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Denise Calado

Rui Fiolhais nomeado Administrador Executivo e Board Member da Wellow Group

6 Abril, 2022 by Denise Calado

Numa fase de reorganização e transformação do grupo empresarial, Rui Fiolhais vem reforçar a administração do grupo, assumindo os pelouros Marca & Marketing, Pessoas & Cultura e a Header, empresa dedicada à prestação de serviços para executivos de topo em Portugal. Com 7 marcas comerciais, e diversas empresas e serviços, a Wellow atua em quatro áreas de atividade: Recursos Humanos, Outsourcing, Energia & Telecomunicações e Mediação (Imobiliária e Seguros).

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e Mestre em Políticas e Gestão de Recursos Humanos pelo ISCTE, Rui Fiolhais tem desenvolvido a sua carreira nos setores público e privado. No domínio público exerceu, entre 2016 e 2022, funções dirigentes como Presidente do Conselho Diretivo do Instituto da Segurança Social.

O profissional afirma que a sua entrada é motivada “por uma forte identificação com os valores, a cultura e a missão transformadora da empresa na sociedade. Valorizando como valoriza as pessoas a Wellow é a plataforma perfeita para agir pelo exemplo na humanização do mundo do trabalho. Com a minha experiência e determinação espero contribuir para que esteja no topo dos grandes grupos empresariais portugueses».

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Perennials e Millennials: as causas das novas gerações

6 Abril, 2022 by Denise Calado

Os últimos anos geraram uma mudança disruptiva de atitude das gerações em relação à forma como abraçam as causas no mundo. A paixão e o vigor, outrora colocados nos laços familiares, na construção de amizades, na luta pela democracia, nas relações com instituições mais conservadoras (como a igreja), desapareceu. Tornaram-se “fast food” e emergiram novos motivos para que as gerações mais jovens abracem as causas do mundo.

Tudo isto a propósito da guerra na Ucrânia e da injustiça da invasão russa. Há dias, alguns alunos do colégio do Vale, nomeadamente a minha filha, decidiram manifestar-se e contestar a invasão russa, apelando à paz. Crianças cujo interesse deveria ser estudar, dançar, sonhar e ser feliz, têm de se preocupar com a geopolítica mundial e o bem estar alheio.

A Sara Pires, a Íris, a Joana, a Lara, a Rita, o Rodrigo, o Lourenço e o Salvador, decidiram, utilizando os recursos à sua disposição, contestar e abraçar uma causa – a da paz. Lutam pelos direitos humanos de pessoas que não conhecem, mas com as quais se preocupam. E talvez este seja um dos parcos pontos positivos desta guerra, a de mobilizar os “Perennials” e “Millennials” para causas e valores que não têm a ver consigo próprios ou com o seu futuro. Permitem construir ideais e talvez construir melhores cidadãos e melhores pessoas. Como aconteceu connosco mas por motivos diferentes.

A bravura ucraniana, a união do mundo civilizado e a mobilização de todos talvez tenha sido a maior derrota de Putin ao invadir a Ucrânia. Um espião do KGB devia estar melhor informado e antecipar o pior cenário, que lhe está a acontecer. Bem sabemos que é um pária internacional, mas que conseguiu reconstruir o que o fim da guerra fria destruiu, a união por uma causa. União da NATO e da EU, o grande desconforto da China e Índia que apenas querem continuar a exportar e comprar energia barata; mas também a verdadeira face dos Emirados Árabes Unidos que recebem de braços abertos os oligarcas Russos perseguidos em todo o mundo.

Esta nova construção sociológica do mundo já tinha acontecido com o Covid, e agora repete-se novamente. As grandes causas surgem por norma, de grandes injustiças, como vemos neste caso em particular. Esperemos que o mundo fique melhor com o desenvolvimento social de duas gerações, cujos valores se estão a construir, onde prevalece o valor de justiça, igualdade, fraternidade, mas também a paz e o respeito pelos direitos humanos. Por isso, a ação destes meninos me impressionou tanto, pois em pequenos cartazes e com poucas palavras, apresentaram tudo o que o mundo deve ser e os líderes em que se irão tornar!

 

 

Arquivado em:Opinião

Temo que a Terceira Guerra Mundial já tenha começado

6 Abril, 2022 by Denise Calado

Marci Shore é Professora na Universidade de Yale. A sua investigação está concentrada na história intelectual da Europa Central e Oriental dos séculos XX e XXI. É também autora de várias obras, entre elas Caviar and Ashes: A Warsaw Generation’s Life and Death in Marxism, 1918-1968, The Taste of Ashes: The Afterlife of Totalitarianism in Eastern Europe e The Ukrainian Night: uma história íntima da revolução. A Líder falou com Marci para perceber os fundamentos históricos desta invasão.

Por: Catarina G. Barosa Foto: Rostyslav Kostenko

 

A história está a repetir-se ou esta é uma nova história na Ucrânia?

