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Rita Saldanha

O Futuro do Cuidar

8 Junho, 2022 by Rita Saldanha

Os cuidados de saúde que se prestam na primeira metade do século XXI nos países avançados constituem um tema cuja complexidade dificilmente se deixa reduzir a esquemas, noções e interpretações simplificadoras. Todavia, sendo isto certo, é possível refletir sobre a tendência que caracteriza essa complexidade.

Este exercício pode ser realizado porque, quando se olha retrospetivamente para qualquer época passada da história dos cuidados de saúde, é fácil identificar características comuns. A medicina da Idade Média europeia não era obviamente a mesma que a medicina dos anos 50 do século XX. Assumir o ponto de vista retrospetivo é uma ficção metodológica: qualquer tempo futuro tem dificuldade em compreender as decisões do passado e a resposta a situações de urgência. Também não é certo que se tenha acesso a toda a informação que poderia explicar essas decisões, e falta sempre a experiência irrepetível do contacto com a realidade que o passado viveu. Esta ficção só se justifica porque permite a abstração em relação ao concreto e, desse modo, uma compreensão que teria sido difícil de obter pelos próprios protagonistas das situações passadas. Do mesmo modo, os protagonistas dos cuidados de saúde contemporâneos estão demasiado imersos na urgência do tempo presente para se poderem colocar questões ligadas ao sentido último daquilo que fazem. As questões em torno do sentido não são urgentes, mas são importantes. Por analogia, um marinheiro debaixo de uma tempestade em alto mar não tem tempo para refletir sobre o sentido último da viagem; mas a certa altura tem necessidade de se colocar essa questão porque, afinal, a viagem pode ter a direção errada e pode até não se justificar. Uma questão difícil que hoje se poderá colocar em torno do mundo vasto da ação da medicina junto da sociedade é a do seu sentido último. Os cuidados de saúde são uma parte relevante, mas não a totalidade dessa ação. Procurando um ponto de vista abrangente sem qualquer enviesamento derivado de situações concretas de saúde, poder-se-ia formular uma questão que, não sendo urgente, tem o mérito de auxiliar a compreender o sentido do que está a acontecer.

A questão é esta: qual é o futuro do cuidar?

Perante a enormidade da questão, a mais diminuta das sabedorias recomendaria de imediato prudência e suspensão de uma resposta precipitada. Há sinais, contudo, que permitem desde já avançar com uma resposta. É esta: o futuro do cuidar será paternalista. É necessário certamente justificar a resposta, bem como o alcance do que se afirma. O cuidar é por definição auxiliar alguém que não se pode dar a si mesmo o que precisa, qualquer que seja a razão; deste ponto de vista, o que se afirmou sobre o futuro não é enriquecedor. Talvez seja melhor precisar a resposta de modo a que se perceba sem ambiguidade o que está em causa. Beauchamp e Childress definem o paternalismo como uma “intervenção intencional nas preferências, nos desejos ou nas ações de outra pessoa, com o propósito de evitar que lhe ocorram danos ou de beneficiá-la”.1 Vê-se que está em causa uma intervenção localizada na vida de outra pessoa. Este tipo de intervenções pode assumir diferentes graus de intensidade, de mínima a máxima. O grau máximo poderia denominar-se “superpaternalismo”, definindo o novel vocábulo como uma planificação total da vida de outras pessoas, incluindo todas as suas decisões e estados mentais. O que se segue procurará explicar esta proposta de definição.

Assiste-se a um ascendente da área da saúde na vida contemporânea. É possível descrever de modo impreciso,

e deliberadamente impressionista, este processo como uma canibalização progressiva da sociedade pela saúde.

A totalidade da vida humana, tal como se expressa na vida social, é caracterizada pela diversidade vasta do que acontece. O que se está a afirmar é que uma parte do que existe está a alargar a sua zona de influência às outras partes. Por si só, este processo não tem grande originalidade. Muitas sociedades do passado viram acontecer movimentos semelhantes.

É difícil compreender a cultura grega sem discernir um ponto de vista filosófico em tudo; a própria medicina, tal como se expressou nos seus epígonos (Alcméon de Crotona, Empédocles de Agrigento, Hipócrates de Cós, etc.), tem a marca clara do ponto de vista filosófico. No início da Modernidade europeia, é impossível não reparar no modo como a questão religiosa tocava direta ou indiretamente todas as áreas do acontecer social. Por analogia, a saúde é a ideia dominante que está a influenciar todas as atividades sociais contemporâneas. Deixou de ser um assunto delimitado para influenciar tudo o resto. Seria um exercício interessante fazer o inventário de tudo o que parece ser exceção neste processo cultural.

