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Rita Saldanha

Orgulho Olímpico: qual o significado de levar Portugal escrito nas costas?

23 Julho, 2024 by Rita Saldanha

O que significa ‘ser um Olímpico’ e o que está em jogo quando se qualificam e preparam as equipas que participam nesta prova? E qual a verdadeira emoção de ter Portugal escrito das costas?. «É uma honra gigante e uma responsabilidade dizer que levamos ‘Portugal’ nas costas, não são só umas letras. Sabemos que estamos a trabalhar para o país, é isso, efetivamente, que sentimos».

As palavras são de Marco Alves, Chefe de Missão da Comitiva Olímpica Portuguesa, com quem a Líder conversou a propósito da 33ª edição dos Jogos Olímpicos (JO) de Verão, a arrancar já na esta sexta-feira, dia 26, em Paris.

Até ao dia 11 de agosto, cerca de 10.500 atletas vão estar a competir pelo pódio e as almejadas medalhas olímpicas, naquele que é o auge de todas as provas desportivas mundiais.  Portugal vai estar representado por 73 atletas, num total de 15 modalidades, em que pela primeira vez, há mais mulheres (37) do que homens (36).

Marco Alves é o responsável pela representação nacional, cargo que ocupa, no Comité Olímpico Português, desde os JO de Tóquio 2020 (realizados em 2021), e não é, nem foi, atleta!

 

A ginástica da logística e o pódio do café! 

Por esta altura, Marco Alves já está na Aldeia Olímpica em Paris, onde já chegaram Gustavo Ribeiro (skateaboarding), Marcos Freitas, Tiago Apolónia, Jieni Shao, Fu Yu (Ténis de Mesa) e Filipa Martins (Ginástica).

Filipa Martins
Gustavo Ribeiro

 

Na sexta-feira passada, dia 19, viajaram para o Tahiti as surfistas Teresa Bonvalot e Yolanda Hopkins e no sábado os velejadores Eduardo Marques, Carolina João, Diogo Costa e Mafalda Pires de Lima, foram para Marselha.

Teresa Bonvalot
Eduardo Marques

Até ao final da semana irão chegar as restantes equipas de atletas. A conversa com a Líder aconteceu em junho, e o chefe de missão foi muito claro sobre o seu papel e o do Comité Olímpico. «Os atletas têm de se preocupar em treinar e em competir. Tudo o resto, tudo o que é preciso para que isto aconteça, não pode ser uma preocupação deles, é uma preocupação nossa, com cada uma das Federações Nacionais», enfatiza.

Carregar contentores, transportar barcos, cavalos e centenas de material, implica uma logística complexa. A equipa de canoagem leva o material por terra, tal como o ciclismo. Com o surf a ter lugar na Polinésia Francesa, uma parte da equipa está a mais de 15 mil quilómetros de distância. O tiro com armas de caça também implica outro transporte e deslocações para a atleta Maria Inês Barros, que vai estar a competir a 260 quilómetros de Paris.

Maria Inês Barros

Temos de fazer todo este puzzle de preparação sendo que não há um dia para que isto tudo aconteça. Durante todos os jogos, em todos os dias, há coisas a acontecer do ponto de vista quer da chegada, partida e necessidades dos atletas

E ficamos ainda a saber qual é a principal preocupação durante a estadia em Paris – o café! «Uma das coisas mais valorizadas é o café», um bem essencial para a maioria da comitiva dos atletas portugueses.

No momento da entrevista, em meados de junho, Portugal tinha apurados 50 atletas, sendo que o processo de qualificação só terminou a 30 de junho. «Apenas nos primeiros dias de julho teremos a composição final, quer em termos de número de modalidades, atletas e número de oficiais que podemos levar para dar enquadramento a cada destes atletas».

Ou seja, é tudo feito «praticamente três semanas antes de partir para Paris». Daí, o Comité tem de ter vários planos, e preparar, efetivamente, vários cenários que depois podem, ou não, ser concretizados.

