A descarbonização e o fortalecimento dos princípios ESG estão no topo da agenda da indústria imobiliária europeia, a par da crescente exigência dos ocupantes por edifícios com elevadas credenciais ambientais. A conclusão é avançada pela análise European Themes 2022, da consultora imobiliária Savills, que reconhece nesta reconfiguração oportunidades de investimento em 2022. A intensificação das […]
A descarbonização e o fortalecimento dos princípios ESG estão no topo da agenda da indústria imobiliária europeia, a par da crescente exigência dos ocupantes por edifícios com elevadas credenciais ambientais. A conclusão é avançada pela análise European Themes 2022, da consultora imobiliária Savills, que reconhece nesta reconfiguração oportunidades de investimento em 2022.
A intensificação das preocupações ambientais, a sua transversalidade multissetorial e a força cada vez maior dos princípios ESG (Environment, Social e Governance) têm levado o mercado imobiliário a eleger como umas das prioridades de topo a descarbonização do setor. Ter um edifício com uma certificação internacional em Sustentabilidade como o BREEAM ou o LEED, já é considerado um requisito obrigatório.
Em Portugal, o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade carbónica até 2050, os edifícios são responsáveis por cerca de 30% do consumo final de energia. Numa Europa onde uma parte significativa do stock de edifícios é anterior à implementação de medidas de sustentabilidade energética, alcançar essas metas é uma tarefa árdua.
A melhoria do desempenho ambiental dos edifícios, a adoção de princípios de circularidade, a potenciação da eficiência de recursos, o uso de materiais reciclados de base biológica e a promoção de estruturas verdes, são algumas das medidas que integram os planos de sustentabilidade energética do mercado imobiliário português.
No topo da lista dos melhores investimentos de valor acrescentado no âmbito desta “revolução sustentável” do mercado imobiliário, a análise considera as seguintes categorias de ativos: instalações laboratoriais localizadas em hubs de investigação e desenvolvimento; residências para estudantes em grandes cidades universitárias com pouca oferta de alojamento estudantil com gestão profissional; lares para a terceira idade e hospitais; data centers; parques de retalho e ativos de hospitality de alta qualidade em destinos turísticos consolidados.
O segmento imobiliário das Ciências da Vida, pela escassez de oferta em zonas chave e aumento da procura, continuará a ser um foco de investimento.
Pelo crescimento acentuado da atividade comercial online, é esperado uma maior procura por espaço de armazenamento, com cerca de metade dos operadores de logística e dos retalhistas a preverem crescimento da capacidade de armazenamento até 2025. E, segundo a consultora, Portugal encontra-se na lista dos cinco países europeus que conseguem atrair mais investimento para o setor logístico, ficando apenas atrás de França, Alemanha, Espanha e Itália.
A atenção dos investidores continuará também a incidir sobre o segmento de multifamily, ao passo que as residências para estudantes (PBSA – Purpose-Built Student Accomodation) e instalações para a terceira idade continuarão a crescer.
No mundo laboral, a atração de talento para formatos de trabalho remoto e flexível, acompanhada por uma legislação favorável, faz prever a dinamização da procura para a ocupação de escritórios em países com condições laborais atrativas, com as empresas a explorar o conceito de flex office. Escritórios em localizações prime com boas infraestruturas de transportes e fortes certificações energéticas deverão estar no centro da procura.


