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Rita Saldanha

Liderar um negócio de família como uma missão de respeito e amor

28 Abril, 2023 by Rita Saldanha

É na Rua das Taipas, na Zona Industrial da Carvoeira, em Torres Vedras, que podemos visitar a sede da Bonifácio Wines. Um negócio geracional, fundado no Portugal de outros tempos, em 1964, por António Francisco Bonifácio, desde 1939 ligado ao ramo.

Com a perseverança das diferentes gerações e a solidez do legado, o cultivo das vinhas, a produção e comercialização de vinhos e aguardentes têm vindo a resistir às décadas até chegarem às mãos de Rita Bonifácio. A bisneta, hoje representante da Bonifácio Wines, é responsável por uma equipa de cerca de 20 pessoas, 60 hectares de vinha e uma rede de vários produtores.

Numa conversa pautada pela generosidade transmitida pelos olhos e as palavras da Rita, conhecemos como se reergue um negócio que resistiu ao tempo, com altos e baixos, uma pandemia e o desafio de se internacionalizar. E que mereceu prémios.

Paula Perfeito: Diz o povo no seu ditado que «até ao lavar dos cestos é vindima». Foi ladainha muito ouvida lá por casa? O que tens aprendido com as vinhas?

Sim, numa vindima, só quando o último cacho de uvas entra em casa é que podemos respirar de alívio, fechar um ciclo e renascer para o projeto de um novo ano.  As vinhas são uma cultura bela em todas as suas fases. Ao longo do ano, provocam uma mutação nas paisagens maravilhosa: desde estarem completamente despidas, passando pelas primeiras folhas que se transformam num jardim verdejante ao incrível degradé entre dourados e grenás no final do seu ciclo. O respeito, a resiliência, a atenção criteriosa face aos tempos certos da vinha e o cuidar com carinho, são ingredientes essenciais para que se possa obter uma boa colheita, muito embora estejamos sempre nas mãos da mãe natureza. E, depois, vem a sustentabilidade, tudo o que a vinha produz é reaproveitado – das uvas obtemos o vinho; dos bagaços é destilada aguardente; das grainhas são extraídos óleos essenciais que podem ser utilizados na cosmética de alta qualidade. Julgo que os pressupostos da vinha são boas premissas para se aplicar na vida.

PP: Por falar em sustentabilidade… há um desafio inestimável na perpetuação de um negócio familiar que vem de gerações anteriores. Como se concilia a tradição com a necessidade implacável de inovar?

É verdade que temos de estar sempre atentos às mudanças dos mercados, apresentar produtos diferenciados e adequá-los às tipicidades exigidas por estes, mas há algo que nunca podemos perder – a nossa identidade – o nosso perfil, os vinhos que acreditamos que podem proporcionar novas experiências a quem os consome. O que acontece é que acabamos por segmentar em duas gamas diferenciadas: os vinhos que cumprem com o que os mercados procuram e os vinhos em que arriscamos e colocamos a nossa assinatura em pleno. Em qualquer um dos segmentos a qualidade está sempre presente. Ao oferecer qualidade é que nos é permitido perdurar no tempo e dar continuidade para as próximas gerações.

PP: Como descreves hoje a Bonifácio Wines? Em que estádio de desenvolvimento está?

A Bonifácio Wines é uma pequena empresa que, ao longo da sua vida, atravessou momentos bons e menos bons, como qualquer empresa com alguns anos de vida. Neste momento, continuamos a ser uma pequena empresa, mas com uma equipa renovada, em que o espírito de equipa, a vontade de sermos melhores e oferecermos o melhor aos nossos clientes impera. Estamos a trabalhar para dar a conhecer e consolidar o nosso segmento de produtos premium, da gama Património, quer no mercado nacional, quer além-fronteiras, onde temos obtido um feedback positivo, bem como prémios internacionais.

E porquê a marca Património? Esta foi uma marca que o meu pai trouxe para a casa e que nós desenvolvemos. A vida é um “património” de experiências, afetos, memórias, emoções e é tudo isso que pretendemos também transmitir nos nossos vinhos: todo o percurso que foi feito até aos dias de hoje e a vontade de nos superarmos para deixar algo a gerações futuras. É com foco na produção de qualidade que estamos a apostar nos nossos vinhos regionais de Lisboa e aguardentes, sedimentando a nossa posição no território nacional e a internacionalização para novos países. Temos um longo caminho a percorrer, mas com gosto pelo que fazemos e persistência, passo a passo, vamos atingir os nossos objetivos.