 

As qualificações e a competição

Mérito desportivo é o que garante a qualificação, tal como Marco Alves explica: «Nós conhecemos os nossos atletas, mas muitas vezes não é só com eles que temos contato, também conhecemos os seus adversários. Portanto, temos uma previsão de participação já há bastante tempo, mas só será, efetivamente, conhecida muito próximo da nossa partida».

O número limite, na edição de Países 2024, são 10.500 atletas e não existem cotas por países, mas por modalidades. Usando como exemplo a Seleção Portuguesa de Futebol, e a participação no Euro, nos JO não vão todos ao mesmo tempo, e depois, regressam juntos. «Estamos dependentes das qualificações, do calendário de competição, do número de dias para cada uma das modalidades, porque cada modalidade tem características específicas de quantos dias precisa para se preparar na cidade onde vai competir», explica o Chefe de Missão.

As primeiras qualificações «são normalmente disputadas no ano menos dois dos Jogos». Independentemente do número de atletas, o que é importante perceber é em quantos «eventos de medalha» Portugal vai participar, sendo que no total existem 330 eventos de medalha.

Conforme diz Marco Alves, há uma média de cerca de mil medalhas distribuídas durante os JO, para os 10.500 atletas, sendo que há os que repetem medalhas. Ou seja, mais de nove mil não vão trazer para casa «o mais alto reconhecimento deste mérito desportivo».

Em termos do nível de competitividade da participação da equipa portuguesa, um dos fatores que pesa, relaciona-se com «o número de eventos em que Portugal será representado e que pode efetivamente conquistar algum sucesso», refere. No momento da conversa, Marco Alves traçava o objetivo de Portugal chegar a 66 eventos de medalha, e na verdade, atingiu os 67 eventos de medalha.

Qual a importância deste momento nas carreiras dos atletas e o que sentem os que partem para Paris?

Marco Alves partilha que cerca de 70% dos atletas só participam numa única edição dos Jogos Olímpicos, o que por si representa uma preparação de quatro, oito, doze e, por vezes, até 16 anos para conseguir ir uma primeira vez, e depois não ser possível repetir essa experiência.

Um dado curioso: João Costa é o atleta olímpico português com mais qualificações em JO, com cinco presenças na competição, tendo falhado agora a qualificação para Paris 2024.

Portugal não é só futebol

O futebol é o desporto rei em Portugal, mas por ironia, a equipa não se qualificou. A última vez foi em 2016, no Rio, e tanto para Tóquio como para Paris, a modalidade não garantiu a presença.

«O futebol tem um espaço que conquistou, que é inegável e não seria justo também caracterizarmos o futebol de uma maneira em que não lhe reconhecessemos o devido valor», reitera Marco Alves.

Efetivamente, «há um conjunto de modalidades que pelo facto de não ter uma expressão mediática elevada faz com que as pessoas não tenham conhecimento do que é preciso fazer para chegar aos Jogos Olímpicos».

É muito fácil cairmos naquele discurso de ‘não vai lá ninguém’, e que nós estamos habituados. A questão é as pessoas conhecerem o processo e perceberem o que é preciso fazer em termos destes quatro anos, destes dois anos de qualificação, para conseguir garantir uma qualificação para os Jogos Olímpicos

De modalidade para modalidade as regras são, efetivamente, muito díspares. Há rankings que os atletas têm de cumprir, num conjunto de resultados para marcarem pontos, há outros que têm de ir ao Campeonato do Mundo e ficar nos sete, ou nos 12 primeiros lugares. «E ainda têm de ter uma popularidade grande, na maior parte das modalidades, para poder alcançar esta qualificação para os jogos», partilha.

Comité Olímpico

O papel do Comité Olímpico Português (COP) é o da organização da participação em qualquer evento patrocinado, ou que seja reconhecido, pelo Comité Olímpico Internacional (COI). E há várias missões ao longo do intervalo entre cada edição dos JO.

Festivais olímpicos na região europeia, JO de Inglaterra, jogos europeus, mediterrâneos, num total entre 11 a 12 missões anuais, que decorrem entre o término dos Jogos Olímpicos e os próximos.

Cumpre ao COP cuidar da sua participação e aquilo que é «a preocupação de que os atletas estejam focados no treino e na competição e tudo o resto seja da nossa responsabilidade», e a função do Chefe de Missão é fazer isto acontecer.

