são aplicados na prática em todo o mundo. 

A AFRY é um fornecedor sueco-finlandês de engenharia, design e serviços de consultoria, com alcance global. Trabalhando para melhorar a eficiência energética, a AFRY apoia o setor da indústria de processos com know-how tecnológico de alto nível combinado com a presença local.  

A Gasmet Technologies concebe e fabrica sistemas de análise de gases e soluções de monitorização de emissões de classe mundial para medir as emissões gasosas de processos industriais. A empresa já entregou com sucesso mais de 6000 sistemas de monitorização de gases e emissões em todo o mundo.  

A Valmet Oyj é líder mundial no desenvolvimento e fornecimento de tecnologias de processo, automação e serviços para as indústrias da pasta de papel, papel e energia. A Valmet lançou um novo programa de I&D e inovação, Beyond Circularity, que visa reforçar ainda mais o seu trabalho de I&D para a utilização de materiais renováveis e reciclados, resíduos e fluxos laterais, melhorando, em última análise, a sua prontidão para apoiar a transição verde. 

O programa é parcialmente financiado pela Business Finland através do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) da UE e faz parte da iniciativa “Veturi”, onde empresas internacionais são convidadas a resolver alguns dos desafios mais prementes da sociedade através de maiores investimentos em investigação, desenvolvimento e inovação na Finlândia. 

 

As empresas têm o desafio de atuar durante a incerteza económica global sem comprometer os valores de ESG e as expetativas regulamentares. As reputações das marcas estão em jogo. O cumprimento dos objetivos climáticos exigirá que todos os setores industriais procedam a uma mudança fundamental dos processos intensivos de CO2 para cadeias de valor mais sustentáveis. A Finlândia já dispõe de soluções e inovações comercialmente viáveis. Se as empresas de toda a Europa tomarem agora as decisões certas, seremos capazes de navegar nestes tempos turbulentos  

Marika Ollaranta, Chefe do Programa das Indústrias Descarbonizadoras na Business Finland 

 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Seis dicas de como usar o subsídio de férias para equilibrar o orçamento familiar

4 Julho, 2023 by Leonor Wicke

Num momento marcado pela instabilidade económica e em que se assiste à subida das taxas de juro e ao aumento generalizado dos preços, o Doutor Finanças, partilha 6 formas de utilizar o subsídio de férias para melhorar as finanças pessoais:

1. Constituir ou reforçar o fundo de emergência

Criar o chamado “pé-de-meia” para cobrir imprevistos financeiros. O objetivo é juntar o suficiente para cobrir todas as despesas essenciais durante um período mínimo de 3 a 12 meses.

2. Liquidar dívidas

Utilizar parte do subsídio de férias para liquidar dívidas, com taxas e penalizações elevadas, como os cartões de crédito ou dívidas às Finanças, pode ser uma ajuda fundamental para o reequilíbrio do orçamento familiar.

3. Amortizar créditos 

Aproveitar para usar o subsídio para amortizar créditos é outra possibilidade, com impacto no orçamento. Deve começar por amortizar os créditos de mais curto prazo e juros mais elevados. No caso do crédito habitação é necessário fazer contas, sendo que atualmente as comissões de amortização antecipada estão suspensas para quem tenha um crédito com taxa variável na habitação própria e permanente. 

4. Criar um PPR

Começar a poupar dinheiro a pensar na pensão. A criação de um PPR é uma forma de ter uma vida financeira mais tranquila na idade da reforma, para além de estarem associados a este produto benefícios fiscais atrativos.

5. Aumentar as nossas poupanças 

Reforçar o nosso fundo de emergência, criar um depósito a prazo ou uma poupança para os filhos, por exemplo. 

6. Ponderar a possibilidade de investir

O mundo dos investimentos pode ser complexo, dependendo dos produtos escolhidos. Este é um universo muito vasto, com soluções para todos os gostos e objetivos. Há investimentos de baixo, médio e alto risco, sendo que antes de começar a investir, é preciso de identificar o perfil de investidor. 

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Cristina Rodrigues (Capgemini) no top das 50 líderes portuguesas mais poderosas no mundo dos negócios 

4 Julho, 2023 by Leonor Wicke

Cristina Castanheira Rodrigues, Administradora-Delegada e membro do Conselho de Administração da Capgemini Portugal, integra a Lista da Forbes Portugal das 50 portuguesas mais poderosas no mundo dos negócios, numa seleção entre mais de 110 mulheres. 

