Os Mwani são os habitantes de uma pequena zona costeira no norte de Moçambique que preservam rituais e costumes ancestrais, ligados ao mar e à navegação.
Joan Alemany Llovera, historiador e economista, é o autor do livro Mwani de Moçambique, Um povo do mar, uma obra que documenta a cultura, especialmente a marítima, e a respetiva sociedade, acompanhada de um extenso registo fotográfico.
O autor esteve em Lisboa, no espaço Âmbito Cultural (El Corte Inglês), onde deu a conhecer esta «gente que vive na praia, um povo da costa não sabe viver no interior», juntamente com a exposição de fotografias, a preto e branco, que capturam cenas do quotidiano, da navegação e das suas atividades.
Mwani, o ‘povo que vive na costa’
O arquipélago das Quirimbas, ao norte de Moçambique, conta com cerca de 30 ilhas, da qual a maior e mais populosa é a Ilha do Ibo. Por ser colaborador da Fundação Ibo desde a sua criação, Joan Alemany já havia visitado e trabalhado na Ilha, cuja organização há 20 anos se dedica ao desenvolvimento deste distrito.
Destas experiências surgiu a ideia de escrever um livro que fizesse um estudo da sociedade e modo de vida daquela população, juntamente com a recolha de imagens.
Os Mwani vivem numa longa faixa costeira de 283 km, em linha reta, entre Pemba e a fronteira com a Tanzânia (rio Rovuma). Segundo Joan Alemany, «o seu modo de vida determinou uma paisagem marítima especial e de grande beleza», sendo uma sociedade marcada por um nível de pobreza elevado, mas também solidário e criativo. É um povo que depende do mar para a sua subsistência e que se relaciona entre si através do mar.

O livro retrata «um dos últimos povos do mar do mundo com uma cultura marítima excecional, com uma navegação em condições extremamente difíceis, sem instrumentos, bússola ou carta náutica, numa costa sem pontos de referência», conforme explica o antigo professor da Universidade de Barcelona, além de se referir à génese de construção dos três tipos de embarcações: a casquinha, a mashua e o dhow (com a vela latina). «É um tipo de construção único no mundo, sem plano, nem modelo. Começam por colocar canas e depois vão adicionando as traves de madeira».
O livro não é um estudo nostálgico sobre o passado. É um estudo sobre o presente e uma proposta para o futuro. Apesar de pobre, os Mwani, devem evoluir e progredir, e a Fundação Ibo tem sido há 20 anos um instrumento para o desenvolvimento sustentável desta comunidade. O progresso do futuro dos Mwani deve basear-se nos seus conhecimentos marítimos, nos modos de vida e paisagens humanas.

O momento contou ainda com o concerto Danzas y Nanas pelo Dúo Romaria, com Mariana Carrilho (voz) e Roland Moles (guitarra).
O livro está à venda, na versão em Português, através do site da Fundação Ibo, e a exposição estará patente até ao dia 28 de março, com entrada livre, no Piso 6 do El Corte Inglês.