Marco Alves assume-se um «apaixonado» pela Aldeia Olímpica, um lugar que explica ser feito de «construções preparadas para os JO, mas após terminarem os Jogos Paralímpicos, começam a ser convertidas para se tornarem habitações comuns».

A Aldeia Olímpica é, para si, «um sítio mágico por ser uma bolha onde os atletas não têm interação com o exterior, e onde se podem ver as maiores referências nacionais, e mundiais, a interagir de uma forma completamente descontraída num ambiente muito informal».

Haver um espaço reservado que albergue os milhares de atletas dá uma dimensão real desta prova. Na sua opinião, «uma das imagens de marca dos Jogos é o facto de haver um lugar para todas as modalidades». Paralelamente à mística, na Aldeia Olímpica «respira-se uma ansiedade, pois cada atleta está ali em competição e tudo está a fervilhar dentro deles».

Crédito das imagens: COP

Arquivado em:Artigos, Leadership

Eles existem! Eles quem?

23 Julho, 2024 by Rita Saldanha

A vida, tal como a conhecemos na Terra, apenas é possível devido a uma conjugação de vários factores. Talvez se possa dizer que a vida é como a conhecemos precisamente por esses factores.

Um deles é a radiação de altas energias que vem do Sol e do resto do cosmos, como os raios X. Esta luz consegue facilmente decompor moléculas e átomos: é cancerígena, os seus efeitos são basicamente semelhantes aos que sofremos quando expostos a material radioactivo.

Felizmente para a vida na Terra, a atmosfera bloqueia a maior parte desta radiação. A matéria a altas temperaturas emite raios X, portanto se quisermos ver as partes quentes do universo temos de encontrar uma forma de nos livrarmos da nossa atmosfera. Foi o que fizemos em 1964, enviando contadores Geiger num foguetão. Há muito que se pode dizer acerca do acto de satisfazer a curiosidade. A nossa vontade de saber o que acontecia a altas energias, apenas pelo conhecimento em si, levou-nos a enviar aparelhos num foguetão para fora da atmosfera terrestre. É um acto de grande generosidade para o conhecimento humano. E este acto é recompensado pelo cosmos, que se apresenta de forma diferente de acordo com a maneira como olhamos para ele. A nossa curiosidade é sempre aguçada pelo que encontramos quando procuramos alguma coisa.

Descobrimos nessa primeira viagem oito novas fontes de raios X, entre elas o primeiro objecto a ser identifica do como um candidato excelente a buraco negro, Cygnus X-1. Este objecto emite raios X e, mais ou menos na mesma posição, vemos uma estrela brilhante. Outras estrelas semelhantes não emitem essa radiação, portanto é razoável supor que a estrela tem um companheiro que causa a emissão de raios X. A estrela brilhante tem um período orbital de alguns dias e uma massa de cerca de 20 sóis. A análise da órbita da estrela brilhante permite concluir que o companheiro invisível tem uma massa de cerca de seis sóis. O físico Kip Thorne apostou que o companheiro é um buraco negro, porque é muito pequeno e escuro e porque tem uma massa superior a três sóis, logo não pode ser uma anã branca nem uma estrela de neutrões.

Em segundo lugar, a emissão de raios X é periódica: varia em escalas de tempo de cerca de 0,001 segundos. O que poderia explicar esta variação? Neste intervalo de tempo, mesmo a luz só percorre 300 quilómetros. A explicação mais razoável será que o companheiro é um buraco negro, com material em órbita (ao pé da última órbita estável), que emite raios X. Stephen Hawking, que tinha apostado contra Kip Thorne, deu-se por vencido quando lhe descreveram todas as características de Cygnus X-1 e admitiu que muito provavelmente se trata de um buraco negro 24. Contudo, a surpresa maior ainda estava para vir.