Ambas. Nada é exatamente igual a algo anterior, mas certamente há elementos que são semelhantes e as analogias históricas são um importante recurso hermenêutico para nos ajudar a interpretar o nosso Mundo atual. Em várias perspetivas isto parece setembro de 1939 – mas com a Internet, quando podemos assistir a tudo em todos os lugares e em tempo real. Por outro lado, estamos a ver uma Ucrânia do século XXI que se uniu de uma maneira sem precedentes como uma sociedade cívica autoconsciente, e unida não em torno do idioma ou etnia, mas em torno de valores.

 

Este conflito era previsível?

Sim e não. Acho que muitos de nós sabíamos que era muito possível, mas isso não significa que era certo que aconteceria. Muito dependia – e tragicamente ainda depende – do que estava e está a acontecer dentro da mente de um homem. Esse homem é um psicopata para quem a vida dos outros não tem sentido, nesse caso tudo é possível.

 

Há um ressentimento na história que muitas vezes conduz o curso dos acontecimentos, que ressentimentos podemos identificar nesse conflito?

Quando penso em ressentiment – e estou a usar o francês apenas porque estou a pensar em ressentimento especificamente no sentido da palavra de Nietzsche – penso em primeiro lugar em Vladimir Putin pessoalmente, que claramente sofre desse sentimento e o projeta para a Ucrânia. No seu caso, parece estar ligado a uma crise de masculinidade e um sentimento constante e patológico de não receber reconhecimento suficiente. Isso pode ser entendido em termos de ressentimentos históricos entre ucranianos e russos? Não, não acho que seja um paradigma útil. Em primeiro lugar, muitos ucranianos são etnicamente russos e falantes de russo, mas isso não os impede de se identificarem como ucranianos e não quererem ser invadidos pelo exército de Putin. Isto pode ser entendido em termos do ressentimento pessoal de Vladimir Putin contra a Ucrânia, contra as mulheres, contra as pessoas que pensam por si mesmas, contra os Estados Unidos, contra a União Europeia, etc. – sim.

 

As pessoas olham para o que está a acontecer na Ucrânia e temem uma Terceira Guerra Mundial. Esta é uma possibilidade real?

Sim. Temo que a Terceira Guerra Mundial já tenha começado, e ainda não absorvemos esse entendimento. Os ucranianos estão a lutar por todos nós.

 

Qual é o preço que os ucranianos têm de pagar pela sua liberdade?

Não deveriam ter de pagar nenhum preço como este. O que está a acontecer é doentio e grotesco. Mas eles vão lutar. Não se trata de idioma ou etnia: eles vão lutar porque não querem viver sob o neototalitarismo da Rússia. A Ucrânia é um país e uma sociedade que cresceu, desenvolveu-se e destacou-se nas últimas três décadas. Os ucranianos – independentemente de ucraniano ou russo ser a sua língua dominante e independentemente de qual seja a sua origem étnica – não querem, de forma esmagadora, ser invadidos e governados por Putin.

 

E o Chefe de Estado ucraniano tem a História do seu lado ou cairá irremediavelmente nas mãos da Rússia?

Não existe o caminho inexorável da História. A História não é predeterminada.

 

Quais são os objetivos de Putin?

Não tenho acesso epistemológico privilegiado ao que se passa na cabeça de Putin. A minha intuição, ao ouvir os seus discursos, é que ele está doente, iludido, desequilibrado, desconectado da realidade. Não acredito que seja um ator racional com objetivos puramente racionais. E realmente não acredito que ele vá parar nas fronteiras da Ucrânia. Tudo é possível. Ele não tem nenhuma restrição moral. Ele tem apenas um desejo insaciável de reconhecimento.

 

A Rússia de hoje é cada vez mais parecida com o que era a União Soviética. No entanto, dois terços da população aprova a invasão na Ucrânia. Porquê?

Esta é realmente a pergunta crucial que é tão difícil de responder. Isso é o que eu e muitos dos meus amigos e colegas temos tentado desesperadamente descobrir. Em certo sentido, o que gora exige compreensão não é sobre a Ucrânia. Afinal, não é necessária uma explicação para entender por que razão os ucranianos não gostariam de ser invadidos, devastados e massacrados por Putin. Quem iria querer isso? O que requer uma explicação é como e porquê os russos permitiram que isto acontecesse. Julia Ioffe acaba de publicar um excelente artigo chamado Inside Russia’s Media Blackhole; é uma entrevista com um sociólogo russo. Sim, a maioria dos russos aparentemente aprova as ações da Rússia, mas também parecem a entendê-las de forma errada, como uma “operação especial” estratégica projetada apenas para resgatar os seus irmãos e irmãs ucranianos de língua russa que estão a ser oprimidos por uma ditadura nazi. Na Rússia, o uso da palavra “guerra” para descrever a situação atual é punível com 15 anos de prisão. O que não sabemos é quantos russos aprovariam se entendessem o que realmente está a acontecer. E não entendemos completamente o porquê de tantos, na era da Internet, permitirem-se ser manipulados por este homem.