PP: E os vinhos, propriamente ditos? Fala-me dos vinhos [sorrisos]…

Para nossa sorte, a nossa produção encontra-se localizada numa das melhores zonas para vinhas de Portugal, a região de Lisboa. Muito embora até há relativamente pouco tempo estigmatizada, a plantação de vinha na região de Lisboa é secular. A sua prática remonta à ocupação romana, tendo sido posteriormente implementada na Idade Média através das ordens religiosas que se encontravam em diversos conventos da região. As vinhas estendem-se por encostas em altitudes entre os 110m e os 220m, beneficiando de uma excelente exposição solar e de um clima temperado pela brisa do Oceano Atlântico, originando paisagens rurais de enorme beleza e genuinidade. É uma das regiões vinícolas onde é possível produzir uma grande diversidade de vinhos, devido à multiplicidade de relevos, microclimas, castas plantadas e tipos de solo. O tipo de solo predominante é o argilo-calcário, do período Jurássico Superior e argilo-arenoso. O clima é ameno, não existindo grandes amplitudes térmicas graças à influência marítima.

Estas características proporcionam boas maturações, originando vinhos únicos, naturalmente equilibrados, com boa acidez e uma mineralidade característica da região. Neste enquadramento, surgem os nossos vinhos em que a filosofia de qualidade que impomos aos produtos se reflete desde o trabalho desenvolvido nas vinhas até ao processo de produção, em que praticamos um desenvolvimento sustentado, de forma a alcançar a maior qualidade no produto final. Nos vinhos tintos, podemos encontrar as castas nacionais Castelão, Aragonez (Tinta Roriz), Touriga Nacional, Tinta Miúda, bem como internacionais, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Syrah. Os vinhos tintos são encorpados, cheios de cor, aromáticos, elegantes, ricos em taninos e demonstram uma excelente capacidade de envelhecimento. Nos vinhos brancos, as castas Arinto, Fernão Pires, Seara-Nova, Vital e Moscatel são as mais predominantes, originando vinhos que se caracterizam pela frescura, carácter citrino e mineralidade.

Um legado que também nos foi deixado foi o gosto pelas aguardentes de qualidade. Esse gosto começou com o meu avô e com o Sr. Almeida Gomes, enólogo e um dos grandes amigos do meu avô. O Sr. Almeida Gomes foi alguém à frente do seu tempo, colaborou com grandes casas de referência do universo vínico português e, por amizade, abraçou também a nossa casa. Partiu em 2018, aos 87 anos, mas deixou-nos conhecimento e um profundo gosto pela arte de produzir vinho e aguardentes, que sempre recordaremos.

PP: Assumem uma estratégia de exportação dos EUA à China, na Europa, com a Alemanha ou a Suíça, e nos PALOP, com São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde. Que diferentes recetividades têm tido?    

É interessante ter presente que se em Portugal, que é um país pequeno, temos uma grande diversidade de perfis de vinho, de palatos, de apreciadores, quando observamos de uma forma global os vários países, as várias regiões vinícolas e os tipos de apreciadores, confrontamo-nos com uma imensidão de possibilidades. É uma escala gigantesca de “condicionantes” que nos colocam. Isto para dizer que quando vamos apresentar os nossos vinhos a um novo mercado, estudamos as características, a gastronomia, o clima para podermos adequar quais as referências do nosso portefólio poderemos propor, por forma a que se adequem ao mercado de destino. Temos tido bastante aceitabilidade, sendo essa uma das maiores recompensas pelo nosso trabalho.

 

PP: Qual o sentimento implícito à troca da arquitetura pela gestão deste negócio? E que competências dessa formação poderás ter vindo a imprimir aos vinhos?  

Não é bem uma troca, é uma linha paralela. Continuo a exercer arquitetura, porque desde pequena sempre senti que era a minha vocação e adoro tudo o que se relaciona com esta área, com o design e as artes plásticas. Neste momento, dedico-lhe uma menor percentagem de tempo porque o amor pela casa onde cresci se sobrepôs e tornou-se no nosso projeto de vida. Da arquitetura podemos extrair as ferramentas da criatividade e do sentir que se pode aplicar nesta área. Por exemplo, quando projetamos uma casa temos de ter presentes diversas variantes: o cliente a que se destina; a sua forma/rotina de vida; o local onde se insere; o que o faz sentir bem; o tipo de ambiente em que pretende viver; as condições naturais do espaço que envolve a casa; o clima; os materiais.

