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Home Opinião Ligar o mundo: a importância da mediação intercultural

Opinião

Ligar o mundo: a importância da mediação intercultural

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14 Julho, 2025 | 4 minutos de leitura

A mediação intercultural consiste na intervenção em contextos de coexistência de comunidades culturalmente diversas, com vista à facilitação comunicativa, à integração de minorias e à resolução de possíveis conflitos ditados por diferenças de hábitos, crenças e culturas. Vivemos num mundo que é não só um mosaico colorido de povos e de culturas, mas também, e […]

A mediação intercultural consiste na intervenção em contextos de coexistência de comunidades culturalmente diversas, com vista à facilitação comunicativa, à integração de minorias e à resolução de possíveis conflitos ditados por diferenças de hábitos, crenças e culturas.

Vivemos num mundo que é não só um mosaico colorido de povos e de culturas, mas também, e cada vez mais, um mosaico dinâmico em que os seres humanos se deslocam incessantemente, desafiando distâncias e obstáculos. Não sendo esta uma situação verdadeiramente nova na vida da humanidade, que sempre oscilou entre a vontade da segurança sedentária e o impulso de ver o que está do outro lado da colina, as circunstâncias próprias do nosso tempo dão-lhe contornos muito particulares e uma dimensão nunca antes ocorrida. De forma acentuada, estas deslocações ocorrem motivadas pela busca de uma vida melhor, por parte de muitos seres humanos que fogem da pobreza, da fome, da instabilidade política e económica, da guerra. É neste contexto genérico das chamadas migrações que se faz sentir a necessidade da mediação intercultural.

As comunidades migrantes são, logo à partida, caraterizadas por inúmeras fragilidades. Para além dos problemas que motivaram a sua deslocação para outras paragens e, em muitos casos, das conturbações decorrentes dessa mesma deslocação, ao chegarem a um território que funcione como lugar de acolhimento estão necessariamente marcadas, aos olhos dos cidadãos autóctones, por uma diferença ou por uma estranheza.

Ainda que dessa perceção estejam ausentes sentimentos de hostilidade e que as comunidades de acolhimento estejam genericamente dispostas a aceitar no seu seio os recém-chegados, seria ingénuo pensar que a integração dos migrantes se faria automaticamente, sem percalços nem conflitos. Frequentemente, o primeiro, e enorme, problema decorre do facto de as comunidades migrantes não falarem a língua do país de acolhimento – o que condiciona imediatamente uma comunicação que possa estabelecer ligações e clarificar problemas. Consequentemente, condiciona e dificulta todos os aspetos inerentes à integração numa sociedade, na vida profissional, nos procedimentos administrativos, no acesso à educação e à saúde, nas circunstâncias práticas da vida quotidiana.

O segundo grande problema decorre da “bagagem” cultural transportada pelas comunidades migrantes. É nos hábitos de interação social, nos comportamentos quotidianos em questões tão básicas como o modo de vestir ou a alimentação, nas crenças religiosas e nos valores tradicionais de conduta ética que mais visivelmente se concentram a diferença e a estranheza. Mais ainda, quando qualquer um desses vetores choca com os pressupostos culturais do contexto de acolhimento, a incompreensão mútua e a não-aceitação correm o risco de se intensificar, levando por vezes a conflitos de gravidade variável.

Assim, a intervenção de mediadores interculturais torna-se imprescindível numa diversidade de situações que exigem o diálogo entre migrantes e instituições ou cidadãos do país de acolhimento. Atentos às questões que envolvem os contextos de migração, com sólidos conhecimentos linguísticos e culturais e habituados a gerirem eficazmente situações de mau entendimento ou de conflito, estes profissionais assumem-se como um apoio direto aos migrantes, minimizando as suas dificuldades; contudo, estabelecendo um contacto eficaz entre migrantes e autóctones, permitem também a estes últimos compreender a diferença e atenuar a estranheza. Daí a presença cada vez mais visível dos mediadores nas escolas, nos hospitais e centros de saúde, nos tribunais, nos serviços públicos, numa infinidade de contextos em que o diálogo inequívoco e a intercompreensão façam falta.

Assim, a mediação intercultural não resulta senão da consciência de uma só humanidade, diferenciada nos seus elementos, sem dúvida, mas destinada a uma vida comum, numa sociedade que se quer aberta e solidária.

Luísa Álvares,
docente da Pós-Graduação em Mediação Intercultural da Porto Executive Academy (PEA) e do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP)

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