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Rita Saldanha

It’s a match: como juntar Baby boomers e Gen Z?

14 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

A ideia é simples, colocar seniores, com mais de 60 anos, que moram sozinhos ou em casal, na Área Metropolitana de Lisboa, a viver com jovens estudantes universitários, entre os 18 e os 35. E as vantagens são evidentes, não só o caráter útil da parceira, como uma relação que se constrói e a solidão que se minimiza, e faz acontecer ‘pares perfeitos’.

O projeto Une.Idades – duas gerações, uma casa partiu também de uma parelha, Inês Schmidt e Leonor Serzedelo, ambas fundadoras da Associação sem fins lucrativos, que este ano ganhou o primeiro lugar no programa de mentoria Rise for Impact, da Casa do Impacto (Santa Casa da Misericórdia de Lisboa).

A  Líder esteve em conversa com as duas mentoras para perceber um pouco melhor o funcionamento do projeto e qual o papel das empresas na ajuda à divulgação e crescimento.

De que forma é feito o matching para chegar a um «par perfeito»?

Nós temos um sistema de triagem e matching, inovador, que é feito em parte informaticamente, pensado para ter mais impacto quanto mais inscrições forem efetuadas. Trabalhámos com uma equipa de Neurociências, que nos ajudou a desenhar os questionários e as entrevistas, que, após a triagem, nos permite ter para cada sénior uma ‘nuvem de estudantes’ ideal, em termos de perfil, de renda máxima que pode pagar, género, etc. Há uma série de seleções e de perfis de interesse, como a cidade de origem, que nos ajudam a ter essa nuvem ótima, o que depois facilita o relacionamento e o sucesso do par. Ao final deste primeiro ano, já formamos 28 parelhas, sendo que nem todas continuaram, pois há um tempo de experiência, e nesse tempo as pessoas percebem se é, ou não, o que estariam à espera, depende de parte a parte. Cada caso é um caso, depende mesmo de cada pessoa.

Que testemunhos têm tido da união entre as duas gerações?

Recentemente tivemos o caso de um casal sénior, cujo filho mora na Austrália, e punha a hipótese de os colocar a viver num lar, para ficar mais descansado e ter a certeza de que seriam bem cuidados. Fomos então contactadas pela afilhada deste casal, que mora em Portugal, e colocou a hipótese da Une.Idades para evitar a institucionalização e permitir que permanecessem a morar em sua casa. Ou seja, a solução foi uma estudante, o que vai ao encontro do que as pessoas preferem, que é ficar nas suas casas.

No caso de um idoso, ou jovem, como é feita a seleção?

Após a inscrição no site, reencaminhamos um e-mail para a pessoa com um questionário mais completo, com perguntas diferentes, seja sénior ou estudante. No caso dos estudantes, convidamos para uma entrevista, já com os seniores ligamos, não esperamos receber o formulário, só a primeira inscrição. Agendamos uma visita à casa, e fazemos uma primeira análise do grau de aptidão para o programa. Com o estudante fazemos, normalmente, entrevistas online.

Uma parelha pode durar quanto tempo?

Não existe fim, ou seja, para já ainda estamos no início e, portanto, ainda não temos casos desses. Apesar de começar como estudantes, a ideia é, depois se estiver a correr bem, não vamos dizer às pessoas para sair. Se passa de estudante a trabalhador, mas quer continuar em Lisboa e precisa de uma casa, e a parelha está a correr bem, e estão os dois felizes, não vamos terminar. Ao final de um ano, já houve pares que terminaram, porque acabam os estudos e vão para outras cidades, ou voltam para a sua própria cidade. Apesar de o limite de idade ser 35 anos, tivemos recentemente uma inscrição de um senhor de 47 anos, que está a fazer um doutoramento. Ou seja, ser hoje estudante vai até muito mais tarde.

Fazem algum tipo de avaliação regular?

Sim, no início falamos com mais regularidade, falamos com o sénior e os filhos, e falamos com o estudante, e às vezes com os pais dos estudantes. Fazemos quase parte das famílias. Depois, tentamos fazer, pelo menos, uma visita presencial mensal, e quinzenalmente vamos falando com as parelhas para saber como as coisas estão a correr.

Ao final deste ano quais as vantagens que identificam e quais têm sido os obstáculos?

A maior dificuldade é sem dúvida a divulgação, este é um programa que ainda não está nas casas portuguesas. Dos testemunhos mais comuns que temos, é o de saber que alguém vai entrar por aquela porta, ou que vão abrir a porta, e não se sentem sozinhos. Da parte dos estudantes, como estão deslocados, longe das suas famílias, sentem que têm uma base de apoio e isso dá-lhes um conforto. A dificuldade está em angariar seniores, mas também estudantes.