O que impede a perceção de que este processo de canibalização está a acontecer é a crença não demonstrada de que todos os cuidados de saúde têm uma base exclusivamente científica, isto é, que neles não são relevantes as tradições, os ideais éticos, os constrangimentos financeiros, as noções culturais e muitos outros fatores. Fazendo o inventário de tudo o que não é científico, mas que tem um papel nos cuidados de saúde, compreende-se imediatamente que é absurdo supor que apenas os procedimentos baseados no método científico estejam presentes nos cuidados de saúde. Uma questão complicada resulta do facto de esse inventário, mesmo que apressado, não se chegar a fazer. A ideia dominante – neste sentido preciso, a ideologia em que hoje se vive – é a de que o fator decisivo dos cuidados de saúde é a medicina com base científica. Quando se procura compreender o que determina maioritariamente os cuidados de saúde que existem hoje ou, alargando o inquérito, os que poderão vir a existir no futuro, o que surge ao espírito é imediatamente o conteúdo científico. A saúde parece um assunto em que o mais relevante é o conhecimento científico e a capacidade técnico-científica de proceder do diagnóstico à terapia. Sabe-se que outros assuntos são relevantes, certamente, como a clínica, a história dos próprios cuidados de saúde, as tradições regionais, as instituições, a legislação que enquadra todos os procedimentos, a deontologia, a justiça no acesso aos cuidados de saúde, os ideais éticos de uma determinada sociedade e as crenças religiosas dos pacientes. Estes e muitos outros fatores são parte fundamental do mundo rico dos cuidados de saúde; contudo, este mundo rico tende a desaparecer devido à perceção de que apenas um fator é, de facto, relevante. Como a realidade é sempre diferente da perceção, e como a área da saúde não é uma exceção a esta verdade, é fácil juntar todos estes fatores à margem do fator dominante, e, aos olhos da sociedade contemporânea, o fator dominante parece ser o conhecimento científico que se tem de uma condição de saúde. É claro, ficar nas margens já é suficientemente bom porque, afinal, há fatores de que não se tem consciência. O que está nas margens ainda pode ser objeto de aulas universitárias ou de rubricas orçamentais nos orçamentos que os Estados dedicam à área da saúde. A existir algum drama intelectual, deriva ele da certeza de que há fatores que não chegam de todo ao inventário, fatores que não estão apenas nas margens da ideologia e da perceção pública, mas que estão nas margens do que pode ser humanamente pensado.

Ilustrando um assunto que toca o impensável, poder-se-ia explorar o mundo vasto dos juízos de relevância: como é possível demonstrar que o conteúdo científico da medicina é mais relevante do que as crenças religiosas dos pacientes? Os estilos de vida serão mais relevantes para a determinação das condições de saúde do que os hospitais? Nos muitos séculos de história da Europa foi mais relevante para as condições de saúde das populações o conhecimento médico ou as redes de esgotos das cidades e a forma de produção de alimentos? Como é evidente, o fundo impensável da saúde é inesgotável, e sempre se poderia perguntar por que razão há de todo cuidados de saúde num mundo em que todos os seres humanos irão morrer. É difícil pensar este tipo de questões porque tacitamente já se aceita que uma sociedade tem de ter obrigatoriamente sistemas de saúde e cuidadores de saúde. No século XXI é praticamente impossível pensar se esta obrigatoriedade tem fundamento ou se foi construída para satisfação dos desejos dos proponentes de uma determinada visão do Mundo. Para se compreender que não é obrigatório que uma sociedade sofisticada tenha serviços de saúde, bastaria lembrar que Platão, mestre incomparável do pensamento ocidental, expulsa os médicos da sua cidade perfeita (República, III, 405a-d, 409e-410a). Por um enviesamento muito significativo, a cultura popular só guardou memória da expulsão dos artistas não coniventes com o Estado, esquecendo-se que Platão ordenou também a expulsão de juízes, polícias, feiticeiros, sacerdotes que não desejassem colaborar com as autoridades, e, obviamente, médicos. Todas estas profissões só se justificam porque as pessoas vivem de modo errado. Recordar as medidas de Platão contra a medicina, fora do âmbito erudito, só tem interesse para fragilizar a força da ideologia da saúde. Contudo, recordar que Platão aproxima a ação do governante da ação do médico conivente com a agenda política do Estado totalitário revela as origens filosóficas remotas do processo recente da politização da medicina (República, VIII, 564c; O Político, 295d; Leis, IV, 720a-d, 722b).

