Mudar de vida não é tarefa fácil: somos inundados por incertezas, opiniões e expectativas de outras pessoas. O certo é que hoje uma profissão não tem de ser a mesma para a vida toda, e as pessoas cada vez mais escolhem o caminho que vai de encontro às suas necessidades e ao que as deixa […]
Mudar de vida não é tarefa fácil: somos inundados por incertezas, opiniões e expectativas de outras pessoas. O certo é que hoje uma profissão não tem de ser a mesma para a vida toda, e as pessoas cada vez mais escolhem o caminho que vai de encontro às suas necessidades e ao que as deixa felizes. Esse foi o caso de Mónica Fernandes, que terminou o curso de Medicina Veterinária e mudou o rumo da sua vida: exercendo agora como Skipper, marinheira profissional, e de Francisco Barros dos Santos, que deixou o emprego como Comissário na British Airways para uma vida no campo.

Na Leading People – International HR Conference, a recém-licenciada de 23 anos partilhou a sua história de mudança na talk “The Great Resignation: Quando a Mudança é Inevitável – Testemunhos Reais”, que contou também com a presença de Antonieta Couto, e Mário Amaral, consultores imobiliários da Zome, e Cristina Maldonado, Speaker e Consultora Internacional no The Pacific Institute, e moderado por Catarina Barosa, diretora editorial da revista Líder.
Os sinais de que algo tinha de mudar estavam presentes dentro de si: “foi uma sensação cumulativa. Fui validando o que estava a sentir, sem o menosprezar. Não é um capricho momentâneo. O trabalho não precisa de ser aquela sensação de esforço, de sacrifício”, conta. A verdade é que os dias iam passando e Mónica olhava para o relógio, à espera que o tempo passasse para que chegasse Sábado, o dia da libertação: só nesse dia tinha a oportunidade de passar o dia no barco, sentindo-se livre e feliz.
“Quando estou no barco sinto que ganho vida, e eu não quero sentir isso só uma vez por semana: foi aí que me deu o clique.”, relata Mónica Fernandes, salientando que agora está a ir atrás do que a deixa feliz. A parte prática da Medicina Veterinária foi o que a fez ter a certeza de que exercer essa profissão não era algo que a faria sentir-se realizada: ficar “presa” num consultório, com horários e folgas rotativas não era o que queria para si.
No entanto, não se arrepende de ter feito o curso: “Com 18 anos achei que o mais certo para mim era ir para Veterinária. O curso ajudou-me a conhecer-me melhor, para eu saber o que queria e não queria. Se não o tivesse acabado hoje estaria a pensar que veterinária era o meu sonho.”, explica a velejadora.
Por sua vez, Francisco Barros dos Santos, aos 40 anos decidiu abrandar e dedicar-se à sua paixão: a vida no campo com os animais e a agricultura. O relato foi feito num artigo da edição de Verão da revista Líder, confessando: “A minha felicidade é realmente a simplicidade das coisas. Poder ver a família e os animais bem. Ter as flores e a horta cuidada. Isso sim, faz-me sentir realizado”.
Francisco foi Comissário na British Airways durante 16 anos, chegando a receber a Rainha de Inglaterra no avião. A infelicidade e a falta de realização inundaram-no quando as condições foram piorando: “Era caótico. Foi muito stressante toda a pressão que sentia em cima, mesmo antes da Pandemia. Os ordenados eram cada vez mais reduzidos e mais horas de trabalho.”, relata. O ponto de rutura deu-se quando foi posto em lay-off, e decidiu abandonar o emprego de vez.
Hoje, a forma como vive cada dia é a sua maior conquista: com a seu companheiro Laryn, fixaram-se no sopé da Serra da Estrela, onde fazem a criação de gado, e onde futuramente se vão dedicar à agricultura. “Nunca ambicionei ter um bom carro ou uma casa grande. Gostava de ter mais terra, sim! Mas hoje tenho o que me chega e sou feliz assim.”, termina.
Por Denise Calado
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