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Leonor Wicke

Pessoas que detestam os seus países

13 Abril, 2026 by Leonor Wicke

Os defensores da extrema-direita querem os seus países “de volta” – uma grande América, uma Rússia virtuosa, uma China superpotente, uma Europa branca e cristã. Detestam aquilo em que estes países se tornaram ou querem a todo o custo evitar que eles se tornem decadentes como o ocidente. Os progressistas da extrema-esquerda querem fazer implodir o terrível ocidente. Acreditam na expiação de culpas passadas, sustentam que vivem em não-democracias e que as ditaduras dos outros são tão democráticas como os seus países.

Em vez destes maus fígados, cultivemos um patriotismo racional e abstrato: queiramos melhorar as nossas instituições para as proteger dos extremistas. Trabalhemos para melhorar o que temos e não para proceder à sua implosão em nome de um passado nostálgico ou de uma correspondência moral entre democracias e ditaduras. Como escreveu Adrian Wooldridge num livro recente, centristas de todo o mundo, uni-vos!

Arquivado em:Opinião

Fim da era Orbán: vitória de Magyar na Hungria pode mudar relação com a União Europeia

13 Abril, 2026 by Leonor Wicke

A Hungria foi a votos ontem, numa das eleições legislativas mais observadas dos últimos anos na Europa Central, que culminaram com a vitória do líder da oposição, do partido de centro-direita e pró-europeu Tisza. «Juntos, libertámos a Hungria», anunciou Magyar, publicamente, assim que se conheceram os resultados preliminares. O partido assegurou a maioria conquistando dois terços do parlamento húngaro.

Orbán reconheceu a derrota e felicitou Magyar cerca de uma hora e meia após o fecho das urnas. O primeiro-ministro cessante classificou o resultado como «claro» e «doloroso» para o seu partido, o Fidesz. Após um mandato de 16 anos, consolidou um modelo político que descrevia como ‘democracia iliberal’, caracterizada por defender os valores tradicionais da família cristã contra a investida do liberalismo ocidental e do multiculturalismo.

O resultado surge num contexto de forte pressão política e institucional sobre Budapeste, após anos de tensões com Bruxelas em matérias como o Estado de direito, independência judicial e liberdade de imprensa, temas que marcaram também a campanha eleitoral.

De aliado a rival

Péter Magyar, 45 anos, personificou a expressão «mantém os amigos perto e os inimigos ainda mais perto». Antigo aliado de Orbán e figura próxima do núcleo do poder, rompeu com o governo no seguimento de um escândalo: a sua ex-mulher, Judit Varga, renunciou ao cargo de ministra da Justiça de Orbán. Fê-lo quando se soube que a presidente conservadora da Hungria, Katalin Novák, uma aliada fundamental do então primeiro-ministro, tinha perdoado um homem condenado num caso de abuso sexual.

Lançou o partido Tisza, apresentando-se como alternativa ao sistema político que perdurava no país. A sua ascensão foi impulsionada por denúncias de corrupção e críticas ao funcionamento das instituições, ganhando projeção nas eleições europeias de 2024, onde alcançou cerca de 30% dos votos e elegeu sete eurodeputados. A sua candidatura simboliza, para muitos analistas, uma tentativa de mobilizar o eleitorado urbano e mais jovem, tradicionalmente mais crítico do governo.

 

Um líder de olhos postos na Europa

Magyar comprometeu-se a reorientar a Hungria para uma postura pró-UE, pôr fim à sua dependência energética da Rússia, restaurar a independência dos meios de comunicação social públicos e do poder judicial e impulsionar a economia.

Garantiu ainda que irá restaurar o equilíbrio de poderes no país e aderir à Procuradoria Europeia, colocando esta medida no centro da estratégia de combate a alegadas fraudes e casos de corrupção associados ao período de governação de Orbán. O líder afirmou ainda que «quem prejudicou o país será chamado a responder», sublinhando a intenção de reforçar mecanismos de responsabilização.

No plano externo, comprometeu-se a reposicionar a Hungria como um aliado sólido da União Europeia e da NATO. Indicou também que a sua primeira deslocação oficial ao estrangeiro deverá ser a Varsóvia, seguindo-se visitas a Viena e Bruxelas, onde pretende iniciar negociações para desbloquear os fundos europeus destinados ao país.

Mas o líder da oposição está longe de ser considerado progressista. Como tal, é improvável que a política húngara em questões controversas, como a imigração, venha a mudar muito.

