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Rita Saldanha

Liderança digital artificial?

23 Maio, 2023 by Rita Saldanha

O mundo mudou, muito rapidamente. Ainda não temos liderança artificial de pessoas, mas já temos um mundo de inteligência artificial. O ChatGPT é a face mais visível mas muitas outras ferramentas digitais estão a emergir. Inclusive uma exclusivamente em português, a “Albertina”. E está a mudar rapidamente a forma como as organizações e as pessoas funcionam.

Mas num mundo V.U.C.A. há algo que começa a tornar-se imperioso: a importância e sensibilidade da liderança situacional das pessoas, que precisam de ser lideradas e integradas.

A adaptabilidade humana e o pensamento criativo são fatores cruciais que não podem ser totalmente substituídos por máquinas e, portanto, a liderança efetiva das pessoas é necessária para aproveitar essas “soft skills”. Mas isso implica que a liderança situacional também tem de evoluir e tornar-se integrativa. Envolve a capacidade de um líder de adaptar o seu estilo de gestão à situação com que é confrontado assim como às capacidades e às necessidades das pessoas que lidera.

Num mundo de IA, isso significa entender os pontos fortes e as limitações de máquinas e humanos, aproveitando para alcançar os melhores resultados possíveis. Integrando-as na sua diversidade e aproveitando as qualidades únicas de cada um, incluindo o conhecimento individual do uso e potencial da tecnologia, para atingir objetivos comuns. Os líderes situacionais eficazes não podem ser substituídos, pois a sua intuição e engenho para construir e liderar equipas diversas não pode ser automatizada.

Precisamos da inteligência humana, pelo menos ainda. Só assim podemos criar uma cultura de aprendizagem e inovação contínua que incentiva a experimentação, a criatividade e a solução de problemas. Mas sem dúvida que a IA vai trazer muitos benefícios para o local de trabalho, inclusive substituir algumas profissões que existem hoje e que (na totalidade ou parcialmente) irão desaparecer. No entanto o engenho e a intuição da liderança humana continuará a ser essencial para o sucesso das organizações, para que ninguém que queira, “fique para trás”.

Julgo que as profissões cujos processos estejam bem definidos e assentes em regras claras e repetitivas, serão substituídas rapidamente.

Como na revolução industrial. Mas há uma tarefa que se vai manter mesmo nestas profissões : a confirmação de que não existe erro na decisão da IA. Precisamos da intuição humana para sentir o “smell of the place” num mundo de “soft” e não “hard” skills. 

Trata-se da quarta revolução industrial, em que o avanço tecnológico permite a uma máquina compreender, agir e aprender com níveis de inteligência semelhantes aos humanos. Já permite tomar decisões independentes, apoiadas em biliões de gigabytes de dados digitais, e reproduzir (ou simular) competências humanas como o raciocínio, a aprendizagem e o planeamento. Tem até capacidade de adaptar o seu desempenho, compreender o meio ambiente que rodeia e permite resolver problemas, simula cenários e dá opções de respostas.

Já não serve apenas para dar insights assentes no processamento de dados. Pode apresentar melhorias de eficiência, redução de custos e experiências únicas. Para isso pode apoiar o líder a analisar dados, transformá-los em informação e fazer previsões sobre tendências e padrões futuros no sector. Pode inclusive identificar novas oportunidades de produtos, serviços e modelos de negócio, automatizar tarefas repetitivas permitindo focar o tempo do líder em funções estratégicas, ajudar a tomar decisões mais rápidas e eficientes, ser multitasking e reduzir a probabilidade do erro.

Mas também tem riscos associados a vieses de algoritmos que repetem erros, a ameaça potencial de superinteligência difícil de controlar, de eliminar profissões e de criar uma sociedade “preguiçosa”!

Mas estes riscos e inúmeras vantagens não podem substituir (ainda) o ser humano pois falta o fator emocional fundamental para enfrentar um mundo V.U.C.A.! Importante será ter uma abordagem ética e responsável ao desenvolvimento da tecnologia de IA. Só assim integraremos liderança emocional e inteligência artificial!

Parte deste texto foi elaborado utilizando o ChatGPT.

Mas só parte, o resto é a visão do tema e criatividade do autor.

