Quando falamos de futuro falamos, inevitavelmente, de projeções, ou seja, de sinais e padrões que hoje são tendência e que amanhã serão norma. O marketing, enquanto espelho do comportamento humano, é um dos campos mais sensíveis a estas mudanças.
Num cenário em que a Inteligência Artificial (IA) generativa já influencia decisões de compra, seja através de resultados de pesquisa, recomendações personalizadas ou assistentes virtuais, as marcas terão de competir não apenas pela atenção humana, mas também pela relevância algorítmica. Estar no top of mind será tão importante quanto estar no top of prompt.
Ao mesmo tempo, o marketing de influência, que viveu o seu auge este ano com fenómenos virais como o “chocolate do Dubai”, evolui para um modelo mais consciente. A audiência já não procura apenas quem tem seguidores, mas quem tem uma voz com propósito. Influenciadores tornam-se curadores de causas, e as marcas que se associam a eles ganham não só visibilidade, como também, credibilidade.
A sustentabilidade, por sua vez, deixa de ser um pilar paralelo para se tornar um eixo central das decisões de negócio. Surgem novos perfis profissionais – os sustainability marketeers –, especialistas que unem métricas de impacto ambiental e social a indicadores de performance. A narrativa green ganha profundidade quando o storytelling se alinha com dados e ações concretas.
Outro movimento em ascensão é o da personalização ética. O consumidor quer experiências ajustadas ao seu perfil, mas sem sentir que foi “vigiado”. A transparência no uso de dados será uma nova forma de fidelização. Recordo o episódio de 2021, embora breve, em que muitos portugueses instalaram o Telegram e o Signal com receio das atualizações de privacidade do WhatsApp, um sinal claro de que a confiança também é um valor de marca.
À medida que a tecnologia generativa se democratiza, a diferenciação passará também pela curadoria humana: quem souber usar a IA para amplificar criatividade, e não a substituir, destacará a sua marca.
O futuro do marketing não será apenas digital, mas mais humano por desenho, tecnológico por natureza e sustentável por obrigação. As marcas que entenderem esta tríade não apenas acompanharão o futuro, mas defini-lo-ão.
Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.
