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Titiana Barroso

Liderança: O cenário europeu da próxima década

3 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

2020 foi um ano como nenhum outro nas últimas décadas. A Liderança não é o forte dos líderes europeus, embora se possa dar agora uma nota positiva à líder da Comissão Ursula von der Leyen. E, sabe-se, faltando bons exemplo é difícil fomentar campeões e líderes capazes e vencedores.

As decisões entraram, finalmente, em 2021 e cabe a Portugal, enquanto preside ao Conselho Europeu de líderes da UE, passar à ação (não por acaso o Lema da sua presidência é: “Tempo de Agir: por uma recuperação justa, verde e digital”). As expetativas são elevadas porque vão arrancar: – a Agenda Europeia das Competências, o Espaço Europeu da Educação, o Plano de Ação para a Transição Digital (e para a Educação Digital), o Espaço Europeu da Investigação, o Green Deal Europeu, o Plano de Recuperação e Resiliência da UE e outras estratégias da UE que conheceremos a seu tempo. Circunscrevemo-nos aqui aos mais diretamente relacionados com a Liderança (E&F&A – Educação, Formação e Aprendizagem) porque há muitas outras iniciativas. Mas aquelas são as de bandeira!

Entre essas há referência a um novo programa de E&F&A, juventude e desporto, sucessor do atual Erasmus+ (mobilidade e circulação de talentos) a ser lançado em Portugal em junho (Costa, Janine. JL, 30dezembro2020). Esse programa, como os do Horizonte Europa (que visa liderar a inovação através da investigação apoiada pela UE) e do novo Espaço Europeu da Investigação e da Inovação (rumo à liderança digital) assumem a palavra chave liderança (mundial, como utopia ao alcance de ambições perseverantes) e assentam num investimento relevante na Juventude (mas não só, quando se alinha com a estratégia para as startups e para a retoma da capacidade industrial).

O papel determinante da ALV

A ALV (Aprendizagem ao Longo da Vida) aparece no topo das preocupações e é incorporada, sem esquecimentos, em todos os documentos dessas políticas europeias. At last! Porque, não só tem um potencial transformador a um nível ou dentro de um setor de educação, como existe em todas as formas – formal, não formal e informal – e em todos os níveis – desde a primeira infância até à idade adulta.

Aprender pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar. Neste sentido, a ALV – aprender “do berço à sepultura” – está no centro do debate sobre a concretização de sociedades sustentáveis e todos os sectores da E&F&A devem ter voz nesse debate.

Algumas iniciativas prometedoras em Liderança:

  1. Quer ser líder, conhecer os atuais e antigos membros da União Europeia e viver e desfrutar de uma comunidade de amigos em #Brussels? Assim se anuncia o Programa Europeu de Liderança (ELP) que é um programa para jovens e entusiastas líderes da União Europeia.
  2. O novo programa @Eueic (Fundo que vai apoiar 42 #startups com 178 milhões de euros) foi lançado nos primeiros dias de 2021. São os primeiros investimentos diretos de capital próprio pela EC em startups.

3.
“…Para incrementar as oportunidades de liderança, quer no mundo financeiro, quer no mundo da tecnologia e do mercado digital, é preciso olhar para o momento, em que idades, é que os desafios de género começam a ser sentidos… É preciso combater os preconceitos sociais nesta matéria…” Cito Maria Luísa Aldim, CEO da VGD Consulting e Country Ambassador da EWPN (European Women Payments Network).

Sim, tanto para fazer! Ainda…

Agora, que a UE se entendeu sobre o substancial plano financeiro para retoma da visão de liderança mundial, que não se esqueça que tal é feito com pessoas e com pessoas trabalhando de forma colaborativa. Uma vez mais!


Por Etelberto Costa, EU LLLPlatform pool of experts

Arquivado em:Opinião

Ricardo Tomaz: «Estas transformações são uma herança positiva da pandemia»

2 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

O setor automóvel estava já a atravessar um momento de profunda transformação antes da pandemia. Ricardo Tomaz, Diretor de Marketing Estratégico e Relações Externas da SIVA, explica como o contexto da pandemia veio acelerar em grande medida as transformações digitais e dos modelos de negócio.

Entre elas, especifica, a aceleração da digitalização de processos ou o desenvolvimento de serviços de conveniência com base na crescente necessidade de segurança (sanitária e económica) dos clientes e o aumento de funcionalidades nas plataformas digitais, seja no processo de compra online e na criação de serviços de recolha e entrega de carros ao domicílio dos clientes. 