Arquivado em:Notícias

Aumentam os pedidos de ajuda financeira

2 Maio, 2023 by Rita Saldanha

Entre o último trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2023, os pedidos de crédito na zona de Lisboa aumentaram em aproximadamente 50%.

A tendência é transversal a outras cidades, tais como: Porto, Vila Nova de Gaia, Almada, Braga e Coimbra. Em todas, o crescimento de pedidos de crédito foi superior a 20%. Almada destaca-se com um aumento de 62%.

A informação é divulgada pela intermediadora de crédito, Gestelifes, onde a submissão de pedidos de crédito na zona de Lisboa, aumentou 47%, comparando o período de Janeiro a Março 2023 com Outubro a Dezembro 2022.

Estão incluídos nesta estatística todos os tipos de crédito: pessoal, automóvel, consolidado e habitação.

De uma forma geral, e considerando o período em análise, os pedidos de crédito pessoal (incluído o crédito automóvel) foram os que mais cresceram, em +41%. Seguem-se os pedidos de crédito habitação (+40%) e crédito consolidado (+21%).

Relativamente ao tipo de residência, os pedidos de crédito de indivíduos que vivem em casa de familiares aumentaram em 16% e em 25% por parte dos que arrendam imóvel.

Sobre o crescimento de pedidos de crédito por rendimento de agregado familiar:

  • Entre 751,00€ e 800,00€: + 50% de pedidos no primeiro trimestre de 2023 que no último de 2022.
  • Entre 801,00€ e 900,00€: +25%
  • Entre 901,00€ e 1.000,00€: +29%
  • Entre 1.001,00€ e 1.500,00€: +8%
  • Entre 2.001,00€ e 3.000,00€: 27%

 

Não obstante também as recusas de crédito subiram. Conforme indica João Pereira, CEO da Gestlifes, “o acesso a crédito tem vindo a tornar-se mais difícil devido ao momento atual, sendo os principais motivos de recusa dos pedidos, a taxa de esforço elevada, instabilidade profissional e incidentes bancários.”

 

Arquivado em:Economia, Notícias

Já foram criados mais de mil milhões de avatares

2 Maio, 2023 by Rita Saldanha

Desde o início de 2022, já foram criados mais de mil milhões de avatares nas plataformas da Meta (Facebook, Instagram, Whatsapp e Messenger). São mil milhões de vezes que as pessoas reimaginaram a forma como se apresentam online.

O anúncio foi feito por Mark Zuckerberg, CEO da Meta, que ainda revelou recentes atualizações para os avatares, entre uma expressão corporal mais inclusiva, com novas texturas de cabelo e a parceria com uma marca desportiva.

 

Personalizar avatares com novas formas de corpo, cabelo e roupa

De acordo com a Meta, todos os corpos são diferentes, e todas as pessoas são diferentes. Até hoje, as opções de avatares disponíveis eram limitadas, um ponto de partida com o qual nem todos os utilizadores se sentiam identificados.

A partir de agora, vai ser possível escolher entre uma maior variedade de opções de formas corporais, incluindo opções mais curvilíneas para as mulheres.

Houve também uma reformulação da forma como o cabelo, a roupa e os olhos do avatar aparecem nos stickers, imagens de perfil, fotografias de capa, entre outros.  Foram adicionados mais detalhes e realismo ao cabelo e à roupa – o que significa que, quer esteja de fato ou despenteado e de sweatshirt, a roupa do avatar deverá sobressair cada vez mais.

O modelo de iluminação também foi ajustado para adicionar mais brilho ao olhar, dando assim mais vida à personalidade do avatar.  A autoexpressão e representação são importantes, é o que faz com que o avatar se sinta como o seu criador, relata a Meta.

 

Novos Looks

Em 2022, a Meta lançou um balcão único para personalizar o avatar no Facebook, Messenger, Instagram e em Realidade Virtual – a Loja dos Avatares. Desde o lançamento, foram incluídas roupas de algumas das principais marcas de moda, desporto e estilo de vida, como a Madhappy, NBA, Prada e Thom Browne.

Agora entra a Puma nesta lista, com a disponibilização de sete looks de estilo desportivo.

