É sempre igual: quando há conflitos entre Israel e a Palestina encontramos os adeptos do costume a apoiar as suas equipas. Como alguns analistas fizeram notar, há uma certa futebolização do conflito. É uma solução fácil mas simplista dividir o problema de forma maniqueísta entre maus e bons, como se a humanidade fosse assim. Eu […]
É sempre igual: quando há conflitos entre Israel e a Palestina encontramos os adeptos do costume a apoiar as suas equipas. Como alguns analistas fizeram notar, há uma certa futebolização do conflito. É uma solução fácil mas simplista dividir o problema de forma maniqueísta entre maus e bons, como se a humanidade fosse assim. Eu tenho dificuldade em fazê-lo porque tenho dificuldade em escolher entre árabes e judeus.
Ao longo do tempo a minha profissão fez-me conhecer colegas israelitas. Um deles tornou-se mesmo amigo pessoal. Os israelistas que conheci são tão diferentes uns dos outros como Jerusalém é diferente de Telavive. A Jerusalém religiosa às portas do deserto é muito diferente da Telavive mediterrânica e hedonista. Conheci israelitas judeus assumidamente gay e a minha série favorita dos últimos tempos, Shtisel, tem por tema a comunidade ortodoxa. Acho Israel um país em muitas coisas admirável, com enormes problemas para resolver.
E sobre a cultura árabe? Há anos que todos os anos colaboro com uma escola de Tunis. Aprendi a ser um pouco tunisino, a amar aquele país doce em muitas coisas tão parecido com o nosso. A Tunísia que aparece nas notícias tem pouco a ver com a Tunísia de que eu gosto e de que, por causa da pandemia, tanto sinto a falta. Como escolher? Mas é preciso escolher? Não escolho: a minha admiração é repartida e espero pelo dia em que estas duas culturas maravilhosas saibam viver em paz, como merecem.

Por Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder
