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Titiana Barroso

Este projeto sonha transformar vidas

5 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

O “Re:starter®: por um novo futuro!” é um programa que alia a requalificação profissional com a responsabilidade social, que nasce com o sonho de transformar vidas e possibilitar um novo futuro a quem, de outra forma, não teria essa oportunidade.

Através do programa, as pessoas interessadas podem aceder gratuitamente a uma ação de formação na área das Tecnologias de Informação e da Transformação Digital. Em cada ação, existe uma vaga destinada a este programa.


Bernardete Lopes, responsável de Responsabilidade Social do Grupo Talenter™, menciona que “os formandos terão a possibilidade de frequentar uma formação gratuita, tipicamente onerosa, que lhes permitirá abraçar uma carreira numa área de forte empregabilidade, com taxas de colocação entre os 93% e os 95% e com salários acima da média. Nalguns casos pode ser uma oportunidade ímpar de transformar vidas de pessoas que, de outra forma, não teriam acesso a esta possibilidade”.

Os cursos são ministrados pela IT Academy by Talenter™ Academy, a marca do grupo dedicada à Formação Profissional, e certificados pela DGERT e Microsoft. São cursos de iniciação que possibilitam ingressar numa carreira na área das IT:

  • Academia de Web Development – Introdução à Programação
  • Academia de Engenharia de Sistemas – Introdução às Redes e Sistemas
  • Academia de Introdução ao Webdesign

Para 2021 estão já agendadas oito ações de formação, seis na área do Web Development, uma na área do Webdesign e uma na área de Engenharia de Sistemas e prevê-se que o calendário venha a ser alargado no decurso do ano.

Para além de não ser necessária experiência prévia, este programa oferece um serviço de acompanhamento e mentoria personalizado de forma a potenciar o sucesso na conclusão da ação e facilita a integração dos formandos em estágio profissional e na colocação no mercado de emprego.

O regulamento do programa pode ser consultado aqui e o folheto dos cursos aqui (Programação), aqui (Webdesign) e aqui (Redes & Sistemas).

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Voz de comando

4 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

O meu avô materno era da Armada e tinha uma frase que nunca esqueci: “ordem e contra ordem gera a desordem”. Toda a gente percebe esta máxima, que ele aplicava em casa quando filhos ou netos divergiam sobre o que fazer a propósito de qualquer assunto. Uma, e apenas uma, orientação tinha de ser dada.

Acontece que em Portugal essa voz – a voz de comando – perdeu-se. Se quiserem exemplos, lembro o caso do procurador europeu ou, mais recentemente, a triste figura de um homem inteligente, como o ministro da Educação, a defender a arqueologia soviética da igualdade (se não há aulas à distância para alguns, não há para nenhuns), para depois o primeiro-ministro, com a sua descontração habitual, dizer com o ar mais sério do mundo que nunca tinham sido proibidas aulas à distância a ninguém.

O que houve aqui? Ordem (do ministro); contra ordem (do primeiro-ministro) e desordem total, porque alguns colégios que conheço nunca interromperam o ensino virtual, ao passo que outros cumpriram o que pensaram ser uma determinação do ministro da Educação. Prejudicados – porque por muito desejo e retórica sobre igualdade que exista, há sempre quem ganhe e quem perca – foram os cumpridores; beneficiados, os que mandaram às urtigas o que disse Tiago Brandão Rodrigues.

Ou seja, a desordem total.

Aliás, em muitos outros aspetos se repete a falta de voz de comando: enquanto alguns dos apoiantes do Governo reivindicavam a requisição civil dos hospitais privados, outros achavam que o SNS dava conta do recado sozinho. Acabou-se, no meio da confusão, por fazer o que era mais avisado: um acordo. Mas, tarde de mais. Quando o número de mortos já rondava os 300 por dia.