 

 

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Liderança Sensível vai estar em debate no Centro Cultural de Cascais

2 Maio, 2023 by Rita Saldanha

Sensitive Leadership – Reset, Rebirth, Reinvent Ourselves é o tema da próxima edição da Leading People – International HR Conference a acontecer no dia 31 de maio, no Centro Cultural de Cascais.

A Liderança Sensível vai estar em destaque e juntar oradores nacionais e internacionais de diversas áreas do conhecimento: Economistas, Neurocientistas, Psicólogos, Filósofos, Engenheiros, e, como não poderia deixar de ser, Diretores de Recursos Humanos , CEOs e Diretores de Marketing. Um leque de personalidades que nas suas atividades diárias enfrentam as problemáticas da inclusão e diversidade, escassez e fuga de talentos, dos novos modelos de trabalho e da revolução que se vive atualmente no mundo laboral.

A História está cheia de exemplos através dos quais percebemos que a força vital do Homem está na sua capacidade para se reerguer, corrigir e acertar o caminho, para se refazer vezes sem conta, a si, e ao ecossistema que o acolhe. Também por isso, as lideranças são projetos inacabados e o seu objetivo deve ser o do aperfeiçoamento contínuo.

Esse processo é um caminho de procura de sentido, de propósito, que a maior parte das vezes implica um foco na Humanidade, na vulnerabilidade, na razão e na emoção. Sensibilização, consciencialização, educação, cuidado e força para recuperar; sensibilidade e bom senso, espiritualidade e reflexão, silêncio e pensamento crítico para uma renovada liderança, para uma liderança sensitiva, cuidadora e integradora, que se cuida a si própria e aos outros. Este é o mote desta conferência.

Durante o dia 31 de maio, vão passar pelo palco do Centro Cultural de Cascais dezenas de oradores, entre eles: Jens Schadendorf, Economista e Autor livro GaYme Changer – Como a comunidade LGBT+ e os seus aliados estão a mudar a economia mundial; Marta Temido, Ex Ministra da Saúde e Deputada; Cláudia Custódio, Professora Associada de Finanças na Imperial College Business School; Stella de Azevedo, Filósofa e Cofundadora do Instituto Zorgi; Sónia Mendes Barbosa, Psicóloga e Cofundadora e CEO do Instituto Zorgie; Ana M. Sebastião, Neurocientista e Diretora do Instituto de Farmacologia e Neurociências da Faculdade de Medicina de Lisboa; Paulo Magro da Luz, CEO do Grupo Egor; Mariana Canto e Castro, DRH da Randstad Portugal; Pedro Ramos, CEO da Keeptalent Portugal e Presidente da APG; Pedro Vieira, Marketing Director da Zome; André Ribeiro Pires, Chief Operating Officer da Multipessoal. Nos próximos dias mais oradores se juntarão à conferência.

A moderar painéis e conversas de palco estarão: Luís Maia, Jornalista; Vanessa Ezequiel Lopes, Jornalista e Presidente da Associação Rizoma; Cláudio França, Jornalista. A apresentar o evento estará Nelma Serpa Pinto, Jornalista da SIC.

A conferência conta ainda com a participação do jovem músico, Nuno Siqueira.

 

É com grande satisfação que realizamos a 5.ª edição da Leading People-International HR Conference, um evento destinado a todos os Gestores de Pessoas que já se afirmou como o momento mais distintivo na discussão dos temas verdadeiramente relevantes para todos os que desempenham funções de topo na área da Gestão de RH. Em momentos de tanta incerteza como os que vivemos atualmente, é fundamental refletir sobre os desafios que se colocam a quem gere pessoas, na certeza de que agora, mais do que nunca, é a sensibilidade do líder que garantirá o melhor desempenho e desenvolvimento da equipa, da organização, da sociedade

Filipe Vaz, Diretor Executivo da Tema Central, entidade organizadora

 

A Leading People – International HR Conference é uma iniciativa da Tema Central, do Lisbon Hub dos Global Shapers do Fórum Económico Mundial e da Câmara Municipal de Cascais, com a parceria institucional da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, UNRIC – Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental, UN Global Compact Network Portugal, International Club of Portugal, APG – Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas, e World Trade Center Lisboa.