Segundo uma avaliação de 5 critérios entre Poder de Decisão; Poder de influência; Países onde estão presentes; Área geográfica de ação; e Empreendedorismo, foi atribuída uma pontuação de 0 a 20 para chegar a uma pontuação final que permitiu identificar as portuguesas que integram o top 50. O ranking da Forbes Portugal é feito a partir da base de dados da Dun & Bradstreet (DB).  

Também em 2020 Cristina Castanheira Rodrigues tinha sido distinguida como a melhor líder de topo no setor privado e no primeiro lugar do ranking do Best Team Leaders 2020. 

Com uma experiência profissional de mais de 23 anos ligados à Capgemini Portugal, a profissional assumiu ao longo deste período diferentes responsabilidades de gestão, destacando-se a de Chief Financial Officer e de membro do Comité Executivo desde 2009, bem como a responsabilidade pelas áreas internas de Support Functions. As funções que desempenhou na área financeira, sempre com um grande foco no controlo de negócio, permitiram-lhe desenvolver uma experiência no âmbito do delivery e da tecnologia, com especial intervenção nas áreas de estratégia e otimização. 

É licenciada em Gestão pela Universidade Lusíada e conta com formações em Finanças e Management, na Universidade Católica e no ISCTE, bem como na Kellogg University em Chicago. 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

«No comércio internacional, friendshoring é quando a proximidade joga com outros graus de confiança», diz António Ramalho

3 Julho, 2023 by Leonor Wicke

O caminho para uma nova revolução industrial segue ao lado de duas tendências mundiais, a desglobalização e a falta de confiança. E para os mecanismos da Economia internacional, «a confiança é o elemento central». Ora, se ela está em falta o que se faz? Outra premissa do modelo clássico global diz que o melhor fornecimento vem do melhor preço, acontece que hoje «o melhor preço já não é minimamente relevante».  

As palavras são de António Ramalho, ex-presidente do Novo Banco e senior advisor da unidade portuguesa da consultora Alvarez & Marsal. O seu olhar incisivo e curioso sobre os caminhos da Economia portuguesa e as relações económicas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foram o mote para uma apresentação, no passado dia 22 de junho, em Lisboa. 

De nearshoring para friendshoring

«No comércio internacional, friendshoring é quando a proximidade joga com outros graus de confiança, como o valor da amizade. A fiabilidade, a aproximação e a proximidade determinarão o futuro das relações comerciais e para esse efeito o conceito sobrepõe-se à ideia de nearshoring», declara António Ramalho.  

O nearshoring acontece quando uma organização decide transferir o trabalho para empresas mais económicas e geograficamente próximas. À luz do friendshoring, Portugal «pode ter uma performance mais adequada, pois representa o país mais longe da guerra, com uma lógica de estabilidade significativa e um modelo de energia relativamente barata». 

Para o economista, o valor da amizade é o que «poderá levar a capacidade regional dos diversos blocos a largar-se a territórios distintos daqueles que são por critério os de proximidade». E então os dois países mais capazes de o fazer são Portugal e Espanha, mas «curiosamente, os amigos de Portugal e Espanha, não são os mesmos», partilha António Ramalho. 

No sentido de a Comunidade representar um conjunto de países «irmãos», juntos pela língua e pelas culturas, o gestor declarou que «assumir a nossa origem é fazer dela uma declaração de princípio», e quanto a relações de irmandade e de negócio, na sua perspetiva, «os astros estão alinhados para a CPLP».  

Isto significa que «Portugal pode ter uma grande vantagem de junção de comunidades, em que aquilo que assegura que a nossa largura de banda seja ampliada a países com realidades distintas, daquela que é a europeia». Mas ainda há um caminho a fazer para que a integração seja mais diferente e específica. Como se faz esse caminho? 

Desenhar um Road Map de trocas comerciais a 10 anos 

Segundo o especialista, a história das trocas comerciais entre os países de língua oficial portuguesa não tem um comportamento positivo e tem tido, nos últimos anos, «um decréscimo razoável». Com o petróleo e energia à parte, as transações comerciais representam 2.5 mil milhões – «o que não representa rigorosamente nada, correspondem a 6%, o que é muito pouco», afirma António Ramalho.  

