Beatriz Narciso é a artista vencedora da primeira edição da WAF- Women in Art Fellowship, uma iniciativa que a 7 de maio chegou ao seu ponto alto: a inauguração da exposição Sótão na Galeria de Arte Moderna da Sociedade Nacional das Belas Artes (SNBA), em Lisboa, onde estará patente até 13 de junho.
A bolsa WAF, que conta um financiamento de 27 mil euros, mentoria especializada e oportunidades concretas de visibilidade, recebeu, na sua edição inaugural, 210 candidaturas de todo o país. O projeto de Beatriz Narciso destacou-se pelo rigor e sensibilidade sobre memória e resiliência no feminino, numa exposição que convida o público ao que a artista descreve como um exercício de “escutar a imagem”.
A exposição apresenta o tríptico monumental Sótão I–III (2026) uma instalação imersiva de grandes dimensões, em acrílico sobre tela, que ocupa o espaço total da galeria com uma forte dimensão sensorial e narrativa. Através da recriação de um sótão, um lugar simultaneamente íntimo e marginal, Beatriz Narciso apresenta um território simbólico onde se acumulam objetos e memórias.

Para a artista, este projeto “propõe uma abordagem simbólica da importância do contributo feminino em objetos, descobertas e invenções, resgatando um legado algo esquecido ao longo da história, reunidos num espaço quotidiano que reflete formas de estar e de ser, coletivas e individuais, assumindo a transmissão de uma ideia de visibilidade e homenagem”.

A própria artista integra a composição, não como protagonista, mas como presença vulnerável que humaniza o debate e aproxima o espectador da experiência representada.
Ser mulher, artista e portuguesa
O trabalho desenvolvido por Beatriz Narciso, no âmbito da bolsa, materializa um dos seus principais objetivos: criar oportunidades reais de produção, apresentação e visibilidade para mulheres artistas emergentes. Entrevistada pela Líder, em outubro de 2025, altura em que foi anunciada vencedora, Beatriz Narciso explicou como o conhecimento que obteve nas mentorias não foi apenas útil, mas também essencial para validar o seu trabalho. «Nunca tive uma receção tão acolhedora, tão válida. Nós, artistas, para trabalhar, não precisamos de tanta validação, mas convém haver esta perceção pública», referiu. Receber este feedback permitiu-lhe estar «mais aberta à mudança». «Eu diria que 80% do meu tempo é aplicado aqui na ‘gruta’, como eu costumo dizer, a trabalhar. Mas acho que preciso de ter mais abertura pública e a bolsa permite precisamente isso», acrescentou.
Criada em 2025, a WAF – Women in Art Fellowship nasceu com o objetivo de contribuir para a correção das desigualdades persistentes no sistema artístico internacional, onde a representação feminina continua a ser significativamente reduzida. O projeto é promovido pelos centros Freeport Lisboa Fashion Outlet e Vila do Conde Porto Fashion Outlet, e desenvolvido em colaboração com a SOTA – State of the Art e a Portugal Manual.
No ano em que assinala 125 anos enquanto instituição de referência no panorama artístico português, a SNBA uniu-se à WAF para acolher esta exposição individual. Com esta exposição, a WAF afirma-se como uma plataforma de apoio e projeção de artistas emergentes, promovendo práticas que cruzam memória, pensamento crítico e resiliência no feminino. “O trabalho da Beatriz Narciso traduz de forma muito potente essa missão, ao transformar a experiência íntima em imagem, espaço e reflexão partilhada”, refere Astrid Sauer, da SOTA – State of the Art e co-curadora da exposição.
No âmbito da exposição será feito o lançamento da segunda edição da WAF que irá contar novamente com o envolvimento de Joana Vasconcelos, como madrinha da iniciativa.

A exposição é gratuita e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 12h e as 19h, e aos sábados, das 14h às 19h, na Galeria de Arte Moderna da SNBA, no 1º piso.
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Créditos Fotografias: Pedro Sadio
Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a WAF – Women in Art Fellowship.