A voz de comando está quebrada, o primeiro-ministro já não tem o peso que teve, embora mantenha a habilidade de sempre. Mas as habilidades têm o defeito de cansar quem as vê demasiado repetidas. No País, apenas uma pessoa tem legitimidade e envergadura política para ter essa voz: Marcelo Rebelo de Sousa, depois da vitória retumbante – mais percentagem e mais votos, apesar da abstenção – que conseguiu nas eleições da semana passada.

É para ele que os olhos, os ouvidos e todos os sentidos dos portugueses estão dirigidos. Será capaz de recompor a cadeia de comando, de repor na linha o descarrilamento que sentimos? Ou será mais um a contribuir para a desordem, através de ordens e contra ordens?

Acredito que Marcelo não desiluda. Que entenda que o grande problema do País não é a eutanásia que se discutiu no Parlamento (quando o foco de toda a gente está em salvar vidas), ou a ascensão da extrema-direita que se discute nas redes sociais (apesar de 11,9% serem preocupantes). A grande questão é encontrar um rumo certo, decidido, partilhado. Para combater a pandemia, para combater o desastre económico, para distribuir com sensatez e justiça os milhões que veem da Europa.

Voz de comando, democrática, claro, sabendo ouvir os outros, mas sem medo de desagradar a muitos. É o que nos falta e o que já poucos nos podem oferecer.


Por Henrique Monteiro, jornalista e antigo diretor do Expresso

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

EDP lança 5.ª edição do programa Free Electrons

4 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Estão abertas as candidaturas ao programa global que permite às mais promissoras startups de energia trabalharem de perto com as utilities líderes do setor. Desenvolver projetos nas áreas da energia limpa, gestão e eficiência energética são alguns dos objetivos desta 5ª edição do Free Electrons,

Até 29 de março podem inscrever-se startups de todo o mundo. A final desta competição vai realizar-se em novembro, altura em que será conhecida a startup vencedora, à qual será atribuído o prémio de 200 mil dólares.

O Programa quer que num futuro próximo algumas startups, através de energia limpa, inteligente e acessível, transformem todos os aspetos das nossas vidas. O Free Electrons está focado em desenvolver projetos e negócios entre startups e players do setor, que pretendem encontrar soluções para o cliente, redes inteligentes e comunidades energéticas, armazenamento de energia, acesso à energia, mobilidade, resiliência do cliente e dos serviços públicos, gestão de instalações e bens, soluções de arrefecimento e conectividade.

Desde a sua primeira edição, o Free Electrons tem sido palco para o desenvolvimento de diversas parcerias entre as startups e as utilities. Em quatro anos, já foram investidos mais de 100 milhões de dólares em pilotos, investimentos e negócios. Desde que foi criado, este programa já recebeu mais de 2300 candidaturas das quais foram selecionadas mais de 130 startups de 17 nacionalidades.

A 5.ª edição do Free Electrons terá a duração de oito meses e, dependendo da evolução da pandemia de COVID-19 a nível global, poderá assumir a forma virtual ou física. Se for possível realizar presencialmente os módulos de aceleração de startups, os finalistas do programa irão passar por quatro a locais: Melbourne, na Austrália, Lisboa, em Portugal, Hong Kong, na China, e Dublin, na Irlanda.

A EDP está a trabalhar com sete startups que participaram na última edição do Free Electrons. Além da Vyntelligence, que foi a vencedora do ano passado, também a NET2GRID, a Chargetrip, aEnergyX, a FlexiDAO, a Soraytec e a Tesselo captaram o interesse de várias empresas do grupo que já se encontram a desenvolver projetos-piloto com estas startups. Através da EDP Ventures, a EDP fez ainda investimentos em três destas startups: a Tesselo, a Vyntelligence e a Net2Grid.

