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Marcelo Teixeira

Portugueses vivem cada vez mais online: jovens já passam mais de três horas por dia nas redes sociais

4 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Os portugueses estão cada vez mais conectados. A percentagem de pessoas que passa mais de uma hora por dia nas redes sociais subiu este ano para 57%, mais quatro pontos percentuais do que em 2024. O crescimento é particularmente acentuado entre os jovens adultos: um em cada quatro, entre os 18 e os 34 anos, já ultrapassa as três horas diárias nestas plataformas.

Os dados são do estudo Consumer Sentiment Survey 2025, da Boston Consulting Group (BCG), que traça o retrato de um consumidor cada vez mais digital, mais dependente do telemóvel e mais seletivo no que compra, mas também mais exigente com conveniência e poupança.

Redes sociais: mais tempo, mais intensidade

As redes sociais continuam a ocupar um espaço central no quotidiano digital dos portugueses. De acordo com números da Datareportal, o WhatsApp permanece líder, com uma taxa de penetração de 90% entre utilizadores de internet. No tempo total gasto por mês, porém, o destaque vai para o TikTok (29 horas) e para o YouTube (23 horas).

Na frequência de utilização, o WhatsApp volta a dominar, com 538 acessos mensais por utilizador, seguido do Instagram (391) e do TikTok (290). Sinal claro de que as redes deixaram de ser um momento e passaram a ser uma rotina.

«A vida digital dos portugueses não é apenas mais intensa, é também mais diversificada», afirma Clara Albuquerque, Managing Director e Partner da BCG Lisboa. «As redes sociais ganharam um peso sem precedentes, sobretudo entre os jovens. Mas a transformação vai além disso: o e-commerce e os serviços financeiros digitais consolidaram-se, enquanto subscrições e programas de fidelização já fazem parte do dia a dia. O consumidor está sempre ligado — mas também mais seletivo.»

 

Banca digital cresce, sobretudo no telemóvel

O uso de serviços financeiros digitais aumentou significativamente. O destaque vai para a carteira digital (mobile wallet), que cresceu 8 pontos percentuais e já chega a 37% dos utilizadores e a 46% dos jovens entre os 18 e os 34 anos.

Outros serviços continuam a expandir-se: 90% usam a app móvel do banco (+2 pp.); 83% utilizam o MB Way (+1 pp.); 77% acedem ao website do banco (-2 pp.)

Aplicações financeiras alternativas, como Revolut ou Wise, já estão presentes em 58% dos telemóveis, embora nem sempre com uso regular: apenas 14% as utilizam diariamente.

A tendência confirma o que o setor já sente há anos: o telemóvel tornou-se o centro das operações financeiras, e o dinheiro físico perde cada vez mais terreno.

Fidelização e subscrições: novas rotinas do consumo

A maioria dos portugueses (85%) já aderiu a pelo menos um programa de fidelização. Os mais populares continuam a ser: Supermercados (93%); Combustíveis (69%); Restaurantes (37%)

Num contexto económico ainda exigente, estes programas tornaram-se ferramentas essenciais para gerir o orçamento e acumular benefícios. As subscrições digitais também fazem parte do dia a dia: 66% dos inquiridos têm pelo menos um serviço ativo e um terço utiliza-o todos os dias.

Comércio eletrónico estabiliza, mas continua dominante

Comprar online já é regra para 95% dos consumidores portugueses (+1 pp.). E 30% admitem ter gasto mais em e-commerce este ano.

As razões continuam a ser consistentes: comparar preços, obter descontos e conveniência. As categorias mais compradas mantêm-se: Viagens; Vestuário; Tecnologia

No extremo oposto, há setores que resistem ao online: decoração e mobiliário, brinquedos e jogos e artigos de luxo são os menos adquiridos na internet.

A fotografia de Portugal

A fotografia de 2025 é clara: Portugal está cada vez mais digital, mais exigente e mais dependente de conveniência. Entre redes sociais que ocupam horas do dia, carteiras digitais que substituem notas e moedas, e um comércio eletrónico que já é rotina, os consumidores portugueses movem-se num ecossistema onde rapidez, simplicidade e poupança comandam as escolhas. Se a transformação digital já era uma tendência, os dados mostram que passou a ser um hábito enraizado, diário e, para grande parte da população, praticamente inevitável.

 

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

IA já influencia compras de quase metade dos consumidores portugueses

4 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A Inteligência Artificial (IA) já pesa nas escolhas de compra de 45% dos consumidores portugueses, indica um novo estudo da Escolha do Consumidor. O levantamento projeta tendências futuras e examina como a tecnologia, a sustentabilidade e a economia circular estão a transformar os hábitos de consumo no país.