E têm parcerias com outras instituições.

Sim, temos de fazer um trabalho em rede e, por isso, trabalhamos muito com as Juntas de Freguesia, a Santa Casa, o Patriarcado, o Radar e a Gebalis. Acreditamos que esse trabalho em rede vai trazer frutos, e estes ‘nossos’ seniores já nos estão a enviar amigos. Mas precisamos de mais divulgação, que entre pelas casas e mostre que é possível fazer este match em segurança, pois essa é a grande diferença. No acompanhamento, é feita uma triagem exaustiva, com os registos criminais, e antes de começar a conviver já tivemos muitos encontros presenciais. A grande vantagem do nosso programa é a segurança, ou seja, as pessoas podem aventurar-se com segurança.

Qual o valor mensal ou contrapartida financeira?

Existem duas possibilidades, ou um contrato de comodato ou um contrato de arrendamento. Esta foi a solução que encontramos para tornar o programa apelativo, sobretudo para os seniores mais novos, com a hipótese de poder rentabilizar, para além de gostar de ter companhia. Este programa não é só para ter um quarto, é uma pessoa que entra dentro de casa, vai fazer companhia. Quanto ao valor, o compromisso é o pacote total do estudante estar sempre abaixo do valor médio de mercado, que vai de 170 até 480 euros. Este é um valor máximo que corresponde à renda e ao fee mensal para a Associação. Essa compensação permite-nos ser autónomas e não depender de financiamento.

Leonor Serzedelo e Inês Schmidt

 

De que forma as empresas e organizações, fora do setor social, podem-se juntar à Une.Idades?

Logo no início, no nosso lançamento, começámos uma parceria com a Meo, e acordamos fazer uma campanha junto dos seus colaboradores que estão em pré-reforma, acima dos 55. Hoje, o que temos feito com os nossos parceiros e empresas, é exatamente fazer da Une.Idades uma proposta de apoio ao colaborador, antes de chegar à fase entre a reforma e a solidão. Estamos abertos a receber mais parceiros corporativos, dentro de inúmeras formas de colaboração. Mas a maneira como definimos o nosso trabalho é por eixos, procuramos ter uma empresa por setor, como banca, seguros, retalho, etc.

O que esperam para 2025?

Este ano foi a prova de conceito e está aprovada, realmente funciona e é positivo para ambos, para o par, e acreditamos para a sociedade também. Para ser positivo e sustentável para a Une.Idades, precisamos de mais pares. O nosso objetivo, e a maneira como construímos o nosso modelo de negócio, é exatamente permitir ter mais impacto. Queremos crescer para depois escalar e avançar para outras cidades universitárias do país.

Arquivado em:Entrevistas, Notícias

OE 2025: uma perspectiva

14 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

O orçamento do Estado nos últimos meses tem estado constantemente nas notícias e no nosso dia a dia, muito por culpa de uma configuração da Assembleia da República que exige vários cuidados e equilíbrios na obtenção de votações favoráveis. Acresce que, na verdade, este mediatismo também se explica pela falta de um claro sentido de orientação de voto e pela falta de compromisso de vários partidos no que seria um caminho possível de negociação.

Será talvez o único orçamento dos últimos anos, onde um partido para a sua aprovação, não fez a apresentação devida de propostas ou sequer de algum rumo ou preferência, mas antes elencou quais as propostas do partido de governo que não deixava passar. Foram anos e anos de geringonças mais ou menos formais que alhearam por completo a discussão dos reais problemas dos portugueses, quase como uma anestesia lenta e bem doseada que nos foi sendo administrada conforme as exigências políticas da extrema-esquerda.

Por estas razões podemos em parte compreender todo o sobressalto em torno desta matéria, mas há uma razão de fundo que me causa mais estranheza e mais apreensão. Essa razão consiste num ponto determinante que é o alicerce de toda a elaboração do documento. A baixa de impostos. Falar em baixa de impostos, por si só, já constitui uma enorme vitória. Que estranho é, depois de tantos anos a batermos records da carga fiscal sobre as empresas e sobre os cidadãos, chegarmos a uma proposta que consagra a redução da carga fiscal e a mesma obter tanta oposição e provocar tanta controvérsia.

A explicação pode ser mais profunda do que um simples posicionamento de interesse político, pode ser mais profunda que uma simples vontade de ser contra só por ser, ou até de mera tática política. Talvez comece a ficar demonstrado, de alguma forma que há partidos que lidam melhor com portugueses de mão estendida do que com portugueses autónomos e com vontade de singrar na vida.