 

Legenda: A figura 20 permite-nos calcular a massa do objecto central responsável pela órbita da estrela S2. Vamos começar por estimar o raio da órbita dessa estrela. Como a figura nos dá o ângulo (em segundos de arco, ou, abreviadamente, arcsec) com que observamos a estrela, temos de converter primeiro para radianos. Ora a conversão é simples: da mesma maneira que uma hora tem 3600 segundos, um segundo de um arco é 1/3600 de 360 graus. Ora 360 graus são 2π radianos, portanto, 1 arcsec = 4,8x 10-6 radianos. A distância R do Sol ao centro da galáxia é de cerca de 8 kiloparsecs, ou seja, R = 24×1019 metros, logo esta estrela tem uma órbita com um diâmetro de aproximadamente D = 0,2 arcsec x R = 2,3×1014 metros. Por outro lado, a figura mostra que o período da órbita desta estrela é de cerca de 14 anos. A lei de Kepler (que não é mais do que a relação acima, que nos diz que a estrela está sempre a cair) relaciona o raio da órbita (D/2) com o período, T, e com a massa central M: (2π/T)2 = GM (D/2)-3. Daqui tiramos uma estimativa para a massa, M = 4,8×1036 Kg=2,4×106 MO. O resultado preciso, aceite actualmente, é cerca do dobro deste número.

 

Durante mais de vinte anos, os astrónomos na Alemanha e nos Estados Unidos estiveram à espreita do centro da nossa galáxia, a fotografar pacientemente as órbitas de estrelas. Esta tarefa não é tão simples como parece, dado que entre nós e o centro da galáxia existe imensa poeira e gás que absorve luz.

Em ciência, tal como na vida, existem duas formas de estar. Ou encontramos um nicho em que acreditamos, mesmo sabendo que pode levar uma vida ou duas até encontrarmos algo substancial, ou seguimos o que a maioria faz e tentamos ser melhores.

A procura em ciência tem alguns paralelos com uma corrida ao ouro: podemos procurar no sítio onde um veio de ouro foi descoberto, onde dezenas de outros procuram, e encontram pequenas quantidades, ou podemos acreditar que existe um grande veio ainda por descobrir e corremos o risco de morrer à fome.

A equipa alemã e americana perseverou e descobriu que todas as estrelas suficientemente perto do que parece ser o centro da galáxia orbitam em torno de um ponto invisível. A trajectória da estrela mais próxima do centro, chamada S2, está representada (com dados reais) na figura 20. Esta figura mostra o ângulo, visto da Terra, entre um telescópio que aponta para o centro (assinalado com um ponto negro) e um telescópio que aponta para essa estrela. É fácil perceber que esta estrela se move no céu, com um período de cerca de 15 anos. Podemos usar as leis de Newton para concluir que o centro tem uma massa de cerca de 4 milhões de sóis. Até aqui, nada de muito extraordinário. O que é extraordinário é que toda essa massa é escura e se encontra numa região muito pequena. A explicação dada pela equipa alemã que fez as observações é que se trata de um buraco negro gigante, mesmo no centro da nossa galáxia. O Comité Nobel acreditou nesta explicação e galardoou os líderes (Reinhard Genzel e Andrea Ghez) com o Nobel da Física em 2020.

A procura de soluções alternativas, a rejeição das ideias de outros, é inerente à natureza humana, e também à própria ciência.

Como já vimos, a primeira reação de um cientista quando ouve falar de uma nova descoberta é desconfiar da sua veracidade e procurar mostrar que essa descoberta é falsa, ou que apresenta problemas. As descobertas que resistem a estas tentativas são consideradas avanços pela comunidade e incorporadas no edifício científico.

Claro que quando a equipa alemã anunciou os seus resultados, apareceram várias explicações alternativas. Por exemplo, poderia ser um milhão de estrelas de neutrões, que por alguma razão estariam aglomeradas. Esta alternativa, mostrou-se mais tarde, não poderia funcionar: quando se colocam tantas estrelas numa região tão pequena, o sistema é instável, e «cuspiria» estrelas de neutrões para fora muito rapidamente. Na realidade, nenhuma das alternativas conseguiu sobreviver ao escrutínio; todas elas tinham uma ou outra falha. Julgamos que este objecto é realmente um buraco negro, e que a grande maioria das galáxias tem um buraco negro supermassivo no centro. Isto não é uma coincidência. Os buracos negros mais pesados caem para o centro das galáxias, como folhas de chá que ficam no centro da chávena quando mexemos com a colher.

