A capa desta edição da revista Líder é da autoria de Margarita Brum. A artista uruguaia, com formação base em fotografia e audiovisual, incorpora no seu trabalho a serigrafia, a confeção e o bordado, em que tanto se dedica à produção audiovisual como às artes plásticas. A colagem entre o tecido, as linhas e as […]
A capa desta edição da revista Líder é da autoria de Margarita Brum. A artista uruguaia, com formação base em fotografia e audiovisual, incorpora no seu trabalho a serigrafia, a confeção e o bordado, em que tanto se dedica à produção audiovisual como às artes plásticas. A colagem entre o tecido, as linhas e as tintas, compõe um portfólio de trabalhos onde joga com vários materiais, em diferentes suportes. A colagem diz ser um lugar onde encontra um espaço de liberdade, onde tudo pode ser combinado e ter um novo significado.

O uso de fios que cosem e ligam as imagens, entre pessoas, animais e Natureza, são símbolos de união, separação, desejo e solidão, temas recorrentes nas suas peças. A artista interessa-se pela conexão afetiva com o ausente, seja uma pessoa que já não está presente ou um lugar que desapareceu por completo. «Como se representa aquilo que não está lá, mas que ocupa um espaço afetivo, um lugar na nossa mente?», questiona.
As mulheres são personagens centrais das obras que marcam o seu trabalho, numa reflexão sobre o feminino e o seu papel na sociedade. O facto de ter crescido numa casa especialmente habitada por mulheres, tornou-as figuras e elos permanentes na sua vida. «É a partir da minha posição de mulher que leio o mundo, que me expresso ou me censuro. Acredito que as mulheres são mais observadoras do que os homens», afirma. Por estarem afastadas de determina das atividades, ficaram apenas cingidas ao ato de observar, sem poder dar uma opinião, acabando por participar de forma mais silenciosa ou marginal, o que ainda hoje diz acontecer na política, em cargos empresariais ou na arte. «O poder continua nas mãos dos homens, e os espaços que restam, felizmente um pouco mais do que antes, são ocupados por nós. Historicamente, passámos mais tempo a observar como os outros fazem e desfazem», reitera.

Este artigo foi publicado na edição nº 29 da revista Líder, sob o tema Incluir. Subscreva a Revista Líder aqui.




