No momento em que vos escrevo, a Rússia colocou as suas armas nucleares em alarme máximo. Hoje já ouvi vários elogios ao Presidente Ucraniano, há quem o caracterize como um “líder de coragem”, há quem o chame de “herói”. Não sei se o é. Neste momento, é fácil endeusá-lo, da mesma maneira que é unânime […]
No momento em que vos escrevo, a Rússia colocou as suas armas nucleares em alarme máximo. Hoje já ouvi vários elogios ao Presidente Ucraniano, há quem o caracterize como um “líder de coragem”, há quem o chame de “herói”. Não sei se o é. Neste momento, é fácil endeusá-lo, da mesma maneira que é unânime considerar Putin como o Líder de todo o mal. Estamos na crista do furacão e na expetativa do que vai acontecer.
E onde estão os Líderes ocidentais?
Os Líderes estão ocupados a organizar pacotes de sanções à Rússia visando atingir o coração do Kremlin e os interesses dos Oligarcas. O Kremlin não parece muito preocupado com as sanções económicas contra as quais, decerto, terá tomado medidas prévias, previsivelmente sabendo que tal iria acontecer. A compra de moeda estrangeira, nos últimos tempos, e as reservas de ouro russas demonstram-no.
Aliás, Putin conhece muito bem o terreno que pisa, as consequências desta guerra e, sobretudo, o momento em que a desencadeou. Esta guerra só é possível porque Putin conhece bem a falta de Liderança Mundial; a situação atual dos EUA e a fragilidade do presidente americano; os interesses da China, e o que esta joga no tabuleiro do xadrez mundial; e sobretudo uma Europa fragmentada, e espartilhada, numa teia de interesses próprios, que não funciona a uma só voz e longe daquilo que já foi o ideal Europeu.
É óbvio que não serão as sanções, por muito fortes que aparentem ser, que vão desviar Putin dos seus intentos e de mostrar a sua força. E tenho muitas dúvidas que sejam os Líderes ocidentais a conseguir pôr fim a esta guerra.
Uma coisa é certa, seremos nós ocidentais, e em especial nós os europeus, a ter de lidar com todas as consequências desta guerra e com o impacto que ela vai causar nas nossas vidas, assistindo a escassez de produtos; ao aumento do preço da energia; a um aumento de preços generalizado; o que virá agravar a situação económica mundial, para além do que já era expectável, com o aumento de taxas de juro e com o aumento da inflação. A par disto, assistiremos a mais movimentações migratórias, agora vindas de leste, o que significa mais pessoas a pedir ajuda a uma Europa que se pretende continuar solidária, sem voltar as costas aos princípios e valores humanistas.
Esperam-nos tempos difíceis e com grandes alterações ao estilo de vida que conhecemos, com grande impacto nas empresas e nas organizações, na organização do trabalho, nos direitos que temos como adquiridos, o que só conseguiremos ultrapassar se aceitarmos profundas alterações aos nossos hábitos de vida, pessoais e profissionais, encontrando novas respostas para novos desafios.
Para esses momentos, decerto difíceis, porque seguramente a mudança implica sair da nossa zona de conforto, precisamos de Líderes fortes que nos indiquem esses novos caminhos, nos convençam da necessidade de mudança e nos galvanizem para conseguir implementar as soluções, ao mesmo tempo garantindo a paz social e promovendo o desenvolvimento económico, vitais para assegurar os valores fundamentais da democracia e da liberdade.
Serão os Líderes atuais capazes dessa mudança?
Por Isabel Neves, CEO da StarBusy – Investimentos & Inovação