A grande maioria das galáxias tem no centro um buraco negro que lá se alojou ao longo de milhões de anos. Por vezes absorve uma ou outra estrela, mas durante o processo também consegue enviar feixes poderosos dos restos de estrelas para os confins da galáxia, onde estes restos irão formar novas estrelas e planetas. Os buracos negros são os motores galácticos.

 

 

 

 

 

 

 

Este excerto faz parte do livro O Eclipse do Tempo. Guia Para Entrar em Buracos Negros, de Vítor Cardoso, da Oficina do Livro (chancela Leya).

Vítor Cardoso é Professor Catedrático e Professor Distinto no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico e Professor Catedrático no Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhaga onde é Villum Investigator e DNRF Chair. Doutorou-se em Física no Instituto Superior Técnico e fez investigação de pós-doutoramento em Saint Louis, Missouri, e Oxford, Mississipi, nos Estados Unidos. Os seus interesses de investigação incidem sobre ondas gravitacionais e buracos negros e a física do espaço, e é um pioneiro em espectroscopia de buracos negros e testes da teoria de Einstein. É autor de um livro e de mais de 250 artigos publicados em revistas internacionais. A sua investigação foi distinguida três vezes pelo European Research Council. Em 2015, foi agraciado pelo Presidente da República com a Ordem de Santiago D’Espada, pelas suas contribuições para a ciência. É membro fundador da Sociedade Portuguesa de Relatividade Geral.

 

Arquivado em:Ciência, Notícias

Fique a par das novas descobertas sobre psicadélicos

23 Julho, 2024 by Rita Saldanha

Um novo estudo, liderado pela Universidade de Coimbra (UC), revela um mecanismo que pode ajudar a explicar alguns dos fenómenos associados aos efeitos visuais dos psicadélicos.

Em particular, foi encontrado um mecanismo de alteração da resolução da visão central e periférica, que explica vários fenómenos visuais como a visão em túnel (que implica a perda de visão periférica). Este é mais um passo para a compreensão dos efeitos de psicadélicos no ser humano, em particular os impactos no campo visual.

No artigo científico Rapid effects of tryptamine psychedelics on perceptual distortions and early visual cortical population receptive fields – recentemente publicado numa das revistas de maior renome da área da imagem cerebral, a NeuroImage – a equipa de investigação liderada pelo docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e coordenador científico do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da UC, Miguel Castelo-Branco, estudou a ação da dimetiltriptamina (de forma inalada, com ação breve), conhecida como DMT, em diversos participantes.

A DMT é uma substância psicadélica natural que simula os efeitos de um neurotransmissor cerebral, a serotonina (que regula o humor, a sensibilidade sensorial, o sono, o apetite, a sexualidade, a resposta ao stress, a memória e outras funções cognitivas).

Na alteração da percepção que os cientistas identificaram, «o centro do campo visual pode aparecer como definido de forma muito precisa e a periferia de forma obscura e difusa», explica Miguel Castelo-Branco. É como se «as pessoas com ação deste psicadélico tivessem pixels maiores no cérebro visual, o que diminui a resolução, que gera, por exemplo, distorção de objetos, sobretudo na periferia», acrescenta.

Para conduzir esta investigação, foi usada a ressonância magnética funcional, técnica para estudar a atividade cerebral e as alterações funcionais das regiões que processam informação visual. Desta forma, os investigadores conseguiram «mapear modificações das propriedades de resposta das regiões do cérebro que respondem a estímulos visuais», avança o neurocientista.

«A identificação de uma relação entre alterações dos mapas visuais e experiências perceptuais surpreendentes, como a que aconteceu neste nosso estudo, abre as portas para relacionar alterações precisas dos mapas sensoriais com a emergência de fenómenos, como determinadas formas de alucinação incluindo alterações da percepção do espaço», elucida Miguel Castelo-Branco.

Este estudo original no contexto português – que tem como primeira autora a estudante de doutoramento e investigadora do ICNAS, Marta Lapo Pais – insere-se num trabalho de investigação que Miguel Castelo-Branco lidera, que tem procurado «estudar os mecanismos de ação dos psicadélicos, a fenomenologia da perceção, os estados mentais envolvidos, e os seus potenciais efeitos terapêuticos», avança o neurocientista.

