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Rita Saldanha

Estes são os mitos de um mundo com oito mil milhões de habitantes

24 Abril, 2023 by Rita Saldanha

“8 billion lives, Infinite possibilities – The case for rights and choices”, é o nome do novo relatório do Fundo de População das Nações Unidas (United Nations Population Fund – Unfpa), que aponta para o corpo da mulher como o epicentro do futuro da população – “os corpos das mulheres não devem ser ‘cativos’ de escolhas feitas por governos ou qualquer outra pessoa”, lê-se no comunicado da UN News.

E acrescenta ainda, “o planeamento familiar não deve ser uma ferramenta para alcançar metas populacionais, mas uma ferramenta para empoderar os indivíduos”.

No dia 15 de novembro 2022, a população mundial chegou ao marco dos 8 mil milhões de pessoas. O que pode significar e quais as implicações para as vidas, direitos, saúde e futuro da humanidade? Pode ser um sinal de progresso humano? Os analistas apontam para um mundo próximo do colapso, com uma migração descontrolada, a população idosa sem cuidados adequados, e muitos a limitar o número de gestações.

Conheça os oito factos e mitos sobre o desenho de uma sociedade após o mundo alcançar a meta dos oito mil milhões, divulgados pelo Unfpa:

Mito 1: Estão a nascer muitas pessoas

Catástrofes climáticas, conflitos, fome, pandemias, instabilidade económica. As causas dessas crises são múltiplas e sobrepõem-se. Mas, para alguns, é natural apontar o dedo às taxas de fertilidade: a população mundial é muito grande e os recursos são insuficientes. Para o Unfpa, o marco de 8 mil milhões é sinal de progresso humano. Isso significa mais recém-nascidos a sobreviver, mais crianças a ir para a escola, a receber cuidados de saúde e chegar à idade adulta. As pessoas, hoje, vivem quase 10 anos mais do que em 1990, e as mudanças nas taxas de fertilidade não devem alterar a atual trajetória de crescimento de nossa população. Segundo o Unfpa, se observarmos, a taxa de crescimento populacional está a diminuir significativamente.

Mito 2: Não estão a nascer as pessoas suficientes  

Desde a década de 1950, o número médio de filhos que as mulheres têm globalmente caiu mais de metade, de 5 para 2,3. Dois terços da população mundial vivem em lugares com taxas de fertilidade abaixo do nível de reposição.

O Unfpa explica que tal não é um sinal de que a população global está em risco ou que não terá apoio para os idosos. Mas antes, significa que os indivíduos estão cada vez mais autónomos sobre as suas vidas reprodutivas. Todas as populações estão a envelhecer, o que é um resultado positivo do aumento da longevidade. A queda das taxas de fertilidade não resulta, necessariamente, numa redução da população como um todo.

Mito 3: Estas são questões demográficas, não questões de género

Hoje o Homem nasce num mundo de profundas desigualdades de género. Embora o Unfpa afirme que a reprodução humana deve ser uma escolha, os dados mostram o contrário.

O relatório destaca que cerca de 44% das mulheres com parceiros são incapazes de exercer autonomia corporal. Não possuem liberdade para tomar decisões sobre os seus cuidados de saúde, contraceção e se devem, ou não, ter relações sexuais.

Quase metade de todas as gestações são indesejadas e, anualmente, cerca de 500 mil nascimentos são de gestações entre meninas de 10 a 14 anos.

Muitos apontam as taxas de fertilidade como uma solução preferencial para os problemas populacionais, mas não são avaliadas as propostas que consideram os desejos de fertilidade das mulheres e meninas.

Mito 4: Taxa de fertilidade total ideal é de 2,1 filhos por mulher

A taxa de 2,1 filhos por mulher é apresentada como o nível de fertilidade de reposição, ou seja, a taxa média necessária para substituir uma população ao longo do tempo. Segundo o Unfpa, embora a informação seja verdadeira, o número não pode ser tratado como uma meta para muitas políticas de fertilidade.

