Num mundo VUCA, volátil, incerto, complexo e ambíguo, liderar deixou de ser uma função e passou a ser um ato diário de coragem informada. Alterações climáticas, fragmentação geopolítica, cadeias de valor instáveis e disrupção tecnológica obrigam os líderes a decidir sem mapas definitivos, mesmo que assentes em Planos estratégicos realizados a 3 ou 5 anos, […]
Num mundo VUCA, volátil, incerto, complexo e ambíguo, liderar deixou de ser uma função e passou a ser um ato diário de coragem informada. Alterações climáticas, fragmentação geopolítica, cadeias de valor instáveis e disrupção tecnológica obrigam os líderes a decidir sem mapas definitivos, mesmo que assentes em Planos estratégicos realizados a 3 ou 5 anos, que na realidade se vão concretizando ou não, em cada dia, em cada semana que passa, o que requer agilidade na inovação, na criação de oportunidades, no superar de cada risco e desafios. Hoje, 76% dos executivos afirmam que a incerteza global é maior do que em qualquer período anterior das suas carreiras e 62% admitem que os modelos tradicionais de liderança já não funcionam.
A realidade do talento agrava o desafio: mais de 60% das organizações relatam escassez de competências críticas e cerca de 20% dos jovens europeus encontram-se em situação NEET (nem estudam, nem trabalham, nem estão em formação). Atrair os mais jovens, reter os ativos emergentes e, simultaneamente, garantir a intergeracionalidade e a transmissão estruturada de conhecimento tornou-se uma prioridade estratégica. A diversidade etária é hoje um forte pilar de inovação e resiliência.
A coragem do líder moderno constrói-se em passos concretos: criar narrativas positivas em tempos de crise, cultivar confiança através do domínio técnico, agir em pequenos passos consistentes, construir alianças e manter clareza emocional em ambientes de pressão extrema. Não é ausência de medo – é a capacidade de agir apesar dele. Cada dia que passa as organizações e o mundo exigem mais dos seus líderes, num ritmo rapidíssimo, e o medo de não saber, não ser capaz, não conseguir motivar, não conseguir dominar, cresce todos os dias.
Temos de aprender a agir, apesar do medo e da consciência de fragilidade, da nossa falta de competências.
As super power skills do futuro assentam em cinco pilares: leadership consciente, competências digitais avançadas, sustentabilidade integrada, competências técnicas sólidas e soft skills de elevada maturidade. Estes pilares sustentam equipas ágeis, inclusivas e orientadas para impacto. Estas competencias adquirem-se, trabalham-se, moldam-se, desaprendem-se para se aprender de novo, em novos modelos, por isso é necessária humildade para se assumir incompetência e coragem para ousar fazer upskillings frequentes, para mudar, para transformar.
A produtividade, principal prioridade para mais de 70% dos líderes globais, depende agora de novos processos, automação inteligente e uso estratégico da IA, que pode aumentar a eficiência em até 40%, apenas quando existe liderança preparada. Mas tecnologia sem cultura e propósito é apenas ruído. São as novas atitudes colaborativas, orientadas a resultados e reconhecidas na cadeia de valor, que criam vantagem competitiva real.
Neste contexto, a certificação de sistemas (ISO) e a integração de práticas ESG deixam de ser selo reputacional para se tornarem critério de sobrevivência e acesso a mercados. O futuro pertence às organizações que alinham coragem, competência e impacto mensurável.
Liderar, hoje, é decidir em terreno instável – e fazê-lo com visão, ética e determinação. Essa é a assinatura do novo líder corajoso, essa é a audácia de ter ambição e coragem, sabendo, com humildade, que temos inúmeras incompetências a superar, sabendo que temos medo, mas temos coragem para construir em terrenos incertos e imprevisíveis, e para mobilizar equipas e parceiros para fazer acontecer.
Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.
