Os Trovante têm uma famosa canção chamada Neva sobre a Marginal. Na verdade, não neva sobre a Marginal. Mas quero aproveitar a deixa para uma variação sobre o tema: rola sobre a Marginal. E o que rola? Tudo. Na verdade, a Marginal pode ser vista como uma espécie de observatório da mobilidade. Tudo o que […]
Os Trovante têm uma famosa canção chamada Neva sobre a Marginal. Na verdade, não neva sobre a Marginal. Mas quero aproveitar a deixa para uma variação sobre o tema: rola sobre a Marginal. E o que rola? Tudo.
Na verdade, a Marginal pode ser vista como uma espécie de observatório da mobilidade. Tudo o que se move, move-se sobre a Marginal, o que faz desta, como agora se diria, um case study. E então o que se move? Eis uma lista de materiais rolantes observados por estre vosso observador:
- Automóveis, obviamente. Muitos automóveis, como sempre aconteceu.
- Desportivas, de montanha, pasteleiras. Com ciclistas, mais novos e mais velhos, com capacete e sem capacete. Alguns ciclistas parecem combinar pista com gincana e apanhada, não parando nos vermelhos.
- Trotinetes elétricas, como “trotinetistas” com e sem capacete.
- Uma roda elétrica, um engenho que se julgaria exclusivo do circo.
- Esta é uma espécie mais espécie mais rara, avistada uma única vez por este vosso etnógrafo de ocasião.
- Atletas, um caso felizmente abundante e normalmente (e muito bem) frequentador dos passeios. Mas no dia desta redação, uma dedicada atleta resolveu cortar o canto de um cruzamento pela estrada, em frente a este surpreendido etnógrafo-condutor, que lhe deu uma leve buzinadela de aviso/protesto – gesto retribuído pela atleta com um simpático cumprimento gestual que me dispenso de descrever.
Em resumo, a Marginal é espetacular mesmo para lá das vistas. Serve também para observação da não-inscrição de que falava José Gil: apesar de a velocidade máxima ser agora de 50 km/h, ninguém, tirando o vosso observador, anda a 50 km/h – que para o efeito aciona um comando da sua viatura, ao que parece chamado “cruise”. Ou seja, se puderem não deixem de dar uma voltinha na Marginal. É uma estrada espetacular.