O evento conta com o apoio da Capgemini, Tabaqueira, Multipessoal, Zome, Randstad, Egor, Sofia Calheiros & Associates, ISQe, Cornerstone, Fidelidade, Nova SBE, Michael Page, DS Automobiles, Jaba Recordati, Made2Web, Holmes Place, White, Cartuxa, Knower e Turismo de Portugal.

 

Mais informações disponíveis no site: https://www.leadingpeople.leadershipsummitportugal.com/

 

Arquivado em:Artigos, Leading People

Estratégias para colocar um travão nas emissões

2 Maio, 2023 by Rita Saldanha

No Reino Unido, o gabo bovino pode vir a receber “bloqueadores de metano” para reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa como parte dos planos para atingir as metas climáticas do país.

Os agricultores receberam bem a proposta, que segue uma consulta iniciada em agosto sobre como novos tipos de ração animal podem reduzir as emissões digestivas, relata o The Guardian.

A estratégia do governo britânico para atingir o net-zero 

Existem cerca de 9,4 milhões de vacas e bezerros no Reino Unido. O metano de arrotos de gado e esterco é um dos principais contribuintes para as emissões de gases de efeito estufa; globalmente, as vacas e outros animais de quinta são responsáveis ​​por cerca de 14% das emissões climáticas induzidas pelo Homem.

O governo afirmou na sua estratégia de crescimento net-zero publicada na semana passada que esperava que “produtos supressores de metano de alta eficácia” entrassem no mercado a partir de 2025 e poderia forçar os agricultores a usá-los se se revelarem eficazes.

“Exploraremos o papel da indústria e do governo para maximizar a absorção desses produtos para sistemas de exploração de gado adequados em ritmo acelerado, através de uma abordagem em fases.”, lê-se no documento, “vamos também exigir a introdução de produtos com segurança e eficácia comprovadas em alimentos compostos para gado o mais rapidamente possível na Inglaterra.”

Tom Bradshaw, vice-presidente da União Nacional dos Agricultores (NFU), disse que a maior parte do metano emitido pelas vacas é liberada pelo arroto. “As evidências sugerem que esses produtos podem ser úteis”, disse ele. “Acho que ainda não sabemos o suficiente sobre o impacto que terão na eficiência da dieta… mas é algo que temos de investigar para tentar reduzir as emissões de metano”.

Os produtos supressores de metano estão já a ser testados no Reino Unido, confirmou, mas ainda não deram provas relativamente ao seu funcionamento.

Governo criticado por cientistas 

O governo foi criticado por confiar em tecnologias não comprovadas para seguir os seus objetivos climáticos. Um grupo de 700 cientistas criticou a estratégia de net-zero da semana passada pela sua ênfase na captura e armazenamento de carbono, que, segundo eles, “ainda não foi comprovada em escala”.

Vicki Hird, chefe de agricultura da Sustain, uma aliança de organizações que promovem melhor alimentação e agricultura, também está cética em relação ao plano de bloqueio de metano. “Os governos e a indústria adoram suas soluções tecnológicas, como os supressores de metano para alimentação de gado, e isso pode ajudar um pouco.”

“Mas não vão corrigir os principais danos associados à nossa enorme fixação com o gado, desde a desflorestação da floresta tropical para alimentação e pastagem até à poluição dos rios do Reino Unido e danos à vida selvagem, todos os quais também inibem a ação no clima. Precisamos produzir e comer menos e melhor carne usando ferramentas agroecológicas conhecidas pelos benefícios para toda a agricultura e para a natureza.”, continua.

A Food Standards Agency é responsável pelo licenciamento de todos os alimentos para animais e teria de realizar avaliações de risco robustas dos impactos de cada aditivo na saúde e bem-estar animal, riscos de segurança alimentar, riscos para trabalhadores, riscos ambientais mais amplos e da eficácia dos produtos, antes de licenciá-los para uso em rações para reduzir o metano, de acordo com a NFU.

De momento, não há aditivos licenciados e disponíveis para uso no Reino Unido que suprimam o metano. No entanto, os pedidos foram apresentados enquanto os ensaios são conduzidos.

