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Rita Saldanha

Liderança sustentável: autoconhecimento, reflexão e consistência

23 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

A sustentabilidade das sociedades assenta em três pilares que articulam crescimento económico, responsabilidade social e preservação ambiental. Nas organizações, uma liderança sustentável deverá promover a diversidade, a equidade e a inclusão no local de trabalho, cuidar do bem-estar dos colaboradores e contribuir para o desenvolvimento das comunidades onde se inserem.

Visões restritivas da liderança e da gestão, focadas no curto-prazo e numa visão autocentrada do negócio desarticulada dos demais stakeholders, perderão competitividade.

Os desafios que enfrentamos, e que poderão colocar em risco a manutenção do nosso modus vivendi, irão implicar algumas mudanças na formação, preparação e desenvolvimento dos atuais e novos líderes.

Sem exaustividade, há requisitos e competências emergentes que deverão ser adquiridas/ fortalecidas por todos aqueles que detenham ou aspirem a cargos de liderança, a saber:

Autoconhecimento: o “velho” aforismo grego «Conhece-te a ti mesmo” mantém plena atualidade. O coaching psicológico é uma prática aconselhável para fortalecer competências deficitárias no exercício da liderança e fornecer, em simultâneo, um espaço seguro para que o coachee possa discorrer sobre si-próprio/ a e sobre as suas idiossincrasias, muitas vezes percebidas (erradamente) como fraquezas ou defeitos.

Foco no desenvolvimento das pessoas: os líderes atuais lidam com um mosaico de colaboradores constituído por quatro gerações (Baby boomers, Geração X, Millennials e Geração Z), com mentalidades, expectativas e valores de vida complementares, que colocam novos desafios. Lidar com a diversidade, ajustar narrativas, negociar e fazer “pontes” de entendimento conjugados com programas de formação periódica, mentoria, estímulo à criatividade e treino na gestão de projetos como ferramentas de desenvolvimento de pessoas e equipas, são parte integrante deste novo normal.

E tudo isto num ambiente de trabalho que valorize a saúde mental e física dos colaboradores, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o (ainda muito esquecido) direito a desligar.

Tempo para pensar e “não-fazer-nada”: o ritmo frenético da contemporaneidade fragilizou o hábito da reflexão. A sustentabilidade da liderança exigirá pensamento global de curto e longo prazo, visão articulada do todo e das suas partes e capacidade de antecipação de consequências (mercado, sociedade e ambiente). A criatividade “alimenta-se” nas pausas e a ação deverá ser o corolário de tudo o resto!

Expressão de soft skills: os atributos que tornam um(a) líder apelativo(a), com quem se deseja trabalhar, nem sempre são evidentes. Há uma “química” geradora de adesão que não se enquadra numa “receita” única. No quadro atual, atributos como a comunicação assertiva, inteligência emocional, consistência entre palavra e ação, ética e transparência, políticas sólidas de compliance e uma liderança pelo exemplo, com propósito e valores claros, têm um forte potencial de engagement.

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

Arquivado em:Notícias, Opinião

October blues: a produtividade está estagnada até ao fim do ano?

22 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

Outubro já foi sinónimo de aceleração nas organizações, rumo ao final do ano, mas atualmente, a tendência parece estar a mudar, com outubro de 2024 a apresentar números diferentes. Muitos líderes confiavam neste mês para dar início ao último trimestre e impulsionar os resultados do final do ano.

De acordo com a Korn Ferry, as taxas de fadiga dos trabalhadores estão a aumentar acentuadamente: Mais de 82% dos trabalhadores estão em risco de esgotamento, devido a uma mistura de pressão financeira (43%), exaustão (40%) e carga de trabalho excessiva (37%), de acordo com um relatório de tendências.

Simultaneamente, os números relativos ao envolvimento atingiram um mínimo no início deste ano, comparativamente aos últimos onze anos, enquanto a utilização de dias de baixa aumentou.

Como recuperar a produtividade em tempos de crise?

Décadas de estudos mostram que os funcionários trabalham melhor sob um stress moderado e previsível. O que 2024 trouxe, em vez disso – desde uma série de condições meteorológicas perturbadoras a duas guerras e à inflação – está a preocupar todos os trabalhadores. As eleições americanas e outras tensões políticas também têm contribuído para este clima de insegurança.