E depois de todas as premissas presentes, a criação de um espaço em que o cliente se surpreenda, se envolva e que ao habitá-lo sinta que aquele é o seu espaço. Um espaço que faz sentido, que o faz feliz e que é a sua casa. Com os vinhos, a criatividade e o sentir têm igualmente de estar muito presentes. Deparamo-nos com diferentes mercados, diferentes gastronomias, diferentes palatos e temos de criar vinhos, que já por si são experiências sensoriais; adequá-los aos diferentes perfis, climas e tudo isto com o que a natureza nos dá na sua colheita anual. É um exercício muito exigente, porque o cliente não é uma pessoa em específico, são várias pessoas, em vários países. É exigente, sim, mas compensador. É a criação de vinhos, que surpreendam, envolvam e se tornem o vinho que faz sentido para várias pessoas em diferentes partes do mundo. Tudo isto mantendo presente a assinatura de um projeto, a identidade de uma casa.

 

PP: Neste percurso, dá-se a feliz coincidência de teres conhecido um homem, enólogo, por quem te apaixonaste… e a quem te referes como a alma do negócio. É assim?

É sim. O meu verdadeiro percurso na área dos vinhos começou já lado a lado com o Manuel, quando o meu pai partiu inesperadamente e ambos tivemos de abraçar esta casa para lhe dar um futuro. O Manuel nasceu, cresceu e formou-se no mundo do vinho, é um enólogo apaixonado, vibra com todos os pormenores, desde a vinha ao vinho e com amor dedicou-se por inteiro a recuperar e recriar uma casa que trazia na sua bagagem para uma casa à nossa imagem – a nossa casa.

O que me fez avançar, mesmo sendo de uma área profissional totalmente diferente, foi querer dar continuidade a um projeto por respeito e amor a toda a entrega de três gerações que deram vida à casa: o meu bisavô e, principalmente, o meu avô e o meu pai. E, aí, o amor encaminhou-me, uma vez mais, porque ao meu lado tenho alguém que partilha desta vontade, deste amor e que com o seu know how permitiu que partilhássemos este projeto de vida pessoal e profissional onde já incluímos a nossa filha, que à sua maneira já vai participando nas atividades da empresa. É engraçado que, por vezes, refere-se as dificuldades de um casal trabalhar no mesmo projeto – nós não sentimos isso. Todas as decisões, estratégias e planos que se determinam, todos os sucessos que alcançamos e todos os momentos ou situações menos felizes são partilhados e em conjunto conseguimos ter ainda mais vontade em nos superarmos.

 

PP: Houve a necessidade, ao longo das gerações, de grafar na marca esta espécie de claim: “Toda a garrafa de vinho está cheia de boas histórias”. Na cadeia de produção, de ponta a ponta, mantêm implícita essa função social que o vinho tem…       

Uma das coisas boas que o mundo dos vinhos também nos traz são as pessoas. Os momentos que passamos com a nossa equipa (bons e menos bons); as parcerias que desenvolvemos com os nossos fornecedores; as entidades estatais que vestem também a nossa camisola e nos ajudam a atravessar fronteiras (CVR Lisboa, Viniportugal…); os clientes que acompanhamos e que nos acompanham, e com quem surgem amizades; o companheirismo; as memórias que vão revestir e marcar no tempo cada garrafa de vinho. É a nossa vida, é o nosso Património.

 

Créditos de imagem: Isabel Nolasco 

Esta entrevista é parte do livro “As perguntas que somos”, uma compilação de 34 conversas, que a partir da pergunta, mostra os olhares de personalidades desassossegadas, inquietantes, com histórias de vida, trajetos profissionais e domínio de saberes diversificados e relevantes. O projeto inicial partiu no Entre | Vistas, plataforma digital de comunicação cultural fundada por Paula Perfeito, em novembro de 2014.

Uma seleção de oito conversas será publicada, todas as sextas-feiras, até ao dia 5 de maio.