 

Disputa eleitoral marcada por polarização e desgaste político

Ao longo da última década e meia, Orbán tornou-se uma das figuras mais polarizadoras da política europeia, assumindo-se como um dos principais críticos de Bruxelas e acumulando confrontos com as instituições europeias em temas como o Estado de direito, a independência judicial, a liberdade de imprensa e, mais recentemente, o apoio à Ucrânia. A Comissão Europeia chegou mesmo a suspender milhares de milhões de euros em fundos destinados à Hungria, num braço de ferro que marcou também o contexto destas eleições.

As semanas que antecederam o sufrágio foram marcadas por várias acusações ao antigo governo, tais como tentativas de contornar restrições à publicidade política nas plataformas digitais, bem como suspeitas de partilha de informação sensível com a Rússia, num contexto já marcado pela proximidade política de Budapeste a Moscovo.

O posicionamento da Hungria face à guerra na Ucrânia voltou a estar no centro do debate. Orbán manteve uma linha divergente da maioria dos parceiros europeus, recusando apoiar plenamente sanções e bloqueando iniciativas comunitárias, enquanto procurava apresentar-se aos eleitores como garante de estabilidade, defendendo que a sua liderança manteria o país afastado de conflitos.

Estas eleições representavam o maior desafio ao seu domínio político, com sondagens a apontarem para uma derrota no voto popular, num cenário de crescente descontentamento económico e social. Orbán contava com o apoio de Donald Trump, da italiana Giorgia Meloni e de Alice Weidel, do partido Alternative für Deutschland. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, visitou Budapeste dias antes das eleições para fazer campanha a seu favor.

 

Economia e custo de vida pesaram na decisão dos eleitores

Para além das questões institucionais, a situação económica foi determinante no comportamento dos eleitores. A inflação elevada e a pressão sobre o custo de vida estiveram entre os principais fatores apontados durante a campanha.

Analistas citados pela imprensa internacional destacam que, apesar do crescimento económico registado nos últimos anos, muitos eleitores continuam a sentir uma perda de poder de compra, o que contribuiu para aumentar a incerteza em torno do resultado.

 

Imagem: Euronews/AP Photo

Arquivado em:Internacional, Notícias

21% dos portugueses escolhem banco pelo crédito à habitação, o dobro da média europeia

13 Abril, 2026 by Leonor Wicke

As conclusões são do estudo Top 7 Retail Banking Distribution Trends for 2026, da Oliver Wyman, que analisou cerca de 5.000 clientes de banca de retalho em nove países europeus.

O relatório identifica um comportamento paradoxal no mercado português: por um lado, uma forte adesão à digitalização e à inovação tecnológica; por outro, uma necessidade persistente de confiança e proximidade no relacionamento com os bancos.

Crédito à habitação é decisivo na escolha do banco

Ao contrário de outros países europeus, os portugueses destacam-se por um comportamento mais racional na escolha do banco principal.

Segundo o estudo:

  • 21% priorizam condições de crédito à habitação (vs. 8% na Europa);
  • 17% valorizam preços e comissões mais baixos.

Noutros países, fatores como recomendações pessoais ou qualidade do serviço têm maior peso. Este foco reflete o contexto económico nacional, marcado por preços elevados no imobiliário e rendimentos relativamente mais baixos.

Portugal lidera na confiança em IA para aconselhamento financeiro

Portugal destaca-se como o país europeu onde os consumidores mais confiam na utilização de IA para aconselhamento financeiro. Cerca de 52% dos inquiridos portugueses afirmam sentir-se confortáveis com esta possibilidade, acima da média europeia de 40%.

A abertura estende-se também à automação de operações financeiras: 48% dos portugueses admitem confiar na IA para executar decisões financeiras, comparando com 38% na Europa. Este posicionamento coloca Portugal na linha da frente da transformação digital no setor bancário europeu.

Digital cresce, mas agências continuam essenciais

Apesar da forte digitalização, os portugueses não abdicam da presença física dos bancos:

  • 84% preferem aplicações ou websites para gerir o dia a dia financeiro;
  • 67% já não recorrem às agências para operações correntes.

Ainda assim, 91% consideram importante que o banco tenha uma agência física, um valor superior à média europeia.

Quando surgem problemas ou decisões mais complexas, como crédito à habitação, o comportamento muda:

  • 64% preferem reuniões presenciais;
  • quase metade opta por resolver problemas numa agência.

Portugal entre os países mais abertos à banca digital

O estudo aponta também para uma crescente abertura dos portugueses aos bancos digitais e neobancos.