O princípio da autonomia financeira de cada um, o princípio do elevador social, o princípio da livre iniciativa, a meu ver, estão postos em causa por quem rejubila com dádivas de subsídios e com esquemas de deduções, créditos e abatimentos seletivos. Não nos podemos esquecer, que nesta redução da carga fiscal, há efetivamente dois grandes beneficiados que o Partido Socialista abandonou de vez.

Os jovens e as empresas. De hoje em diante cada vez que existir um abandono do país por parte de jovens qualificados, ou cada vez que os jovens tiverem maior dificuldade de autonomia e de emancipação, haverá um claro responsável. Cada vez que o investimento direto estrangeiro reduzir ou cada vez que uma empresa escolha outro país em detrimento de Portugal haverá um claro responsável. Cada vez que as empresas portuguesas tiverem dificuldade em competir em mercados externos ou não consigam suportar tantos custos de contexto haverá um responsável.

Por estas razões, ainda antes da votação ocorrer, e mesmo arriscando num desfecho que é imprevisível, tendo em conta a errática atuação do partido Chega, eu acredito que o orçamento será mesmo assim viabilizado. Se não for, o Partido Socialista escolheu definitivamente o caminho da geringonça e o caminho da futura irrelevância.

 

Arquivado em:Notícias, Opinião

OE 2025: será este «um bom orçamento para o país»?

11 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

O Governo apresentou ontem, na Assembleia da República, a Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2025, cuja votação final está agendada para dia 29 de novembro.

O salário mínimo nacional deverá passar a corresponder a € 870 em 2025, com a expetativa de que poderá atingir € 1.020 no final da legislatura (2028). E serão atualizados os escalões de IRS, de acordo com a lei, em 4,6%.

O IRC desce um ponto percentual de 21 para 20% e para as pequenas e médias empresas. É, igualmente, reduzida em 1% a taxa aplicável nos primeiros € 50.000 de matéria coletável para entidades qualificadas como PME ou Small Mid Caps, que passa para 16%. Contudo, o Governo prevê um crescimento de mais de 6% na receita de IRC no próximo ano.

Na apresentação da proposta, em conferência de imprensa, Miranda Sarmento, Ministro das Finanças pediu responsabilidade à oposição.

Relativamente ao chumbo do Orçamento do Estado, creio que o país deve estar preocupado com isso, porque este é um bom Orçamento,  exige-se às opções responsabilidade, mas penso que é muito importante para o país, para as reformas que estamos a executar, para a execução do PRR, para as mudanças que o país precisa, que o orçamento seja aprovado. Este é um bom orçamento para país, é um bom orçamento para as famílias para os jovens, para os mais idosos, para os mais vulneráveis, para as empresas. E, portanto, acho que todos vamos ter responsabilidade e aprovar o Orçamento de Estado no Parlamento.

O Governo prevê que o PIB cresça 1,8% este ano e 2,1% no próximo, com a inflação a descer de 2,6% para 2,3%. Quanto ao saldo orçamental, deverá ficar no 0,4% este ano e descer uma décima em 2025.

O secretário-geral do Partido Socialista, depois da última reunião que teve com o Sr. Primeiro-Ministro, no dia em que houve o debate quinzenal, disse que estava comprometido com o saldo orçamental que o Governo pretendia atingir no próximo ano, de um superávit de 0,3%. Portanto aquilo que eu espero é que, caso o orçamento seja viabilizado, os partidos sejam responsáveis na discussão da especialidade E não alterem aquilo que é o objetivo do país, de ter um superávit de 0,3% no próximo ano.

Miranda Sarmento confirmou que o Governo retirou as propostas de descida do IRC e do IRS jovem para os próximos anos, e é dado um grande salto no imposto sobre produtos prolíferos que deve subir até aos 22%, em resultado da taxa de carbono.

Alexandra Leitão, presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, garante que o documento não acolhe as sugestões do partido e denuncia uma vaga de privatizações com a qual não concorda.

 

Análises e comentários

A Líder reuniu algumas opiniões e comentários ao documento.

João Moreira Rato, Presidente do Instituto Português de Corporate Governance

Este orçamento é muito parecido com os orçamentos anteriores do PS com algumas boas indicações, como por exemplo a descida do IRC. Se bem que as diferenças são principalmente simbólicas. Também resolve alguns problemas anteriores quando reflete o acordo com os professores, por exemplo. Mas no grosso não lida realmente com os problemas estruturais que fazem com que o talento jovem emigre e os serviços públicos, na saúde e na educação nomeadamente, estejam disfuncionais. Penso que é no interesse dos partidos evitar eleições e por isso será aprovado.

