A política anda crispada. Por vezes os debates parecem uma versão sentada de Rumble in the Jungle mas sem a emoção. Os contendores entram para ganhar um combate pela Verdade e o Bem. Do outro lado encontra-se não um adversário político mas um agente de alguma coisa maligna. Maligna, digo eu, é esta polarização. É […]
A política anda crispada. Por vezes os debates parecem uma versão sentada de Rumble in the Jungle mas sem a emoção. Os contendores entram para ganhar um combate pela Verdade e o Bem. Do outro lado encontra-se não um adversário político mas um agente de alguma coisa maligna. Maligna, digo eu, é esta polarização. É evidente que a política precisa de luta. Política que não dá luta não tem interesse. Mas deve ser uma luta por soluções para a sociedade, não uma espécie de reprodução secular do pior das religiões.
Por precisarmos de olhar para a política de forma diferente trago aqui o caso de Sérgio Sousa Pinto. Não conheço SSP nem ele precisa de meu elogio para nada. Não costumo votar no partido dele nem tenciono passar a fazê-lo. Mas acho que é um exemplo. Tem inteligência e o seu correlato, o sentido de humor. É informado. Não tem um conhecimento messiânico do Bem, que por isso quer impor aos outros. Não me parece que ache a Esquerda intrinsecamente superior à direita. Também não parece que veja fachos em todo o lado. Não vem com a conversa da extrema-direita a propósito e a despropósito. É, parece-me, um homem livre.
É isto. É muito? É. É difícil? Certamente senão havia muitos assim. Num mundo de vociferantes é bom ver alguém que vê a política como uma conversa sobre como melhorar a sociedade e não como um combate final. E no final do dia, a política é só isso: política. Que é boa apenas se servir para melhorar as coisas e não para desenhar sociedades utópicas. A política vale bem uma boa discussão mas não merece que deixemos de falar por causa dela. Que haja alguém para o lembrar.