Esta entrevista foi publicada na edição de primavera da revista Líder
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Arquivado em:Entrevistas

Empreender sem desculpas

5 Abril, 2022 by Denise Calado

Um convite a estes dois lados do empreendedorismo.

É um relato na primeira pessoa de uma empreendedora que viveu na pele este mar de rosas com espinhos que é o empreendedorismo. É o convite para decidires se és um Empreendedor com cem desculpas para desistir ou sem desculpas para avançar.

Autor: Ana Cristina Rosa

Arquivado em:Livros e Revistas

Produção de plástico reciclado é de apenas 6% a nível global

5 Abril, 2022 by Denise Calado

Ao longo das próximas semanas, e com base no relatório “Global Plastics Outlook: Economic Drivers, Environmental Impacts and Policy” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, iremos desvendar os fatores que dão origem aos volumes excessivos do uso e desperdício de plástico, perceber os impactos que tem no ambiente, e apresentar tendências e inovações que estimam um mundo mais sustentável.

A reciclagem é uma peça crucial na redução da pegada ambiental. Optar por disponibilizar os chamados plásticos secundários, também conhecidos por plásticos reciclados, é uma tendência que tem vindo a ser adotada para ajudar a reduzir a procura por plásticos virgens. O relatório avança que a produção de plásticos secundários quadruplicou em peso nos últimos 20 anos e está a crescer mais rapidamente do que a produção primária. Contudo, continua a ser um mercado pequeno, sendo que, em 2019, a produção de plásticos secundários representou meramente 6% da produção total deste material.

A razão deve-se, maioritariamente, pela maioria dos setores ainda depender dos plásticos primários, tanto por razões económicas, tanto por razões de qualidade. A falta de procura tende a afetar a viabilidade da reciclagem, dado que os preços não refletem os custos da produção, que envolve os processos de recolha, triagem e transformação.  Comparativamente a empresas de produção de plásticos primários, as empresas de reciclagem acabam por produzir menos, vender menos, terem menos capital e, consequentemente, são menos resistentes.

Alguns governos têm aplicado políticas que visam promover a reciclagem e a adoção de plásticos reciclados, introduzindo impostos sobre resíduos de plástico não reciclados. Em janeiro do ano passado, as alterações à Convenção de Basileia e à decisão da OCDE sobre movimentos transfronteiriços de resíduos estabeleceram novos requisitos que preveem o aumento da reciclagem e uma diminuição do volume do comércio de resíduos de plástico.

Tendencialmente, as pessoas estão cada vez mais sensibilizadas para as temáticas das fugas de plástico e da reciclagem, também elas prontas a incentivar os seus governos e empresas a adotar políticas mais sustentáveis e a reforçar a adesão a materiais reciclados. A inovação tecnológica tem também vindo a reduzir custos e a melhorar a qualidade dos plásticos secundários, expandindo a capacidade de reciclagem para mais polímeros e outros resíduos.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Too good to go

5 Abril, 2022 by Denise Calado

“Apostar num consumo responsável e repensar hábitos, são passos cruciais numa sociedade que precisa (e exige), cada vez mais, um modelo sustentável. O conceito win-win-win, alimentação- -pessoas-planeta tornou-se a epítome de uma empresa que dá mais do que consome, que pode crescer sem danos colaterais e permite que todos tenham um contributo positivo e que se divirtam no processo! Ao salvar refeições através da Too Good To Go, está a contribuir para a mudança. Um Planeta sem desperdício de alimentos é um lugar melhor para todos. E juntos, podemos fazer isso acontecer.”

Madalena Rugeroni, Country Manager Too Good to Go

Num mundo em que mais de um terço da comida produzida é desperdiçada, este é um cenário que tem de mudar e precisa de várias soluções complementares. A ideia de usar tecnologia para conectar pessoas e capacitá-las a reduzir o desperdício de alimentos começou na Dinamarca e foi adotada por toda a Europa, onde cerca de 47 milhões de toneladas de comida são desperdiçadas todos os anos nos agregados familiares. Presente em 17 países e com mais de um milhão de utilizadores em Portugal, a “Too Good To Go” é uma App que já representa o maior mercado online B2C de excedente alimentar no Mundo. A ideia é aproximar as empresas que têm excedente alimentar, dando uma segunda oportunidade a produtos de qualidade, que de outra forma seriam desperdiçados. Os utilizadores usufruem de refeições a preços mais acessíveis, as empresas chegam a novos clientes, otimizam operações e há menos desperdício. A natureza do modelo não é ser um canal de vendas, mas sim reduzir o desperdício, sensibilizando para um problema com consequências globais e locais.

O objetivo é chegar a cerca de 50 milhões de utilizadores e de 75 mil negócios, entre restaurantes, pastelarias, supermercados e hotéis. Ao “salvar” alimentos e refeições que não foram vendidos no final do turno, ou do dia, muitas vezes dos restaurantes e estabelecimentos favoritos, dá- -se ao utilizador a oportunidade de fazer uma escolha de compra consciente e sustentável.

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder
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