 

Pedro Brinca, Economista e Professor Associado da NOVA SBE

Eu considero que este é o orçamento possível, dada a realidade política e a composição atual de forças da Assembleia da República, em que o Governo governa de forma minoritária. Como tal, descaracterizou em boa medida aquilo que era o seu programa eleitoral, em função daquilo que é o equilíbrio de forças do Parlamento, precisamente porque as eleições não lhe deram o poder, a maioria e a força democrática que seria necessária para implementar, por exemplo, no caso do IRS jovem ou do IRC, as medidas que estavam no seu programa e que eram bastante mais ambiciosas.

O orçamento tem uma medida, uma lei que já tinha sido aprovada, que é a atualização sistemática dos escalões de IRS à inflação e a uma medida de produtividade, nomeadamente o PIB por trabalhador, o que é bem-vindo. É bom lembrar que em 2022 não houve atualização dos escalões, o que num cenário com inflação perto dos 10%, representou um enormíssimo agravamento da fiscalidade sobre os rendimentos das pessoas singulares.

O que passou um bocado despercebido para a maioria das pessoas, porque vê a mesma taxa, e não percebe que está a incidir sobre um valor maior. Subiram automaticamente de escalão, e essa subida não tem a ver com uma melhoria da sua qualidade de vida, mas apenas com a inflação. Essa ilusão monetária deixa de ser possível no atual enquadramento deste orçamento.

Temos algum superavit, parece-me que as contas certas já é um bem político, para as duas principais forças do Parlamento e ainda bem que assim é. Aquilo que, pelos vistos, ainda não é um bem político, é a estabilidade de alguns regimes de ambiente económico e jurídicos que regem dois grandes temas sobre os quais era importantíssimo haver essa estabilidade. Um é o mercado de Habitação, nomeadamente o mercado de arrendamento, e o outro é a Fiscalidade.

Temos aqui um choque de duas visões que reflete, mais uma vez, duas realidades bastante diferentes sobre o que é pensar a fiscalidade para as empresas. Temos uma visão do Partido Socialista mais dirigida, em que o Estado diz às empresas onde é que devem gastar o dinheiro, de que maneira é que devem exigir às suas empresas para pagar menos fiscalidade, para pagar menos impostos o que torna provavelmente, o planeamento fiscal a atividade número um. Ou seja, a empresa em vez de estar focada em desenvolver o seu produto, em criar um melhor plano de negócios, está a gastar mais recursos em perceber de que maneira é que pode tirar partido de um milhão de isenções e deduções que o Estado cria, porque o Estado está a dizer às empresas onde é que devem gastar o seu dinheiro.

Essa visão não me parece a mais adequada ao desenvolvimento económico. Internacionalmente, aquilo que é a diferença entre as taxas estatutárias e as taxas efetivas, que é uma medida de quão distorsivo é o papel do Estado no sistema fiscal, vemos que ela correlaciona de forma negativa com medidas de produtividade. Ou seja, quanto maior a diferença entre a taxa efetiva e a taxa nominal, maior é a falta de produtividade, ou menor é a produtividade total, daquilo que é o capital, e o trabalho nas economias. Quem mais percebe do seu negócio é a pessoa que o cria e gera, não é tanto o Estado. Isto não quer dizer que estamos a voltar aos anos 80, da discussão entre Hayek e Marx, ou o choque de paradigmas entre uma Economia de capitalismo selvagem, sem regras, e uma Economia cubana, ou venezuelana, em que o Estado se apropria de tudo. Não é isso.

Nós estamos a falar de uma Economia portuguesa que se destaca internacionalmente dentro das democracias liberais, e com economias que têm mercado e também têm uma presença de Estado forte, que se destaca de forma grotesca em termos daquilo que é o dirigismo da sua política fiscal, e uma Economia que se destaca na penalização da atividade empresarial, porque é uma das maiores taxas estatutárias da OCDE.

E esta visão para o país não me parece que sustente um caminho de convergência económica. E é importante que as pessoas se lembrem que sem convergência económica não há convergência social. Sem uma convergência na capacidade de criação de riqueza, não há uma convergência na qualidade de vida dos portugueses com os países mais desenvolvidos.

Ou seja, nós temos um IRS altamente progressivo, em que as empresas que têm mais escala e que, por isso, têm mais lucros em volume, são aquelas que mais pagam de taxas de imposto, o que não quer dizer que sejam as mais rentáveis. E o que estamos a fazer? Estamos a favorecer um sistema económico de fragmentação do tecido produtivo, em que as empresas não ganham escala, não crescem em termos de produtividade, porque são desincentivadas a fazê-lo.

Nesse aspeto, este orçamento não corrige grande coisa, porque o ponto polémico que estamos a falar é a descida de um ponto percentual do IRC. Certo que para as PME vão baixar a fiscalidade, mas a progressividade não foi tocada, que é algo politicamente radioativo, mas necessário para o país.

 

Luís Belo, Partner & Tax Leader da Deloitte

Na sua estratégia, o Governo apresenta como principais metas recuperar as funções sociais do Estado, potenciar a trajetória de ganhos de produtividade e de competitividade, reforçar o crescimento económico, manter o pressuposto de equilíbrio orçamental, investir crescentemente nas funções do Estado e reduzir a carga fiscal e promover a coesão e reduzir as assimetrias regionais.

No cenário macroeconómico que se encontra subjacente à proposta apresentada, prevê-se um crescimento económico de 1,8% em 2024 e de 2,1% em 2025. Ao nível do saldo orçamental, o Executivo estima apurar um excedente de 0,4% para o corrente ano, que deverá reduzir-se para 0,3% em 2025. Está ainda prevista uma redução da dívida pública em 2024 para 95,9% do PIB, devendo atingir 93,3% do produto no final do próximo ano.

Destaca-se a atualização dos escalões de IRS em 4,6% (i.e., significativamente acima da estimativa da inflação para 2025, que se situa nos 2,3%) e do mínimo de existência de modo a permitir que os contribuintes que aufiram rendimentos até ao valor do salário mínimo nacional anual continuem a ficar excluídos do pagamento de imposto. Está também prevista uma isenção de IRS e de Contribuições para a Segurança Social sobre os prémios de desempenho até ao limite de 6% da retribuição base dos trabalhadores.

Está contemplada a redução das taxas de tributação autónoma sobre os gastos com viaturas a combustão através da redução das taxas aplicáveis aos diferentes escalões. Por outro lado, são ainda aumentados em € 10.000 os limites dos custos de aquisição das viaturas nos diferentes escalões.

A reintrodução de uma disposição que estabelecerá que as empresas que apresentem prejuízos fiscais não terão um agravamento das taxas de tributação autónoma consta do leque de propostas, desde que tenham obtido lucro tributável num dos últimos três períodos de tributação e tenham cumprido com as suas obrigações declarativas em sede de IRC. Estima-se um crescimento de 6,1% ao nível do IRC no próximo ano, após um significativo crescimento da receita deste imposto prevista para o corrente ano de 2024. Importa, todavia, salientar que o efeito da redução da taxa nominal deverá apenas ter repercussões nas receitas fiscais a arrecadar em 2026, quando as empresas liquidarem o imposto final devido relativamente ao período de tributação de 2025.

Relativamente à tributação indireta, assume destaque o crescimento previsto para 2025 do ISP em 21,9%, essencialmente assente no crescimento esperado no consumo privado, o fim da isenção de ISP sobre os biocombustíveis avançados e o descongelamento progressivo da taxa de carbono, e do IVA em 6,4%, neste caso justificado pelo crescimento no consumo privado (2%) e pelo aumento esperado nos preços do consumidor (2,3%).

 

Arquivado em:Economia, Notícias

Neurodiversidade: o caminho para a inclusão, bem-estar e sucesso

10 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Saúde Mental, data que, este ano, tem como foco a “Saúde Mental no Trabalho”, para consciencializar colaboradores, líderes e organizações para a importância de locais de trabalho que priorizam e promovem o bem-estar das pessoas, e onde a diversidade e a inclusão são valores chave para uma cultura saudável.

O estudo Neurodiversidade no Mercado de Trabalho revela que, atualmente, metade dos profissionais nunca trabalhou diretamente com pessoas neurodivergentes, isto é, pessoas com condições neurológicas como autismo, dislexia ou TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Além disso, cerca de 87% dos profissionais nunca participaram em sessões ou programas relacionados com este tema no ambiente corporativo. Face a esta realidade, neste Dia Mundial da Saúde Mental acredito que importa falar sobre a necessidade de promover uma maior pluralidade no ambiente corporativo, como estratégia fundamental para que todas as pessoas se sintam bem no trabalho.

É importante compreender que a inclusão de pessoas neurodivergentes traz inúmeras vantagens para as empresas, para os profissionais e para os negócios. Apostar na diversidade permite contar com novas perspectivas que desafiam o pensamento convencional e promovem a inovação. Pessoas com autismo, por exemplo, tendem a ter uma maior atenção ao detalhe, enquanto indivíduos com TDAH se destacam muitas vezes pela sua criatividade e dinamismo. Ao promover a inclusão de pessoas com esta diversidade de pensamento, é possível criar um ambiente de trabalho mais próspero, onde o valor real de cada colaborador é aproveitado e orientado da maneira certa. Contar com equipas diversas permite que cada pessoa e empresa se supere a cada dia, evoluindo em direção a um futuro melhor.

