É fácil dizer mal do Estado (tal como é fácil dizer bem). Como elaborei no livro Manifesto para um Capitalismo Humanista, com os meus colegas Milton Sousa e Adolfo Mesquita Nunes, não há sociedades modernas decentes sem um Estado saudável, forte mas auto-controlado. Recentemente, tenho deparado pessoalmente com dois Estados no nosso Estado.

Um é o Estado positivo. Encontra-se sobretudo quando há pessoas envolvidas. Encontrei-o recentemente no 112 e nos BV de Linda-a-Pastora aquando do falecimento do meu pai. (Obrigado). Dou com ele todos os dias na minha escola, cheia de trabalhadores dedicados. Vejo-o nos contactos com os funcionários do Citizen Lab que funciona também na minha escola, a Nova SBE, profissionais de mão cheia e excelente trato humano. Há muitos destes casos.
Outro é o Estado disfuncional. Encontra-se quando a burocracia prevalece. No âmbito familiar corre um processo por ocupação de um imóvel; move-se à glacial velocidade da justiça. Tudo parece parado, nada se parece mexer. Quando, por causa das coisas da vida e da morte é necessário tratar de papéis, cada solução traz um novo problema. Era bom que as coisas fossem tão fáceis como a obtenção do visto de entrada no Reino Unido, exemplo de um ato administrativo bem desenhado.
E finalmente há o que funciona bem e passa a funcionar pior. O meu concelho, Oeiras, foi pioneiro na recolha de lixo diferenciado, para reciclagem. Era um exemplo. Agora é frequentemente como se vê na foto. Não podemos melhorar com consistência? Simplificar o que está mal e manter bem o que está bem? Para ter um Estado que nos torne a vida mais fácil?