  • 47% já utilizam bancos digitais (em linha com a Europa);
  • 58% consideram usá-los como banco principal;
  • 56% confiariam a maioria das poupanças a instituições digitais.

Portugal surge como o segundo país europeu mais disposto a migrar para bancos 100% digitais, a par da Alemanha e apenas atrás da Suécia.

Aconselhamento remoto e novos modelos ganham espaço

A aceitação de novos formatos de interação é elevada:

  • 83% dos portugueses estão abertos a aconselhamento remoto (vídeo ou digital);
  • apenas 4% rejeitam este modelo.

Além disso, cresce o interesse por soluções como:

  • Buy Now, Pay Later (BNPL): aceitação de 53% (acima da média europeia);
  • Integração de serviços financeiros em plataformas digitais.

Ainda assim, mais de metade dos consumidores prefere que estas soluções sejam oferecidas pelo seu banco principal, reforçando a importância da confiança.

Ativos digitais e inovação vão marcar o futuro da banca

O estudo antecipa uma maior integração de ativos digitais, carteiras digitais e soluções tokenizadas nas plataformas bancárias.

Portugal, pela sua elevada abertura à inovação, surge como um mercado com potencial para adoção rápida desde que os serviços sejam oferecidos com garantias de segurança.

Um mercado entre a inovação e a confiança

Os dados revelam um equilíbrio claro no comportamento dos consumidores portugueses: uma elevada adesão à tecnologia, com forte necessidade de segurança e proximidade. Este posicionamento coloca desafios às instituições financeiras, que terão de combinar experiências digitais avançadas com modelos de relacionamento humano eficazes.

Segundo o estudo, os bancos que se destacarem em Portugal serão aqueles que conseguirem integrar:

  • Aconselhamento baseado em IA;
  • Canais digitais eficientes;
  • Presença física para decisões críticas.

«O futuro da banca de retalho em Portugal exige o domínio de um equilíbrio. O mercado combina uma forte utilização digital com uma preferência clara e duradoura pela segurança proporcionada pelo contacto humano em momentos-chave. As instituições que prosperarão em Portugal em 2026 serão aquelas que oferecerem aconselhamento avançado suportado por IA, integrações BNPL e aconselhamento remoto de elevada qualidade, mantendo simultaneamente uma rede de agências que esteja focada em gerir situações complexas e decisões financeiras de maior risco», afirma Joana Freixa, Principal da Oliver Wyman.

Arquivado em:Nacional, Notícias

A felicidade é uma construção social? Ninguém te ensinou a ser feliz, ensinaram-te a parecer?

13 Abril, 2026 by Leonor Wicke

Desde cedo, ninguém nos pergunta o que nos faz sentir vivos, perguntam-nos o que queremos ser, quanto queremos ganhar, onde queremos chegar. A felicidade surge como consequência automática de cumprir etapas: estudar, trabalhar, ter sucesso, construir uma relação estável, consumir experiências, mostrar resultados. Como se viver fosse uma checklist. Como se existir tivesse critérios de avaliação.

Mas há um detalhe inquietante: quase ninguém pára para questionar quem escreveu este guião. A felicidade “moderna” não é neutra. Tem estética, tem linguagem, tem timing. É jovem, produtiva, ativa, bonita, saudável, sociável, equilibrada e, acima de tudo, visível. Muito visível. Não basta sentir-se bem, é preciso parecer bem, documentar bem, provar bem. E é aqui que tudo começa a falhar. Porque aquilo a que chamamos felicidade está cada vez mais próximo de uma performance, ou seja um estado encenado, repetido, afinado. As pessoas aprendem a sorrir para a fotografia mesmo quando não sabem o que estão a sentir, aprendem a celebrar conquistas que não significam nada, aprendem a dizer ‘estou bem’ como reflexo automático, não como verdade.

Criámos uma cultura onde a infelicidade não é apenas desconfortável, é quase ilegítima. Estar perdido é visto como falta de foco. Estar cansado, como falta de disciplina. Estar triste, como falta de gratidão. Tudo tem uma solução rápida, uma fórmula simples, uma resposta pronta. A complexidade humana tornou-se inconveniente, a dúvida tornou-se fraqueza, o silêncio tornou-se suspeito. E, no entanto, há uma contradição gritante: nunca se falou tanto de felicidade e nunca houve tanta gente exausta. Exausta de tentar corresponder, exausta de parecer bem, exausta de perseguir uma sensação que nunca chega de forma estável.

