Portugal classifica-se em 3º lugar, num total de 43 países analisados, no que diz respeito ao desempenho geral de indicadores ambientais e como estes afetam o bem-estar das crianças. O relatório anual da UNICEF “Places and Spaces – Environments and Children’s Well-being”, recentemente divulgado, fez a análise de como a qualidade do ar afeta as […]
Portugal classifica-se em 3º lugar, num total de 43 países analisados, no que diz respeito ao desempenho geral de indicadores ambientais e como estes afetam o bem-estar das crianças. O relatório anual da UNICEF “Places and Spaces – Environments and Children’s Well-being”, recentemente divulgado, fez a análise de como a qualidade do ar afeta as crianças, para além de medir o impacto global de fatores ambientais, socioeconómicos e igualitários nessa camada da população.
Portugal é dos países com menor emissão de dióxido de carbono por pessoa, o que é especialmente importante por ser um dos fatores que mais contribui para a aceleração das alterações climáticas.
A poluição do ar por químicos e por emissão de gases através do setor energético afeta diretamente a saúde das pessoas – na Europa, o ar poluído contribui mais para mortes precoces do que o tabaco. As crianças são mais vulneráveis e sensíveis a estes fatores devido ao tamanho dos seus pulmões e aos seus sistemas imunitários não estarem tão desenvolvidos. Além disso, ao serem mais pequenas, estão mais perto do chão, que é onde se acumula a poluição.
Comparativamente com 1990, Portugal conseguiu reduzir significativamente a exposição de material particulado, aumentando assim a qualidade do ar no país, encontrando-se no grupo de países que menos poluição no ar produz, assegurando assim um bom ar para as crianças respirarem. Neste parâmetro Portugal encontra-se entre os países com menos mortalidade infantil. A emissão de gases com efeito de estufa de um país reflete o seu compromisso com o futuro das gerações e com o bem-estar das crianças.
A qualidade do ar em espaços interiores é também relevante devido a fatores como cozinhar, fumar, ou do aquecimento das casas, que pode pôr em risco a vida de crianças. Portugal sempre teve, e continua a ter problemas com o isolamento e o aquecimento das habitações – os invernos são frios e as casas são, por sua vez, frias e húmidas. O perigo de usar métodos de aquecimento como as lareiras podem ser prejudiciais para a poluição do ar da habitação e, por vezes, pode até pôr em causa vidas, derivado do monóxido de carbono.
Aqui, as desigualdades socioeconómicas são evidentes, já que as famílias mais pobres têm mais tendência para usar métodos mais baratos, como a lenha, enquanto a classe alta é mais provável de usar ar condicionado. Portugal é um dos países em que essa desigualdade é mais acentuada: nas famílias com crianças, as mais pobres são as que sofrem mais e têm mais dificuldade com o aquecimento das suas habitações. A disparidade para as famílias mais abastadas é notória.
Alocando 0,60% do PIB para investimento em proteção ambiental, o governo podia ainda assim estar a fazer mais na luta contra as alterações climáticas e, já que a saúde e segurança das crianças estão diretamente ligadas com este investimento. Especialmente as crianças de famílias de classe baixa encontram-se mais vulneráveis aos riscos ambientais. Assim, é importante que os governos locais se foquem no investimento de melhores materiais para habitações, de forma que haja as condições necessárias para as crianças crescerem saudáveis. Para as crianças que serão o futuro da Humanidade, tem de se agir já, ou não haverá futuro de todo.