Ainda assim, a falta de consciencialização para o tema da neurodiversidade no ambiente de trabalho continua a ser um desafio que as empresas devem procurar superar através de uma adaptação das suas estratégias. Para um ambiente de trabalho inclusivo, é essencial criar uma cultura segura, onde cada colaborador se sente confortável para partilhar o seu diagnóstico com os colegas. Para tal, os líderes podem apoiar a criação de grupos e iniciativas informais, por exemplo, que promovam uma comunicação aberta e reduzam o estigma, ao mesmo tempo que desenvolvem formações sobre a importância da neurodiversidade. No que respeita aos benefícios da empresa, assegurar que o seguro de saúde cobre o ramo da saúde mental é também muito importante para que os colaboradores se sintam apoiados. Por outro lado, para um recrutamento inclusivo, os processos devem ser revistos frequentemente, de forma a identificar eventuais lacunas ou ideias pré-concebidas, garantindo que todos têm o acesso a oportunidades. Acredito que com estas medidas inclusivas é possível encontrar caminho para continuar a inovar.

Quando acolhemos a neurodiversidade estamos a priorizar a saúde mental no trabalho. A sensação de pertença e o reconhecimento são fatores fundamentais para o bem-estar emocional dos colaboradores, e promovem uma maior fidelização à empresa e um ambiente mais positivo. Os líderes que forem capazes de reconhecer o valor destes profissionais estão, por isso, a apostar no sucesso sustentável da sua organização e, mais importante, das suas pessoas.

Arquivado em:Opinião

Fórum reúne e premeia líderes das PME portuguesas

10 Outubro, 2024 by Rita Saldanha

No próximo dia 22 de outubro vai decorrer a segunda edição do Fórum PME Magazine, o encontro que reúne os gestores e líderes das PME portuguesas, na partilha de casos de sucesso e soluções práticas de gestão para a otimização de negócios.

O evento, a ter lugar na Universidade Católica, em Lisboa, conta com palestras e debates, networking e uma área de exposição. A fechar o programa, serão entregues os Prémios Social CEO, uma distinção aos diretores executivos mais digitais em Portugal, numa parceria com o especialista em LinkedIn, Pedro Caramez.

Ao longo do dia, a destacar os palestrantes Sofia Marta (Google Cloud Portugal), Jorge Portugal (COTEC) e Isabel Ucha (Euronext Lisbon). Bernardo Maciel (CEO Yunit Consulting) e Igor de Brito (CEO Unipeople), vão participar na conversa: Como encontrar um parceiro para fazer crescer o meu negócio? E António Oliveira (OLI) e Celso Lascasas (Laskasas), marcam presença na mesa-redonda: Como fazer crescer o meu negócio além-fronteiras?.


A entrada é gratuita, mediante registo prévio aqui.

Saiba mais aqui.

 

 

Arquivado em:Corporate, Notícias

Parar para pensar. Fazer silêncio. E ouvir. O que aconteceu na Leadership Summit Portugal 2024 (Parte I)

26 Setembro, 2024 by Rita Saldanha

Desacelerar, pensar, sem desviar o olhar das grandes discussões do momento, com a lente da IA, da sustentabilidade, das lideranças modernas, das emoções, do envelhecimento, da literacia digital, da beleza moral e da ética. Estaremos prontos para silenciar o ruído que nos rodeia?

Sob o tema “Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth”, 32 oradores nacionais e internacionais subiram ontem [dia 25 de setembro] ao palco do Casino Estoril para a 8.ª edição da Leadership Summit Portugal, perante uma audiência de 850 pessoas.

No arranque do evento, Nelson Pires, General Manager & Board Member da Jaba Recordati, acordou a audiência no Lounge do Casino, com a wake-up talk  “Qual das inteligências artificiais substituirá o ser humano?”.

The Call of Humanity

Já no salão Preto e Prata, o programa inicia-se com um bailado coreografo por Tiago Barreiros e Joana Simões, sob a batuta de Filipa Peraltinha.

Filipe Vaz, CEO da Tema Central, arranca com os discursos institucionais. «Vivemos um período de proliferação de estímulos que condicionam a nossa sociedade e organizações. Vamos refletir e encontrar novos caminhos para a paz e para o desenvolvimento humano. Fazer silêncio, abstrair do excesso de estímulos».