Saiba mais sobre “As perguntas que somos” aqui.

Arquivado em:Entrevistas, Notícias

Londres e Nova Iorque são as cidades mais atrativas para se viver

28 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Um novo estudo destaca Londres e Nova Iorque no top 5 das cidades com mais de 10 milhões de habitantes, mais atrativas para se viver, seguindo-se Xangai, Pequim e Los Angeles nos primeiros lugares do ranking.

O relatório “Cities of Choice: Are People Happy Where They Live?”, da Boston Consulting Group (BCG), entrevistou mais de 50.000 pessoas em 79 cidades de todo o mundo para determinar quais as motivações para os residentes se mudarem ou permanecerem na cidade onde habitam.

Fim da Pandemia levou a mais deslocações entre cidades

Com o levantamento das restrições relacionadas com a pandemia, há cada vez mais residentes a deslocarem-se entre cidades: 50% dos residentes urbanos já se mudaram para uma nova cidade e 48% estão a considerar fazê-lo no futuro.

O estudo divide as cidades em quatro grupos, de acordo com as suas características socioeconómicas – megacenters, cruiser weights, middleweights e developing cities. Para se tornarem líderes neste ranking, as cidades devem demonstrar liderança em cinco dimensões: oportunidades económicas, qualidade de vida, capital social, interações com as autoridades, e rapidez de mudança.

Entre os megacenters, ou seja, cidades com mais de 10 milhões de habitantes, Londres e Nova Iorque são as mais atrativas para viver, à semelhança do que se verificou no relatório de 2021. Embora as duas cidades tenham tido um bom desempenho em termos de oportunidades económicas, qualidade de vida, capital social, e interações com as autoridades, tiveram uma pontuação mais baixa na rapidez de mudança, sinalizando que a sua liderança poderá estar em risco nos próximos anos. Enquanto grupo, os megacenters mostraram resultados abaixo da média na dimensão das oportunidades económicas.

Outras cidades com melhor desempenho

Os cruiser weights são cidades com uma população acima dos 3 milhões de habitantes. Nesta categoria, Washington DC, Singapura e São Francisco emergiram como líderes. Embora as cidades deste grupo tenham pontuações mais elevadas na dimensão de interação com as autoridades, não se saíram tão bem em dimensões como o capital social e a rapidez de mudança.

Como grupo, as cidades middleweights – definidas como metrópoles de tamanho médio com menos de 3 milhões de habitantes – tiveram o melhor desempenho, com 18 das 28 cidades a receberem pontuações globais acima da mediana. Com Copenhaga, Viena e Amesterdão a ocupar os três primeiros lugares, as cidades desta categoria destacam-se por receberem pontuações altas na qualidade de vida.

Por fim, as developing cities, caracterizadas pela sua elevada taxa de crescimento e rápida urbanização, podem ser claramente identificadas pela sua elevada velocidade de mudança, mas baixa qualidade de vida. Bangalore, Mumbai e Deli lideram este grupo.

O estudo revela que a pandemia teve um impacto negativo na classificação das cidades em 2022, com apenas oito a receberem uma pontuação mais alta dos seus próprios residentes face a 2021. Os residentes ficaram menos otimistas ao avaliar as suas cidades, penalizando as classificações de todas as dimensões de qualidade de vida. Além disto, afirmaram ver menos oportunidades de carreira atrativas e ter menos certeza na realização profissional.

A análise permite ainda concluir que existe uma forte correlação entre a satisfação das pessoas em relação à cidade onde vivem e o seu desejo de realocação, e que pode ser necessário muito tempo e algumas tentativas para encontrar uma cidade que se considere um lar.

 

A mudança é agora mais fácil do que nunca. O desafio para os líderes é encontrar o que faz os seus residentes felizes, para que possam reter os atuais residentes e atrair novos

Vladislav Boutenko, Managing Director and Senior Partner da BCG e coautor do relatório

O relatório completo encontra-se disponível aqui

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Já há uma classificação para avaliar o lixo que anda pelo espaço

28 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Space Sustainability Rate é o nome da primeira classificação de sustentabilidade do mundo para missões espaciais, criada pela Plataforma do World Economic Forum para Moldar o Futuro da Mobilidade, juntamente com a Agência Espacial Europeia, o MIT Media Lab e outros parceiros.