É precisamente um juízo de relevância que auxilia a compreender a tendência geral dos cuidados de saúde contemporâneos e os que de modo razoável se poderão esperar no futuro. No centro da reflexão deve ser colocada a dimensão política da saúde. Não, certamente, na aceção que esta palavra tem quando é utilizada no plural no momento em que os partidos políticos desenham políticas para a saúde ou nos meses em que os governos redigem os orçamentos dessa área. Não está em causa o assunto muito técnico das políticas de saúde, mas a dimensão política da própria saúde. Não é fácil ter uma perceção pública desta dimensão porque o fator científico, inflacionado pela ideologia acrítica da alegada importância dos cuidados de saúde, tende a eclipsar todos os outros.

Este ângulo de reflexão não é novo. Vários autores têm estudado a dimensão política da saúde através da reflexão sobre as sociedades contemporâneas. Eles discernem um processo vasto de natureza civilizacional que, à falta de melhor descrição – e utilizando um termo ainda não dicionarizado na língua portuguesa –, rotulam de “medicalização” da sociedade. Pense-se em autores como Peter Conrad, da Brandeis University, que em 2007 publicou The Medicalization of Society; pense-se também numa figura de proa da contracultura psiquiátrica desde os anos 60, o psiquiatra Thomas Szasz, da State University of New York, em Syracuse, que nesse mesmo ano de 2007 publicou vários ensaios no livro The Medicalization of Everyday Life. O sentido do que está em causa apreende-se facilmente. Simplificando o assunto, afirma-se que muitos aspetos da vida quotidiana estão a ser perspetivados do ponto de vista dos cuidados de saúde. Em áreas científicas completamente diferentes, como a biologia e a zoologia, é já banal verificar que um dos grandes problemas na nossa época é a diminuição da diversidade biológica devido ao desaparecimento de um número elevado de espécies. Por analogia, a medicalização da sociedade identifica o desaparecimento de muitas formas tradicionais de olhar para os assuntos, a favor de um ponto de vista dominante. Muitos aspetos não problemáticos da natureza humana têm sido perspetivados como se, sim, tivessem problemas intrínsecos cuja solução está ao alcance da ciência. Pense-se no envelhecimento, ou no ciclo menstrual, ou até em condições psíquicas como a mera tristeza. Peter Conrad indica como casos de medicalização a alegada hiperatividade das crianças, qualquer desvio em relação à norma, a obesidade, a reprodução, o sono, as dependências, os distúrbios posteriores a traumas, a andropausa, a calvície, a disfunção eréctil, a estatura (sobretudo a pequena), o desempenho atlético e o já mencionado envelhecimento. É claro, desde a conceção até à morte em hospitais, a vida contemporânea parece acontecer em contextos sociais em que se prestam cuidados de saúde.

A medicalização da sociedade é isso, certamente, mas também a reconceptualização de características humanas inatas, que tendem a ser vistas como merecedoras de alteração, e, pior ainda, como problemas que têm solução racional.

Durante séculos o que é natural foi considerado o ponto de referência de todo o desejo humano; hoje, diferentemente, o que é natural está a ser perspetivado como um “problema” que terá de desaparecer no futuro. A saúde foi suficiente para os nossos antepassados que tinham formas complementares de alcançar a felicidade; hoje, deseja-se uma felicidade que só pode ser alcançada através de cuidados de saúde (e.g. esperança de vida mais longa, juventude prolongada, superação das limitações dos órgãos somáticos e das estruturas funcionais). Mesmo que não tenham nenhum problema de saúde, os joelhos e as colunas vertebrais deixaram de ser partes do organismo suficientemente boas porque, como se identificou uma alegada fragilidade, quando comparadas com outros órgãos, são inscritas numa agenda ideológica de melhoria futura dos seres humanos. O paradigma dominante deixou de ser a resposta a um problema localizado para passar a ser o da reconstrução dos seres humanos, com a justificação de que, desse modo, serão, “melhorados”.

