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Leonor Wicke

Cansado de fazer sem sentir? Encontrar o ‘ikigai’ é a resposta

6 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Esta não é uma história de ficção, mas sim a realidade de quem deu origem ao conceito de ikigai. Não existe uma tradução literal para o termo, profundamente enraizado na cultura de Okinawa, um arquipélago no sul do Japão que reúne um número de centenários acima da média. Essencialmente, este conceito representa o ponto de equilíbrio entre paixão, vocação, missão e profissão, como um propósito que dá sentido à vida e orienta as escolhas do dia a dia. 

Héctor Garcia, coautor do livro Ikigai: O Segredo Japonês para uma Vida Longa e Feliz, entrevistou mais de 100 idosos residentes na aldeia de Ogimi, em Okinawa, famosa por ser uma ‘aldeia da longevidade’. Algo que estes habitantes saudáveis e ativos têm em comum é cada um cultivar este sentido de propósito que guia as suas vidas. 

«Quando lhes perguntámos qual era o seu ikigai, deram-nos respostas claras, como os seus amigos, jardinagem e a arte. Todos sabem qual é a fonte do seu entusiasmo pela vida e dedicam-se a isso todos os dias» afirma Garcia, cuja obra contribuiu para fazer o termo chegar a todo o mundo. Num artigo publicado na página oficial do Governo do Japão, o autor explica ainda que outra característica distintiva desta comunidade é os seus idosos terem fortes laços sociais com os seus pares e reunirem-se frequentemente para desfrutar de karaoke ou festas de aniversário. 

Continuar a trabalhar ou dedicar-se, com entusiasmo, a passatempos é outra característica comum a muitos idosos japoneses fora de Okinawa. Um inquérito nacional realizado em 2018 revelou que 47,5% das pessoas, com 70 anos ou mais, se mantêm ativas seja trabalhando, dedicando-se a passatempos ou participando em atividades comunitárias. Outro estudo concluiu que pessoas acima dos 65 anos, cujo trabalho é feito apenas por razões financeiras, têm um risco 1,55 vezes maior de declínio na capacidade funcional, em comparação com aqueles que trabalham em busca do seu ikigai.  

Não é preciso esperar pela ‘terceira idade’ para procurar esse sentido. O ikigai não surge apenas no fim da vida, constrói-se no quotidiano, nas escolhas pequenas e nos gestos repetidos. É uma prática contínua de alinhamento entre o que fazemos, o que nos apaixona e o que nos move. 

Mais do que romantizar este ideal nipónico ou reduzi-lo ao cliché de «se fizermos o que gostamos, não trabalharemos um único dia na vida», importa não esquecer que o ikigai não é uma fórmula mágica para a felicidade, mas uma orientação possível no caos que a vida impõe. É uma lembrança constante do que nos move e um esforço consciente para o trazer à tona no quotidiano. Mesmo quando há folhas de Excel para entregar. 

 

Quem manda aqui

Por: Mode

 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Notícias

Apenas 1 em cada 10 seguradoras consegue usar IA com sucesso

6 Maio, 2026 by Leonor Wicke

A adoção da inteligência artificial no setor segurador está a acentuar desigualdades: apenas 10% das seguradoras de danos e acidentes (P&C) conseguem escalar estas tecnologias com sucesso, enquanto a maioria permanece em fases iniciais, sem impacto significativo no negócio. A conclusão é do World Property & Casualty Insurance Report 2026, divulgado pela Capgemini.

 

Poucas seguradoras registam um aumento nas receitas

Apesar do crescente investimento em tecnologia, o setor enfrenta dificuldades estruturais na integração da inteligência artificial. Segundo o estudo, 42% das seguradoras não monitorizam métricas associadas à IA, o que compromete a avaliação de resultados e a tomada de decisão. Como consequência, 60% das empresas continuam em fases de exploração ou prova de conceito, sem conseguir transformar inovação em valor.

A análise identifica um grupo reduzido de organizações — os chamados ‘pioneiros em inteligência’ — que têm conseguido inverter esta tendência. Estas seguradoras tratam a IA como um ativo estratégico, alinhando tecnologia, talento e modelo organizacional. O impacto é visível: registam até 21% de crescimento adicional nas receitas e uma valorização média de 51% em bolsa ao longo de três anos.

Em contraste, a maioria das empresas mantém uma abordagem desequilibrada ao investimento. Em média, 72% dos recursos destinados à IA são canalizados para tecnologia e infraestruturas, enquanto apenas 28% são aplicados em gestão da mudança e capacitação das equipas, um fator crítico para a adoção efetiva.