A maioria dos inquiridos (53%) afirma que pretende consumir menos nos próximos anos, ainda que apenas em algumas categorias. Uma fatia de 21% admite querer reduzir o consumo de forma significativa, revelando uma mudança mais profunda nos padrões de compra. Outros 21% permanecem indecisos e 5% dizem que vão manter ou aumentar o consumo.

IA entra no consumo muitas vezes sem ser percebida

A influência da Inteligência Artificial nas decisões de compra já é sentida por quase metade dos portugueses. Um em cada quatro consumidores (25%) reconhece ter sido influenciado uma ou duas vezes por recomendações baseadas em IA, e 20% afirma que isso acontece com frequência.

Há, contudo, um lado invisível nesta tendência: 27% dos entrevistados não sabe dizer se já foi influenciado. Um sinal de como a tecnologia se integra de forma subtil nos processos de recomendação. Já 28% garante nunca ter sido impactado pela IA.

A tecnologia é vista como facilitadora: 32% consideram que a IA reduz o esforço de pesquisa, tornando o processo mais rápido e eficiente. Para 25%, ajuda a descobrir novos produtos. E 19% destacam a personalização como o maior benefício.

Ainda assim, persistem reservas: 14% não nota qualquer diferença com a introdução da IA e 10% afirmam que a tecnologia complica o processo ou não inspira confiança.

Sustentabilidade importa desde que não seja mais cara

A responsabilidade ambiental é valorizada, mas com limites. 52% dos consumidores preferem marcas sustentáveis apenas quando os preços são competitivos. Para 25%, o compromisso genuíno com práticas sustentáveis é decisivo. Outros 18% são indiferentes ao tema e 5% não o consideram relevante na escolha.

O consumo em segunda mão mantém-se minoritário: 43% nunca compram produtos usados. Entre os que aderem, a moda domina (24%), seguida pela tecnologia (17%), brinquedos (3%) e outras categorias (13%).

 

Economia circular cresce, mas falta divulgação

Sistemas de devolução e recompra começam a ganhar tração: 14% dos inquiridos já os usaram várias vezes e 20% experimentaram uma ou duas vezes. Há, no entanto, uma barreira de conhecimento: 29% conhecem estes sistemas, mas nunca os utilizaram, e 30% nem sequer os conhecem.

Apenas 7% dizem não ter interesse nestas iniciativas. Um número reduzido que aponta para forte potencial de crescimento, à medida que aumenta a sensibilização para práticas de consumo sustentável.

O estudo conclui que o consumidor português avança para um modelo mais consciente, onde tecnologia e sustentabilidade ganham peso, mas onde o preço continua a ser decisivo e a adoção prática ainda está em fase de maturação.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Os cérebros que faltam às empresas já estão a redesenhar o trabalho

3 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Existem temas que surgem devagar, quase silenciosos, até ao dia em que deixam de ser evitáveis. A neurodiversidade é um deles. Não se trata de mais um capítulo no manual de recursos humanos, nem de uma tendência simpática para preencher relatórios de sustentabilidade. É uma mudança estrutural na forma como olhamos para talento, inovação e liderança. E as empresas que não perceberem isto a tempo arriscam-se a perder uma das maiores fontes de criatividade e resiliência disponíveis no mercado.

Um estudo recente da Gi Group Holding voltou a colocar o tema no centro da discussão: organizações que adaptam políticas e espaços de trabalho à neurodiversidade registam níveis superiores de inovação, engagement e retenção de talento.

Pode parecer um detalhe, mais umas salas silenciosas, umas entrevistas menos formais, uns ajustamentos sensoriais. Mas a verdade é outra: estamos a falar de modelos de trabalho capazes de acomodar uma parte significativa da população. A Gallup estima que entre 10% e 20% da população mundial é neurodivergente, um número que dificilmente pode ser ignorado em qualquer estratégia séria de talento.

E se a prevalência é esta, o impacto nas empresas deveria ser ainda maior. A Organização Mundial da Saúde calcula que os transtornos do espectro do autismo afetam cerca de 1 em cada 100 pessoas.

Mas a realidade é que grande parte deste talento continua invisível. Seja nos currículos, nos processos de recrutamento, nos open spaces, no discurso das lideranças. Inexistente nas estatísticas internas porque muitas pessoas preferem não revelar as suas condições para evitar estigma, comentários ou limitações de progressão.