Alguns setores estão mesmo paralisados. Três quartos dos retalhistas afirmam que não pagarão os bónus previstos para este ano, o que significa que não esperam atingir os seus objetivos. No setor das participações privadas, os números das transações são baixos há 18 meses, com os valores globais a atingirem cerca de 50% dos valores de 2022.

Os especialistas aconselham os líderes a ter em conta este ambiente invulgarmente stressante e a não se surpreenderem com a reação dos colaboradores. Sempre que possível, pode fazer sentido adiar prazos e alterar objetivos.

No início deste ano, os dados mostraram que os trabalhadores priorizaram significativamente o tempo pessoal, uma tendência que os especialistas dizem que pode muito bem continuar num mês normalmente ocupado como outubro.

 

 

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Euribor vai estabilizar em 2025, dizem especialistas

22 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

Após uma série de quedas sucessivas, espera-se que a Euribor conheça finalmente uma regularização em 2025. Desde março que assistimos a um trajeto de redução das taxas a três, seis e doze meses, com as médias mensais já abaixo dos 3,5% e dos 3% no caso da Euribor a 12 meses.

A expetativa é de que esta tendência se mantenha nos próximos tempos, conforme afirma Filipe Silva, especialista de crédito hipotecário. «Considerando o histórico da taxa Euribor e tendo em consideração as descidas das taxas de juro do BCE, prevê-se que as descidas se mantenham até ao final do ano de 2024.»

Segundo informação partilhada pela Gestlifes, durante o próximo ano, espera-se que a Euribor conheça uma estabilização, que se deverá refletir em mensalidades mais baixas.

«No entanto, temos de perceber que estamos perante uma taxa bastante volátil e influenciada por fatores como a política monetária do Banco Central Europeu, a inflação e as condições económicas gerais», afirma Filipe Silva.

Os últimos indicadores apontam, ainda assim, para o encerrar deste ciclo: uma regularização em 2025 após vários meses de queda, num cenário semelhante ao que aconteceu a partir de 2012.

Marcado por uma subida inédita e exponencial das taxas Euribor, 2023 viu disparar as prestações das casas para milhares de portugueses que contrataram crédito habitação com taxa variável.

Ainda que não tenha superado os máximos da crise económica de 2008, o indexante chegou bastante perto dos 4%. Na última reunião de política monetária do Conselho do BCE, no dia 17 de outubro, da qual resultou uma esperada redução das taxas Euribor na Zona Euro para 3,25%.

Arquivado em:Economia, Notícias

Promover a felicidade em Cascais, um compromisso para toda a vida

22 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

Como é que uma boa governação pode promover a felicidade nas suas comunidades? Diria que felicidade é viver onde, todos os dias, sentimos que estamos no melhor local para viver, para constituir família, para estudar, para ter acesso a infraestruturas e serviços, para trabalhar e para desfrutar de momentos de lazer.

Quem governa tem, assim, a responsabilidade de conhecer as necessidades das pessoas e de conseguir tomar decisões e criar respostas, inovadoras e integradas, que permitam aumentar a sua felicidade e qualidade de vida, em todas as fases da sua vida. Os avanços na tecnologia são um forte aliado para transformar concelhos em smart cities.

Em Cascais temos dado passos largos neste sentido. Somos um município onde se promovem ferramentas para uma cidadania ativa, ou seja, onde as pessoas, para além de estarem no centro de todas as decisões, fazem também parte delas.

Temos investido muito em áreas essenciais, como a educação, a saúde e a área social, quer em termos de infraestruturas quer com a implementação de estratégias e iniciativas, como por exemplo o projeto bata branca, que garante acesso a consultas a todos os cidadãos que necessitam, ou a promoção de habitação a preços acessíveis a jovens ou a profissionais como médicos, professores ou forças de segurança, para garantir a fixação de talentos no concelho.

Também na cultura e no deporto, Cascais é uma referência, com uma agenda cultural diversificada, que vai desde o Iron Man ou o Estoril Open ao Cool Jazz, passando pelas Festas do Mar e pelas Conferências do Estoril.

Conscientes de que não nos podemos limitar aos desafios atuais, Cascais tem orientado as suas políticas ambientais para responder às alterações climáticas. Só nos últimos anos criámos, em área urbana, mais de 250 mil m2 de espaços verdes, implementámos o primeiro roteiro de neutralidade carbónica 2050 local em Portugal e criámos a primeira unidade de produção de hidrogénio nacional, que já permitiu colocar em funcionamento os primeiros autocarros movidos a hidrogénio do País, com zero emissões.

