Recordo a primeira vez que visitei Israel. Tendo aterrado ao princípio da manhã no Aeroporto Ben Gurion, com carro alugado, saí com o meu companheiro de viagem para Tel-Aviv. Recordo ainda, dessas poucas horas aí passadas, que nesse dia teria lugar uma Gay Parade. Seguimos então para Jerusalém. A distância é curta, mas é outro […]
Recordo a primeira vez que visitei Israel. Tendo aterrado ao princípio da manhã no Aeroporto Ben Gurion, com carro alugado, saí com o meu companheiro de viagem para Tel-Aviv. Recordo ainda, dessas poucas horas aí passadas, que nesse dia teria lugar uma Gay Parade. Seguimos então para Jerusalém. A distância é curta, mas é outro mundo. O hedonismo costeiro de uma cidade dá lugar à história em pedra da outra. Os biquinis dão lugar ao rigoroso código de vestuário dos haredim.
Não é preciso passar muito tempo em Israel para perceber as tensões e a complexidade do lugar. Israel e o Médio Oriente são lugares muito complexos. No nosso afã maniqueísta tendemos a achar que as coisas podem ser mais simples: os bons são bons e os maus são maus. Naturalmente estes maniqueísmos não correspondem à realidade.
A festa do orgulho gay no Finalmente Club apoiada pela embaixada de Israel, veio trazer à superfície a simplicidade destas representações. No que me toca, acredito que Israel é uma sociedade genuinamente liberal, aberta e tolerante às minorias. Também acredito que o apoio ao evento tenha uma dimensão de soft power/pinkwashing. Também nada me custa a aceitar que os palestinianos são oprimidos na sua própria terra, mas que não são propriamente muito abertos, eles mesmos, aos direitos das minorias. O mundo, concluímos, é mais complicado do que às vezes gostamos de achar que ele é.