Mas as novidades da companhia não ficam por aqui. A SIVA, subsidiária da Porsche Holding Salzburg desde 2019, fortaleceu a sua posição no mercado português com oito marcas do Grupo Volkswagen. Acrescentando duas novas marcas ao seu atual portefólio: a SEAT e a CUPRA juntam-se à Volkswagen, Volkswagen Veículos Comerciais, Audi, ŠKODA, Bentley e Lamborghini a partir de janeiro de 2021. Tal como noutros mercados internacionais, a união destas marcas do Grupo destina-se a melhorar as sinergias entre estruturas, seja nas vendas, após-venda e serviços partilhados.

Colocámos a pergunta: Estamos a viver uma nova vida para as marcas? a alguns líderes, Ricardo Tomaz aceitou o desafio.

«O setor automóvel estava já a atravessar um momento de profunda transformação antes da pandemia: transformação digital, transformação tecnológica e transformação dos modelos de negócio. O contexto da COVID-19 veio acelerar, em grande medida, esse movimento.

No caso das marcas que a SIVA representa, desenvolvemos com grande rapidez serviços de conveniência com base na crescente necessidade de segurança (sanitária e económica) que os nossos clientes vêm manifestando. Alargámos as funcionalidades das nossas plataformas digitais, de forma a assegurar um maior (e melhor) número de passos no processo de compra online e criámos serviços de recolha e entrega de carros ao domicílio dos clientes, por exemplo.

A aceleração da digitalização de processos – e a consequente reorganização de diversas áreas do negócio – foi um dos fenómenos mais marcantes do período de primeira vaga da pandemia, porque se tornou necessário corresponder a padrões de consumo cuja alteração ocorreu muito rapidamente.

Neste sentido, estas transformações são uma herança positiva da pandemia.»

[O testemunho foi publicado na edição n.º 12 da revista Líder.]

Arquivado em:Artigos, Leading Brands

A ambição de ser a melhor empresa de energia em Portugal

2 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

A Goldenergy está a apostar na eletricidade 100% verde, em que todos os megawatts por hora que fornece têm garantia de origem no vento e na água. Uma empresa em crescimento que está a dar cartas num mercado dominado por gigantes.

Preço, Serviço e Sustentabilidade regem a Goldenergy. Para isso, e conforme já anunciado, Miguel Checa, CEO da empresa de eletricidade e gás natural, está determinado em «fornecer energia renovável, ao preço justo, sem letras pequenas nos contratos, com transparência e com um serviço rápido e de proximidade, baseado em todas as ferramentas digitais e omnicanal disponíveis».

Sempre em constante adaptação e melhoria, não fosse esta uma empresa de origem portuguesa com sede em Vila Real e ADN de startup. Ainda que esteja há mais de 12 anos no mercado e em 2019 se tenha unido ao centenário Grupo Energético suíço Axpo. Com um mercado em plena disrupção, assume-se como a quinta maior comercializadora de eletricidade a clientes domésticos em Portugal, com uma quota de mercado de 2,4% na eletricidade e de 13% no mercado do gás natural.

A meta é aumentar quota e chegar aos 500 mil clientes nos próximos dois anos, com especial foco na eletricidade onde a empresa cresce atualmente a um ritmo de mais de 500 contratos por dia. Hoje, o desafio é duplicar este número.

No meio de todo este esforço, outro grande pilar são as pessoas, dos mais de cem colaboradores 70% são mulheres e 60% estão em cargos de direção.

A Goldenergy nasceu com a visão de fornecer eletricidade e gás natural a todas as pessoas e em todos os locais, mesmo os mais distantes de Portugal. Qual é o posicionamento atual da empresa?
Preço, Serviço e Sustentabilidade. Queremos fornecer energia renovável, ao preço justo, sem letras pequenas nos contratos, com transparência e com um serviço rápido e de proximidade, baseado em todas as ferramentas digitais e omnicanal disponíveis. Atualmente, temos já mais de 270 mil pontos de consumo ativos e angariamos uma média diária de 500 contratos. Isto só é possível com processos sólidos, a qualidade e a experiência de mais de 12 anos no mercado. Queremos ser disruptíveis no mercado, ser a melhor empresa de energia em Portugal, com uma aposta na eletricidade 100% verde.

