A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas está a acelerar, com 75% das organizações a planearem implementar agentes autónomos nos próximos dois anos. A conclusão é do estudo 'State of AI in the Enterprise 2026', que aponta para uma mudança estrutural na forma como as empresas operam e tomam decisões.
O relatório destaca que esta evolução exige uma transformação profunda, incluindo o redesenho de processos, modelos operacionais e sistemas de governance, para integrar eficazmente tecnologias autónomas.
Uso de IA cresce rapidamente nas empresas
O estudo levado a cabo pela Deloitte revela que 60% dos trabalhadores já utilizam ferramentas de IA autorizadas pelas suas organizações, um aumento de 50% face ao ano anterior.
Apesar desta aceleração, a maioria das empresas ainda se encontra numa fase intermédia, utilizando a IA sobretudo para aumentar a eficiência e automatizar tarefas, sem uma transformação estrutural completa.
Ainda assim, cerca de um terço das organizações considera que a IA já está a transformar significativamente o seu setor, enquanto a maioria espera impactos profundos nos próximos três anos.
Agentic AI ganha força, mas governance continua limitada
A chamada Agentic AI, sistemas autónomos capazes de tomar decisões, está a ganhar destaque, mas a maturidade das empresas nesta área ainda é reduzida.
Apenas 21% das organizações afirmam ter modelos de governance preparados para gerir estes sistemas, o que levanta desafios ao nível da regulação, controlo e utilização responsável.
Em Portugal, a adoção ainda é incipiente:
- 40% das empresas não utilizam agentes autónomos;
- 27% têm uma utilização mínima;
- 27% reportam uso moderado.
Mesmo assim, quase metade das organizações portuguesas espera que esta tecnologia tenha impacto significativo nos próximos três anos.
IA soberana torna-se prioridade estratégica
A IA soberana, relacionada com o controlo e origem das tecnologias, está a ganhar relevância no planeamento estratégico das empresas. Cerca de 83% das organizações consideram este tema importante, sendo que quase metade o classifica como crítico.
A nível global, 77% das empresas já têm em conta o país de origem dos fornecedores de tecnologia, enquanto em Portugal apenas 27% consideram esse fator irrelevante.
Falta de talento trava integração da IA
Um dos principais obstáculos à adoção da inteligência artificial continua a ser a escassez de competências. O estudo indica que a maioria das empresas está a investir em formação, mas sem redesenhar os modelos de trabalho. Atualmente:
- 84% das empresas não alteraram funções com base na IA;
- Menos de metade ajustou estratégias de talento.
Ainda assim, espera-se uma forte automação nos próximos anos. Cerca de 36% das empresas antecipam que 10% dos empregos sejam totalmente automatizados no prazo de um ano, número que poderá subir para 82% em três anos.
Empresas ainda lutam para passar de pilotos à implementação
Apesar do aumento da experimentação, a transição de projetos-piloto para implementação real continua a ser um desafio.
Apenas 25% das organizações conseguiram colocar mais de 40% dos projetos de IA em produção, embora exista expectativa de aceleração nos próximos meses. A definição de uma estratégia clara é apontada como essencial para evitar a chamada ‘fadiga de pilotos’ e maximizar o valor da tecnologia.
IA ainda pouco usada para transformar modelos de negócio
Embora a IA já esteja a melhorar a produtividade, poucas empresas estão a utilizá-la para transformação profunda.
Apenas 34% dos líderes afirmam usar a IA para redefinir modelos de negócio, enquanto uma parte significativa admite uma utilização superficial, sem impacto estrutural. O estudo conclui que o verdadeiro potencial da inteligência artificial está na sua capacidade de gerar vantagem competitiva e inovação, exigindo uma abordagem estratégica e integrada.
Segundo Hervé Silva, Partner de AI & Data da Deloitte, as empresas estão num ponto crítico. «Estamos perante um momento decisivo em que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a integrar o núcleo das operações. A próxima fase será a implementação em escala, com foco na governance e na criação de valor a longo prazo», afirma.