Cada vez mais, os resíduos e detritos não são um problema que se limita à vida na Terra: estão também a acumular-se no espaço. Em 2021, a data de lançamento do Telescópio Espacial James Webb teve de ser adiada em dois dias para evitar que colidisse com um bloco de entulho, evidenciando o quão perturbador é o detrito no espaço, relata o World Economic Forum.

O que é? 

A “Space Sustainability Rate” (SSR) foi desenvolvida para reduzir os detritos espaciais e garantir que as missões de exploração espacial em rápido crescimento sejam geridas com segurança e sustentabilidade.

O SSR procura pontuar missões espaciais na sua abordagem para a mitigação de detritos.

A indústria espacial não tem ainda um acordo universal sobre a aplicação das normas de sustentabilidade no espaço, e é algo que este novo programa pretende mudar, ao criar um sistema de classificação que as organizações podem usar voluntariamente para obter avaliações baseadas em dados das suas operações no espaço.

A iniciativa vai reduzir o risco de colisões e geração de detritos espaciais, além de ajudar a garantir que as missões lançadas na órbita da Terra sejam sustentáveis. É um passo importante para garantir que o mundo possa continuar a usar e manter os recursos do espaço para as próximas gerações.

O que avalia?

Ao participar voluntariamente no novo sistema de Classificação de Sustentabilidade Espacial, os operadores de naves espaciais, provedores de serviços de lançamentos e fabricantes de satélites podem garantir um dos quatro níveis de certificação, que podem partilhar externamente para mostrar o nível de sustentabilidade da sua missão.

Isso vai aumentar a transparência e a abordagem para a mitigação de detritos, sem divulgar informações confidenciais ou proprietárias da missão.

As pontuações são baseadas em fatores que vão desde a partilha de dados, a escolha da órbita, medidas tomadas para evitar colisões, planos para retirar os satélites da órbita após a conclusão das missões e a facilidade de deteção e identificação da Terra.

Qual é o desafio para missões espaciais sustentáveis? 

Com cada vez mais satélites a serem lançados, o risco de acidentes e a criação de mais detritos espaciais continuam a aumentar, o que evidenciou a necessidade de um sistema global para promover a sustentabilidade a longo prazo do ambiente espacial.

Nos últimos anos, a economia espacial global de 360 mil milhões de dólares passou por uma transformação. Os custos decrescentes, a evolução do tamanho de satélites e a proliferação de tecnologias relacionadas levaram a um aumento nos lançamentos de satélites, muitos por novas empresas e nações espaciais.

A órbita da Terra está repleta de mais de um milhão de objetos maiores que 1 cm, quatro mil dos quais são satélites. Além disso, cerca de 60 mil satélites vão ainda ser lançados para órbita na próxima década. Para isso, é essencial que uma estratégia seja implementada para prevenir a poluição.

Prevê-se que essa transformação e rápido crescimento aumentem o papel vital do setor de exploração espacial em telecomunicações, sensoriamento remoto, ciência espacial e segurança nacional, tornando-o um elemento crucial da infraestrutura da Quarta Revolução Industrial.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Como estão as empresas a descobrir valor na Inteligência Artificial

28 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Neste momento, as empresas de todos os tamanhos procuram tirar o máximo partido do seu orçamento publicitário, numa altura em que nos deparamos com um panorama publicitário em constante mudança. É por isso que estamos focados em melhorar o desempenho dos anunciantes nas nossas plataformas: hoje, são mais de 10 milhões de empresas que utilizam anúncios personalizados com ferramentas alimentadas por Inteligência Artificial (IA).

Agora, temos mais pessoas do que nunca a utilizar as nossas plataformas, com mais de 3,7 mil milhões de utilizadores mensais ativos no Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp. O engagement continua forte, e o Facebook atingiu um novo marco com 2 mil milhões de utilizadores ativos diários. Continuamos a investir em novos recursos, como o Reels e as mensagens instantâneas, para proporcionar ainda mais oportunidades às empresas para se ligarem aos clientes. Em outubro de 2022, revelamos que havia mais de 140 mil milhões de Reels a circular no Facebook e Instagram todos os dias. Nos últimos seis meses, as partilhas de Reels mais do que duplicaram. Tudo isto demonstra que a nossa família de aplicações continua a ser o melhor lugar para empresas de todas as dimensões encontrarem os clientes certos e crescerem.