Está a afirmar-se no mercado da energia sustentável 100%. Em que sentido estão a transformar a empresa?
A Goldenergy é das únicas maiores comercializadoras em Portugal que em 2020 pode dizer que toda a eletricidade que fornece, a todos os seus clientes, tem garantia de origem 100% verde. Promover o uso da energia 100% verde está no nosso ADN, pelo que não estamos a transformar a empresa por isso. Estamos sim em constante melhoria e adaptação às novas necessidades dos clientes e do mercado, pelo que estamos a investir nas nossas equipas em formação e implementação de ferramentas de primeiro nível como Salesforce, Talkdesk, UiPath ou Outsystems. Para poder gerir este crescimento de forma escalável precisamos do recurso a tecnologia, de forma a que este crescimento nos permita, para além de oferecer preços justos, oferecer qualidade e excelência no serviço. Acreditamos que a vida é analógica, mas aproveitamos todas as ferramentas disponíveis para estar mais perto dos clientes.


Qual é que acredita que será o papel das grandes utilities no futuro?

Especialmente este ano, com todas as alterações a que assistimos por causa da pandemia, sem dúvida que o futuro ainda é incerto mas será como nós queiramos que seja. Sou especialmente otimista porque acredito que toda a disrupção que está a acontecer no nosso setor traz uma revolução positiva para as pessoas. Eletrificação, autoconsumo, pro-sumers, comunidades de energia, tudo isto possibilita um mundo muito mais sustentável., que respeita a natureza e a qualidade do ar nas cidades. Olho para um mundo, no futuro, mais eficiente, muito mais elétrico, onde a ideia de Energy sharing our Energy Communities permitirá cada vez mais uma maior otimização do uso de energia. Na Goldenergy, este próximo ano, vamos reforçar a aposta no autoconsumo e a aposta na mobilidade elétrica, baseados no Customer Experience, na transparência e em tornar o que é complicado em simples.

A empresa alcançou em 2019 um lucro de 200 mil euros, depois de ter reportado um prejuízo de 1,8 milhões de euros em 2018. Quais as perspetivas de crescimento para este ano e o próximo?
Perspetivamos a continuação de resultados positivos sustentáveis. Apesar dos problemas expectáveis de quebra do consumo e das imparidades, e de termos investido aproximadamente um montante de 300 mil euros (mais que os lucros do ano anterior) este ano na oferta de uma fatura grátis a todos os nossos clientes mais afetados pela COVID-19. Por outro lado, nos últimos dois anos, contratámos perto de 20 pessoas e o nosso plano é continuar a crescer também na área dos Recursos Humanos. Queremos ser uma empresa que foca a sua atenção não só nos resultados, mas também nos nossos clientes e colaboradores, ou seja, na sociedade ativa.

Quais são os principais motores de crescimento?
O principal motor do nosso crescimento são sem dúvida os nossos clientes que recomendam os nossos preços e o nosso serviço, a que se junta o facto de sermos uma empresa que lhes garante energia proveniente apenas de fontes 100% renováveis, ao preço justo, uma empresa para a qual é fácil mudar, sem complicações e burocracias, e de forma rápida e segura a que se junta o facto de sermos uma empresa socialmente responsável. Acreditamos que as nossas soluções de autoconsumo vão ter também um impacto relevante no nosso crescimento.

Diz ser a quinta maior comercializadora de eletricidade a clientes domésticos em Portugal, com uma quota de mercado na eletricidade de 2,4% e no mercado do gás natural de 13%. Quais os objetivos de crescimentos em quota e clientes?
A Goldenergy mantém o seu objetivo de aumentar a sua quota de mercado e de ter nos próximos dois anos até 500 mil clientes, com especial foco na eletricidade onde a empresa cresce atualmente a um ritmo de mais de 500 novos contratos por dia. Mas o nosso desafio é duplicar este número.

A Goldenergy, uma empresa portuguesa, com sede em Vila Real, além de contribuir para o desenvolvimento e emprego no interior do País, está a dar cartas num mercado dominado pela EDP e onde se contam outros “gigantes” como a ENDESA, a Iberdrola ou a GALP. De que forma se distinguem da concorrência?

(…)

Por TitiAna Amorim Barroso
Fotos DR

A entrevista foi publicada na íntegra na edição de dezembro da revista Líder.

Arquivado em:Entrevistas

Como recrutar e integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho? O GRACE responde

2 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

O GRACE – Empresas Responsáveis acaba de lançar o Toolkit “Como recrutar e integrar pessoas com deficiência” para empresas. Um guia de boas práticas que pretende apoiar gestores e colaboradores na integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A iniciativa conta com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).


