Como explicou José M. Tavares no Expresso, o desenvolvimento económico gera desigualdades. Convém depois que o Estado as corrija e controle para que ninguém seja sujeito a uma vida indigna. Mas convém também não esquecer que a distribuição de riqueza implica criação da mesma. Como é evidente, riqueza que não é criada não pode ser […]
Como explicou José M. Tavares no Expresso, o desenvolvimento económico gera desigualdades. Convém depois que o Estado as corrija e controle para que ninguém seja sujeito a uma vida indigna. Mas convém também não esquecer que a distribuição de riqueza implica criação da mesma. Como é evidente, riqueza que não é criada não pode ser distribuída. Ora, os Estados não são bons a criar riqueza e mesmo os países ricos em recursos tendem a não ser bons a distribuí-la.
Em Portugal, talvez não tenhamos ainda aprendido a lição de Olof Palme, primeiro-ministro sueco a quem é atribuída a frase, em visita ao Portugal pós-revolucionário, de que a Suécia estaria a tentar acabar com os pobres e não com os ricos – ao passo que o revolucionário português queria acabar com os ricos. Em Portugal ainda há quem queira muito acabar com os ricos, o que contribuirá para aumentar os pobres. Sobre o tema da desigualdade têm sido publicados interessantes livros, recentemente “Visões da Desigualdade”, de Branko Milanovic (Actual). O livro ajuda a ver a desigualdade como tema complexo e dinâmico que não se resolve com chavões políticos. Como diz o autor no final da obra, o termo “desigualdade”, antes usado com cuidado e apreensão, começou a ser tratado com desinibição. O complexo fez-se simples.
Voltando a Tavares: “Os países pobres são menos desiguais, mas essa igualdade na pobreza não é boa notícia, é uma condição desejada apenas pelos ascetas intransigentes, os religiosos radicais, os anacoretas extremos ou os ideólogos mais misantropos.” Sigamos Palme e harmonizemos por cima. Harmonizar na pobreza é fácil mas não é uma boa notícia.
