A evolução tecnológica tem transformado a forma como nos relacionamos com o mundo digital. Uma dessas transformações é a emergência da Web3. No café de hoje, falamos de forma simples sobre Web3, as diferenças face à Web2, e a oferta desta nova era. Até hoje, a Web2 assentou na interação dos utilizadores em plataformas centralizadas, […]
A evolução tecnológica tem transformado a forma como nos relacionamos com o mundo digital. Uma dessas transformações é a emergência da Web3. No café de hoje, falamos de forma simples sobre Web3, as diferenças face à Web2, e a oferta desta nova era.
Até hoje, a Web2 assentou na interação dos utilizadores em plataformas centralizadas, e convidou a problemas como a corrupção, monopólios, fugas de informação, e usos ilegítimos de dados, comprometendo a nossa autonomia, privacidade, e segurança. Exemplos notórios são a manipulação de utilizadores e dados do Facebook, as falhas da Yahoo e Amazon que resultaram no acesso a informações de milhões de pessoas, ou todos os serviços pagos que exploram a necessidade de intermediários.
A Web3 mitiga esses riscos, e oferece um meio mais seguro e transparente que devolve o controlo aos utilizadores. Consegue-o através da blockchain, que ao descentralizar o acesso, processamento, e poder, elimina a dependência de terceiros nas transações entre partes, por contraste com a Web2 onde entidades centralizadas gerem, armazenam e lucram com os nossos dados.
Atualmente, entre as inúmeras aplicações da Web3, encontramos já várias em uso acessíveis ao utilizadores comuns:
Finanças Descentralizadas (DeFi): Sendo das aplicações mais populares da Web3, redifinem os serviços financeiros, como empréstimos, poupança, e investimentos. Uma vantagem é a eliminação de intermediários, como bancos e outras instituições financeiras, permitindo transações mais rápidas, transparentes, e com taxas mais baixas. Um exemplo é o protocolo Aave, que permite emprestar e tomar empréstimos em criptomoedas, ou como ganhar juros sobre depósitos.
Mercados de NFTs: Os NFTs são activos digitais únicos e indivisíveis que certificam arte, coleccionáveis, propriedades, e outros bens digitais. A vantagem é a sua capacidade de provar a autenticidade e a titularidade, facilitando a compra, venda e negociação desses bens. Um exemplo de mercado de NFT é o OpenSea, uma plataforma descentralizada onde os utilizadores podem criar, comprar e vender NFTs.
Redes sociais descentralizadas: Estas são uma alternativa às plataformas tradicionais, como o Facebook e o Twitter, ao devolverem-nos o controlo da experiência, privacidade, segurança, e dados. Uma vantagem é a ausência de censura e a resistência à manipulação de conteúdo. Um exemplo é o Mastodon, que funciona com base em servidores interligados, permitindo aos utilizadores escolher o servidor que melhor se adapta às suas preferências.
Identidade digital descentralizada: Tem como objetivo dar aos utilizadores o controlo total sobre os seus dados pessoais, e permite que possam provar a sua identidade sem depender de terceiros, governos, ou empresas. Uma das vantagens é a proteção da privacidade, já que os utilizadores decidem que informação partilhar e com quem. Um exemplo é a uPort, que utiliza a blockchain para gerir e armazenar informações de identidade, permitindo aos utilizadores autenticarem-se e partilharem dados de forma segura e descentralizada.
A Web3 é uma revolução tecnológica inédita, que oferece uma alternativa às falências da Web2 e nos instiga a repensar a forma como interagimos com o mundo digital. Embora enfrente desafios, como escalabilidade e curva de aprendizagem para a sua adoção, o seu potencial é extraordinário. Hoje incontornável, a Web3 veio transformar radicalmente a nossa relação com a internet, redefinindo a privacidade, segurança, e a democratização sem precedentes no acesso à informação.