É necessário contribuir para esta reflexão com o estudo da dimensão programática deste processo, tal como se manifesta numa literatura cinzenta que tem poucos leitores fora do círculo dos pares e das pessoas diretamente envolvidas. A dimensão programática da medicalização da sociedade manifesta-se sobretudo nos diplomas de organizações internacionais dedicadas à saúde e nas declarações de grandes congressos internacionais que marcaram períodos da história da saúde contemporânea. É possível identificar outras fontes de pensamento programático na saúde, quanto mais não seja retrospetivamente. Só para dar um exemplo, quando se olha para a medicina europeia da segunda metade do século XIX, salta à vista o ascendente da teoria da degenerescência de Bénédict Augustin Morel. É ainda difícil explicar, mais de um século e meio depois do seu início e um século depois do seu fim, o modo como uma ideia clínica dominou boa parte da vida cultural da segunda metade do século XIX. O conceito de Morel, de meados do século XIX, influenciou boa parte do que os clínicos oitocentistas pensaram sobre os seus pacientes, as suas condições de saúde, mas também sobre assuntos que não têm nada que ver com a medicina como a pintura, a ópera, a literatura, a política e o crime. Vendo, por exemplo, as dissertações inaugurais das velhas Escolas Médico-Cirúrgicas das cidades de Lisboa e do Porto, vê-se como os jovens médicos oitocentistas faziam trabalhos sobre crime, prostituição, arte e muitos outros assuntos não médicos. Por toda a Europa acontecia a mesma coisa. Há, por conseguinte, e como se vê, muitos conjuntos documentais que poderiam ser estudados. É importante procurar deliberadamente a literatura cinzenta, os textos que assumem algumas teses como evidentes e já não merecedoras de análise. O estudo das grandes reflexões autorais é suscetível de ser criticado pela excessiva fulanização; afinal, uma grande ideia é sempre uma grande ideia de alguém. Os textos que não têm indicação ostensiva do autor são preciosos porque testemunham o momento em que as ideias se libertam do âmbito autoral para reclamar uma evidência meridiana. É este o momento perigoso do pensamento: o cinzentismo, a ausência de crítica, a transformação da ideia em ideologia e a ideologia em realidade aparente.

Os documentos que a Organização Mundial de Saúde (OMS) produz, e que poucas pessoas fora da área da saúde se dão ao incómodo de ler, têm um programa de ação que está a ser concretizado. O cinzentismo esconde sob o véu da evidência banal a construção política de uma nova realidade. O estudo desse conjunto documental permite ver que, desde há décadas, está a ser pensada a “medicalização” total da vida social e o futuro dos cuidados de saúde. Os documentos cinzentos correm pelas academias e pelos órgãos de comunicação social como se fossem verdades reveladas insuscetíveis de crítica. Se, passados uns dias da sua adoção, já pouca gente se lembra dos seus redatores, passadas umas décadas parecem descrições banais da realidade que não surpreendem nenhum leitor. (*)

 

(*) Excerto de Manuel Curado, “Superpaternalismo Médico:

Um Ensaio Cínico”, in Manuel Curado e Ana Paula Monteiro, coords., Saúde e Cyborgs: Cuidar na Era Biotecnológica (Col. Saúde e Bioética, n.º 1.) Lisboa, Porto e Viseu: Edições Esgotadas, 2019, pp. 73-158.

1Tom L. Beauchamp e James F. Childress, Princípios de Ética Biomédica, trad. Luciana Pudenzi (São Paulo: Edições Loyola, 2011), p. 298

 

Este artigo foi publicado na edição de verão da revista Líder. Subscreva a Líder AQUI.

 

Arquivado em:Artigos

Na Tabaqueira o nosso foco são as nossas pessoas

8 Junho, 2022 by Rita Saldanha

A Pandemia veio mudar por completo os modelos organizacionais e as relações no mundo de trabalho. Algumas tendências foram aceleradas e até exponenciadas, outros paradigmas foram completamente quebrados. Neste contexto, há novos conceitos de trabalho a nascer, onde as formas antigas de organização do trabalho e o desenho organizacional já não servem as pessoas e as empresas. Na Tabaqueira estamos muito comprometidos com a aplicação e amplificação de todas as aprendizagens dos últimos dois anos e isso significa mantermos o foco contínuo nas nossas pessoas. O futuro do trabalho é flexível e o modelo híbrido que adotámos constitui apenas um passo inicial. As mudanças não se podem limitar à localização, mas terão de ser alargadas à forma como trabalhamos e interagimos nas equipas. Necessitamos de contribuir continuamente para mantermos as pessoas produtivas, comprometidas e felizes nos diferentes contextos e ambientes. Se o trabalho, as rotinas e as relações se mantiverem como anteriormente, será só uma questão de geografia e o trabalho presencial não será potenciado.