E a peça-chave para permitir ao cidadão gozar de toda a oferta do concelho, ganhando tempo para si e para a sua família, é a mobilidade. Cascais foi a autarquia pioneira nos passes integrados, onde todos os transportes estão incluídos, a preços acessíveis e numa só plataforma: MobiCascais. Em complemento, em 2020, iniciámos a gratuitidade do transporte público para quem no concelho vive, trabalha ou estuda. Para além da gratuitidade no transporte público rodoviário, temos também investido na mobilidade suave.

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

 

Arquivado em:Artigos, Sustentabilidade

«A Inteligência humana será sobretudo muito mais emocional do que tudo o resto», diz Nelson Pires

22 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

Qual é a Inteligência que nunca será ultrapassada pelas máquinas ? A Inteligência humana define-se em nove dimensões: lógico-matemática, linguística, naturalística, interpessoal, intrapessoal, espacial, corporal-cinestésica, musical e existencialista.

A Inteligência Artificial (IA) já substituiu o Homem em algumas áreas, mas será que pode sobrepor-se a todas? Qual das Inteligências Artificiais substituirá o Ser Humano? Foi este o desafio de Nélson Pires, diretor geral da Jaba Recordati numa wake-up talk que integrou a programação da Leadership Summit Portugal, no Casino Estoril.

Numa primeira instância, na inteligência lógica-matemática, o ser humano foi substituído pelas máquinas há mais de 30 anos. Na inteligência linguística, também. Como, por exemplo, a Siri, os chatbots entre outras ferramentas onde «a própria máquina já nos entende, e o algoritmo já nos consegue responder».

Na dimensão musical, muitas plataformas já produzem músicas e canções. Quanto à naturalística, ou seja, a identificação daquilo que são os elementos da natureza: «Vamos ser honestos, qualquer algoritmo identifica melhor os elementos da natureza do que nós», afirma Nelson Pires.

Mas até hoje, há três áreas onde o ser humano ainda está ‘acima’ da máquina. A dimensão intrapessoal, relacionada com «a forma como me vejo a mim próprio, e o que significa o meu comportamento»; a interpessoal que diz respeito à forma como me relaciono com os outros, e o que os outros veem em mim. E a terceira, que é a dimensão existencial, que considera «a forma como eu me vejo no mundo» e a minha motivação no Mundo.

Estas três dimensões são fundamentais no século em que estamos a viver. Todas as outras, podemos aproveitar para nos potenciar e para que o nosso negócio seja otimizado. Temos de aproveitar o bom que a máquina faz e o bom que nós fazemos. A inteligência humana será sobretudo muito mais emocional do que tudo o resto

Na sua perspectiva, a Democracia já podia «muito facilmente» ser substituída por Inteligência Artificial. Através da pegada digital, o algoritmo é capaz de definir a tendência política de voto de uma pessoa, pois baseia-se em factos e comportamentos. Mas será que o ser humano baseia-se em factos e comportamentos? A resposta é ‘não’! «Nós votamos por algo que aspiramos ser e ter», e é essa dimensão existencial que a máquina não tem nem identifica.

Em suma, na sua visão, a Inteligência Artificial não vai substituir o ser humano, enquanto as três dimensões da Inteligência humana forem cultivadas – e deixa o alerta «de saber cultivar» essas áreas.

As novas lideranças

Este é o ponto de partida para que as lideranças se adaptem «a esta movida que está a acontecer ao nível da gestão das pessoas», uma tendência, que tal como refere, distingue e diferencia a evolução da sociedade.

No universo das organizações, do termo POLC (Planear, Organizar, Liderar e Controlar), passando por uma Pandemia, num mundo imprevisível, sem capacidade de antecipação, vive-se hoje num modo de gestão POLCI, acrónimo a que se acrescenta a palavra ‘Integração’.

«Enquanto líderes passamos obrigatoriamente a ter de integrar as inteligências intrapessoais, interpessoais e existenciais. Ou seja, passámos a integrar, dentro da mesma organização, quatro gerações.». Não só existe a diversidade de gerações, como novos modelos de trabalho, modo híbrido e remoto que nasceram na década de 60 assim como colaboradores que nasceram depois do século XXI.

