A sustentabilidade das sociedades assenta em três pilares que articulam crescimento económico, responsabilidade social e preservação ambiental. Nas organizações, uma liderança sustentável deverá promover a diversidade, a equidade e a inclusão no local de trabalho, cuidar do bem-estar dos colaboradores e contribuir para o desenvolvimento das comunidades onde se inserem.
Visões restritivas da liderança e da gestão, focadas no curto-prazo e numa visão autocentrada do negócio desarticulada dos demais stakeholders, perderão competitividade.
Os desafios que enfrentamos, e que poderão colocar em risco a manutenção do nosso modus vivendi, irão implicar algumas mudanças na formação, preparação e desenvolvimento dos atuais e novos líderes.
Sem exaustividade, há requisitos e competências emergentes que deverão ser adquiridas/ fortalecidas por todos aqueles que detenham ou aspirem a cargos de liderança, a saber:
Autoconhecimento: o “velho” aforismo grego «Conhece-te a ti mesmo” mantém plena atualidade. O coaching psicológico é uma prática aconselhável para fortalecer competências deficitárias no exercício da liderança e fornecer, em simultâneo, um espaço seguro para que o coachee possa discorrer sobre si-próprio/ a e sobre as suas idiossincrasias, muitas vezes percebidas (erradamente) como fraquezas ou defeitos.
Foco no desenvolvimento das pessoas: os líderes atuais lidam com um mosaico de colaboradores constituído por quatro gerações (Baby boomers, Geração X, Millennials e Geração Z), com mentalidades, expectativas e valores de vida complementares, que colocam novos desafios. Lidar com a diversidade, ajustar narrativas, negociar e fazer “pontes” de entendimento conjugados com programas de formação periódica, mentoria, estímulo à criatividade e treino na gestão de projetos como ferramentas de desenvolvimento de pessoas e equipas, são parte integrante deste novo normal.
E tudo isto num ambiente de trabalho que valorize a saúde mental e física dos colaboradores, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o (ainda muito esquecido) direito a desligar.
Tempo para pensar e “não-fazer-nada”: o ritmo frenético da contemporaneidade fragilizou o hábito da reflexão. A sustentabilidade da liderança exigirá pensamento global de curto e longo prazo, visão articulada do todo e das suas partes e capacidade de antecipação de consequências (mercado, sociedade e ambiente). A criatividade “alimenta-se” nas pausas e a ação deverá ser o corolário de tudo o resto!
Expressão de soft skills: os atributos que tornam um(a) líder apelativo(a), com quem se deseja trabalhar, nem sempre são evidentes. Há uma “química” geradora de adesão que não se enquadra numa “receita” única. No quadro atual, atributos como a comunicação assertiva, inteligência emocional, consistência entre palavra e ação, ética e transparência, políticas sólidas de compliance e uma liderança pelo exemplo, com propósito e valores claros, têm um forte potencial de engagement.
Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.