O bem-estar e a saúde emocional das pessoas entrou finalmente na agenda das empresas, e deixou de ser um tema “pessoal”, sendo mais claro do que nunca que as diferentes dimensões da nossa vida não podem ser dissociadas. O foco inicial na segurança e saúde de cada uma das nossas pessoas, evolui agora para um plano mais holístico e alargado para uma cultura de bem-estar e saúde organizacional. Este cuidado global inclui a saúde física e a emocional, ações de assistência individual e de melhoria da dinâmica das equipas, mas é também focado na forma como trabalhamos, como interagimos em grupo, como estabelecemos prioridades e como gerimos o impacto dos objetivos de negócio na nossa organização.

Também a diversidade, inclusão e equidade permitem às organizações um ambiente de trabalho mais humanizado. Este é, indubitavelmente, o tempo de passar a práticas mais ambiciosas, disruptivas e efetivas para progressos mais tangíveis e céleres, que incluam as questões de género, étnicas e raciais, geracionais, de background socioeconómico, ou outras. Também neste tema, a empatia, a compreensão e o buy in da liderança são fundamentais.

Num contexto de maior volatilidade, é crítico garantirmos um ecossistema flexível e capaz de reunir as capacidades e as competências necessárias para fazer face aos desafios de negócio a cada momento, onde mais importante do que o desenho e a descrição das funções do futuro, ou até mesmo a definição de papéis, é o foco na pessoa, nas suas competências. Nesta dimensão os exercícios de mobilidade interna e os planos de reskilling e upskilling são fundamentais e permitem, como vantagem adicional, experiências mais ricas a cada uma das pessoas, ao mesmo tempo que minimizam os riscos da Great Resignation que todas as organizações temem.

A humanização da organização traz também maiores exigências do ponto de vista das lideranças. Valorizamos que cada líder ponha mais foco no seu autoconhecimento, no conhecimento da realidade de cada pessoa, na dinâmica da sua equipa e desenvolva competências que lhes permitam fazer uma gestão mais empática. O desafio não é fácil, mas é uma das pedras basilares do sucesso organizacional e resulta do contexto de maior volatilidade, dos novos modelos de trabalho, que integram os desafios dos ambientes remotos e híbridos, o employee centricity, e o foco nas questões de bem- -estar trazem mudanças profundas no papel das lideranças. Esta cultura organizativa voltada para o futuro é também resultado do processo de transformação da nossa empresa, que iniciámos há duas décadas, e da alteração disruptiva do nosso modelo de negócio, orientada para a Ciência e para o desenvolvimento de melhores alternativas para os fumadores adultos. Temos o nosso consumidor no centro de todas as decisões de negócio que tomamos, e as nossas pessoas no centro da forma como desenvolvemos esse mesmo negócio.

As expectativas dos trabalhadores evoluíram num movimento que pode muitas vezes ser entendido como mais individualista, mas nunca como agora foi tão importante o sentido de identidade partilhada, as interações com significado e uma experiência de excelência nas diferentes fases do nosso ciclo de vida enquanto trabalhadores.

Estas são cruciais para o sucesso dos negócios em contexto pós-Pandemia e na Tabaqueira estamos comprometidos com as nossas pessoas e com a promoção de uma cultura de saúde e bem-estar, com aposta em modelos de trabalho mais flexíveis e numa organização baseada em competências, com equipas verdadeiramente diversas.

 

Este artigo foi publicado na edição de verão da revista Líder. Subscreva a Líder AQUI.

Arquivado em:Opinião

Estas são as marcas com melhor perceção de sustentabilidade

8 Junho, 2022 by Rita Saldanha

Os portugueses elegeram a Delta, Ikea e Nestlé como as marcas com melhor perceção associada à sustentabilidade ESG, no período referente aos 5 primeiros meses de 2022.