A IA não é um foco novo para nós. Há muitos anos que aplicamos IA e machine learning no nosso sistema de classificação de anúncios. Contudo, ao longo dos últimos anos, temos investido fortemente em IA para que as ferramentas possam evoluir e ajudar os anunciantes neste ecossistema de anúncios digitais com acesso a dados cada vez mais limitado.

Já estamos a ver os nossos investimentos compensarem, com um desempenho de campanha mais forte, melhor medição e melhores relatórios para os anunciantes. No quarto trimestre de 2022, os anunciantes tiveram mais de 20% de conversões do que no ano anterior. Combinado com um custo decrescente por aquisição, isto resultou em maiores retornos sobre os gastos com publicidade.

Outra área onde a IA está a ter impacto é com o nosso conjunto de ferramentas automatizadas Meta Advantage, que está a ajudar os anunciantes a tornarem-se mais inteligentes a cada minuto e a cada euro que gastam. Estamos particularmente entusiasmados com as campanhas de compras do Advantage+, que foram lançadas em agosto. As campanhas permitem definir um objetivo claro, o país alvo, a criatividade, e o orçamento. Depois, os sistemas de IA fazem o resto: otimizar para encontrar a pessoa certa, com a mensagem certa, no momento certo. Os testes recentes descobriram que os anunciantes que utilizam as campanhas estão a ver um aumento de 32% em retorno dos gastos com publicidade.

O que funciona melhor? As campanhas de compras estão a fazer com que alguns dos nossos produtos mais recentes, como os anúncios em Reels e Lojas, tenham um desempenho ainda melhor. Partilho o exemplo da Doughp, uma pequena empresa que faz e vende massa para biscoitos, e que tem utilizado Shop Ads com campanhas de compras Advantage+, para chegar a novos clientes e aumentar as suas vendas. A estratégia tem sido tão bem-sucedida, que a Doughp acabou por desviar o seu orçamento de outros canais para esta solução.

Outra característica impulsionada pela IA que lançámos recentemente são os conteúdos criativos. Este recurso utiliza IA para ajudar os anunciantes a aplicar automaticamente pequenas melhorias – como o ajuste de brilho, relações de aspeto e colocação de texto – para melhorar o desempenho da criatividade. Num teste recente, encontrámos anúncios que utilizavam aperfeiçoamentos padrão que registam um aumento de 14% em compras incrementais por euro gasto.

Os nossos investimentos em IA estão a ajudar as empresas a adaptarem-se ao panorama publicitário em evolução e a melhorar o desempenho das suas campanhas. Estamos aqui para servir as empresas grandes e pequenas – mais de 200 milhões – que dependem de nós para se ligarem aos seus clientes e crescerem. É por isso que vamos continuar a investir em IA e automatização, para que empresas de todas as dimensões possam continuar a obter o melhor retorno do seu investimento com a Meta.

 

Arquivado em:Opinião

Celebrar o Dia da Dança

28 Abril, 2023 by Rita Saldanha

O Dia Internacional da Dança comemora-se amanhã, no dia 29 de abril. A importância da celebração deste dia associa-se também à importância desta arte, que em tanto contribui para o desenvolvimento pessoal como para a desconstrução de barreiras culturais, proporcionando um mundo mais leve e feliz.

 

Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez

Nietzsche

Comemorar o Dia da Dança e dar a conhecer vários estilos de dança, que se cruzam, mas não se misturam, é a sugestão da Fábrica Braço de Prata (FBP) em Lisboa.

A entrada é gratuita, com uma contribuição consciente.

PROGRAMA

 

Workshops:

Sapateado com Paula Cirino – 13h: Visconti

Contemporâneo de Improviso com Sara Venâncio – 14h: Eduardo Prado Coelho

Vintage Jazz com Joana Lemos – 15h: Nietzsche

Salsa com Raquel Santos e João – 15h: Beauvoir

Tango sem sapatos com Janice – 15h30: Eduardo prado Coelho

Hiphop comercial com Ana Rita e Eduardo – 16h: Visconti

Danças populares Brasileiras com José – 16h: Nietzsche

Forró com Bernardo Calado – 17h: Eduardo Prado Coelho

Contemporâneo com Angélica- 17h: Beauvoir

Danças africanas com Hélio- 18h: Eduardo Prado Coelho

 

17h: Teatro Gardel  – Foucault

Demonstrações: 18h-20h30 – Foucault

Sapateado, salsa, contemporâneo , tango, forró, danças populares brasileiras, jazz, clássica.

