Num momento em se registam números extremamente elevados de mortes diárias por COVID-19, a Índia encontra-se a braços com um surto devastador, contando com mais de 3,3 milhões de casos ativos. Segundo o Ministério da Saúde indiano, o País de 1,3 mil milhões de habitantes já administrou cerca de 156 milhões de vacinas contra o […]
Num momento em se registam números extremamente elevados de mortes diárias por COVID-19, a Índia encontra-se a braços com um surto devastador, contando com mais de 3,3 milhões de casos ativos. Segundo o Ministério da Saúde indiano, o País de 1,3 mil milhões de habitantes já administrou cerca de 156 milhões de vacinas contra o coronavírus.
Apesar da crise pandémica evidente, é precisamente da Índia que surge o exemplo da importância da imunização como uma das intervenções de saúde pública com melhor custo-benefício, que evita a morte a milhões de pessoas e para a qual é necessária garantir o acesso às vacinas.

Após a Semana Mundial de Vacinação 2021, decretada anualmente pela OMS e que terminou a 30 de abril, sob o tema “As vacinas aproximam-nos”, a utilização de drones pode ser uma parte da solução que reduz a distância entre os cuidados de saúde e as pessoas que deles precisam.
O Programa de Imunização Universal (UIP) da Índia, lançado em 1985, é um dos maiores do mundo em termos de quantidades de vacinas, número de beneficiários e imunizações realizadas, distribuição geográfica e diversidade. Com uma complexa rede de logística de vacinas e 2,5 milhões de profissionais de saúde, o UIP vacina anualmente 26,4 milhões de bebés e 30 milhões de mulheres grávidas.
Apesar de estar a enfrentar uma vaga assoladora de novos casos de infeção, encontra-se em andamento na Índia a maior campanha de imunização do mundo contra a COVID-19, em que se torna urgente fortalecer uma logística que faça chegar as vacinas onde são necessárias. Num artigo para a Agenda do Fórum Económico Mundial, Ruma Bhargava e Timothy Reuter explicam como a união entre medicina e tecnologia pode ser a solução no alcance de uma melhor saúde pública global.
Fazer chegar todas as vacinas a todos os lugares
Não obstante os avanços efetuados, o Ministério da Saúde indiano relata ainda existirem obstáculos à administração de vacinas, especialmente entre populações móveis ou isoladas, de difícil acesso, e também onde a população está mal informada e teme os efeitos adversos, influenciada por mensagens anti vacinação.
Além disso, existem vários níveis da cadeia de abastecimento de imunização, como a manutenção da cadeia de frio. A maioria das vacinas, segundo adverte a OMS, é para ser armazenada entre 2 e 8 graus celsius, caso contrário, perdem as suas propriedades. Em alguns dos estados montanhosos da Índia, com terrenos sinuosos e populações tribais, as vacinas ainda são transportadas a pé, de barco ou mota, e até por mulas, o que pode levar horas desde o último ponto de contacto com a rede de frio até à sua administração.
O relatório do Grupo consultivo estratégico de especialistas em imunizações (Strategy Advisory Group of Experts on Immunizations – SAGE) sugere que, mesmo quando as condições são favoráveis, a acessibilidade e a disponibilidade de todas as vacinas em todos os lugares, e em todos os momentos permanece um desafio. Tal deve-se em grande parte à falta de acesso a estradas transitáveis ao longo do ano. Segundo o índice de acesso rural (RAI), em todo o mundo, cerca de mil milhões de residentes rurais não têm conexão com o resto do mundo.
Para encontrar um equilíbrio entre os recursos de um país e as necessidades urgentes de saúde pública da sua população, é essencial aproveitar as tecnologias emergentes que podem melhorar o acesso a cuidados de saúde de qualidade e para isso os sistemas aéreos não tripulados (Drones/ UAV) são um recurso promissor.
Hoje, os drones estão a ser usados para transportar vacinas, e outros produtos de saúde, o que reduz o tempo de viagem de horas para apenas alguns minutos e permite um transporte mais confiável e menos caro. Estima-se que após um investimento de cerca de 900 mil dólares, cada voo irá custar em média 0,24$. No Gana, foram usados drones para entregar 11 mil doses de vacinas em três dias, representando 13% do total de vacinas administradas naquele período.
A Plataforma de Mobilidade do Fórum Económico Mundial e o Centro indiano para a Quarta Revolução Industrial têm apoiado o Governo da Índia na implantação desta tecnologia de forma a melhorar o acesso aos cuidados de saúde. O Projeto Medicine from the Sky está definido para efetuar entregas de drones nos próximos meses, especificamente em estados com populações a viver em zonas remotas e de difícil configuração geográfica.
Se for bem sucedida, esta tecnologia poderá vir a fortalecer o Programa de Imunização Universal da Índia, nomeadamente na junção de esforços para o controlo da pandemia e luta contra o novo coronavírus. Os sistemas implementados a curto prazo para apoiar a entrega de vacinas por drones podem tornar-se numa importante infraestrutura de saúde a longo prazo, entregando uma variedade de produtos que salvam vidas.
O uso de drones em países com recursos limitados requer uma deliberação cuidadosa, pois obriga a um investimento substancial. Têm sido usados softwares de modelagem para prever a relação custo-benefício do uso de drones na vacinação bem como para determinar como os melhores drones podem ser usados no complemento das cadeias de abastecimento. Antes da implementação desses programas devem ser consideradas as regulamentações e limitações operacionais, bem como o envolvimento da comunidade.
O uso de drones é um importante passo numa cobertura universal de saúde. As lições do projeto piloto Medicine from the Sky podem ajudar a estabelecer programas em toda a Índia e servir de modelo para outros países em todo o mundo.