Isso porque, 2,1 é a taxa média de substituição para países com taxas de mortalidade infantil muito baixas e não países com taxas de mortalidade mais altas. O índice também não considera as mudanças na idade das mulheres no parto e o impacto da migração. É, por isso, uma meta enganosa e inatingível.

Mito 5: É uma irresponsabilidade ter filhos num mundo em crise climática

Na avaliação do Unfpa, esta afirmação sugere que as mulheres em países com altas taxas de fertilidade são responsáveis pela crise climática. Na verdade, cerca de 10% dos mais ricos são responsáveis por metade de todas as emissões de gases de efeito estufa e tendem a viver em países com taxas de fertilidade mais baixas.

Reduzir as taxas de fertilidade não vai resolver a crise climática. O que resolve é trazer os níveis de consumo para patamares mais sustentáveis, reduzir as desigualdades e investir em fontes de energia mais limpas.

Mito 6: É preciso estabilizar as taxas populacionais

Essa crença contém a suposição de que certas taxas populacionais são boas ou más. O que acontece é que não existe um número perfeito de pessoas, nem devemos dizer o número de filhos que cada mulher deve ter.

Hoje, a comunidade internacional rejeita o controlo populacional, mas ainda há um interesse significativo em influenciar as taxas de fertilidade. Segundo a pesquisa das Nações Unidas, cresceu o número de países que adotam políticas com a intenção de aumentar, diminuir ou manter as taxas de fertilidade dos cidadãos. Estas não são necessariamente políticas coercivas, podendo ser positivas, por exemplo, se aumentarem o acesso aos serviços de saúde. Mas, de forma geral, os esforços para influenciar a fertilidade estão relacionados com um desempenho inferior no que se refere a níveis de democracia e liberdade humana.

Todos os indivíduos têm o direito de escolher, livre e responsavelmente, o número e o espaçamento dos seus filhos.

Mito 7: Foco nas taxas de fertilidade por não haver dados sobre o que as mulheres querem

Preocupações com a população são repetidamente enquadradas como questões sobre fertilidade ou taxas de natalidade. Não ter informações sobre o que as mulheres e outros grupos marginalizados precisam e querem, abre as portas para danos e violações de direitos. Os apelos para aumentar ou diminuir as taxas de fertilidade costumam ser ouvidos como esforços para controlar a fertilidade das mulheres e não como intenções de garantir o controlo das próprias mulheres, e raparigas, sobre suas escolhas.

Mito 8: Direitos e escolhas são bons na teoria, mas inacessíveis na realidade

O Unfpa alerta que deixar de apoiar os direitos reprodutivos acarreta custos, que são desproporcionalmente suportados pelas mulheres e populações mais marginalizadas. Deve ser fornecida uma gama completa de serviços de saúde reprodutiva, desde contraceção até ao parto seguro e cuidados de infertilidade.

 

Tenha acesso ao relatório aqui.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Onde investir em 2023?

24 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Quando a economia está incerta, é difícil fazer uma análise de mercado a médio prazo, nomeadamente para quem pretende investir.

A Freedom Finance Europe, corretora online, identificou as 6 empresas americanas que superaram as expectativas, e indica onde deve investir este ano.

 

Tesla

NASDAQ: TSLA

Mesmo em tempos difíceis para a indústria automóvel dos elétricos, a empresa reportou receitas trimestrais recorde de 24,3 mil milhões de dólares no quarto trimestre, um aumento de 37% face ao ano passado, e um valor acima das expectativas de Wall Street. A empresa continua a ser rentável, o que é raro para um fabricante de veículos elétricos. Em termos de EPS – ganhos por Acão -, a Tesla subiu 40% no quarto trimestre para $1,19. Numa base anual, o rendimento líquido aumentou 85% em 2022, para 14,1 mil milhões de dólares.