Retorno incerto e falta de liderança travam evolução

O estudo evidencia também a dificuldade em demonstrar o retorno do investimento. Mais de metade das seguradoras (55%) admite não ter um ROI claro nas iniciativas de inteligência artificial. A mesma percentagem reconhece falta de definição sobre quem lidera estes projetos, o que limita a sua escala e impacto.

A escassez de competências é outro obstáculo relevante: 67% das empresas apontam falta de talento especializado em IA, enquanto quase metade dos colaboradores com acesso a estas ferramentas afirma que o seu trabalho pouco mudou após mais de um ano de utilização.

Colaboração e dados continuam a ser desafios críticos

Num setor onde 49% do tempo de trabalho é dedicado à colaboração, a maioria das soluções de IA continua centrada em tarefas individuais, criando um desfasamento entre tecnologia e realidade organizacional.

A maturidade dos dados permanece igualmente limitada: apenas 12% das seguradoras reportam níveis elevados, apesar da crescente dependência de informação para suportar decisões automatizadas. Ao mesmo tempo, persistem preocupações entre os trabalhadores, com 43% a apontarem riscos para o emprego e apenas 14% a afirmarem compreender claramente o papel da IA nas suas funções.

Uma oportunidade estratégica ainda por concretizar

O relatório conclui que o setor segurador enfrenta um momento decisivo. A inteligência artificial tem potencial para transformar profundamente o modelo de negócio, mas a sua eficácia depende de fatores que vão além da tecnologia: governação, estratégia, competências e cultura organizacional.

Kartik Ramakrishnan, CEO  da Financial Services Strategic Business Unit da Capgemini e Executive Board Member do Grupo, explica: «Embora muitas seguradoras continuem a enfrentar desafios técnicos e culturais bem conhecidos, a oportunidade é evidente. Reforçando as bases de dados, clarificando responsabilidades e investindo em competências e governação, será possível ultrapassar a fase dos projetos-piloto e desbloquear valor ao longo de toda a estrutura das empresas e dos seus negócios. Por isso, o foco deve agora estar na construção de uma disciplina organizacional que permita sustentar o impacto da IA em todas as atividades.»

Num cenário de rápida evolução, a diferença entre liderar e ficar para trás poderá depender da capacidade de integrar a IA de forma transversal, não como ferramenta isolada, mas como motor de transformação.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Entre a inovação do cibercrime e a responsabilidade da liderança

6 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Esta breve lista consiste apenas em algumas das mais recentes fraudes – uma lista que cresce, quer em números quer em vítimas, quer em sofisticação e sucesso destes ataques.

O que estes casos têm em comum não é apenas o prejuízo financeiro, mas acima de tudo, o sinal claro de que estamos perante um ecossistema criminoso altamente inovador, que aprende mais depressa do que muitas organizações legítimas conseguem reagir.

Durante demasiado tempo olhámos para a cibersegurança e para a prevenção da fraude como um problema técnico, contudo, o que estamos hoje a assistir é a uma corrida à inovação e, neste momento, em muitos contextos, os atacantes estão à frente. As burlas já não são mensagens mal escritas, com erros ortográficos ou emails caricatos. São comunicações bem desenhadas, com linguagem institucional, imagem corporativa alinhada, temporizações estudadas e gatilhos emocionais claros: urgência, medo, oportunidade, confiança numa marca (re)conhecida.

Quando alguém recebe uma SMS aparentemente enviada pelo SNS, pela TAP ou pelo seu banco, o ataque não é tecnológico, é psicológico. Explora confiança, autoridade e hábitos digitais, o que demonstra que os criminosos compreenderam algo essencial: as pessoas são o alvo direto. É redutor pensar que estamos apenas perante ‘novas formas de ataque’ – é muito mais que isso, já que, estamos perante modelos de negócio criminosos que evoluem como startups: testam, iteram, escalam e monetizam de forma acelerada.

Se os ataques são inovadores, a resposta também terá de o ser e, para isso, é preciso liderança. Liderança para reconhecer que a fraude e o cibercrime já são riscos estratégicos, ao nível de reputação, continuidade do negócio e confiança do cliente. Liderança para aceitar que investir em prevenção não é um custo, é sim, um fator de alta competitividade e resiliência. As organizações que continuam a reagir apenas após o incidente, com comunicados defensivos e medidas avulsas, estão a jogar um jogo antigo num terreno novo. A boa notícia é que a inovação não é exclusiva do crime, no entanto, exige mudança de mentalidade dentro das organizações.

