Nos últimos anos a Nigéria tem sido avassalada por governos desafiantes. Um regime militar abriu as portas à democracia em 1999, mas desde então as eleições oferecem um leque de candidatos reduzido. Os nigerianos vão às urnas amanhã (25 de fevereiro) e Peter Obi, candidato presidencial de um partido sem grande representação, promete lutar contra […]
Nos últimos anos a Nigéria tem sido avassalada por governos desafiantes. Um regime militar abriu as portas à democracia em 1999, mas desde então as eleições oferecem um leque de candidatos reduzido.
Os nigerianos vão às urnas amanhã (25 de fevereiro) e Peter Obi, candidato presidencial de um partido sem grande representação, promete lutar contra a corrupção, oferecendo uma última esperança ao país.
O The Economist partilha o que se pode esperar nestas próximas eleições.
Um país com potencial, mas corrupto
A corrupção está profundamente enraizada no país, com governos sucessivos a desviar fundos. Desde candidatos antigos até, recentemente, um ex-ditador militar, muitos deles procuram o poder para obter parte da riqueza petrolífera do território.
O país mais populoso de África precisa mais que nunca desse tipo do governo: a economia, a maior do continente, tem muito talento jovem (metade do país tem 18 anos ou menos). Uma Nigéria próspera seria o necessário para impulsionar todo o continente.
Em vez disso, os nigerianos estão mais pobres agora do que em 2015, quando o antigo presidente, Muhammadu Buhari, tomou posse. Pelo menos 60 milhões de pessoas sobrevivem com menos do que o equivalente a dois euros por dia, e as políticas de Buhari pioraram a situação.
Além disso, o país é assolado pela violência. O Boko Haram e as suas ramificações jihadistas lançaram mais ataques no nordeste no ano passado do que nunca.
No noroeste, gangues criminosos assassinam e sequestram cidadãos comuns, incluindo crianças em idade escolar. No total, dez mil nigerianos foram mortos em conflitos no ano passado. E uma reforma monetária mal empregue pouco antes da eleição provocaram manifestações violentas, já que os bancos locais ficaram sem dinheiro.
Para acabar com esta cadeia de conflitos, a Nigéria precisa de uma folha em branco. A manipulação direta das eleições é mais difícil, mas o corpo eleitoral e a polícia devem condenar e reprimir ainda mais a intimidação e a compra de votos que ainda acontecem.
Conheça os candidatos
Além disso, muito dependerá de quem vencer. Bola Tinubu, que pertence ao All Progressives Congress, é um político da velha guarda que, aos 70 anos, dificilmente mudará a situação do país.
O seu manifesto varia: desde o fantasioso (enfrentar os jihadistas encher com água o Lago Chade) ao incoerente (afirmando apoiar tanto a substituição de importações como a Área de Livre Comércio Continental Africana).
Na década de 1990, o governo americano congelou alguns dos seus bens, acusando-o de lucrar com o narcotráfico. Tinubu nega irregularidades e chegou a um acordo com as autoridades americanas.
Atiku Abubakar do Partido Democrático Popular, a principal oposição, não é melhor. Ex-vice-presidente, está na sua sexta candidatura à presidência. Tem ideias grandiosas para a industrialização e um milhão de novos polícias, mas nenhum plano de como pagar por eles.
Olusegun Obasanjo, o presidente a quem serviu, acusou-o de desviar 145 milhões de dólares. Em 2010, um relatório do Senado dos Estados Unidos alegou que estava envolvido na transferência de 40 milhões de dólares em “fundos suspeitos” para a América. Também nega irregularidades.
A alternativa
Peter Obi, um ex-governador de 61 anos que lidera as sondagens, oferece uma alternativa. Apelou ao voto não por etnia ou religião, mas sim pela competência dos candidatos. Se assim fosse, dar-se-ia uma mudança radical na política nigeriana.
Alertou também os seus apoiantes de que não devem esperar dinheiro em troca de votos.
Obi afirma que irá apoiar negócios, promover um comércio mais livre e controlar as crescentes dívidas da Nigéria. Diagnostica as falhas do país com mais precisão que os seus rivais, embora não seja muito melhor em explicar como resolvê-las.
As suas promessas de acabar com o subsídio da gasolina e racionalizar as muitas taxas de câmbio do banco central são repetidas pelos restantes candidatos.
Obi não é propriamente um novato na política e governo nigeriano: candidatou-se para vice-presidente de Abubakar em 2019, antes de trocar de partido. Foi também acusado de ter ativos offshore não declarados, mas diz que ganhou o dinheiro em questão antes de assumir o cargo de governador.
Mesmo que vença, é improvável que o seu Partido Trabalhista obtenha a maioria na Assembleia Nacional, o que tornará o governo do país difícil.
No entanto, neste momento Peter Obi é o único candidato a oferecer aos nigerianos esperança de mudança. Num país negligenciado pelas suas lideranças, é facilmente a melhor escolha para presidente.