A empresa foi capaz de lidar relativamente bem com os problemas da cadeia de fornecimento. A produção aumentou 44% para 439.701 veículos. As entregas aumentaram 31%, para 405.278 no quarto trimestre, e 40% face ao ano anterior para 1,31 milhões de unidades.

A Tesla espera que a procura seja duas vezes superior à produção. O comentário do CEO, juntamente com as suas reivindicações de custos de produção unitários mais baixos, dissipou as preocupações sobre a concorrência e as margens.

Musk disse que Tesla poderia produzir cerca de dois milhões de veículos este ano, acima da previsão conservadora da empresa de 1,8 milhões. No final, as suas reivindicações acabaram por ultrapassar o sentimento negativo dos investidores e, combinado com o preço subvalorizado das ações de Tesla, causaram um aumento das ações em quase 25% desde o relatório. Isto foi seguido de atualizações por parte dos analistas e aumentos de preços alvo.

Tesla’s profit growth over the past 10 years

Source: Statista.com

 

 

Netflix

NASDAQ: NFLX

 

A empresa superou significativamente as expectativas dos investidores no quarto trimestre. Neste momento, as ações estavam a mostrar um aumento de 15%. A principal razão foi a adição de 7,66 milhões de subscritores pagos. Isto surpreendeu os analistas, que tinham esperado um aumento de  apenas 4,57 milhões, especialmente num ambiente de mercado em que muitas empresas de comunicação social estavam a despedir colaboradores e a cancelar programas de televisão. A Netflix gastou 17 mil milhões de dólares na criação de conteúdos em 2022, ultrapassando todas as empresas do sector, à exceção da Disney.

Apesar da tendência positiva de crescimento das assinaturas no quarto trimestre de 2022, as receitas aumentaram apenas 1,9% em relação ao ano anterior. Isto aconteceu numa altura em que os ganhos por ação caíram de $1,33 no quarto trimestre de 2021 para $0,12 no mesmo período em 2022, com os ganhos a caírem 91%. Consequentemente, a empresa tomou duas iniciativas radicais para aumentar os seus resultados.

Espera-se este ano a funcionalidade password-sharing. O serviço planeia cobrar aos titulares de contas básicas uma taxa adicional para qualquer pessoa que veja o serviço fora de casa. Além disto, a empresa aumentou consideravelmente a sua aposta na publicidade e marketing. O CFO da Netflix, Spencer Neumann, disse que a empresa pretende aumentar as receitas em 10 por cento com esta mudança.

2022 foi um ano difícil para a Netflix, mas os investidores estão a mostrar um interesse renovado na empresa, uma vez que esta continua a ser a líder global em streaming media. Novas iniciativas de receitas devem ajudar a aumentar as receitas, já na segunda metade de 2023.

Número de subscritores Netflix pagos em todo o mundo

T1 2013 a T4 2022 (em milhões)

Fonte: Statista.com

 

AMD

NASDAQ: AMD

No quarto trimestre, o fabricante americano de microchips alcançou ganhos por ação de $0,69, em receitas de $5,6 mil milhões – mais 16% do que há um ano. No período, a empresa registou margens brutas de 43% – desta vez 7% abaixo. A depreciação de alguns ativos da Xilinx, adquiridos há um ano, afetou os resultados trimestrais.

O consenso de Wall Street para os ganhos por ação foi de $0,67 por ação, em receitas de $5,5 mil milhões. A AMD espera que as receitas se situem entre os $5 mil milhões e $5,6 mil milhões de dólares. Isso é 10% abaixo do ano passado, mas acima do consenso de Wall Street de 5,56 mil milhões de dólares.

As margens brutas ajustadas estão projetadas para cerca de 50% para o período. A AMD lançou uma nova geração de chips para data centers chamada Génova em novembro, e e planeia relançar uma versão mais poderosa chamada Genoa-X no final deste ano.

Já foram feitos acordos com :

– Google, Alphabet

– Azure, Microsoft

– Oracle

 

No quarto trimestre de 2022, as vendas na área dos data centers aumentaram 42% para 1,7 mil milhões de dólares, comparativamente ao ano anterior. A CEO Lisa Suh disse que a AMD, em geral, está numa posição estável para aumentar o stock do mercado, e que o desempenho deverá melhorar até à segunda metade de 2023.

Comparative chart of AMD and Intel revenue trends over the last 5 years

Source: Bloomberg

 

AT&T

NYSE: T

 O consórcio de telecomunicações esteve entre os que mais se destacaram no período em análise. Foram adicionados 656.000 novos assinantes de tarifas pós-pagas – os clientes mais rentáveis para os operadores móveis. No total, a AT&T adquiriu quase 2,9 milhões desses assinantes ao longo do ano. Além disso, o serviço de Internet de alta velocidade da AT&T Fiber atraiu 280.000 utilizadores no trimestre, e 1,2 milhões no ano.

As receitas anuais da AT&T provenientes das operações cresceram 2,1% para 120,7 mil milhões de dólares em 2022. A empresa também gerou um fluxo de caixa livre de $14,1 mil milhões, valor mais do que suficiente para financiar $9,9 mil milhõe  de dólares em pagamentos de dividendos. A gerência prevê que o fluxo de caixa livre da AT&T irá crescer para pelo menos $16 mil milhões em 2023. Isto apesar do facto de a empresa planear gastar mais 24 mil milhões de dólares para reforçar as suas redes de 5G e fibra.

O presidente e chefe de operações da empresa, John Stankey, disse que depois de pagar os dividendos, a AT&T planeia usar os fundos restantes para pagar a sua dívida. Isto deverá ajudar a fortalecer o balanço da AT&T e, em geral, reduzir o risco para os investidores.

AT&T free cash flow (from 2016 with forecast to 2025)

Source: Seeking Alpha

VISA

NYSE: V

A empresa surpreendeu o mercado, e os seus resultados fiscais do primeiro trimestre excederam as expectativas de Wall Street. O número de transações processadas aumentou 10%, face ao ano passado. Os ganhos por ação para o primeiro trimestre fiscal foram de $2,18, o que excedeu a estimativa média de Wall Street de $2,01. Houve um aumento de $1,93 no quarto trimestre fiscal e de $1,81 no primeiro trimestre de 2022.

A receita líquida para o trimestre foi de 7,94 mil milhões de dólares, valor acima do previsto (7,70 mil milhões de dólares), e acima do alcançado no trimestre anterior (7,79 mil milhões de dólares), e dos 7,06 mil milhões de dólares do ano passado. No primeiro trimestre fiscal de 2023, a Visa aumentou as receitas líquidas em 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isto deve-se em grande parte à recuperação dos transportes marítimos internacionais após a pandemia, e à crescente mudança de pagamentos em dinheiro para pagamentos digitais.

O volume de pagamentos no primeiro trimestre aumentou 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o volume de pagamentos transfronteiriços cresceu 22% e o número de transações processadas em 10%. Isto compara com um crescimento de 10% no quarto trimestre do volume de pagamentos, um crescimento transfronteiriço de 36% e um aumento de 12% no número de transações processadas. O número de pagamentos nos EUA aumentou 9% durante o trimestre, mas diminuiu ligeiramente em comparação com o último trimestre do ano financeiro da Visa.

Para além do seu forte desempenho financeiro, a empresa também teve um bom desempenho em termos de renovação de negócios. Renovou contratos com os principais emissores de cartões Visa, tais como o Bank of America e o Commerce Bank, reforçando a sua posição competitiva.