O Free Electrons é promovido por um consórcio de utilities constituído pelas empresas Ausnet Services (Austrália), DEWA (Dubai), EDP (Portugal), ESB (Irlanda), E-ON (Alemanha), Origin Energy (Austrália), SP Group (Singapura), TEPCO (Japão), American Electric Power (EUA) e a CLP (Hong Kong). O Free Electrons é apoiado pela portuguesa Beta-i.

Calendário do programa:

Candidaturas: 4 janeiro – 29 março

Bootcamp Dubai: 10 – 13 maio

Módulo Melbourne: 21 – 24 junho

Módulo Lisboa: 28 – 29 julho

Módulo Hong Kong: 22 – 23 setembro

Módulo Dublin (final): 9 – 11 novembro

Arquivado em:Inovação, Notícias

Cristina Rodrigues: «A realidade há muito que mudou»

4 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

A pandemia acelerou o presente e exacerbou a atuação da tecnologia. Os comportamentos sociais perante a sua utilização alteraram-se. Se antes a presença física era rainha, agora o remoto é a solução.

O que este novo e desconhecido presente nos trouxe foi a oportunidade de pararmos e (re)pensarmos os caminhos anteriormente tomados. E o que aconteceu?

Em matéria de Tecnologia, «alterou e acelerou decisões difíceis, como a adoção do trabalho remoto, mas as organizações com verdadeiros líderes possuem culturas fortes, valores partilhados, compreendem e valorizam o trabalho de equipa, compreendem o esforço de cada um e criam confiança», sublinha Cristina Rodrigues.

A CEO da Capgemini alerta para os riscos de obsolescência caso não se acompanhe a transformação digital e fala de perigos. Sim! «Os perigos existem, mas se os verdadeiros líderes não forem uma utopia, teremos crescimento ágil, eficiente e sustentado!»

E não nos podemos esquecer: «O recurso à tecnologia ajuda a criar processos mais mecanizados, mas o pensamento estratégico, as competências técnicas ou o pensamento criativo são inerentes aos humanos e a chave para a criação de relações», diz.


Auscultámos alguns líderes sobre o papel da tecnologia ao serviço da liderança. Cristina Rodrigues aceitou o desafio.

«Grande parte dos programas de educação, ainda hoje, continuam focados em formar gestores eficientes e não em desenvolver e capacitar líderes. Mas a realidade há muito que mudou e não foi por causa da pandemia. O que este “novo normal” nos trouxe foi a oportunidade de pararmos e (re)pensarmos os caminhos anteriormente tomados. E o que aconteceu?

Alterou e acelerou decisões difíceis, como a adoção do trabalho remoto, mas as organizações com verdadeiros líderes possuem culturas fortes, valores partilhados, compreendem e valorizam o trabalho de equipa, compreendem o esforço de cada um e criam confiança. A transformação digital, e a consequente modernização tecnológica, é incontornável há muito e quem não estiver atento, arrisca a obsolescência.

Mas a tecnologia per si não cria as mudanças tão necessárias e exigidas pelas gerações cada vez mais jovens e preocupadas com o futuro para si reservado. O recurso à tecnologia ajuda a criar processos mais mecanizados, mas o pensamento estratégico, as competências técnicas ou o pensamento criativo são inerentes aos humanos e a chave para a criação de relações. Os perigos existem, mas se os verdadeiros líderes não forem uma utopia, teremos crescimento ágil, eficiente e sustentado!»

[O testemunho foi publicado na edição n.º 12 da revista Líder.]

Arquivado em:Artigos, Leading Tech

Liderança Digital: Boas-vindas ao Século XXI!

4 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

O novo normal é blended: parte do trabalho continua a ser realizado presencialmente, em particular as tarefas mais mão-de-obra intensivas, enquanto a outra parte do trabalho é realizada remotamente, incluindo as reuniões. Mas, na realidade, a distribuição do trabalho presencial e remoto difere muito entre os negócios mais tradicionais e mais digitais.

