Por todo o mundo, a carga de morbidade e mortalidade por doenças crónicas relacionadas à dieta está a aumentar, impulsionada pela má qualidade da dieta e pelo consumo excessivo de calorias. Ao mesmo tempo, o sistema global de produção de alimentos está a esgotar os recursos do nosso planeta, colocando em risco o meio ambiente […]
Por todo o mundo, a carga de morbidade e mortalidade por doenças crónicas relacionadas à dieta está a aumentar, impulsionada pela má qualidade da dieta e pelo consumo excessivo de calorias. Ao mesmo tempo, o sistema global de produção de alimentos está a esgotar os recursos do nosso planeta, colocando em risco o meio ambiente e a segurança alimentar futura.
Felizmente, mudar os padrões alimentares atuais para dietas à base de produtos vegetais pode aliviar esses encargos ambientais e de saúde. Em comparação com as dietas ocidentais típicas, com grande quantidade de produtos de origem animal, uma alimentação de origem vegetal não é apenas mais sustentável, mas também está associada a um menor risco de doenças crónicas, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, e alguns cancros.
O termo Plant Based abrange uma ampla gama de alimentos de origem vegetal, como vegetais, frutas, grãos integrais, legumes, nozes e sementes.
Há fortes evidências e plausibilidade biológica para apoiar os papéis dos alimentos específicos à base de plantas na prevenção de doenças cardiometabolicas e mortalidade prematura. Por exemplo, os hortofrutícolas são ricos em fibra, antioxidantes e vários nutrientes, que têm sido inversamente associados ao risco de doenças crónicas e mortalidade. Uma meta-análise retratou que um aumento de 200 g/dia no consumo de frutas e vegetais foi associado a 16% menor risco de desenvolver AVC e 8% menor risco de doença cardiovascular.
Um estudo que envolveu 135 000 indivíduos encontrou uma ligação entre o aumento da ingestão de frutas, vegetais e legumes e um menor risco de morte precoce por todas as causas, os participantes colheram benefícios máximos para a saúde com 3/4 porções por dia. O consumo de pelo menos 70 g/dia de grãos foi associado a 23% menor risco de doenças cardiovasculares, comparando com o consumo de pouco ou nenhum grão.

Num estudo publicado em 2019 na Translational Psychology, os investigadores concluíram que a dieta Plant Based é benéfica para aumentar o metabolismo, controlar o peso e reduzir a inflamação, especialmente entre pessoas com obesidade e diabetes tipo 1 e tipo 2. Outro estudo publicado em 2019 no Journal of the American Heart Association descobriu que adotar uma dieta de origem vegetal pode reduzir o risco de desenvolver doenças cardiovasculares em 16% e morrer dessa condição de saúde em cerca de 31%. Além destes benefícios evidentes, a dieta Plant Based apresenta nutrientes essenciais que não podemos obter de outros alimentos.
As vitaminas, minerais, fitoquímicos e antioxidantes presentes nestes alimentos ajudam a manter o normal funcionamento das células e a promover o equilíbrio, havendo uma melhoria do sistema imunitário, sendo isto essencial para reduzir o risco de várias doenças. Há também estudos que demonstram que os polifenóis presentes neste tipo de dieta podem ajudar a retardar a progressão da doença de Alzheimer e podem ajudar a reverter o declínio cognitivo.
Além dos benefícios associados à saúde, a dieta Plant Based também tende a ter menos impacto ambiental do que as dietas à base de animais. Globalmente, a produção alimentar é a maior contribuinte para a perda de biodiversidade. A Plant Based usa significativamente menos água e carbono para produzir que os alimentos de origem animal. Estima-se que em média uma pessoa com este tipo de alimentação, pode poupar 615 L de água por ano, reduzindo a sua pegada de carbono pela metade.

A FAO define uma “dieta sustentável” como um padrão “de baixo impacto ambiental que contribui para a segurança alimentar e nutricional e para uma vida saudável para as gerações presentes e futuras. As dietas sustentáveis protegem e respeitam a biodiversidade e os ecossistemas, (…), nutricionalmente adequadas”. É importante que estas dietas incluam uma grande parcela de produtos de base ecológica, locais e minimamente processados, não só por uma questão de sustentabilidade, mas para benefício da própria saúde pois este tipo de produtos dotam de menos químicos e mais nutrientes.
A sustentabilidade deste tipo de dieta deve-se também ao uso integral dos ingredientes levando à redução do desperdício alimentar; por se usarem produtos maioritariamente in natura a utilização de embalagens também é bastante reduzida contribuindo para uma menor emissão de gases efeitos de estufa.
Mudar a população global para padrões alimentares saudáveis de origem vegetal pode aliviar as atuais epidemias de doenças crónicas relacionadas com a alimentação, bem como futuras crises ambientais e de segurança alimentar que provavelmente ocorrerão se continuarmos a consumir os recursos do nosso planeta nas taxas atuais. Para fazer essa mudança, políticas e intervenções de saúde pública são necessárias para incentivar o comportamento saudável e mudar os ambientes alimentares atuais. Também é importante considerar estratégias para reduzir o desperdício de alimentos, o que beneficiará muito o meio ambiente, e reduzir a ingestão calórica, que beneficiará tanto o ambiente como a saúde humana.
Este artigo foi publicado na edição de outono da revista Líder
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