Global payment card brands in the US in 2022

Source: Nilson Report

 

  

Meta-Plataformas

NASDAQ: META

A empresa reportou resultados do quarto trimestre, expandindo o seu programa de recompra de ações no valor de 40 mil milhões de dólares, com base em resultados sólidos. A multinacional obteve ganhos por ação de 1,76 dólares, sobre receitas de 32,17 mil milhões de dólares, incluindo 31,44 mil milhões de dólares da sua família de aplicações, que inclui o Facebook, Instagram e WhatsApp. A unidade do Reality Labs foi responsável por 727 milhões de dólares no trimestre, valor que ficou também acima das estimativas.

Wall Street esperava que a Meta mostrasse ganhos por ação de $2,23, e receitas de $31,69 mil milhões de dólares. A rede social Facebook terminou o período com 2,96 mil milhões de utilizadores ativos mensais, e 2 mil milhões de utilizadores ativos diários. A família de aplicações da holding reportou 3,74 mil milhões de utilizadores ativos mensais e 2,96 mil milhões de utilizadores diários.

Mark Zuckerberg observou que o tema de gestão da Meta Platforms para 2023 é “O Ano da Eficiência” e a empresa está concentrada em tornar-se uma “organização mais forte e mais ágil”.

Gastou 6,91 mil milhões de dólares para comprar de volta as suas próprias ações durante este período, e ainda tem 10,87 mil milhões de dólares do seu anterior programa de recompra. Antes do primeiro trimestre, a Meta espera que as receitas se situem entre os $26 bilhões e os $28,5 bilhões, excedendo as expectativas dos analistas de $27,25 bilhões.

Cumulative number of monthly users of Meta products

as of the fourth quarter of 2022 (in billions)

Source: Statista

Arquivado em:Economia, Notícias

O vinho como expressão de um perfil de liderança

24 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Vasco Maria Eugénio de Almeida criou em 1963 a Fundação Eugénio de Almeida (EA), uma das empresas de destaque no panorama económico português, e um dos maiores produtores de uva e vinho no Alentejo. Com cerca de 550 hectares de vinha, a primeira produção da Fundação EA aconteceu em 1986, com o vinho da Cartuxa, aquela que ainda hoje é a marca de relevância da instituição.

Foi precisamente na Adega da Cartuxa, localizada na Quinta Valbom, a 2 km do centro histórico de Évora, e a 500 metros do Mosteiro que inspirou o seu nome, que aconteceu mais um encontro dos grupos de Conselheiros do projeto editorial Líder.

Pedro Baptista, Enólogo e Vice-Presidente do Conselho Executivo da Fundação EA, conduziu a visita pelo edifício histórico, construído pela Companhia de Jesus no início do século XVI, e transformado há dois séculos para ser Adega e Lagar para produção de azeite. A casa de férias e repouso dos jesuítas é hoje usada, pelas suas “extraordinárias condições térmicas”, para o estágio dos vinhos, com os tradicionais tuneis e o vinho de talha.

A produção de vinho e azeite tem uma longa tradição na família Eugénio de Almeida, cuja Fundação, prestes a comemorar 30 anos, conta com seis marcas comerciais “bastantes estáveis no tempo” e que representam “um projeto de continuidade, com um reconhecimento do perfil e manutenção do estilo ao longo dos anos”. Isto para que “quando se abra uma garrafa de Cartuxa, as expectativas não sejam defraudadas”, refere Pedro Baptista.

A Fundação EA conta com outras práticas agrícolas, numa área de 6.500 hectares no concelho de Évora, entre o montado de sobro (cortiça), pecuária, cereais e amendoal. A agricultura de conservação e sustentável, iniciou-se há 30 anos, e é algo “intrínseco” à atividade que hoje também considera a agricultura biológica, nas vinhas e no olival. Da iniciativa de um engenheiro agrónomo, benemérito da cidade e da região, o foco da Fundação passa pela dedicação ao desenvolvimento social, económico, cultural e espiritual desta zona do Alentejo.