Pretendemos com esta investigação abrir novos caminhos para o entendimento do impacto dos psicadélicos nas dimensões afetivas, espirituais e cognitivas das pessoas, as respostas cerebrais que originam e os seus possíveis impactos do ponto de vista terapêutico

Miguel Castelo-Branco, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e líder da equipa encarregue do estudo

 

O artigo científico está disponível aqui.

 

Arquivado em:Notícias, Saúde

NOS Alive aumenta faturação de Lisboa

23 Julho, 2024 by Rita Saldanha

O festival de música NOS Alive, que aconteceu nos dias 11, 12 e 13 de julho, trouxe um aumento exponencial na faturação dos negócios locais. Segundo o Reduniq Insights, relatório da Unicre que avalia a evolução da performance dos negócios através das transações por cartão, só no concelho de Oeiras o setor do retalho alimentar tradicional registou mais 67% de transações face ao período homólogo do festival (6 a 8 de julho de 2023).

Seguem-se os setores da hotelaria e atividades turísticas, dos hiper e supermercados e ainda da restauração, que experimentaram também aumentos consideráveis no número de transações de 46%, 20% e 16%, respetivamente. No total, o município observou um aumento de 10% nas transações efetuadas face ao período correspondente à edição de 2023.

Relativamente ao NOS Alive de 2023, o relatório do Reduniq Insights revela um aumento de 29% da faturação no setor da restauração em Oeiras, face ao mesmo período do ano passado. Também as transações cresceram (+16%) neste período.

No que concerne à faturação de origem estrangeira, apesar de a Irlanda liderar a listagem de países com maior peso nesta categoria (12% do total da faturação estrangeira), verificou-se uma queda de 24% na faturação oriunda deste país, face ao período homólogo.

Pelo contrário, a França, responsável por 9% do total da faturação estrangeira, destaca-se com um aumento de 31% relativamente ao período do festival de 2023. Também os estadunidenses (11% do total da faturação estrangeira, os espanhóis (9% do total da faturação estrangeira) e os ingleses (7% do total da faturação estrangeira) impactaram a faturação deste festival.

O relatório revela um impacto igualmente positivo do NOS Alive nos negócios do distrito de Lisboa, tendo-se alcançado um incremento de 5% nas transações de origem nacional no distrito de Lisboa nesses três dias face ao período do festival do ano passado.

Destaca-se ainda um crescimento semelhante em número de transações de 24% no setor da hotelaria e atividades turísticas, 22% no setor do retalho alimentar tradicional e 14% nos hiper e supermercados. Quando comparados com o ano anterior, verifica-se que a faturação dos setores do retalho Alimentar Tradicional e da Restauração cresceu 11% e 9%, respetivamente.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Header lança encontros focados na liderança e partilha de experiências

23 Julho, 2024 by Rita Saldanha

A Header anunciou um ciclo exclusivo de Executive Brunches, projetado para criar um espaço comum de partilha de desafios e boas práticas relacionadas com a liderança e gestão de equipas.

Fruto da vontade de reforçar laços na comunidade executiva que acompanha, a Header lança este ciclo para responder a desafios sentidos pelo Top e Middle Management, incorporando nestes momentos de networking espaços de partilha e cocriação com mesas redondas, palestras e exercícios de reflexão e difusão de boas práticas.

Em 2024, serão realizados três Executive Brunches, cada um focado num desafio específico e crucial para a liderança atual:

 

Liderar Equipas Multigeracionais

4 GERAÇÕES, 1 MERCADO DE TRABALHO. E AGORA?

Liderar com Tomada de Decisão Data-Driven

DECISÕES HUMANAS PRECISAM DE DADOS: PEOPLE ANALYTICS PARA A TOMADA DE DECISÃO

Liderar com e em Segurança Psicológica

ORGANIZAÇÕES SEGURAS, EQUIPAS CONFIANTES, PESSOAS PRODUTIVAS!

