Livros para nos tirar do confinamento

Em tempos de fecho – psicológico, invernoso, pandémico – os livros são um apoio importante para aproveitar o tempo de forma positiva. A oferta livreira tem sido capaz de responder.

Este mês consideramos um arco temático longo, começando inevitavelmente com vírus e pandemias. Ler ajuda a passar pelas dificuldades, aprendendo, de preferência sobre temas diferentes e não relacionados.

Nestes tempos aproveitemos, pois, para cultivar a nossa versatilidade. Com leituras sobre cânones, capitalismo e contágios. Ou sobre qualquer outra cousa que nos apetecer.


SOBRE O CÂNONE

Grande destaque no panorama editorial deste ano é O Cânone, organizado por António Feijó, João Figueiredo e Miguel Tamen (Tinta da China). A produção de um cânone é um momento de solenidade e de debate garantido. O cânone é um documento definidor do núcleo central da literatura portuguesa. Percorrer o cânone é um exercício interessante de concordância e discordância, mas uma oportunidade para percorrer a paisagem da literatura portuguesa e para aprofundar os nomes que mais interessarem a cada leitor.

 

 

 


CONTÁGIOS

Um dos bons títulos sobre o tema das contaminações é As Leis do Contágio (Ideias de Ler). A pandemia suscitou uma curiosidade geral pela questão dos vírus e da sua propagação. Mas o contágio é mais do que propagação viral. Como todos sabemos os estados de espírito são contagiosos; as emoções também. O mesmo se aplica a muitos outros fenómenos, da comunicação na Internet à gonorreia. Adam Kucharski, professor na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, é um guia bem qualificado para esta viagem pelas leis do contágio nas múltiplas esferas da vida.

 

 

 


BIOGRAFIAS DE LÍDERES

Noutro domínio, e num País que nem sempre trata bem o género, merece destaque a biografia do Marquês de Pombal, De Quase Nada a Quase Rei (Contraponto), por Pedro Sena Lino. O livro mostra o percurso de vida de um dos mais marcantes líderes da história do nosso país, um reformador num País avesso a reformas. Uma viagem pela vida de um fascinante personagem, com escrita sedutora. Candidato evidente a biografia nacional do ano.

 

 

 

 


GESTÃO

When More is Not Better de Roger Martin (Harvard Business School Press) é um livro com uma missão: salvar o capitalismo democrático. Um problema que o tempo tem agravado, dado que agravou o foco original do capitalismo na eficiência e no tratamento da economia e da empresa como maquinismos. A esta visão mecanicista rígida, contrapõe o autor o imperativo de considerar a resiliência mais do que a eficiência, e de ver as organizações como sistemas adaptativos e não como máquinas. Ler Martin é sempre um prazer. Este livro não é exceção.

 

 

 


ELOGIO DA VERSATILIDADE

David Epstein defende, em Versátil (Lua de Papel), a vantagem de ser generalista num mundo de especialistas. Epstein é um daqueles autores (como Gladwell) que junta trabalho académico para o transformar em divulgação de alta qualidade. Este é o caso. O livro mostra, com um rico acervo de histórias e ideias, a importância de abrir horizontes e de juntar conhecimentos pouco respeitadores de fronteiras concetuais rígidas. Como brinde pessoal, alude ao meu herói intelectual, Karl Weick. Quase bastaria isso para obter uma forte recomendação.

 

 

Por Miguel Pina e Cunha

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