A visita ao local histórico do Enoturismo da Cartuxa contou também com a presença de João Teixeira, Diretor Comercial e de Marketing da Cartuxa e da Fundação EA e foi encerrada com uma prova de vinhos, branco, tino e rosé, de características e perfis distintos, entre castas tradicionais e outras menos comuns em Portugal.

O encontro terminou com um almoço no Centro de Arte e Cultura, no centro de Évora, servido pela Enoteca Cartuxa.

 

 

Arquivado em:Artigos, Encontros, Leadership

Benefícios de Vida e de Saúde ganham prevalência na captação do talento

24 Abril, 2023 by Rita Saldanha

O Seguro de Vida tem vindo a ganhar prevalência entre os benefícios oferecidos pelas organizações, enquanto o Seguro de Saúde se mantém entre os preferidos pelos colaboradores, com tendência para abranger a saúde mental e uma aposta na prevenção.

O relatório “Barómetro Benefícios de Saúde e Vida 2023”, elaborado pela WTW, considera ambos os benefícios na atração e retenção de talentos e aponta três motivos na base desta tendência:

  1. Trata-se de um benefício com um custo controlado, embora de elevado impacto por ser acionado em situações críticas;
  2. O aumento do foco das empresas na responsabilidade social corporativa;
  3. Portugal está atrasado na prevalência deste benefício na Europa. O mercado nacional regista uma prevalência de 74%, em contraste com, por exemplo, Espanha (82%), o Reino Unido (93%), França (99%) ou a Suíça (100%), segundo estudos da consultora.

Reforço de coberturas e abrangência

O Seguro de Vida Grupo em Portugal, tendo por base a carteira da WTW, é financiado pelas organizações, tem um âmbito de cobertura muito abrangente e o âmbito territorial, por defeito, inclui todo o mundo. Engloba sinistros decorrentes de pandemias e contempla poucas exclusões, com uma tendência cada vez maior para possíveis derrogações, resultando no reforço das coberturas.

O capital seguro neste benefício continua a ser definido como um múltiplo salarial, sendo o salário base a rubrica normalmente considerada. A prática de mercado situa-se num capital equivalente a dois anos de salário.

Saúde mental, telemedicina e prevenção no Seguro de Saúde

Relativamente ao Seguro de Saúde, trata-se do principal benefício selecionado quando integrado em programas flexíveis e, nos últimos três anos, tem-se assistido a um crescimento da oferta de bem-estar e de integração com benefícios flexíveis (12 e 15 pontos percentuais, respetivamente) e a uma aposta na prevenção.

Em termos de mercado, a projeção de 10% de inflação médica em Portugal e o condicionamento do SNS levam a uma maior procura pelo privado, maior frequência e utilização que estão a pressionar fortemente os custos neste tipo de contratos. Acresce que o número reduzido de seguradoras para seguros complexos tem-se traduzido em processos muito agressivos e com uma menor flexibilidade negocial, fazendo com que as empresas sejam cada vez mais confrontadas com um esforço orçamental superior ao previsto.

Desafios para as seguradoras e empresas

A saúde mental é uma das atuais preocupações das organizações e um desafio para o mercado segurador, apesar de se vir a assistir a uma evolução em termos contratuais, com as seguradoras disponíveis para negociar o enquadramento de consultas de psicologia.

Segundo a WTW, cerca de 86% das empresas afirmaram que o bem-estar emocional é uma prioridade nos próximos anos.

O aumento da incidência de doenças do foro mental, crónicas, respiratórias e autoimunes, e o respetivo incremento dos custos associados ao tratamento, é outro desafio do mercado; enquanto a implementação de serviços de telemedicina pode funcionar como um mecanismo de controlo de custos.

As seguradoras querem, ainda, investir no rastreio e automonitorização da saúde, no reforço da proteção da saúde mental e na prevenção, nomeadamente através da aposta no acesso aos cuidados médicos primários e acompanhamento da doença crónica e oncológica. Ações que podem resultar num controlo de custos se se atuar no domínio da prevenção.