Graças à difusão mundial das tecnologias de informação e comunicação, todas as organizações conseguem hoje combinar elementos tradicionais e digitais na gestão das suas atividades. Por exemplo, uma pastelaria de bairro pode usar equipamentos e ferramentas convencionais para apoiar a produção manual de bolos e pão, e cobrar aos clientes com um software de faturação. De igual modo, uma agência de viagens online pode comercializar diretamente voos e alojamento em hotéis pela Internet, e prestar assistência pessoal complementar através de um call center. Ainda assim, há negócios cujas organizações tendem a ser mais tradicionais e outros que incluem sobretudo empresas mais digitais, com impacto direto na forma como o trabalho é realizado.

No setor primário, predominantemente tradicional, ainda se recorre a mão-de-obra pouco qualificada para desempenhar presencialmente tarefas repetitivas que perduram ao longo do tempo. Mas empresas agrícolas inovadoras ou frotas pesqueiras modernas que investem em tecnologias sofisticadas estão claramente a evoluir no sentido da digitalização, e portanto, do trabalho remoto. Por outro lado, no setor secundário é necessário alcançar elevados níveis de qualidade e eficiência industrial, pelo que se tem assistido à crescente introdução de soluções digitais para restruturar processos e otimizar a gestão dos recursos físicos e humanos. Por exemplo, a automatização da produção e engarrafamento de refrigerantes aumenta a produtividade e assegura o cumprimento das normas técnicas.

Em consequência, o trabalho manual é cada vez mais substituído por máquinas, favorecendo a interação remota com os sistemas de informação e entre pessoas. Já os negócios do setor terciário revelam dois padrões diferentes. Serviços que requerem um relacionamento pessoal, como o ensino escolar ou o turismo, preservam geralmente características mais tradicionais e presenciais, mesmo já usando novas tecnologias. E os serviços que exigem avultados investimentos em equipamentos e/ou um elevado grau de rigor técnico, como os seguros, revelam um pendor cada vez mais digital e remoto para potenciar a ação comercial e reduzir os custos operacionais. Finalmente, no setor quaternário, é crítico liderar ou acompanhar a constante evolução tecnológica para manter um elevado ritmo de inovação, pelo que impera a abordagem digital e remota. Por exemplo, a firma tecnológica norte-americana Amazon começou por criar uma solução de software para vender livros online, transformou-a depois num marketplace onde comercializa uma crescente variedade de produtos, lançou também o Amazon Web Services para prestar serviços de suporte na Internet, entrou no streaming de filmes e música com o Amazon Prime e introduziu a assistente virtual Alexa com inteligência artificial, entre muitos outros produtos e serviços. E praticamente todos estes negócios prosperam com trabalho remoto, tanto interno, como na interação com os clientes e fornecedores…

Por exemplo, em reação à crescente transformação digital do setor financeiro, os bancos tradicionais estão a fechar agências, a despedir colaboradores, a reforçar as áreas informáticas, a lançar soluções online e mobile e alguns chegam mesmo a comprar fintechs. Mas a elevada antiguidade dos seus líderes, a experiência acumulada nas abordagens convencionais e o peso dos interesses instalados inibem a renovação das suas estratégias e limitam o seu potencial de criação de valor sustentável.