“Apesar de muitos e bons exemplos de diversas empresas a operar em Portugal, e da existência de legislação laboral em vigor na área da deficiência (a chamada “Lei das Quotas”), segundo dados recentes, apenas 11% das Pessoas com Deficiência desempregadas registadas no IEFP encontraram uma colocação, o que nos deve preocupar a todos. Ao tecido empresarial cabe um papel incontornável na inversão desta situação, gerando emprego inclusivo. Este Toolkit pretende constituir uma ferramenta prática, que acreditamos que será útil para levar a cabo tal desígnio”, afirma Margarida Couto, Presidente do GRACE – Empresas Responsáveis, em representação da Vieira de Almeida & Associados.

Este instrumento pretende inspirar e incentivar, passo a passo, a construção de programas de emprego inclusivo eficazes, com resultados sustentáveis. Dividido por fases, este Toolkit aborda desde a preparação da ação, passando pelo recrutamento e seleção, o momento de acolhimento e integração, até à fase do estabelecimento de relações duradouras. Além de dicas práticas, legislação e outras referências, o Toolkit disponibiliza casos práticos e exemplos de empresas associadas do GRACE como a Auchan, a CUF, o El Corte Inglés, a Jerónimo Martins, a Lipor, a Prio, a Repsol e o Santander.

“É aqui que temos que focar o nosso trabalho. Combater o preconceito e a discriminação. Promover a igualdade de oportunidades. Valorizar as competências e talentos das pessoas com deficiência. E. Sensibilizar, mobilizar, incentivar e apoiar as empresas, potenciais empregadoras, para a integração profissional das pessoas com deficiência… Se queremos ser parte integrante da solução e deixar às gerações vindouras uma sociedade justa, aberta e inclusiva então temos obrigatoriamente de reconhecer e promover os direitos das pessoas com deficiência, que representam cerca de 15% da população mundial.”, acrescenta Sérgio Cintra, Administrador Executivo da SCML.

O Toolkit encontra-se disponível para download aqui.

Arquivado em:Notícias

Devemos um pedido de desculpas a Rui Portugal?

1 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Tornou-se célebre uma intervenção de Rui Portugal sobre a necessidade de evitar fazer as celebrações de Natal de uma forma normal. As redes “adoraram” a ideia de celebrar o Natal no patamar do prédio. Não foi preciso muito tempo para perceber que se não tivéssemos passado do patamar estaríamos agora melhor. Mas esse nem é o meu ponto – em retrospetiva todos temos uma sabedoria aumentada.

O ponto é outro: na realidade das redes o que conta é a forma. Se a forma é boa para o sensacionalismo em formato soundbyte, a mensagem passa – mesmo que passe, substantivamente, da forma errada. Em compensação se a forma não é boa para a comunicação nas redes, a substância não interessa. Na intervenção do subdiretor geral da Saúde, terá sido esse o problema: uma forma menos canónica conduziu ao foco na superfície. Um mês depois todos percebemos melhor a ideia. Aquilo que na altura era uma espécie de dogma – que se compreende pela importância do Natal e pelo cansaço destes tempos ingratos – impermeabilizou a vontade de escutar uma mensagem importante.

Se tivéssemos desejado escutar, talvez a história agora fosse outra. E no processo talvez tivéssemos evitado relevar o acessório à custa do essencial. É por isso que no final de contas talvez devamos todos um pedido de desculpas a Rui Portugal – e sobretudo um bocado mais de atenção a todos aqueles cujas verdades não têm tradução fácil na linguagem das redes.

PS: talvez os nossos políticos também pudessem ter prestado mais atenção ao povo, escutá-lo, para perceber que a abstenção record estava escrita nas estrelas e que não era preciso ser um Nostradamus para ler esse futuro. Quando se acha que este nível de abstenção não foi assim tão dramático, algo vai mal e não é no reino da Dinamarca.


