Como prometi não falar de política neste interregno eleitoral, esta é uma boa oportunidade para olhar para as novidades na oferta livreira. Como continuo a achar que um livro se lê melhor em papel e dado que as montras das livrarias apresentam o produto mais popular e não necessariamente o mais estimulante (há livros que […]
Como prometi não falar de política neste interregno eleitoral, esta é uma boa oportunidade para olhar para as novidades na oferta livreira. Como continuo a achar que um livro se lê melhor em papel e dado que as montras das livrarias apresentam o produto mais popular e não necessariamente o mais estimulante (há livros que são menos distrativos e mais difíceis de ler), é para esses que olho.

Um livro clássico. Sabemos muito pouco sobre a China. E o pouco que sabemos tem a ver com China recente. Sobre a cultura chinesa quase nada sabemos. Por isso a tradução de No Fio Inconstante dos Dias de Shen Fu (1763-1825?) é uma dádiva. Há neste livro algo daquela leveza poética das coisas comuns que associamos ao Oriente (as pétalas da flor de ameixa, umas papas de arroz quente). Uma bela viagem no tempo e no espaço.

Um livro sobre um líder histórico. Uma novidade que tem passado ao lado é Herodes, o Grande, de Martin Goodman (Bertrand). Herodes é normalmente visto como um vilão ao qual se deve a emergência da figura histórica de Jesus Cristo. Este livro ajuda a descobrir a complexidade do personagem: rei judeu num mundo romano. Um tirano, diz o autor, com uma “vida colorida”.

Um livro sobre a guerra. Em tempo de guerra é oportuna a edição de Os Grandes Erros da II Guerra Mundial, dirigido por Jean Lopez e Olivier Wieviorka (Guerra e Paz). A história das guerras é, como sói dizer-se, a história dos vencedores e dos heróis. Importa por isso ver a história não contada: a história dos erros que redundam em morte e sofrimento. Um dia alguém vai escrever um livro parecido sobre os erros das guerras de hoje (Sudão, Médio Oriente, Ucrânia, Myanmar).

Um livro de gestão empresarial. As organizações são construídas em cima de inúmeros “momentos de verdade”, ou seja, de interações quotidianas. As melhores interações tendem a gerar melhores organizações. Mas como as criar? Sinceridade Radical, de Kim Scott, ajuda a explicar o processo. Como ela diz: são as relações e não o poder que levam as nossas organizações para a frente.

Um livro de auto-ajuda empresarial. Normalmente os livros “práticos” de auto-ajuda não me costumam chamar a atenção. Mas Pense Primeiro no Lucro, de Mike Michalowicz (Lua de Papel) captou-a definitivamente. Porque, dizendo algo óbvio, parece hoje caído de outro planeta. Num tempo em que o propósito e o impacto (nada contra!) dominam, dizer que sem lucro não há propósito que resista é quase revolucionário. Princípios simples para a sua contabilidade, eis o ponto.

Um livro sobre IA. Este Utopia Profunda, de Nick Bostrom (Dom Quixote), não é um livro normal sobre inteligência artificial, isto é, não é mais um livro técnico. É um livro com uma escrita original e polifónica, hipertextual dir-se-ia, sobre vários desafios trazidos por esta nova tecnologia de alcance geral que nos fascina e assusta em igual medida.

Um livro sobre Taylor Swift. Finalmente, ainda cá não chegou tradução de There’s Nothing Like This, de Kevin Evers, editor da Harvard Business Review. A ideia do livro é simples mas provocadora: o génio estratégico de Taylor Swift é equivalente ao de Steve Jobs ou Jeff Bezos. Para leitura dos Swifties mas também do público mais interessado nas ideias da gestão.
Boas leituras para o bom Verão que aí está a chegar.