Proteger hoje implica combinar tecnologia com cultura, dados com pessoas, inteligência artificial com literacia digital. Implica desenhar sistemas que antecipam comportamentos, não apenas que respondem a alertas. Implica ter monitorização 24/7, e não uma auditoria ocasional. Implica formar colaboradores e consumidores como a sua primeira linha de defesa, não apenas como o elo mais fraco.

Mais do que perguntar «que ferramenta precisamos?», a pergunta deve ser «estamos a pensar a segurança de forma integrada, adaptativa e contínua?» Quando uma burla usa o nome de uma instituição pública ou de uma grande marca, o impacto vai muito além dos lesados diretos, vai acima de tudo, minar a confiança coletiva e colocar em causa a reputação e a fiabilidade da marca. E a confiança, uma vez perdida, é difícil de recuperar.

As notícias diárias sobre burlas não são apenas alertas isolados, devendo antes ser encarados como sinais de transformação profunda. O crime está a inovar e a pergunta é se a liderança, pública e privada, está a acompanhar essa velocidade. E sim, inovar é um ato de liderança. É escolher não reagir apenas quando o problema explode, e sobretudo, é criar mecanismos antes que ele exista.

A verdadeira liderança não se mede pela capacidade de controlar o risco, mede-se antes pela visão de o antecipar, transformar e aprender com ele. Num mundo em permanente mutação, temos de assumir claramente que, a mudança não é uma ameaça, é parte do processo e que a inovação nasce quando juntamos tecnologia, inteligência humana e um propósito claro. Quem lidera com visão não só está mais bem preparado como também constrói confiança, resiliência e futuro.

Arquivado em:Opinião

Novo laboratório português de inteligência artificial conquista financiamento de 27,2 milhões

5 Maio, 2026 by Leonor Wicke

A equipa core responsável pela candidatura integra Arlindo Oliveira, Inês Lynce e Rodrigo Rodrigues, professores do Técnico e investigadores do INESC-ID. Integrou ainda Sílvia Castro e Sandra Aresta, diretoras das unidades de inovação e transferência de tecnologia do INESC-ID.

Liderado pelo INESC-ID, o projeto será desenvolvido em colaboração com o Max Planck Institute for Software Systems e o German Research Center for Artificial Intelligence, envolvendo os investigadores do Técnico em atividades de investigação e inovação em áreas como a explicabilidade, o raciocínio e agência em sistemas de IA, a sustentabilidade ambiental e económica e a segurança na utilização destas tecnologias.

No âmbito da formação avançada, o projeto prevê igualmente a criação de um programa doutoral conjunto em Inteligência Artificial, atribuído pelo Técnico e pela Rheinland-Pfälzische Technische Universität, bem como o desenvolvimento de iniciativas de ligação à indústria, incluindo projetos colaborativos, ‘Living Labs’ e outros mecanismos facilitadores do processo de transferência de tecnologia para o tecido empresarial e para o sector estatal.

O centro integrará ainda uma unidade dedicada à análise das questões éticas e regulatórias relacionadas com o uso da IA e diversas iniciativas que conduzirão ao desenvolvimento de infraestruturas físicas e computacionais para teste, validação e implementação de sistemas.

O projeto conta com um financiamento total de 27,2 milhões de euros, atribuído no âmbito do programa Horizon Europe, através da iniciativa ‘Teaming for Excellence’. Este montante inclui uma subvenção de 13 milhões de euros da União Europeia, complementada por 14,2 milhões de euros de financiamento nacional, dos quais 13 milhões são financiamento público.

Na mesma edição do concurso, Portugal assegurou financiamento europeu para seis centros de investigação, num total de 81 milhões de euros. As candidaturas nacionais representam cerca de 30% do financiamento indicativo disponível, num concurso que recebeu 64 propostas.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Lisboa recebe Kirstin Ferguson, especialista mundial em liderança, para seminário exclusivo

5 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Portugal será palco de um dos mais relevantes eventos internacionais na área da liderança. No próximo dia 26 de novembro, o Centro Cultural de Belém recebe o seminário exclusivo ‘Head & Heart: The Art of Leadership’, conduzido pela reconhecida especialista em liderança Kirstin Ferguson.

Distinguida como uma das Thinkers50 Top 50, Kirstin Ferguson é autora dos bestsellers Head & Heart e Blindspotting, oradora TEDx e colunista no Sydney Morning Herald. Com uma abordagem inovadora e prática, tem vindo a transformar a forma como líderes e organizações tomam decisões, promovem equipas e enfrentam contextos de elevada complexidade, incluindo colaborações com organizações globais como a Microsoft.

 

Webinar gratuito de antecipação a 7 de maio

Como antevisão deste evento, será realizado um webinar gratuito no dia 7 de maio, às 10h, que permitirá aos participantes conhecer melhor a abordagem Head & Heart e explorar alguns dos principais desafios da liderança contemporânea, com inscrição gratuita.