O paradoxo é evidente: nunca se falou tanto de inovação, mas continuamos a excluir (ou a subaproveitar) precisamente os profissionais que, por estrutura cognitiva, podem estar mais predispostos a pensar de forma original, rigorosa, não convencional.

O que ganham as empresas ao incluir este talento?

Não se trata de retórica. Há dados muito concretos. A Ordem dos Psicólogos Portugueses concluiu que equipas que incluem pessoas neurodivergentes podem alcançar até 30% mais produtividade do que equipas compostas apenas por perfis neurotípicos.

Para além da produtividade, há ganhos sustentados em inovação, criatividade e capacidade de resolução de problemas. Várias empresas internacionais — da Microsoft à SAP — têm partilhado publicamente que programas de recrutamento direcionados para profissionais no espectro do autismo resultaram em melhorias mensuráveis ao nível da qualidade de código, eficiência operacional e redução de erros.

E não são apenas as grandes tecnológicas. A inclusão cognitiva está a chegar à indústria, às finanças, ao retalho e à saúde. O denominador comum é sempre o mesmo: quando o ambiente é adaptado, as pessoas entregam melhor. Quando não é, o talento perde-se mais por falta de condições do por incapacidade e incompetência.

O que tem de mudar dentro das empresas

O relatório da Gi Group Holding é claro ao identificar cinco linhas de ação que, mais do que práticas isoladas, representam uma mudança de cultura:

Reconfigurar espaços de trabalho. Não se trata de luxo, mas de necessidade. Iluminação regulável, zonas de silêncio, áreas de recuperação sensorial reduzem sobrecarga e aumentam foco. Flexibilizar horários, processos e formatos. A produtividade não acontece à mesma hora para todas as pessoas e isso é válido para qualquer colaborador, neurodivergente ou não. Formar líderes. Sem liderança informada, não existe inclusão possível. É preciso ensinar gestores a reconhecer sinais, adaptar comunicação e perceber que nem tudo se resolve com reuniões sucessivas ou feedback imediato. Reformular recrutamento. Processos de entrevista convencionais funcionam como filtros enviesados. Entrevistas por competências práticas, roteiros claros e menos improviso revelam talento onde antes só se via «falta de jeito social». Integrar a neurodiversidade na estratégia global de talento. É uma mudança de paradigma. Se não for transversal, dissolver-se-á em boas intenções.

Rita Mexia, responsável pelas áreas de DE&I da Gi Group Holding, resume esta necessidade sem hesitação: «A neurodiversidade não deve ser vista como um desafio, mas como uma oportunidade para inovar na forma como colaboramos e gerimos equipas.»

O futuro do trabalho vai ser mais diverso, quer as empresas queiram ou não

A ascensão da neurodiversidade  é uma inevitabilidade económica, imposta pela própria lógica da inovação. Num mercado saturado, competitivo e carente de talento, as organizações que continuarem a olhar apenas para modelos tradicionais de desempenho vão ficar para trás.

O talento vem em muitas formas. Algumas mais ruidosas, outras mais silenciosas, algumas mais rápidas, outras mais metódicas. O que separa uma empresa mediana de uma empresa visionária não é a quantidade de talento que encontra, mas a capacidade de o reconhecer quando ele não aparece da forma esperada.

A verdadeira liderança, aquela que constrói futuro, começa precisamente na coragem de questionar o que sempre se fez, no compromisso com métodos mais humanos e eficazes, e na clareza de que nenhum negócio pode ser realmente inovador se não for capaz de acolher mentes que pensam de forma diferente.

Arquivado em:Diversidade e Inclusão, Notícias

Feito em Portugal: o rótulo que continua a mandar no carrinho de compras

3 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Comprar português já é uma prática instalada, emocional, económica e cultural. Segundo um novo estudo da Escolha do Consumidor, 92% dos portugueses consome frequentemente produtos nacionais. Só uma minoria residual, menos de 1%, admite fazê-lo raramente. O retrato é claro: a origem continua a pesar no carrinho de compras.

A percepção geral sobre os produtos portugueses mantém-se francamente positiva. Mais de 95% dos inquiridos reconhece qualidade nos artigos nacionais e acredita que estes contribuem de forma relevante para a economia do país. Quase oito em cada dez (77%) consideram ainda que os produtos portugueses são mais sustentáveis do que os importados, um dado que reforça o peso da proximidade nas escolhas.