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Coronavírus: As empresas depois de amanhã

1 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

O título deste texto faz uma analogia ao filme intitulado “O Dia Depois de Amanhã”, dirigido pelo alemão Roland Emmerich, uma ficção científica que retratou os efeitos catastróficos do aquecimento global. Diante desta pandemia deflagrada pela COVID-19, as consequências também estão a ser devastadoras, seja para a saúde, seja pelo alto impacto na economia mundial. Obviamente, isto tem implicações diretas no mercado de trabalho e em todo o seu desenvolvimento organizacional, o que é preciso preservar, dentro do possível, incluindo a manutenção de capital intelectual devidamente capacitado.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a expectativa é de que o crescimento do PIB global de 2020 reduza de 2,9% para 2,4%. A entidade classificou a pandemia como a ameaça mais grave à economia desde 2008. No Brasil, a contração é de 4,4% em 2020, com efeitos negativos até 2023.

Conversando com CEO brasileiros, especificamente sobre a nossa economia, identificamos três posturas de líderes empresariais face à crise: a primeira é de um grupo com grande preocupação com a saúde da sua equipa e menos com o negócio, pois dependem essencialmente dos mercados externos com os quais as relações comerciais são em dólar. A segunda postura é representada por um grupo gigantesco, que tem, essencialmente, manufatura local e depende do comércio para escoar os seus produtos. Este, além da atenção aos colaboradores, está duplamente impactado, pelo baixo ou consumo nulo ou pelo câmbio das suas matérias-primas, que destruíram as suas margens. Por último, a postura de um pequeno grupo que mantém a atenção na saúde da equipa, porque os negócios vão de “vento em popa”, pois a sua cadeia de valor aumentou a procura nesta crise, como, por exemplo, alimentos, gases medicinais e itens farmacêuticos.

As perceções são distintas e o primeiro grupo visualiza uma crise económica muito alinhada com o ciclo da própria pandemia e aposta numa recuperação mais rápida, já a partir de setembro. Já o segundo está bastante assustado e muito preocupado com a saúde financeira dos seus negócios, principalmente pela capacidade de manter o fluxo de caixa frente a um período ainda indeterminado. Nos dois grupos há todos os tipos de ações que impactam diretamente as pessoas, desde fechos pontuais, férias coletivas e antecipação de férias individuais, redução de jornada, licença não remunerada em larga escala, até a suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho, determinada pela recente Medida Provisória 927.

Fica evidente que a rápida reação diante da ameaça à sobrevivência é fundamental. Entretanto, muitos destes CEO estão a sofrer e a lamentar a perda de todo o investimento realizado nos últimos anos em formação, projetos de cultura, desenvolvimento de líderes etc., ou seja, a construção de um bem intelectual imensurável. Escutei de um líder: “cairemos dois andares na pirâmide de Maslow”. Tudo indica que a crise será duríssima com muitos colegas e trabalhadores, em geral, a perder o emprego. Segundo estimativa da XP investimentos, o desemprego pode atingir 40 milhões de brasileiros. Dados recentes, levantados pela equipa da LHH, apontam que de cada 10 empresas, oito farão readequação dos seus quadros.

Muitas deixarão de existir ou entrarão em recuperação judicial e decairão na escala de Maslow. Tudo isto faz parte do contexto, mas o que não é óbvio na cartilha dos CEO é o como fazer isso. Como preparar a organização para entender esta necessidade? Como apoiar os líderes e opinion makers na execução deste processo? Como cuidar da saída das pessoas? Como identificar o que elas precisam? Como cuidar dos colegas que ficam? Como estabelecer um novo contexto organizacional para que as pessoas se envolvam genuinamente e não só por medo de perder o emprego? Como não olhar para a equipa depois da tempestade e achar que eles são os sobreviventes? Como manter a porta aberta para aqueles talentos que poderão voltar? Como cuidar da imagem da companhia frente aos colaboradores que saem e também são clientes da própria empresa?

É notório que as questões dos líderes são complexas e merecem atenção e apoio especializado neste cenário drástico de mudança. Afinal, se esta queda na pirâmide de Maslow não for bem feita, todo o investimento e trabalho construído no que diz respeito à construção de culturas organizacionais e desenvolvimento de talentos serão destruídos. E as consequências para os negócios? Desastrosas. Afinal, não podemos esquecer que empresas são feitas de pessoas.

Entendemos a premência das ações, mas é preciso cuidar das pessoas tanto do ponto de vista da saúde frente ao vírus quanto frente à crise económica que se avizinha. Que ao final de tudo, as empresas possam ter cuidado da sua cultura organizacional e do seu maior património que são as pessoas, mesmo as que porventura tiveram de sair.


Por José Augusto Figueiredo, Presidente no Brasil e Vice-Presidente Executivo para a América Latina da Consultoria LHH

Arquivado em:Opinião

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