Mais de 80% das vagas na área tecnológica em Portugal estão concentradas em apenas dois distritos: Lisboa e Porto. A conclusão resulta de uma análise a 8.730 ofertas de emprego tech publicadas nos últimos 12 meses na plataforma Teamlyzer, que confirma uma tendência estrutural de centralização do setor.
A região de Lisboa concentra 51,72% das vagas tecnológicas, representando, sozinha, mais de metade de todo o mercado nacional. O Porto surge em segundo lugar com 30,44%, mas com uma diferença significativa de mais de 20 pontos percentuais.
Juntas, estas duas regiões representam cerca de 82% das oportunidades de emprego no setor tecnológico em Portugal, evidenciando um forte desequilíbrio territorial.
Restantes distritos têm peso residual
Depois de Lisboa e Porto, o número de vagas reduz-se drasticamente:
- Braga: 6,53%
- Aveiro: 4,64%
- Coimbra: 4,41%
- Setúbal: 1,29%
Os restantes distritos apresentam valores residuais:
- Évora: 0,27%
- Faro: 0,26%
- Açores: 0,24%
- Madeira: 0,23%
Distritos como Guarda, Leiria, Vila Real, Castelo Branco, Santarém, Viseu, Viana do Castelo e Bragança representam, em conjunto, apenas 0,77% das vagas tech.
Interior e regiões autónomas praticamente fora do mapa tecnológico
Os dados mostram que:
- O Alentejo e Algarve somam apenas 0,60% das vagas;
- Açores e Madeira juntos representam 0,47%;
- Distritos como Portalegre e Beja têm presença praticamente inexistente no setor.
Este cenário reforça a ideia de que o desenvolvimento tecnológico continua altamente concentrado nos grandes centros urbanos.
Descentralização ainda longe de acontecer
Apesar do discurso crescente em torno da descentralização, hubs tecnológicos no interior e trabalho remoto, os dados indicam que a realidade permanece praticamente inalterada.
Na prática, as empresas continuam a contratar maioritariamente em Lisboa e no Porto, deixando o resto do território com uma presença residual no setor tecnológico.
Mercado tech continua dependente dos grandes centros
A análise evidencia um desafio estrutural para a economia portuguesa: a dificuldade em distribuir oportunidades tecnológicas de forma mais equilibrada pelo território.
Num contexto em que o setor tech é cada vez mais determinante para o crescimento económico, esta concentração levanta questões sobre:
- Coesão territorial;
- Atração de talento;
- Desenvolvimento regional.