 

Alimentação e Bebidas domina o consumo nacional (87%)

Quando se olha para os setores, a tendência é inequívoca: Alimentação e Bebidas surge no topo, com 87% dos consumidores a comprarem regularmente produtos portugueses nesta categoria. Talvez seja o território onde o ‘made in’ sempre teve mais tração.

Depois surgem o Vestuário e Calçado (51%) e o Mobiliário e Decoração (45%). Já áreas como Higiene e Cosmética (28%) e Tecnologia e Eletrónica (14%) ficam muito atrás, um reflexo simultâneo da menor oferta nacional e do fraco reconhecimento de marcas portuguesas nestes segmentos.

Qualidade, confiança e economia local: o triângulo que suporta o ‘Made in Portugal’

Os motivos que levam os consumidores a optar pelo nacional também foram mapeados. A qualidade lidera com 69% das respostas. Logo depois aparecem a confiança nas marcas portuguesas e o apoio à economia local, ambos com 58%.

A identidade e o orgulho nacional surgem com 37%, enquanto um preço competitivo é assinalado por 35%,  um número que, ainda assim, contrasta com o principal problema apontado mais à frente.

Questões de sustentabilidade (30%) e simples disponibilidade no ponto de venda (21%) são fatores menos referidos, mas continuam presentes.

 

O entrave principal? O preço 

Apesar do entusiasmo, o estudo revela a fricção mais previsível: 63% dos consumidores considera o preço a maior barreira ao consumo de produtos nacionais.

Depois surgem a falta de variedade ou de disponibilidade nos pontos de venda (29%), o desconhecimento da marca (25%) e um design considerado menos apelativo (8%). Apenas 4% admite preferir marcas internacionais por princípio.

Quando se pergunta o que poderia aumentar o consumo nacional, os inquiridos são pragmáticos: redução do preço (64%); melhor comunicação da origem portuguesa (43%); maior variedade de produtos (42%); melhor presença nos pontos de venda (40%); mais publicidade e promoção (36%).

Há ainda espaço para evoluir na qualidade (18%), no design (17%) e na sustentabilidade (12%), mas sempre como fatores secundários face ao impacto do preço.

 

 

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Portuguesa distinguida como Melhor Jovem Agricultora da Europa

3 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Os portugueses continuam a dar cartas lá fora. Joana Vacas Freixa, 38 anos, foi distinguida a semana passada com o prémio Melhor Jovem Agricultora da Europa na categoria Desenvolvimento das Zonas Rurais, durante a 11.ª edição do Congresso Europeu de Jovens Agricultores, realizado no Parlamento Europeu.

A iniciativa, organizada pela Confederação de Agricultores de Portugal (CAP), em parceria com o Partido Popular Europeu e a ASAJA de Espanha, contou com a presença do presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, e do eurodeputado Paulo Nascimento Cabral. A distinção reconhece o impacto da exploração agrícola de Joana Freixa no desenvolvimento rural, na sustentabilidade e na modernização de práticas agrícolas. A jovem agricultora recebe ainda um prémio pecuário de cinco mil euros.

Natural de Alcácer do Sal e representante da quarta geração de uma família de agricultores, Joana Freixa tem formação em Gestão de Empresas pela NOVA SBE, onde concluiu a licenciatura e o mestrado. Durante mais de 15 anos dividiu-se entre a consultoria empresarial e a agricultura, mantendo presença ativa na gestão da exploração familiar. Produz cereais e arroz e gere montado de sobro de forma sustentável. Em 2024 relançou a criação de gado ovino, com uma aposta clara na valorização da raça merino preto, autóctone da região.

Esta não é a primeira distinção da produtora. Já tinha sido eleita Jovem Agricultora do Ano na Feira Nacional de Agricultura de 2025, no âmbito do Concurso Nacional de Jovens Agricultores promovido pela CAP.

O Congresso Europeu de Jovens Agricultores, que decorreu esta quarta-feira, tem ganho peso como plataforma de debate e projeção do papel estratégico das novas gerações no futuro da agricultura europeia. A 11.ª edição registou números recorde: 540 jovens agricultores marcaram presença no Parlamento Europeu e mais de mil participantes acompanharam os trabalhos online.

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

As mulheres chegam ao comando e o país sobe no ranking europeu

2 Dezembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Portugal vive uma das transformações mais rápidas da Europa na representação feminina em cargos de topo. O impacto das quotas impostas em 2017 tornou-se evidente: em oito anos, a presença de mulheres nos conselhos de administração das empresas cotadas disparou de 15,5% para 36,6%, uma subida de 136%. É mais do que duplicar, e coloca o país entre os que mais avançaram no continente. Os dados são do Innovators Forum’25 – powered by Sonae, que na semana passada reuniu mais de 500 participantes no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, num encontro dedicado ao papel da diversidade na competitividade empresarial.