Para os países que compõem a CPLP, Portugal é relevante e tem responsabilidade disso. Há uma «natural atração» para desenvolver um Road Map que permita um aumento significativo das trocas comerciais. «Porque é que ele não se verifica?», questiona. Porque há dificuldade de mobilidade das pessoas e a capacidade de financiamento das trocas comerciais é outros dos elementos «absolutamente determinantes» no sucesso ou insucesso do modelo. 

Há três fatores a considerar para a construção de «um verdadeiro road map que defina aquilo que são os princípios do financiamento para uma operação CPLP»: o crescimento dos países emergentes é mais baixo; a inflação passou a ser um elemento mais determinante e a credibilização da dívida pública passou a ser mais determinante.  

Ao definirmos esse caminho, devemos observar as vantagens da construção de um modelo de trocas comerciais, mas também «olhar para a capacidade de estabilização de endividamento dos países e gestão da sua credibilidade perante mercados internacionais».  

Em conclusão, António Ramalho deixa alguns alertas nomeadamente para as taxas de juro e uma «tripla inflação». Segundo a sua perspetiva, «as taxas de juro não vão descer com todas as implicações sobre o comércio internacional», o que torna os países da CPLP menos atraentes, pois «cria buffers problemáticos, e sentimos vários países a ter desvalorizações das suas moedas». «Se há coisa que nos unes a todos países da CPLP é gostarmos de nos endividar, o que não é saudável para o futuro», remata.  

Arquivado em:Notícias

Pessoas com deficiência têm 1,5 vezes maior probabilidade de sofrer discriminação dentro das organizações

3 Julho, 2023 by Leonor Wicke

Por cada quatro trabalhadores em todo o mundo, um autoidentifica-se como possuindo uma deficiência ou condição médica que limita alguma atividade importante da sua vida. Em contraste, a maioria das empresas relata que, em média, apenas 4% a 7% dos seus colaboradores são pessoas com deficiência (PcD). 

A disparidade poder-se-á atribuir a fatores como o receio do estigma, de um impacto negativo na sua segurança no trabalho ou até mesmo em perspetivas de promoção. As conclusões do estudo “Your Workforce Includes People with Disabilities. Does Your People Strategy?”, mostram ainda que as PcD têm uma experiência de trabalho mais negativa do que a generalidade das pessoas sem deficiência ou condição de saúde. Além disso, as PcD apresentam 1,5 vezes maior probabilidade de sofrer discriminação dentro das suas organizações, comparando aos trabalhadores que não apresentam nenhuma condição. 

A análise, elaborada pela Boston Consulting Group (BCG), baseou-se em entrevistas com especialistas em inclusão de deficiência, bem como a 28 mil trabalhadores de vários setores. O índice Bias-Free, Leadership, Inclusion, Safety, and Support (BLISS), usado para refletir sentimentos de inclusão, considera uma pontuação que varia de 1 a 100. Nos 16 países considerados, o índice mostra que a inclusão de PcD é três pontos mais baixa do que o valor médio das pessoas sem deficiência ou condição de saúde.  

Comparativamente a outros grupos que geralmente estão no foco dos esforços de diversidade, equidade e inclusão (DEI) – mulheres, comunidade LGBTQ+ e minorias étnicas -, as PcD reportam níveis mais baixos.

Estratégias para aumentar níveis de contentamento e inclusão de PcD 

A disparidade entre as taxas de prevalência relatadas pelos empregadores e as taxas de autoidentificação, revela que as empresas estão a perder uma oportunidade em permitir que um quarto da sua força de trabalho se dedique totalmente ao trabalho.  

Mostra também que os líderes estão a basear-se em informações imprecisas para a tomada de decisões e para investimento na sua força de trabalho. Segundo o estudo, se não se entender o número real de PcD, torna-se difícil o desenvolvimento de sistemas de apoio que permitam que uma parte significativa da força de trabalho se sinta mais incluída, feliz, produtiva e motivada no trabalho, e com maior probabilidade de permanecer na empresa.
De forma a aumentar a inclusão destes colaboradores, as empresas devem investir em três vetores: 1. políticas e programas centrados em pessoas portadores de deficiência ou condições de saúde; 2. programas de mentoria e 3. condições ajustadas às necessidades destes trabalhadores, como equipamento ou software específicos, acordos de trabalho flexíveis ou ajustes ao ambiente físico quando necessário.

O estudo está disponível na íntegra aqui. 

Arquivado em:Diversidade e Inclusão, Notícias

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