Talvez porque a felicidade não foi feita para ser alcançada, mas para ser perseguida. Porque uma pessoa verdadeiramente satisfeita consome menos, compara menos, precisa de menos validação. E isso não alimenta a lógica social nem económica em que vivemos. Assim, em vez de aprendermos a estar bem, aprendemos a desejar constantemente estar melhor, mais felizes, mais realizados, mais completos, como se o presente fosse sempre insuficiente.

Mas e se o problema não for a incapacidade de ser feliz? E se o problema for a própria definição de felicidade que nos deram? Uma definição que exclui o caos, a dúvida, a tristeza, a monotonia, tudo aquilo que, ironicamente, torna a experiência humana real. Talvez a felicidade, tal como a imaginamos, seja demasiado limpa para ser verdadeira, demasiado constante para ser humana, demasiado perfeita para existir fora de uma construção. E talvez seja por isso que tantas pessoas sentem que estão sempre “quase lá”: quase felizes, quase realizadas, quase suficientes, mas nunca totalmente.

Questionar se a felicidade é uma construção social não é destruir a ideia de viver bem, é desmontar a versão padronizada que nos foi e é vendida. É perceber que muito do que desejamos não nasceu em nós, foi plantado. E isso muda tudo. Porque, a partir desse momento, surge uma possibilidade rara: a de parar. Parar de correr atrás de um modelo, parar de medir a vida com critérios externos, parar de confundir felicidade com validação. E começar, talvez pela primeira vez, a perguntar algo mais honesto e muito mais difícil: se ninguém estivesse a ver, se não houvesse comparação, se não existisse um “certo” para atingir, o que é que, realmente, faria a nossa vida valer a pena?

Arquivado em:Opinião

Amizade em Portugal: jovens encontram-se menos, mas qualidade pesa três vezes mais no bem-estar

10 Abril, 2026 by Leonor Wicke

De acordo com os dados, a amizade continua a ser um elemento central na felicidade dos portugueses, mas as dinâmicas estão a mudar. Nos últimos dez anos, verificou-se uma redução tanto no número de amigos como no número de amigos íntimos, com maior impacto nas gerações mais jovens.

Baseado numa amostra de mil inquiridos entre os 18 e os 64 anos em Portugal, a investigação revela um país onde os hábitos sociais estão diferentes.

Jovens têm mais amigos, mas convivem menos

Apesar de os jovens continuarem a apresentar redes sociais mais alargadas, são também o grupo que menos convive presencialmente com amigos quando comparado com 2015. A tendência aponta para uma diminuição do contacto direto, mesmo num contexto em que a maioria afirma não sentir que a pandemia teve impacto relevante nas suas relações sociais.

Ainda assim, o convívio regular mantém-se significativo: cerca de 63% dos jovens encontram-se com amigos pelo menos uma vez por semana, acima dos 51% registados entre os mais velhos. No entanto, em ambos os grupos, a frequência de encontros tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos.

Qualidade das amizades pesa mais do que quantidade

Um dos principais dados do estudo revela que a qualidade das amizades tem um impacto até três vezes superior no bem-estar dos portugueses face ao número de amigos.

As relações de amizade destacam-se, aliás, face a outros tipos de ligação: a qualidade destas relações tem o dobro do impacto no bem-estar quando comparada com as relações familiares.

Este dado reforça a importância de relações próximas, baseadas em confiança e apoio, em detrimento de redes sociais mais amplas mas menos profundas.

Confiança e presença continuam a definir uma amizade

Mais de metade dos portugueses define um bom amigo como «alguém que está sempre presente». Entre as características mais valorizadas surgem ainda a confiança, a honestidade, o apoio e a reciprocidade.

A confiança destaca-se como o valor central nas relações de amizade, seguida da intimidade e da capacidade de suporte emocional, evidenciando a relevância de ligações consistentes num contexto social cada vez mais digital.

Contacto presencial continua a ser essencial

Apesar da crescente digitalização das relações sociais, o estudo sublinha que o contacto presencial mantém um papel fundamental na construção de relações duradouras.

A diminuição da frequência de encontros, sobretudo entre os mais jovens, levanta desafios sobre o futuro das relações interpessoais, num contexto marcado por agendas mais exigentes e maior dependência de interações digitais.

Segundo o estudo, a redução do convívio não resulta de uma menor valorização da amizade, mas sim de constrangimentos associados ao tempo e ao estilo de vida.

Arquivado em:Nacional, Notícias

Quer chegar a um cargo de topo? Estas são as principais dicas de recrutamento

10 Abril, 2026 by Leonor Wicke

Na Europa e nos Estados Unidos, empresas de média e grande dimensão recorrem cada vez mais a empresas especializadas em executive search, bem como a entidades focadas na avaliação de liderança. O objetivo é reduzir o risco associado à escolha de líderes e assegurar decisões mais consistentes e comparáveis.