Uma escalada rara na Europa

O ritmo de crescimento português é o quinto mais acelerado entre os 30 países analisados. Apenas a Roménia, Grécia, Malta e Irlanda avançaram mais depressa. A subida nacional é também muito superior à média dos países da União Europeia, que não ultrapassa os 44%. Este salto permitiu a Portugal ganhar terreno no ranking europeu: passou do 20.º para o 15.º lugar na lista dos países com maior presença feminina em conselhos de administração das cotadas.

Ainda assim, Portugal continua aquém dos líderes europeus. França mantém a dianteira, com 46,9% de mulheres nestes órgãos, seguida da Islândia, Itália, Dinamarca e Reino Unido, todos acima de 44%. A distância mostra que a evolução portuguesa foi robusta, mas o fosso histórico ainda não está totalmente colmatado.

O verdadeiro desafio está na gestão executiva

Se os conselhos de administração mostram progresso acelerado, as funções executivas, onde se tomam decisões operacionais e estratégicas, continuam a ser o terreno mais difícil de conquistar. Ainda assim, houve evolução. A presença feminina nas equipas executivas das cotadas cresceu 112% desde 2017, passando de 8,2% para 17,4%. É o quarto maior aumento entre os países europeus, apenas atrás da Áustria, Irlanda e Alemanha.

Mas os números absolutos revelam outra realidade: Portugal continua entre os sete países com menor peso de mulheres em funções executivas. Fica abaixo da média da União Europeia (23,7%) e só ultrapassa Polónia, Eslováquia, Chéquia, Áustria, Bulgária e Luxemburgo. No extremo oposto, Reino Unido, Noruega, Islândia, França e Suécia registam valores acima dos 30%, demonstrando que a paridade em cargos de decisão ainda é um objetivo distante para a maioria das empresas portuguesas.

Quotas: efeito visível, impacto estrutural ainda em construção

A evolução portuguesa não se explica apenas pela imposição das quotas. Segundo os organizadores do Innovators Forum’25, há uma mudança cultural em curso dentro das empresas, que começam a reconhecer que equipas mais diversas tomam decisões mais amplas, mais eficazes e mais alinhadas com o mercado.

Mas o mesmo estudo evidencia que, apesar das melhorias, o país continua preso a um padrão estrutural: mulheres chegam mais facilmente aos conselhos de administração, onde se discutem políticas e direções gerais, do que às equipas executivas que gerem o dia a dia do negócio. É aí que permanece o maior desequilíbrio e é também aí que reside o maior desafio para a próxima década.

Innovators Forum’25: diversidade como motor de competitividade

O encontro desta edição procurou lançar luz sobre essa mudança necessária. A sessão de abertura ficou a cargo de Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, que reforçou a importância de assumir a Diversidade, Equidade e Inclusão como prioridade estratégica para qualquer organização que queira manter-se competitiva. A mensagem é clara: criatividade, inovação e performance dependem de equipas plurais e representativas.

O evento contou ainda com duas vozes de referência internacional. Oana Iordachescu, especialista europeia em talento inclusivo, conduziu uma intervenção centrada na cultura e na liderança que as empresas precisam de construir para acelerar a mudança. Já Sundiatu Dixon-Fyle, uma das figuras mundiais mais influentes em crescimento inclusivo, partilhou uma visão abrangente sobre o impacto concreto das políticas de DE&I nos resultados das organizações.

O programa incluiu vários painéis com especialistas nacionais e internacionais, que discutiram evidências científicas, metodologias e casos práticos de implementação de medidas de diversidade no tecido empresarial.

Uma década que mudou o rosto do poder  mas não o suficiente

Os últimos oito anos deixaram marcas visíveis na composição do poder empresarial em Portugal. A presença feminina cresceu a um ritmo que poucos previam e o país deixou de estar entre os lanternas-vermelhas da Europa. Mas a distância entre administração não executiva e gestão executiva continua a ser o ‘ponto cego’ da transformação.

O Innovators Forum’25 lança por isso um desafio claro às empresas: acelerar a mudança, consolidar o progresso e promover talento feminino para posições de decisão real. O evento é aberto ao público e transmitido online, mediante registo em innovatorsforum.pt.

É um momento de balanço, mas também um aviso: a diversidade avançou  e agora falta garantir que chega onde sempre deveria ter estado.

 

 

Arquivado em:Igualdade, Notícias

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