 

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Cláudia Ferreira é a nova Staffing Senior Director da Multipessoal

24 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Cláudia Ferreira é a nova responsável pelo Trabalho Temporário na empresa de RH Multipessoal.

Cláudia Ferreira é natural de Salvaterra de Magos e licenciada em Psicologia das Organizações. Iniciou a sua carreira na H.J. Heinz e passou também pelos CTT. Foi na Randstad, em que assumia mais recentemente a função de Sales & Operations Director, que consolidou e adquiriu conhecimentos no setor dos recursos humanos. Conta com 18 anos de experiência na área de trabalho temporário.

É com muito orgulho que assumo este novo cargo na Multipessoal, uma empresa com uma missão tão positiva como a de ajudar os profissionais a encontrarem o seu caminho e a sentirem-se realizados e bem-sucedidos. Assumo, agora, o compromisso de dar continuidade ao trabalho de excelência, até então desenvolvido, tendo sempre em conta as necessidades dos profissionais que confiam em nós

Cláudia Ferreira, Staffing Senior Director da Multipessoal

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Debuzz – Inteligência Artificial e Web3 digital

21 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Desconstruir o hype à volta de buzzwords e abrir espaço a conversas descomplicadas acerca dos temas do momento, foi o mote para a última edição da WYtalks, que juntou na Casa da Praia, do WYgroup,  Rui Ferreira (estratega na WYcreative) e Miguel Pires (partner na NERVO).

DEBUZZ foi o tema da conversa que passou pela inteligência artificial e pela “misteriosa” web3, procurando entender o que é essencial, partilhar experiências e identificar oportunidades para marcas e profissionais.

Rui Ferreira deu o pontapé de saída com a talk “AI and the human in the loop”. Por um lado, uma introdução (simplisticamente) técnica e científica aos tais LLMs – Large Language Models – o que são, como funcionam e como são treinados. “É crucial entender conceitos high level do que são e como funcionam, para conseguir perceber o que podemos (ou não) fazer com eles”, afirmou.

Para lá do que é tech e geek, falou do papel do ser humano no alinhamento e interação com a tecnologia, e o seu uso em escala. Alertou também para a importância de “separar o trigo do joio”, num tempo em que “o desafio não é encontrar informação, mas sim filtrá-la”. Ainda assim, tudo aponta para que a AI passe a ser o braço direito – e talvez esquerdo – dos profissionais de comunicação e marketing. Num tweet: “AI will not replace you, a person using AI will”.

A mensagem central do estratega da WYcreative foi simples: estamos a assistir ao início de algo que “ninguém” sabe para onde irá. Falou de perspetivas e cenários futuros como territórios desconhecidos e dos mais recentes “sparks of AGI” – o vislumbre de uma inteligência artificial generalista e do quão perto estaremos de viver um “EX Machina”.

Miguel Pires puxou a audiência para o presente e para aquilo que já é a realidade da internet descentralizada. Abriu as portas da WEB3 e o que significam, realmente, os seus princípios: transparência, confiança, propriedade e privacidade.

“A web3 é sobre comunidade”, afirmou, apontando exemplos de como os NFTs estão a transformar o mundo da arte e colecionáveis e, mais recentemente, experiências. Mostrou também uma nova era para as marcas na WEB3: descentralizadas, participativas e open-source. IP como ID (que significa ativos como parte da identidade digital), CC0 (domínio público), DAOS (Organizações autónomas descentralizadas) e Tokenomics (ou economias de token) são alguns dos instrumentos que tornam estas marcas diferentes e preparadas para um futuro cada vez mais descentralizado.

Abordou também a forma como os utilizadores se tornam detentores na WEB3 e, apresentou um step-by-step: como levar as nossas marcas para a web3 e como as marcas que já nasceram descentralizadas se materializam no mundo físico.

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