Estes especialistas analisam não apenas o percurso profissional, mas também competências comportamentais, capacidade de liderança, alinhamento cultural e potencial de evolução. Para isso, recorrem a instrumentos como testes psicométricos, simulações de cenários empresariais, avaliações de competências e feedback 360 graus.

Neste contexto, os candidatos são sujeitos a processos extensos, que incluem testes, entrevistas aprofundadas e avaliações estruturadas. A preparação torna-se, por isso, determinante. Especialistas apontam cinco áreas-chave a considerar.

Este artigo é uma adaptação do livro CEO Ready: O que precisa de saber para conquistar o cargo — e mantê-lo (Harvard Business Review Press, 2025), da autoria de Mark Thompson e Byron Loflin.

Adotar uma mentalidade de desenvolvimento

O processo de avaliação pode ser exigente, sobretudo quando conduzido por profissionais que não têm experiência direta na função em causa. Ainda assim, a recomendação é encará-lo como uma oportunidade de desenvolvimento.

A preparação para estas etapas permite aos candidatos estruturar a sua proposta de valor, refletir sobre o percurso profissional e obter feedback relevante. Mesmo quando o resultado não é positivo, o processo pode contribuir para uma melhor compreensão das próprias competências e áreas de melhoria.

A avaliação externa tende também a oferecer uma perspetiva sobre como o candidato é percecionado por terceiros, um fator cada vez mais relevante em processos de liderança.

Desenvolver uma visão estratégica para a função

Em processos de sucessão ou recrutamento para cargos executivos, é cada vez mais comum que os candidatos apresentem uma visão clara para a função.

Essa visão pode assumir a forma de um documento estruturado, no qual são detalhadas prioridades estratégicas, decisões operacionais e impacto esperado no desempenho da organização. O objetivo é permitir uma comparação direta entre candidatos, não apenas com base no passado, mas também nas propostas para o futuro.

A elaboração deste tipo de conteúdo exige conhecimento do setor, análise do contexto da empresa e capacidade de execução.

Antecipar os diferentes tipos de avaliação

Os processos de seleção para cargos de topo incluem frequentemente múltiplos instrumentos de avaliação. Entre os mais comuns estão:

  • Testes psicométricos, que analisam traços de personalidade, capacidades cognitivas e inteligência emocional;
  • Simulações e estudos de caso, que replicam cenários empresariais;
  • Avaliações de competências, centradas em áreas como decisão, estratégia e liderança;
  • Análises de alinhamento cultural;
  • Feedback 360 graus, com contributos de pares, equipas e superiores.

Estas ferramentas permitem às organizações obter uma visão mais abrangente e comparável dos candidatos. Para quem se candidata, implica preparação específica e reflexão prévia sobre experiências e comportamentos.

Aprofundar a preparação para entrevistas

As entrevistas conduzidas por recrutadores executivos são, em regra, extensas e detalhadas. Para além dos resultados profissionais, procuram explorar o percurso do candidato de forma abrangente, incluindo decisões, desafios, erros e aprendizagens.

O objetivo é compreender padrões de comportamento e a forma como o candidato atua em contextos exigentes. Neste tipo de entrevistas, a consistência e a clareza das respostas são determinantes.

A preparação passa por estruturar exemplos concretos, alinhados com as exigências da função, e por refletir sobre experiências passadas, incluindo momentos de dificuldade.

Garantir referências sólidas

As referências continuam a desempenhar um papel relevante nos processos de recrutamento executivo. O feedback de colegas, superiores e outros stakeholders contribui para validar a perceção sobre o candidato.

Além de confirmar resultados e competências, as referências permitem avaliar aspetos como estilo de liderança, capacidade de colaboração e impacto nas equipas.

A escolha de referências e a consistência entre o discurso do candidato e o feedback recolhido são fatores críticos nesta fase.

Processos mais rigorosos redefinem acesso à liderança

A crescente utilização de avaliadores externos e de metodologias estruturadas reflete uma mudança no recrutamento para cargos de topo. As decisões deixam de assentar exclusivamente na experiência ou na perceção direta, passando a integrar múltiplas fontes de informação.

Neste contexto, a preparação estratégica e a capacidade de demonstrar potencial de liderança tornam-se determinantes para quem pretende ascender a C-suite.

Arquivado em:Liderança, Notícias

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