A análise realizada pela consultora OnStrategy foi desenvolvida pela primeira vez, de acordo com a certificação das normas ISO20671 e ISO10668 e com a avaliação de 24 atributos associados às dimensões de Ambiente, Sociedade e Governo.

Numa escala de 100 pontos, e entre mais de 50 setores de atividade, este estudo não regista nenhuma marca nem nenhum setor de atividade no nível de excelência (mais de 80 pontos).

Apenas 9 marcas destacam-se com uma perceção de robustez (entre 70 e 80 pontos):

DELTA (72,3 pts).

IKEA (71,7 pts).

NESTLÉ (71,4 pts).

CRUZ VERMELHA (70,9 pts).

FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD (70,7 pts).

CUF (70,5 pts).

NOVA SBE (70,4 pts).

LUSIADAS SAÚDE (70,1 pts).

LACTOGAL (70,0 pts).

No que respeita aos setores de atividade, nenhum atinge sequer o nível de robustez; todas as avaliações estão abaixo dos 70 pontos. Os setores que registam melhor perceção associada a este indicador são:

SAÚDE, FARMÁCIA e BEM ESTAR (69,5 pts).

EDUCAÇÃO (68,6 pts).

ALIMENTAÇÃO e BEBIDAS (66,4 pts).

MOBILIDADE (63,3 pts).

TURISMO e LAZER (62,7 pts).

Já os setores que registam uma avaliação mais vulnerável são:

LUXO e MODA (53,0 pts).

BANCA, SEGUROS e CRÉDITO (56,5 pts).

DETERGENTES e HIGIENE PESSOAL (57,9 pts).

O estudo foi realizado tendo por base um trabalho de campo realizado junto de mais de 40.000 cidadãos online e mais de 10.000 cidadãos presencialmente ou por telefone, sendo os mesmos representativos da sociedade Portuguesa no que respeita à distribuição geográfica, género, idade e grau de formação.

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Tambores ao Longe – Incursões na Extrema Direita Mundial

7 Junho, 2022 by Rita Saldanha

Foram publicados muitos livros sobre a extrema-direita. Este, porém, é único e será, sem dúvida, a obra definitiva sobre o tema. Tambores ao Longe – Incursões na Extrema-Direita Mundial é o primeiro livro a adotar um ponto de vista genuinamente global, observando a extrema-direita em todo o mundo, mais do que só num país ou continente.

Joe Mulhall, com doutoramento sobre o fascismo no pós-guerra, investigador da maior organização antifascista e antirracista do Reino Unido e um dos mais destacados especialistas do Reino Unido nos extremismos de direita, passou os últimos dez anos a acompanhar o rápido crescimento da extrema-direita internacional, infiltrando-se em muitos grupos para melhor compreender as suas motivações. Esta obra, que chega às livrarias portuguesas no dia 9 de junho, é um relato muito bem informado da assustadora ascensão da extrema direita global, do porquê de estar a acontecer e de onde ela nos poderá conduzir.

«Poucas pessoas, se é que alguma, estarão mais bem posicionadas para escreverem um livro desta amplitude e escala do que Joe Mulhall. A extrema-direita mundial tem de ser compreendida, em todos os seus níveis, se quisermos que ela seja domesticada. Muitos, como eu, acolherão com entusiasmo uma obra destas.» Mark Townsend, The Observer

 

Editora: Temas e Debates

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Gestão de Empresas com Pessoas a Bordo

7 Junho, 2022 by Rita Saldanha

A obra sobre gestão e recursos humanos aborda a atual centralidade do papel das pessoas nas empresas. De temas mais estruturantes e densos, aos temas mais soft , esta nova centralidade do papel das pessoas nas empresas, não é mais do que assumir que as mudanças se fazem com elas e que as transformações são sempre primeiro “humanizadas e humanizáveis” antes de serem tecnológicas, e que a resiliência, a empatia, a cooperação e a gestão “analógica” dos colaboradores já não são suficientes para fazer crescer o negócio das empresas.

 

Aprender, desenvolver, errar, agilizar, criar, mobilizar e reconhecer são hoje mais do que palavras “de ordem”, são os segredos mais bem guardados das empresas.