Pelo contrário, as startups, empresas de capital privado criadas e lideradas geralmente por jovens empreendedores, preferem correr riscos e adotar estratégias inovadoras para alcançar os seus ambiciosos objetivos de crescimento. Embora muitas acabem por falhar, as melhor sucedidas conseguem atingir valorizações acima de mil milhões de dólares, ganhando assim o almejado estatuto de “unicórnio”. Em conjunto, os 439 unicórnios existentes no mundo no final de 2019 valiam mais de um bilião de dólares, sendo liderados precisamente pelas startups nos serviços financeiros. Como esperado, os negócios essencialmente digitais de comércio eletrónico, serviços de software na Internet e inteligência artificial também contavam com um número significativo de unicórnios. Mas as valorizações médias mais elevadas foram alcançadas sobretudo por empresas com abordagens disruptivas em negócios tradicionais (automóveis e transporte, consumo e retalho, e viagens). Aparentemente os investidores antecipam que o conservadorismo dos líderes das firmas estabelecidas irá favorecer o rápido desenvolvimento destes novos concorrentes… É cada vez mais claro que os líderes visionários e disruptivos, típicos dos unicórnios e de muitas outras empresas bem-sucedidas, estão a mudar profundamente os negócios digitais e tradicionais. Para formularem e executarem estratégias realmente centradas nos clientes, dão atenção às suas jornadas, às suas experiências de uso dos produtos e serviços, aos dados recolhidos ao longo dos seus ciclos de vida e aos seus custos de aquisição e retenção. Não admira pois que a transformação digital comece geralmente pelas áreas comerciais, onde os benefícios são mais notórios, e só avance mais tarde para as restantes áreas da empresa, incluindo os seus colaboradores. Portanto, tudo indica que o novo normal do século XXI será cada vez mais digital e remoto, e cada vez menos tradicional e presencial. Por isso, os líderes transformacionais tenderão a ser melhor sucedidos que os líderes meramente transacionais.

Liderança TransformacionalLiderança Transacional
O líder é um agente de mudança organizacional que incentiva a adoção de uma nova estratégia e/ou culturaO líder é um administrador organizacional que promove a adoção da estratégia e/ou cultura vigentes
Os colaboradores são inspirados pela visão renovadora do líderOs colaboradores são recompensados pela conformidade do seu desempenho
O líder interage bastante com os colaboradores e envolve-os na tomada de decisãoO líder não interage muito com os colaboradores e não os envolve na tomada de decisão
Os colaboradores são estimulados a reconhecer os problemas e a propor soluçõesOs colaboradores são corrigidos quando não atingem os padrões desejados
A liderança transformacional é mais apropriada para organizações em meios envolventes instáveisA liderança transacional é mais apropriada para organizações em meios envolventes estáveis
Se for adotada em meios envolventes estáveis, pode desestruturar o desenvolvimento da empresaSe for adotada em meios envolventes instáveis, pode bloquear o desenvolvimento da empresa

 

(…)

[O artigo pode ser lido na íntegra na edição n.º 12 da revista Líder.]


Por Adriano Freire, Presidente do STRAT&EGOS Institute

Arquivado em:Artigos

O tripé da Liderança

3 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Martin Luther King tem sido celebrado como um dos líderes mais carismáticos da história sociopolítica recente. O seu busto ocupou o gabinete presidencial de Obama, foi retirado por Trump, e regressou pelas mãos de Joe Biden. Muitos alegarão que Luther King nasceu para ser líder. Mas leia-se o que o general Stanley McChristal escreveu num livro sobre mitos e realidades da liderança, a propósito do boicote que os negros haviam encetado, em dezembro de 1955, contra a discriminação de que eram alvo nos autocarros: “King não encetou o boicote aos autocarros, outros o fizeram. Mas as circunstâncias empurraram-no para o papel de líder. O jovem pastor ficou totalmente dependente do movimento de que fazia parte. Mas, nessa noite, o movimento dependia dele para encontrar direção”. Essa era uma noite em que o movimento necessitava de escolher um rumo após um ataque bombista à casa de King. O líder acabou por escolher a via da não-violência. Este era um dos primeiros desafios com que se deparava pouco tempo após ter sido eleito presidente da Montgomery Improvement Association. Não se tinha candidatado ao lugar – mas um empresário local havia sugerido o seu nome e nenhum outro candidato surgira. Foram as circunstâncias que alteraram o rumo da sua vida.