Nuno Piteira Lopes, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cascais, reflete que: «O Mundo está a sofrer várias mutações, é um lugar cada vez mais perigoso e menos confortável, alguns valores e direitos podem ficar comprometidos. A liberdade é um dos objetivos mais nobres da nossa Humanidade. É mais do que direito ou privilégio, é a essência do que nos torna humanos. (…) É preciso líderes que saibam ouvir e refletir nas vozes e ações da população. Liderar é acima de tudo para todos e um exercício de nunca deixar ninguém para trás».

Por seu lado, António Leitão Amaro, Ministro da Presidência, explica a origem da figura do Ministro. E faz questão de salientar: «Quando se vive em Democracia perceber o que é o bem comum, é uma tarefa dificílima – a primeira condição é ouvir. Não partir para a função convencido que se sabe tudo. E fazer este exercício em verdade. Se servimos, respeitamos e se respeitamos tratamos o outro com verdade. Se nós não vivemos para servir, não servimos para viver.»

António Leitão Amaro, Ministro da Presidência
Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cascais

João Póvoa Marinho é o host do evento, cujo programa se divide em três slots: The Call of Humanity; The Sound of Silence – Listening; e Decide with Truth.

A slot The Call of Humanity começa com Rupert Read, Filósofo Ambiental, com a talk “From Dystopia to Thrutopia”. O autor faz uso do catastrofismo, da ironia, mas sobretudo de factos para mostrar que o futuro vai ser duro. Não tem outra forma de o dizer. E faz um apelo a toda a audiência: «O tempo já chegou, o limite de 1,5º C já foi ultrapassado e neste momento é libertado na atmosfera o equivalente a 12 bombas de Hiroshima por segundo. Há 20 anos era quatro vezes menos (três bombas)». A boa notícia é que «à medida que as coisas pioram, a Humanidade vai melhorando e juntos podemos construir uma Thrutopia».

O momento que se segue explora o papel das empresas na resolução dos desafios globais em matéria de Sustentabilidade. Da sede da Philip Morris International (PMI), na Suíça, Miguel Coleta, Director Sustainability, Activation & Support, disserta sobre a grande metamorfose da PMI. «As empresas devem contribuir para os desafios de hoje repensando os seus modelos de negócio» sublinha, como aconteceu na PMI, em 2016, ao ter anunciado um “futuro sem fumo”. «Um novo modelo, onde a estratégia de negócio e a sustentabilidade são um só, focado no compromisso de deixar de vender cigarros». Hoje, 2/3 das receitas em 2030 vêm dos novos produtos com 33 milhões de utilizadores no Mundo. Cerca de 40% das receitas em Portugal vêm dos produtos sem fumo, e a pegada da Tabaqueira também mudou. A PMI tenciona atingir a neutralidade carbónica em 2025. «A transformação e inovação criaram oportunidades de negócio para nós e para a sociedade. A Sustentabilidade é uma oportunidade tremenda para as empresas», remata.

Os exemplos de três comunidades indígenas, Endorois, Cofán e Batwa, servem de base à talk de Mariana Marques, CEO da Azimuth World Foundation. “Indígenas Líderes da Humanidade, Ecologia e Natureza” é um grito de alerta para «um povo que é o mais impactado pelas alterações climáticas, e o menos responsável por isso». O trabalho da organização é o de servir estas comunidades e de «descolonizar a filantropia». Pelas suas palavras, «é preciso parar e escutar quem melhor conhece o equilíbrio ecológico, respeita a natureza e os diferentes ecossistemas».

The Sound of Silence 

Após um momento de pausa, segue-se a slot The Sound of Silence – Listening. «Nos Estados Unidos, há dados concretos de comunicação de atividade extraterrestre, e eles estão muito ativos», a afirmação é de Jim Garrison, Ativista Social e Político. Adianta que o contacto é feito desde 1945, numa linguagem não verbal, mas mental. E o que dizem é: «estamos preocupados com a raça humana». Na talk Listening to the Context, o Fundador da Universidade Ubiquity, partilhou as «mega tendências» que estão a marcar o Mundo. As alterações climáticas vão levar-nos aos primeiros eventos de extinção, entre 2026 e 2027. E a Europa, e o resto do Mundo, estão a ser apanhados num momentum de Guerra que é dos EUA, referindo-se à Guerra da Ucrânia.

Na intervenção seguinte, Martim Sousa Tavares fala da sua experiência a conduzir orquestras. «Um Maestro é um Músico silencioso. Alguém treinado e pago para dar cabo do silêncio com a música», começa, desconcertando a plateia, enquanto explica a importância do silêncio. Martim vai buscar a frase de José Pinho, Fundador da Ler Devagar: “Tudo o que é bem feito é feito devagar”. «Tudo começa no silêncio, o silêncio é uma quimera, é uma predisposição para ele. Há também o silêncio que comanda a ação». As aulas que teve para aprender a ser maestro eram em silêncio. O Professor dizia: “Só podes ter um encontro com o som, quando na tua cabeça tiveres a tua música a soar perfeitamente”. «Há uma natureza de escuta permanente nos maestros. O maestro é o ouvido da orquestra. Quem ouve, subtrai a capacidade de intervir», sublinha.