Bradshaw também apontou para avanços genéticos, ou seja, criação de vacas e ovelhas que emitem menos metano. Alguns países, como a Nova Zelândia, dizem ter reduzido as emissões de metano do gado por meio da genética.

Um porta-voz do governo disse: “A pecuária bem administrada pode fornecer vários benefícios ambientais e planeamos incentivar a absorção de produtos de supressão de metano de alta eficácia assim que chegarem ao mercado do Reino Unido”.

 

Arquivado em:Clima, Notícias

A resposta da Agenda do Trabalho Digno aos desafios do futuro do trabalho

2 Maio, 2023 by Rita Saldanha

Nos últimos anos assistimos a um intenso debate em torno das medidas laborais necessárias para dar resposta aos desafios do futuro do trabalho. Este longo processo teve início em 2020 com a constituição de um grupo de trabalho encarregue de elaborar o Livro Verde do Futuro do Trabalho e culminou numa reforma laboral abrangente, aprovada sob a bandeira da “Agenda do Trabalho Digno e de Valorização dos Jovens no Mercado de Trabalho”.

Os objetivos visados pelo legislador com a Agenda do Trabalho Digno e de Valorização dos Jovens no Mercado de Trabalho são absolutamente meritórios numa sociedade democrática que valoriza as aspirações profissionais das suas pessoas e que promove o acesso ao trabalho em condições de liberdade, dignidade e equidade.

Com esta agenda, Portugal deu voz no plano nacional aos compromissos assumidos na Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 da Organização Internacional do Trabalho em matéria de trabalho digno, o que é de louvar.

Por outro lado, Portugal transpôs para o direito nacional – ainda que com atraso, as Diretivas relativas a condições de trabalho transparentes e previsíveis e à conciliação entre a vida profissional e a vida familiar dos progenitores e cuidadores.[1] De um modo geral, as medidas legislativas adotadas em matéria de conciliação entre a vida pessoal, profissional e familiar e o estatuto conferido ao trabalhador cuidador refletem a aposta de uma sociedade justa e responsável na promoção da igualdade de oportunidades profissionais, na partilha de responsabilidades ao nível da parentalidade e na proteção de quem mais necessita.

No meu entender, a possibilidade de cumular o gozo da licença parental inicial com a prestação de trabalho a tempo parcial e o novo conjunto de direitos atribuído ao trabalhador cuidador são as medidas que maior aplauso merecem pela importância que revestem para um futuro sustentável e justo e pelo caráter premente dos interesses a que visam responder.

No entanto, nem tudo são rosas. Pela sua natureza, a legislação laboral mostra-se extremamente permeável a questões ideológicas e, frequentemente, desajustada à realidade. A verdade é que o Estado parece continuar pouco sensível aos desafios que se impõem a quem cria emprego e à necessidade de preservar a adaptabilidade do mercado de trabalho às diferentes circunstâncias que afetam a vida das empresas. Continuamos a legislar de forma rígida e tabelar asfixiando a flexibilidade de que as empresas necessitam para se adaptarem às exigências do mercado, para se manterem competitivas e para que efetivamente considerem que merece a pena assumir os riscos de uma atividade. A proibição de recurso ao outsourcing para satisfação de necessidades que tenham sido asseguradas por trabalhador despedido nos últimos 12 meses, no âmbito de um despedimento coletivo ou por extinção do posto de trabalho, é sintomática do que se refere e representa, no meu entender, uma intromissão inaceitável na margem de gestão conferida ao empresário ao abrigo da liberdade de iniciativa privada. Penso tratar-se de uma medida desnecessária, desproporcional e que, com alguma probabilidade, não sobreviverá ao crivo do Tribunal Constitucional.

Parece que o legislador continua tendencialmente a generalizar situações de abuso e de ilegalidade no mercado de trabalho como sendo a regra, assim justificando um intervencionismo estatal que não favorece a atividade económica e a criação de emprego.

Urge entender e aceitar, para efeitos de política legislativa, que a criação de emprego não está garantida, sendo certo que a Agenda do Trabalho Digno não parece dar passos seguros neste sentido.

[1] Respectivamente, Diretivas 2019/1152 e 2019/1158, ambas do Parlamento Europeu e do Conselho, de 20 de junho de 2019.

Arquivado em:Opinião

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