 

Autores:

Pedro Ramos, Doutorado em Economia de Empresa e Mestre em Sociologia do Emprego, possui 28 anos de trajetória profissional enquanto Diretor de Recursos Humanos e Capital Humano em diferentes empresas de vários setores de atividade. Autor e co-coordenador de várias obras, speaker internacional e docente universitário nas áreas de Gestão, Gestão de Recursos Humanos e Liderança, Pedro Ramos é, atualmente, CEO da KEEPTALENT Portugal, empresa de consultoria de Gestão e Gestão de Pessoas, e Presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG). O coordenador da obra recebeu, ainda, ao longo da sua carreira vários prémios e distinções, destacando-se o Prémio Carreira em Gestão de Pessoas, em 2019, e o Prémio de Personalidade Lusófono de Gestão de Pessoas, em 2021.

Vasco Ribeiro, Doutorado em Ciências Empresariais, na especialidade de Marketing, e Doutorado em Turismo, é professor coordenador no ISLA Santarém, responsável por vários Programas de MBA nas áreas de gestão e Diretor de Curso da licenciatura em Gestão Turística e da licenciatura em Gestão Comercial do ISLA Santarém. O coordenador do livro é, ainda, consultor de empresas e Speaker internacional nas áreas de Gestão, Marketing, Turismo, Etiqueta e Protocolo a nível empresarial. Para além de “Gestão de Empresas com Pessoas a Bordo”, Vasco Ribeiro conta ainda com mais duas obras publicadas: “Etiqueta & Protocolo na Hotelaria de Luxo” e “Etiqueta Moderna”.

 

Edição: Editora d’Ideias

Arquivado em:Livros e Revistas

O Sistema Nacional de Saúde investe uma micro-fração de um grande orçamento para a saúde mental

7 Junho, 2022 by Rita Saldanha

“Devido ao nosso padrão cultural, a nossa sociedade tem muitas vezes dificuldade em que os temas da saúde mental sejam abordados. É preciso desmistificar.” A afirmação é de Carlos Oliveira, presidente executivo da Fundação José Neves, durante o Leading People – International HR Conference “Act Now for Human Health”.

A saúde mental sempre foi um tópico desvalorizado na sociedade portuguesa e, tradicionalmente, alvo de pouco investimento. Carlos Oliveira indica que “do ponto de vista orçamental, o Sistema Nacional de Saúde investe apenas uma micro-fração de um grande orçamento para a saúde mental, sendo este um problema de enorme complexidade que a pandemia e a guerra na Ucrânia vieram exponenciar.”

Partilhar ou assumir que se tem uma doença do foro psicológico é ainda visto como uma fraqueza e, para o presidente executivo, parte da solução está na prevenção e na formação, e com isso chegar a um maior autoconhecimento: “Se o fizermos de forma adequada vamos ser, de facto, mais felizes e ter uma vida muito melhor.”

Com esse objetivo, e com vontade de chegar a mais de um milhão de portugueses na próxima década, a Fundação José Neves criou recentemente, em conjunto com a fundação sueca 29k, a app 29kFJN. “Vinte e nove mil dias é a média de dias que um ser humano passa na Terra”, daí o nome da app, que contém cursos de liderança (pessoais e empresariais), desafios e meditações, disponíveis em português e validados por psicólogos. “Se forem feitos de forma adequada, terão impactos duradouros e profundos nas pessoas”, esclarece. A aplicação aposta na prevenção e em melhorar a qualidade de vida dos utilizadores, salientando que não se trata, contudo, de uma ferramenta médica.

A falta de saúde mental traz também impactos económicos: “cerca de 1 trilião de dólares é quanto a depressão e a ansiedade podem custar à economia mundial por ano”, refere o executivo. Atentando a níveis nacionais, são também as mesmas doenças que têm mais incidência em Portugal. “A seguir às doenças cardiovasculares, em Portugal, as doenças com maior registo e incidência são as do foro mental.”

Hoje é claro que um colaborador com algum problema de saúde não poderá exercer as suas funções na sua plenitude, e os dados são desanimadores: “Portugal é o 9º país da Europa onde se trabalha mais horas, entre 40.6 a 41 horas semanais”, acrescenta. O alto número de horas de trabalho, não se traduz em produtividade, sendo que podem até potenciar ainda mais as doenças já existentes ou criar estados de stress ocupacional, burnout ou depressão.

Assista à Talk aqui.

Tenha acesso à galeria de imagens da Leading People – International HR Conference aqui.

Por Denise Calado

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