A empresa alemã Enercon produz e exporta componentes para energia limpa a partir de Portugal. Neste momento, está a ampliar o seu cluster eólico em Viana do Castelo e a passos de abrir mais uma unidade a norte. Bons ventos que solidificam a posição de Portugal no mapa mundo da Energia Eólica. Por TitiAna Amorim Barroso Fotografias […]
A empresa alemã Enercon produz e exporta componentes para energia limpa a partir de Portugal. Neste momento, está a ampliar o seu cluster eólico em Viana do Castelo e a passos de abrir mais uma unidade a norte. Bons ventos que solidificam a posição de Portugal no mapa mundo da Energia Eólica.
Por TitiAna Amorim Barroso
Fotografias Bruno Silva
Os aerogeradores já fazem parte da paisagem de norte a sul do nosso país e arquipélagos. Das 2779 turbinas eólicas instaladas em Portugal, segundo dados divulgados pela Direção Geral da Energia e Geologia, em 2020, perto de 1500 são da Enercon.
Carla Oliveira é a Diretora de Recursos Humanos da Enercon há seis anos e já se habituou a trabalhar todos os dias com colegas de todo o mundo, num rodopio constante entre diferentes geografias e fusos horários. Aliás, é nesta interação que reside parte do segredo do conhecimento do Grupo e o seu maior aliado.

De resto, a Pandemia teve naturalmente impacto em todos os negócios, embora as fábricas em Portugal não tenham parado, nem os serviços de manutenção, de instalação e suporte corporate. Na organização do trabalho foram necessários ajustes para quem continuava nas fábricas ou no terreno e foi implementado o trabalho remoto logo em março de 2020, com deslocações esporádicas ao escritório. «Agora, acomodados numa rotina e espaço diferente, temos o desafio de manter a comunicação a fluir e não perder os laços criados pessoalmente e que tanto nos ajudavam no trabalho diário. E levamos muitas horas já de nos vermos aos quadradinhos, graças a tecnologias que nos permitem esta nova forma de comunicação, novas formas de manter as equipas ligadas entre si e em alguns casos, muitas mais horas de comunicação com alguns colegas que se calhar na era do 100% presencial isso não acontecia», explica Carla visivelmente satisfeita também com os desafios que se aproximam.
Nesta entrevista à Líder, Carla dá-nos conta do seu trabalho árduo, que exige perícia na construção deste puzzle local e internacional, num universo em crescimento com desafios complexos e um longo caminho pela frente, sem perder de vista os temas da Sustentabilidade.
Investir na poupança de energia é mais do que um mero ato de consciência ecológica das organizações?
Falar em poupança de energia vai muito além de consciência das organizações (e de todos nós), deve ser um modo de vida. Todos sabemos que muitos dos recursos energéticos utilizados ao longo dos anos são limitados e ainda alguns extremamente poluentes. Além de poupar a energia, temos igualmente de poupar o Planeta e todos nós. Vemos diariamente imensas mensagens nesse sentido e que acredito que devem ser entendidas como um sério aviso de futuro. Não se trata de ecologia, mas sim de viver – escolhemos se melhor ou pior.
Quais são os grandes benefícios que a Enercon pode trazer ao tecido empresarial nacional?
A pergunta deve ser feita com o tempo verbal diferente, porque já trazemos muito para o desenvolvimento nacional e local, maioritariamente para Viana do Castelo e há mais de uma década. Temos implementadas unidades fabris, de escritórios (Viana do Castelo e Lisboa) e estamos a passos de abrir outra localização (distrito do Porto). Esta realidade revela-se em números: de produção de componentes, volume de exportações, centenas de empregos gerados anualmente, a caminho dos 2000 colaboradores. Com a dimensão que temos localmente, o País torna-se um ponto importante a nível mundial da indústria de energia eólica.
A Sustentabilidade passa a ser uma prioridade nacional?
Já deveria ser um tema levado muito a sério por todos e há já alguns anos, sendo muito mais do que um trend. Não podendo fazer o tempo voltar atrás, pelo menos tentemos influenciar o que está por vir. Tem que ver com a nossa vida e com o comprometimento de gerações futuras, tem que ver com o meio onde vivemos e onde essas gerações irão viver. Ser sustentável e responsável em ambiente, sociedade e energia não é uma moda, mas deve ser uma forma de vida o que nem sempre se verifica – acredito que está a melhorar este conceito. Ainda temos um longo caminho a percorrer nesta área e temos um conjunto de oportunidades para o fazer.
Dos aerogeradores que percorrem o País, qual a percentagem que foi construída e instalada pela Enercon?
Temos instaladas em Portugal quase 1500 aerogeradores, espalhados de norte a sul do País e ilhas também, com armazéns de suporte e equipas locais a prestar apoio aos parques, numa estrutura que ultrapassa os 300 colaboradores. São números de peso e que representam bem a estrutura de liderança nacional que ocupamos.
Assumiu funções há seis anos num setor, o da Energia, que tem sofrido reinvenções e aumentado a sua importância nos últimos anos. Que empresa encontrou e como olha hoje para a empresa que representa?
Encontrei e encontro uma empresa sólida e inovadora, que em Portugal tem vindo a crescer a olhos vistos. Este crescimento resulta muito do sucesso das equipas locais que, num momento de reinvenção interna que estamos a viver, faz com que ganhemos vantagem competitiva interna. A dedicação, a paixão ao negócio, o brio que encontrei mantém-se e agora em números muito mais representativos no Grupo. Sem dúvida que atualmente o sentimento é de orgulho deste crescimento e desenvolvimento. Temos efetivamente equipas de trabalho muito boas e há que aproveitar positivamente todo este capital.
Como se posiciona a Enercon em Portugal dentro do Grupo?
Portugal tem vindo a assumir uma importância crescente no Grupo, muito pelo resultado do trabalho das nossas pessoas. Não somos o “low-cost”, mas sim a qualidade e o resultado. Estas características, juntamente com algumas tradicionalmente portuguesas, fazem com que cada vez mais sejamos chamados para a linha da frente, com que as nossas fábricas cresçam em produção, que os nossos técnicos sejam conhecidos mundialmente, que os nossos engenheiros sejam chamados aos projetos mais inovadores, que venham para Portugal cada vez mais posições de suporte internacional. Com estes exemplos, entre outros que lidamos diariamente, a Enercon Portugal é sem dúvida um dos grandes pilares do Grupo a nível mundial. E somos muito orgulhosos destes resultados!
Qual é a estratégia de Recursos Humanos?
(…)
Pode ler a entrevista completa na nossa edição de primavera da revista Líder.


