Aconteceu em dias quase consecutivos ter começado a explorar o monumental volume Energia e Civilização: Uma história, de Vaclav Smil (Book Builders) e dar com o anúncio do AICEP, de página inteira, no Financial Times anunciando um “Portugal Coal-free” desde 1 de dezembro de 2021. O anúncio representa aquilo de que mais precisamos: de uma […]
Aconteceu em dias quase consecutivos ter começado a explorar o monumental volume Energia e Civilização: Uma história, de Vaclav Smil (Book Builders) e dar com o anúncio do AICEP, de página inteira, no Financial Times anunciando um “Portugal Coal-free” desde 1 de dezembro de 2021. O anúncio representa aquilo de que mais precisamos: de uma visão que nos aumente a esperança. A dupla transição, energética e digital, obrigam a olhar para a frente, a procurar compromissos amplos – na sociedade e não apenas na política.
Em primeiro lugar a transição energética deve encontrar-nos preparados para as promessas, mas também para as turbulências. Que o futuro implicará o recurso a novas formas de energia fica claro no livro citado, que explica como a evolução civilizacional pode ser lida como a evolução dos fluxos energéticos em uso. Que o nosso país tem condições para se preparar para um novo paradigma também energético parece claro, como atestado pelo recente acordo entre a Galp e a Northvolt. Como traduzir na sociedade esta mudança, de uma forma mobilizadora e visionária?
Em segundo lugar a transformação digital está a varrer os velhos modelos de negócio e as práticas de trabalho. Esta transformação obrigará a uma profunda alteração de hábitos de gestão entranhados, por parte de todos os lados envolvidos. A necessidade de evoluir de um padrão de produção de baixo custo para um modo de inovação é premente. Também aí será necessário mudar de paradigma: a vaga de destruição criadora em curso convida a pensar em proteger trabalhadores mas não os postos de trabalho. As pessoas precisam de ser protegidas mas postos de trabalho obsoletos não serão viáveis. Neste momento de transição, imaginar e concretizar o futuro é muito mais importante do que proteger um passado que está a passar e que tantas vezes continua a dominar os nossos pensamentos.