Amália Bento:  tenda 21h e exposição de fotografia: Joaquim Leal

Bailes:  22h-02h

Extatic dance: Nietzsche; Tango: Visconti; Forró: Eduardo Prado Coelho; Salsa: Foucault; baile eclético: Arendt; Kizomba

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Os Futuristas: A idade da reforma reinventada – tecnológica, intergeracional e ativa

27 Abril, 2023 by Rita Saldanha

“The relationship between the built environment, healthy living, people’s behaviour and health status is complex. Even so, cities and communities can be designed and built to set people up for success.”

— Public Health Agency of Canada, Designing healthy living (2017)

 

Uma pessoa em Portugal pode viver, em média, até aos 84,3 anos. Em 2022, a idade média da população em Portugal fixou-se nos 46,8 anos, a segunda mais elevada entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE), tendo sido a que mais aumentou nos últimos 10 anos, segundo a Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da EU. A população com 80 anos ou mais na UE duplicará de 30 milhões de pessoas em 2019, para 62 milhões de pessoas em 2050.

Significa que temos o potencial de viver 20 anos de vida ativa após a idade da reforma, que importa antecipar e planear com cuidado. É paradoxal prepararmos as cidades apenas para os nómadas digitais, cuja faixa etária representará cada vez mais apenas uma franja da população, negligenciando a maioria.

O conceito de cidades pensadas para aposentados, também conhecidas como comunidades de reformados, está a crescer de popularidade na Europa. São projetadas para fornecer um ambiente confortável, seguro, com envolvência social que atenda às necessidades e preferências exclusivas dos mais velhos. A ideia de idosos isolados, inativos e incomunicáveis, segregados em lares é socialmente e humanamente incorreta.  O novo conceito de comunidade tem de evoluir para atender às necessidades de uma nova geração de aposentados com expectativas e prioridades diferentes e baseia-se em quatro eixos essenciais:

Comunidades Sustentáveis

Com um foco cada vez maior na sustentabilidade ambiental, este conceito deve incorporar tecnologias e práticas amigas do ambiente, como painéis solares, reciclagem de água pluvial e edifícios com eficiência energética. Essas comunidades não são apenas ecologicamente corretas, mas também ajudam os residentes a economizar nos custos de serviços públicos e reduzir a pegada de carbono.

Comunidades intergeracionais que reúnem pessoas de diferentes idades e origens, oferecendo oportunidades de interação social, aprendizagem e apoio mútuos. Esta organização oferece um senso de propósito para os mais velhos, cuja experiência pode orientar os residentes mais jovens e contribuir para a comunidade de formas significativas e úteis.

Comunidades capacitadas para tecnologia que contribuem para a qualidade de vida de seus residentes. Alguns projetos piloto usam a realidade virtual para criar experiências imersivas e ajudar os mais velhos a manterem-se ligados ao mundo exterior. Ou reduzindo o isolamento social permitindo criar grupos virtuais com base em afinidades culturais, artísticas ou académicas. Pode ainda incorporar-se a tecnologia de casa inteligente para ajudar os residentes nas tarefas diárias, como controlar as luzes, ajustar o termostato, criar alertas médicos ou fazer pedidos de compras online.

Comunidades nas quais a saúde, segurança e bem-estar são uma prioridade. A mobilidade e autonomia são incorporadas no design de espaços e edifícios que oferecem segurança e conforto adaptados aos mais velhos. Neste conceito há acesso a uma variedade de serviços de saúde e bem-estar, como aulas de ginástica, aconselhamento nutricional e assistência médica. É dada ênfase à vida saudável e incentivo aos residentes para manter um estilo de vida ativo e independente, mas seguro.

O conceito de cidade tem de se modernizar para atender às necessidades e expectativas de uma nova geração de reformados ativos. Quer se trate de sustentabilidade, vida intergeracional, tecnologia ou saúde e bem-estar, este novo conceito oferece uma variedade de opções para os mais velhos que desejem viver a pós-reforma com conforto, segurança e saúde. E também estilo, claro.

 

Arquivado em:Artigos, Futuristas

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