Muito se tem escrito e falado sobre a personalização das políticas e práticas organizacionais, reforçando a importância das lideranças nesse processo, funcionando estas como agentes críticos de mudança no status quo vigente. E, não raras vezes, se refere também que é imperativa a observância da liderança pelo exemplo, como garantia de que se passa da […]
Muito se tem escrito e falado sobre a personalização das políticas e práticas organizacionais, reforçando a importância das lideranças nesse processo, funcionando estas como agentes críticos de mudança no status quo vigente. E, não raras vezes, se refere também que é imperativa a observância da liderança pelo exemplo, como garantia de que se passa da formalização do papel à ação no terreno, garantindo a experiência do que é conceptualizado nas quatro paredes do gabinete.
Contudo, também os líderes têm dúvidas, receios, inseguranças, angústias, problemas pessoais e doenças, entre outras variáveis que podem afetar, mesmo que temporariamente, o seu potencial e produtividade. E isso é normal! Faz parte da condição humana. E não, não tem de parecer que estão sempre de bem com tudo e com todos porque isso também lhes é prejudicial. Também eles precisam de ter grupos de suporte – família e amigos – com quem falar e certamente, em algumas situações, precisam igualmente de recorrer a apoio especializado. E tudo isso é normal! Não têm pelo que ter pudor em assumir a sua condição humana!
É verdadeiramente inspirador ouvir líderes que têm coragem para, em público, assumirem as suas vulnerabilidades. Essa admissão da condição humana aproxima-nos!
Ainda oiço, aqui e ali, pessoas que advogam que não o deveriam fazer, pois acaba por os fragilizar, retirando-lhes poder, valor e posicionamento. Sinceramente, não acredito nisso e, se ainda assim é, será porque ainda não fizemos a nossa quota parte neste processo de mudança no sentido da humanização, desconstruindo o preconceito instalado. Os líderes não nascem líderes e, antes de tudo o resto, são também eles pessoas.
Não consigo afigurar melhor representatividade da verdadeira liderança pelo exemplo do que a partilha honesta de questões pessoais, do seu eu, sem subterfúgios semânticos ou discursos institucionais, vazios de emoção.
A humanização corporativa pressupõe repensar os processos organizacionais assumindo o respeito, a tolerância e a flexibilidade como, simultaneamente, um must have e um must do. E, para que isso aconteça, temos de nos conhecer muito além da função que desempenhamos e do título académico que detemos.
Este artigo foi publicado na Aprender Magazine 2023 disponível na plataforma Wisloc.


