Durante o último ano e meio, o Mundo foi forçado a parar, a olhar à sua volta, procurar soluções e reinventar-se para fazer o que sempre fez e que permitiu crescermos, evoluirmos, relacionarmo-nos. Já há muito que se proclamava a necessidade das organizações e seus recursos humanos pensarem de forma mais ágil sobre os seus […]
Durante o último ano e meio, o Mundo foi forçado a parar, a olhar à sua volta, procurar soluções e reinventar-se para fazer o que sempre fez e que permitiu crescermos, evoluirmos, relacionarmo-nos.
Já há muito que se proclamava a necessidade das organizações e seus recursos humanos pensarem de forma mais ágil sobre os seus fluxos de trabalho e relacionamentos, de modo a permitir a inclusão de ferramentas e soluções que tornassem mais digital toda a sua atividade, algo que em determinados setores parecia mesmo utópico. Mas um vírus levou a que todos tivéssemos mesmo de alterar hábitos, comportamentos. Hábitos esses que vão desde a forma como sociabilizamos, agora sem direito aos cinco minutos de pausa para café nas copas ou nos corredores; como interagimos com colegas, parceiros e clientes, ou mesmo mantemos uma presença assídua e regular junto de comunidades que nos são estratégicas.
É num momento como este que podemos começar a olhar para o caminho percorrido nos últimos 16 meses e perceber quais as grandes mudanças e o que significam para as pessoas, bem como para o mercado. Uma coisa é certa, as previsões mais extremadas, quer pela positiva quer pela negativa, não vingaram nem vingarão. A adoção do digital por parte das empresas e pessoas, levou-nos a uma sensação utópica de proximidade sensorial tecnológica.
Os tecnólogos, naturalmente, têm vindo a desgastar até ao último suspiro o jargão de Transformação Digital. Porém sejamos sinceros, estamos realmente a passar por um processo de Transformação Digital, como tem sido apregoado? Ou estaremos, na realidade a viver uma Revolução Digital?
São vários os pontos de vista, todos com argumentos e dados válidos que podem apontar para um ou outro cenário. Porém percebemos que o que se passou nos últimos meses foi tudo menos uma transformação digital.
Pessoas e organizações foram forçados a adotar ferramentas e canais digitais para poderem viver ou sobreviver, muitas delas de forma tão abrupta que ainda hoje não têm a real noção nem conhecimento sobre o potencial do que têm à sua frente.
O conceito de Transformação Digital traduz-se num processo de análise e avaliação de processos para a sua transposição e adoção potenciada no digital, desmaterializando processos físicos. É verdade que houve uma desmaterialização de processos, porém será que ao regressarmos à normalidade esses mesmos processos manter-se-ão desmaterializados, ou iremos ver um retrocesso e uma duplicação de esforços em determinados momentos?
A teoria da Revolução Digital, como o próprio nome indica é mais brusco, duro e incisivo, tal como foi o que aconteceu. E como em qualquer revolução, há danos colaterais, que nem sempre são os que conseguem potenciar melhor as características sociais e tecnológicas, vejamos os novos casos de burnout digital, as infindáveis conf calls e outras perdas de produtividade que têm vindo a suceder.
Queremos todos acreditar que sim, foi um misto de Transformação e Revolução, porém o que temos perante nós é a Evolução Digital, que sucedeu devido a uma Revolução Digital, suportada em conceitos e ideias de Transformação Digital organizacional, que permitem a nossa sociedade a nível global entrar de uma vez por todos numa nova era histórica. Pela primeira vez podemos dizer que deixamos de viver o período da era industrial para passarmos a viver na Era Digital.
Só podemos assegurar que há uma mudança de Era, quando algo de disruptivo e comportamental na sociedade acontece. Os desenvolvimentos já vinham a suceder ao longo das últimas quatro a cinco décadas, porém só agora podemos realmente ver e viver com um foco digital, com hábitos digitais enraizados. Algo que não pode ser colocado dentro de conceitos genéricos, e por vezes abusivamente usados a nível comercial.
Saibamos nós, agora, ler e interpretar os momentos e vivências que diariamente temos, para compreender e agir de acordo com o que uma sociedade de uma Era Digital necessita: integridade, relevância, inclusão, democracia, liberdade de expressão e direito a desligar!

Por Fernando Batista, Fundador e Diretor Executivo da Do It On e Presidente da Digital Marketers (Associação de Profissionais de Marketing Digital)