O caso ajuda a compreender o equívoco em que frequentemente incorremos quando procuramos compreender o fenómeno da liderança. Tendemos a confundir “liderança” com “líder”. Mas liderança, mesmo a carismática, é muito mais do que líder – é um processo dinâmico que envolve líder, liderados e a situação. Se a liderança carismática dependesse apenas dos traços do líder, este seria carismático com diferentes liderados e em diferentes situações. Sabemos que não é assim. Alguns líderes são carismáticos durante algum tempo – mas o seu carisma dissipa-se e quase são votados ao esquecimento. Outros adquirem, inesperadamente, uma aura carismática. Porquê? Porque as exigências da situação mudam ou os liderados passam a lançar sobre o líder novas expectativas. Lech Walesa, fundador do Solidariedade e depois Presidente da Polónia, fruiu de um carisma intenso – mas foi “corrido” com uma percentagem ínfima de votos na última eleição a que se candidatou. Não foi Walesa que mudou – o que mudou foram as circunstâncias e as expectativas dos liderados. Sobre Xanana Gusmão, herói da resistência timorense, há quem testemunhe que foram as circunstâncias, não o seu “carisma”, que o catapultaram para o altar, e o sacrifício, da liderança carismática. Veja-se, agora, como a alegadamente pouco empolgante Merkel adquiriu estatuto carismático em tempo de pandemia.

O fenómeno é também observável no mundo empresarial. Alguns líderes, não sendo “carismáticos”, adquirem estatuto carismático. Outros são entronizados – mas acabam por cair no esquecimento ou são postergados. Alguns são escorraçados do palco porque desenvolvem a soberba. Mas muitos outros continuam a ser as mesmas pessoas competentes, dedicadas e sérias. As exigências do papel ou as demandas dos liderados é que mudam. Alguns continuam a adotar excelentes condutas – mas as suas ações são absorvidas pelo buraco negro de circunstâncias que não controlam.

Esta visão da liderança como tripé ajuda também a compreender a emergência de lideranças perversas ou destrutivas. É hoje claro que a húbris, ou soberba, dos líderes não resulta apenas do narcisismo ou da híper autoconfiança dos próprios líderes. Antes emerge, também, da confluência de vários fatores – entre os quais um fraco sistema de governança, carecido de suficientes freios e contrapesos, e uma massa de liderados que bajulam o líder ou se esquecem de exercer o seu papel crítico. Quando uma crise se abate sobre uma organização, aumentam as probabilidades de emergirem líderes salvadores que, sem escrúpulos ou desprovidos de bússola ética, inflamam os liderados e os conduzem a caminhos perigosos. Liderados desprovidos de empatia ou que alimentam a sua própria identidade associando-se a líderes “fortes” são também matéria inflamável de lideranças tóxicas. Quando líderes desonestos e corruptos foram escolhidos, ou mantidos nos seus lugares, porque, sendo embora conhecido o seu “curriculum”, mostravam “resultados”?

Daqui não decorre que devamos subestimar o papel dos líderes. De facto, o seu papel é crucial – e por isso devemos ser cautos quando escolhemos políticos e nomeamos líderes empresariais.  Mas, para fruirmos de boas lideranças, não devemos colocar todas as fichas no líder. Devemos, também, ser exigentes com os liderados. E importa também que compreendamos se aquele líder que tanto apreciamos denota um perfil adequado às exigências da situação. Por exemplo, devemos optar por um líder extrovertido ou alguém mais introvertido? Depende. Uma pesquisa liderada por Adam Grant sugeriu que os extrovertidos são melhores líderes de equipas repletas de introvertidos – e que os mais introvertidos podem resultar bem em equipas constituídas por pessoas extrovertidas e proativas. Os extrovertidos podem sentir-se “ameaçados” e ser pouco recetivos à energia dos empregados proactivos. Os introvertidos são melhores ouvintes e fazem os liderados sentirem-se mais valorizados. Mas imagine-se que o que ocorrerá a uma equipa repleta de membros introvertidos liderada por um introvertido!


Por Arménio Rego, LEAD.Lab, Católica Porto Business School

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

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