 

Cada brunch contará com a presença de um palestrante ou uma mesa-redonda de especialistas, para balizar os conceitos e modelos inerentes ao tema em discussão. Estes especialistas também facilitarão dinâmicas e exercícios colaborativos, promovendo a partilha de experiências e a colaboração entre todos os participantes.

Para enriquecer ainda mais a experiência, cada brunch terá um parceiro social, cujos produtos ou serviços serão integrados na experiência do evento, permitindo aos participantes conhecerem novos projetos e iniciativas sociais.

 

Numa era em que a liderança enfrenta desafios cada vez mais complexos e diversos, é essencial criar espaços de partilha e aprendizagem mútua. Com este ciclo de Executive Brunches, queremos proporcionar aos líderes executivos uma oportunidade única de troca de ideias e cocriação de soluções inovadoras, num ambiente intimista e de confiança.

Rita Duarte, CEO da Header

 

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Liderança Humanizada de Alta Performance na Era Digital

23 Julho, 2024 by Rita Saldanha

“Se as tuas ações inspiram os outros a sonhar mais, a aprender mais, a fazer mais e tornarem-se em alguém melhor, então és um líder.”
John Quincy Adams

Formar líderes de excelência é uma tarefa cada vez mais exigente e ainda mais necessária no contexto atual da Era digital em que vivemos. A liderança eficaz não se limita a comandar, mas sim a envolver, inspirar, capacitar, motivar e desenvolver. Na Era digital em que vivemos, onde a tecnologia desempenha um papel fundamental em quase tudo que fazemos, os líderes do futuro devem ser capazes de integrar a eficiência tecnológica com a humanização das e nas relações. Eles não só gerem equipas, mas cultivam-nas, promovendo um ambiente de trabalho que estimule o crescimento profissional, mas mais importante ainda o desenvolvimento pessoal dos seus colaboradores.

Um dos principais desafios para os líderes do amanhã é a capacidade de serem coaches e mentores que inspiram e formam novos líderes. Isso implica desenvolver equipas autónomas, motivadas para gerir a mudança e estimular uma cultura de aprendizagem contínua. É importante que esses líderes estejam alinhados com o propósito da organização, pois isso fortalece a identidade e o compromisso dos colaboradores.

Existem algumas competências chave que todos os líderes devem ter. A gestão emocional tem um papel preponderante na formação de líderes de alta performance. Para além de saberem gerir as emoções das pessoas que lideram também é muito importante que saibam gerir as suas próprias emoções. Isso implica o domínio que soft skills como a empatia, comunicação eficaz e a capacidade de resolver conflitos de forma construtiva.

Além disso, os líderes do futuro precisam desenvolver habilidades de negociação, autoconfiança, autoestima e resiliência. Eles devem ser capazes de lidar com a incerteza, manter o foco e o rigor, de modo a que possam gerir o tempo de forma eficiente.

Um exemplo de liderança humanizada é o estilo coaching, que se caracteriza pela orientação, apoio e desenvolvimento individualizado dos colaboradores. Esse estilo de liderança pode ter um impacto positivo nas pessoas, incentivando a autoconfiança, a autonomia e a motivação para o crescimento pessoal e profissional.

Outro exemplo é o estilo liderança carismática, que coloca as necessidades dos liderados em primeiro lugar e procura servir e apoiar as suas equipas. Esse estilo de liderança cria um ambiente de confiança e colaboração, onde os colaboradores sentem-se valorizados e motivados a alcançar o seu máximo potencial.

Em suma e para concluir, gostaria de realçar que a liderança humanizada de alta performance na Era digital requer líderes que sejam capazes de integrar a tecnologia com a humanização das relações, desenvolvendo equipas autónomas, motivadas e comprometidas com o propósito da organização. Estes líderes devem possuir habilidades emocionais, de comunicação, negociação, autoconfiança, resiliência e gestão do tempo, para além de adotar estilos de liderança que promovam o desenvolvimento pessoal e profissional de seus colaboradores.

 

Este artigo foi publicado na Aprender Magazine que faz parte integrante da revista Líder de Verão. Tenha acesso ao artigo aqui .

Arquivado em:Opinião

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