Martim Sousa Tavares continua em palco enquanto moderador do momento que se segue. No debate “Decidir: A Arte de Saber Ouvir“, juntaram-se ao maestro, Cristina Castanheira Rodrigues, Administradora-Delegada da Capgemini Portugal, Armindo Monteiro, Presidente da CIP, Luís Rodrigues, Presidente da TAP, e Raúl Neto, CEO da Randstad Portugal.

O ponto de partida para a conversa é o do «silêncio como espaço para a escuta». No campo da indústria inteligente, Cristina Rodrigues partilha que «a Capgemini está a desenvolver padrões para 2033, e isso implica muita escuta e tempo para pensar». O silêncio é preciso ser empreendedor. Para criar, olhar e reagir aos estímulos é preciso ter esse espaço e nisso utiliza a regra dos três S’s: «solidão, silêncio e ser sólido naquilo que se faz».

Melómano e praticante de mergulho, Armindo Monteiro está habituado ao silêncio e à solidão. Como equilibra a escuta com a necessidade de se fazer ouvir? «A arte de se fazer ouvir vai contra a ideia tradicional do líder, que raramente tem dúvidas e nunca se engana!», afirma. Para Portugal ser uma Economia de primeira divisão, os líderes têm de ser mais empresários e menos patrões e partilha quatro conselhos: «(1) Aprender a ouvir exige ser paciente, e isso é dar tempo, (2) saber perguntar, (3) mostrar que estamos de facto a escutar (a capacidade de dar feedback), e (4) evitar julgamentos precipitados».

Armindo Monteiro, Presidente da CIP, Luís Rodrigues, Presidente da TAP, Cristina Castanheira Rodrigues, Administradora-Delegada da Capgemini Portugal, e Raúl Neto, CEO da Randstad Portugal e Martim Sousa Tavares, Maestro.

Luís Rodrigues conseguiu fazer o que há muito se procurava, tirar a TAP dos destaques das notícias e silenciar o burburinho. Conhecido por «entrar mudo e sair calado das reuniões», o líder da TAP afirma «tenho de ouvir porque tenho de minimizar o erro na tomada de decisão». «Falo muito pouco e tenho muitas dúvidas», remata.

«Ouvir todos os intervenientes é meio caminho para uma solução. Há momentos para partilhar ideias e há momentos para focar e tomar decisões», destaca Raul Neto, para além da «honestidade com as pessoas».

O que é que o silêncio já vos ensinou? «A afastarmo-nos das ideias feitas. Este momento de introspeção ajuda a partir do zero a uma reflexão sem fronteiras», responde Armindo Monteiro. «Ensina-me tudo. Quando era estudante nem punha fones. Tenho de estar em silêncio», partilha Luís Rodrigues. «A escuta ativa, ouvir o que os outros têm para dizer, a voz dos clientes, dos colaboradores e dos acionistas é fundamental», desenvolve Cristina Rodrigues. Para Raúl Neto: «O silêncio diz-me sobretudo o que é importante escutar. Fazemos muitas reuniões, procuro ser sempre o último a falar porque quero ouvir e perceber a opinião de todos e sei que se falar vou influenciar».

Alegria, medo, raiva, nojo e tristeza são as cinco emoções em que se baseia o Inside Out [Divertidamente]. O orador seguinte fez parte da equipa de produção do filme de animação da Pixar e veio apresentar uma nova emoção, o espanto: Awe. “Moral Beauty: How to Meet the Crisis of our Times” é o nome da talk de Dacher Keltner, Professor de Psicologia e Fundador do Greater Good Science Center na Universidade de Berkeley.

Na sua investigação, recolheu narrativas de 26 culturas sobre a capacidade de se espantar e da admiração quando algo nos transcende no Mundo, e daí construiu o conceito de “beleza moral”. «A beleza moral é a nossa resposta à virtude humana, à gentileza, à coragem e à generosidade. Acredito que cultivar a beleza moral começa pelas lideranças e com isso podemos combater as crises no Mundo», afirma.

 

Leia a segunda parte aqui.

Tenha acesso à galeria de imagens aqui.

Assista a todos os momentos a partir de dia 27 de setembro, disponíveis on demand na Líder TV em www.lidertv.pt, na posição 165 do MEO e 560 da NOS.

 

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