O ponto do desafio para as novas lideranças, que antes na década de 80 e 90, eram do ponto de vista de competências hard, que passaram também a incluir a ser competências soft, é que «agora isso já não chega».

Às lideranças pede-se não só uma capacidade de transformação, como de inspiração e de antecipação. E na base de todas estas capacidades reside a humildade – «um grande fator diferenciador em relação a tudo o resto, a humildade de saber dizer ‘eu não sei’.».

E concluí a sua apresentação, com uma frase do escritor Ernest Hemingway, que lutou na Guerra Civil espanhola. À pergunta sobre ‘quem vai lutar comigo durante a Guerra’, um soldado disse-lhe: ‘Mas isso interessa?’, e Hemingway respondeu: ‘Mais do que a própria guerra’. «Nas organizações, mais do que nunca, é importante saber com que líder contamos», conclui.

Veja a talk completa aqui:

Nelson Pires – Qual das Inteligências Artificiais Substituirá o Ser Humano?

Tenha acesso à galeria de imagens aqui.

Assista a todos os momentos, on demand, na Líder TV em www.lidertv.pt, na posição 165 do MEO e 560 da NOS.

 

Arquivado em:Artigos, Leadership

Coaching para ser um líder mais sustentável

22 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

Sei que gostava de ser um líder que contribui para a sustentabilidade. Imagino que deseja que a sua empresa seja sustentável, em termos económicos, mas também sociais e ambientais. Sei que gostava de um dia contar aos seus filhos ou netos que fez tudo o que estava ao seu alcance na sua organização para proteger o ambiente, os colaboradores e a ética.

Sei também que está a ter pressão dos investidores, dos novos colaboradores e dos consumidores para que a sua empresa seja sustentável. Passou mesmo a ter de reportar dados sobre o ESG – Enviroment, Social and Governance – da sua organização, o que está a ser muito desafiante.

É um dilema crescente ter de conciliar o aumento da faturação com os requisitos de sustentabilidade, mas, na realidade, as empresas que cumprem estes requisitos são mais resilientes e faturam mais. Vejamos alguns exemplos:

  • No ambiente, temos o caso da empresa Patagónia, uma marca de roupa outdoor, que adota muitas práticas de produção sustentáveis e que com isso tem tido um crescimento consistente das receitas.
  • Na esfera social, podemos referir a Unilever que, nas marcas Dove e Ben & Jerry’s, melhorou as condições de trabalho dos seus colaboradores e promoveu o desenvolvimento nas comunidades onde opera. Como resultado, estas marcas têm registado um crescimento de vendas superior à média das marcas do grupo.
  • Em termos de governance, os casos mais conhecidos são os maus exemplos que eliminaram do mercado empresas como o BES, o BPP e o BPN e a Enron.

Se quer aumentar a sustentabilidade da sua empresa, responda a algumas questões que lhe colocaria se lhe estivesse a fazer Coaching ou Team Coaching. Pegue numa caneta e escreva as respostas a cada uma destas 10 questões:

  • Em relação ao propósito da sua organização? (Governance)
  1. Porque é que o Mundo necessita da sua organização?
  2. A quem servem e que serviço lhes prestam?
  3. O que é que podem fazer de forma única que o Mundo de amanhã precisa?
  • Relativamente às relações dentro da equipa de Direção (Social)
  1. Qual é o nível de segurança psicológica dentro da equipa?
  2. Como é que são as reuniões de equipa?
  3. Como é que estão a gerir os conflitos dentro da equipa? E com os outros colaboradores?
  • Em relação aos seus stakeholders (Ambiente, Social e Governance)
  1. Como estão a lidar com cada um dos seus stakeholders?
  2. Quais são as pessoas que se estão a esquecer e que um dia lhes podem dar problemas?
  3. Para a sua organização como seria o stakeholder “gerações futuras”?
  4. Com aqueles stakeholders que sentem como antagónicos, como é que os podem tornar num recurso?

Convido-o a responder a estas perguntas no seu quotidiano, a questionar-se sobre o impacto das suas decisões e a liderar com um propósito que transcenda o lucro imediato, visando o bem-estar global e a continuidade das gerações futuras. Afinal, ser um líder sustentável é mais do que um título – é uma responsabilidade e uma oportunidade de fazer a diferença.

 

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

Arquivado em:Notícias, Opinião

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