 

Uma abordagem de liderança para os desafios atuais

Num contexto empresarial marcado por incerteza, transformação digital e crescente complexidade nas decisões, este seminário propõe uma mudança de paradigma, liderar com equilíbrio entre razão e emoção.

Ao longo de um dia intensivo, os participantes terão acesso ao modelo Head & Heart, uma framework baseada em oito pilares que combina pensamento estratégico com inteligência emocional, oferecendo ferramentas práticas aplicáveis de imediato no contexto profissional.

 

Principais temas em destaque

Entre os principais temas destacam-se a tomada de decisão sob pressão, através da integração de pensamento analítico com competências emocionais, a identificação e superação de pontos cegos, permitindo transformar limitações em vantagens competitivas, e a liderança de equipas de alto desempenho, promovendo culturas organizacionais colaborativas, sustentáveis e orientadas para resultados.

 

Um evento exclusivo em Portugal

Este será o único evento em Portugal com Kirstin Ferguson, reforçando o seu caráter exclusivo. Dirigido a líderes, gestores e executivos de diversos setores, o seminário pretende responder às exigências de uma nova geração de liderança, mais consciente, adaptável e orientada para impacto.

A sessão será conduzida em inglês, com tradução simultânea para português, e inclui materiais de apoio, coffee breaks e um exemplar do livro Head & Heart: The Art of Modern Leadership.

 

Inscrições e informações

As vagas são limitadas e estão disponíveis condições especiais para inscrições de grupo.

Mais informações em headandheartseminar.com

Contacto eventos@vantagem.com | 218 493 333

 

Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a Vantagem+.

Arquivado em:Líder Corner

Calendário fiscal de maio: IVA e IRC concentram principais obrigações

5 Maio, 2026 by Leonor Wicke

A forte incidência de obrigações relacionadas com o IVA, tanto em regime mensal como trimestral, aliada aos prazos de fecho fiscal em IRC no final do mês, aumenta a pressão sobre a tesouraria das organizações e a necessidade de planeamento atempado.

A Pluxee Portugal destacal alguns dos prazos a marcar na agenda.

IVA domina calendário fiscal de maio

Grande parte das obrigações fiscais de maio está ligada ao IVA, com destaque para a entrega de declarações periódicas e recapitulativas, bem como os respetivos pagamentos.

A proximidade entre os prazos de submissão e liquidação torna este período particularmente sensível para as empresas, que devem garantir a conformidade fiscal sem comprometer o fluxo de caixa.

Principais obrigações fiscais e contributivas em maio de 2026

O calendário fiscal distribui-se ao longo do mês com várias datas críticas:

Até 5 de maio

  • Submissão do ficheiro SAF-T de faturação (IRS, IRC e IVA)

Até 11 de maio

  • Entrega da Declaração Mensal de Remunerações (IRS, IRC e Segurança Social)

Até 15 de maio

  • Submissão da declaração Intrastat
  • Comunicação da opção pelo regime de IVA nas importações
  • Entrega do Modelo 11 (IRS, IMT e Imposto do Selo)

Até 20 de maio

  • Declaração Periódica de IVA (regime mensal e trimestral)
  • Declaração Recapitulativa de IVA
  • Declaração de retenções na fonte (IRS e IRC)
  • Declaração mensal do Imposto do Selo
  • Entrega da declaração à Segurança Social (novo modelo)

Até 22 de maio

  • Submissão da declaração COPE ao Banco de Portugal

Até 25 de maio

  • Pagamento do IVA (regime mensal e trimestral)
  • Pagamento das contribuições à Segurança Social

Até 31 de maio

  • Entrega das declarações de IRC (Modelo 22 e Modelo 54)

Pressão sobre tesouraria e gestão fiscal

A concentração de obrigações fiscais num curto período pode ter impacto direto na gestão financeira das empresas, sobretudo em contextos de menor liquidez.

Além do cumprimento dos prazos, o desafio passa por garantir coordenação entre áreas financeiras e fiscais, evitando penalizações e assegurando previsibilidade no fluxo de caixa.

Empresas devem acompanhar eventuais alterações

Embora o calendário fiscal esteja definido, podem ocorrer ajustamentos pontuais por parte da Autoridade Tributária. Por isso, especialistas recomendam a consulta regular dos canais oficiais, nomeadamente o Portal das Finanças.

Num contexto de crescente complexidade fiscal, antecipação e organização continuam a ser fatores críticos para garantir o cumprimento das obrigações e evitar riscos para as empresas.

Arquivado em:Nacional, Notícias

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