O departamento de Recursos Humanos (RH) está no centro das mudanças de uma organização e 81% dos trabalhadores reconhece mesmo o seu papel no apoio aos desenvolvimentos sociais (igualdade profissional entre homens e mulheres, política de RH inclusiva, luta contra a discriminação, saúde no local de trabalho…). 68% dos colaboradores acredita que o seu departamento […]
O departamento de Recursos Humanos (RH) está no centro das mudanças de uma organização e 81% dos trabalhadores reconhece mesmo o seu papel no apoio aos desenvolvimentos sociais (igualdade profissional entre homens e mulheres, política de RH inclusiva, luta contra a discriminação, saúde no local de trabalho…). 68% dos colaboradores acredita que o seu departamento de RH está a apoiar os desenvolvimentos tecnológicos, como a Inteligência Artificial (IA), a transformação digital dos empregos ou a digitalização da função.
O Grupo Cegoc revela os resultados do seu inquérito Radioscopia aos departamentos de Recursos Humanos, cujas conclusões sugerem que este departamento se tem não só adaptado às mudanças, como é o principal ator das transformações das organizações.
Para este estudo, foram inquiridos mais de 5.000 colaboradores e 554 decisores de RH em organizações do setor privado e público com 50 ou mais colaboradores, sobre as questões e os desafios futuros em matéria de recursos humanos.
O relatório foi realizado em março de 2024, com base em informações de trabalhadores de nove países da Europa (França, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha, Reino Unido) e da América Latina (Brasil, México, Chile).
Os Decisores de RH são os atores mobilizados para apoiar a mudança empresarial
O reconhecimento do papel dos diretores e gestores de RH reflete o seu empenho em questões atuais com grande impacto no seu trabalho, como a qualidade de vida no trabalho (de acordo com 60% dos RH inquiridos), o apoio ao desenvolvimento de profissões e competências (55%) e os desafios da diversidade e da inclusão (54%).
É de notar que a questão do emprego dos quadros superiores está a emergir (43%), num contexto de carreiras mais longas, por um lado, e de escassez de mão de obra, por outro.

A integração da IA nos métodos e processos de trabalho está a fazer incursões significativas, uma vez que é uma questão estratégica para 21% dos especialistas internacionais em RH. No entanto, quase 70% dos DRH afirmam não considerar a IA nas suas práticas e 22% parece não se ter apercebido da importância deste tópico, uma vez que não têm planos para integrar a IA nas suas práticas.
Os DRH devem também apoiar os desafios do clima social que a sua organização enfrenta, nomeadamente ao tentar promover um melhor equilíbrio entre a vida profissional e a vida privada das suas equipas (47%) e tomando medidas para melhorar a saúde no local de trabalho (combate ao stress relacionado com o trabalho e aos riscos psicossociais, 46%).
Este apoio é tanto mais necessário quanto o clima social continua a ser insatisfatório para os decisores de RH (média de 7,3) e ainda menos para os colaboradores (média de 6,9). 79% dos DRH e 71% dos colaboradores consideram que o clima social das empresas faz parte de um contexto de degradação das relações humanas nas organizações. Por último, a função de RH continua a dar apoio a múltiplos desafios de RH, com especial incidência no empenho e no desempenho dos colaboradores (41%).

Consequentemente, os profissionais de RH estão a enfrentar grandes desafios estratégicos em termos de atração e recrutamento de pessoal (45%), retenção de talentos (41%), apoio à transformação (35%) e desenvolvimento de competências (reskilling e upskilling). Em Portugal, os dois maiores desafios são exatamente os mesmos da globalidade dos nove países, mas de forma ainda mais expressiva (55 e 47%, respetivamente).
Os gestores são os principais interlocutores dos RH para apoiar a mudança
80% dos decisores de RH internacionais reconhecem o papel dos gestores na gestão dos recursos humanos (70% em Portugal), quer estejam totalmente envolvidos (38%) ou estejam apenas a começar a desempenhar esse papel (42%).
Os colaboradores do conjunto dos nove países partilham esta opinião, embora em menor grau: 67% deles consideram que a função é “totalmente” e “seriamente” partilhada (61% em Portugal).
Este ponto de vista comum deve-se, nomeadamente, ao facto de as competências em matéria de recursos humanos serem tidas em conta nos objetivos de desempenho dos gestores. De acordo com 42% dos DRH, a integração de objetivos específicos de RH alterou as práticas dos gestores e ajudou a aumentar o seu investimento nesta área.

O estudo completo pode ser consultado aqui.


