Criar valor nunca foi fácil. Mas em países com contextos adversos - elevada carga fiscal, burocracia pesada, escassez de talento e instabilidade regulatória - tornou-se um verdadeiro teste à qualidade da liderança. Em Portugal, esse desafio é particularmente evidente. Ainda assim, há empresas que crescem, criam emprego e entregam valor de forma consistente. A diferença não está no contexto. Está nas decisões.
Num país adverso, a tentação é culpar o sistema. E, muitas vezes, com razão. Mas líderes que ficam presos à queixa raramente criam valor. Os que conseguem fazê-lo são aqueles que aceitam o contexto como dado de partida e concentram energia no que controlam: execução, pessoas e foco no cliente.
Criar valor começa por uma obsessão quase desconfortável com eficiência. Em ambientes difíceis, o desperdício custa mais caro. Processos confusos, decisões adiadas e reuniões improdutivas tornam-se luxos que ninguém pode pagar. Empresas que criam valor nestes contextos são implacáveis a eliminar ruído e a concentrar recursos no essencial. O segundo pilar é a liderança de pessoas. Países adversos tendem a perder talento, o que torna ainda mais crítico cuidar bem de quem fica. Isso não significa baixar exigência – significa o contrário.
As melhores equipas são construídas com padrões claros, responsabilidade individual e reconhecimento justo. Talento não se retém com discursos, retém-se com contexto, desafio e sentido. Há também uma característica comum às empresas que prosperam em contextos difíceis: foco absoluto no cliente. Quando o ambiente externo é hostil, o cliente torna-se o único árbitro real do valor criado. Tudo o que não melhora a experiência, o produto ou o serviço é secundário. Criar valor é, no fim, resolver problemas reais de alguém disposto a pagar por isso.
Num país adverso, a margem para erro é menor. Isso obriga os líderes a decidir melhor, mais cedo e com mais responsabilidade. Obriga a abandonar estratégias genéricas e a apostar em diferenciação real: execução superior, serviço consistente e credibilidade construída ao longo do tempo. Criar valor em Portugal – ou em qualquer país adverso – não é um ato de heroísmo. É um exercício diário de disciplina, foco e liderança adulta. As empresas que o conseguem não esperam por contextos ideais. Constroem vantagem precisamente porque aprenderam a operar quando o contexto não ajuda. No fim, os países mudam lentamente. As empresas não podem esperar. Num ambiente adverso, criar valor não é apenas uma vantagem competitiva – é uma questão de sobrevivência.
