Quantos obituários do escritório foram escritos no último ano? A pandemia trouxe o teletrabalho para a agenda do dia e muitos se precipitaram no julgamento sobre um futuro do trabalho totalmente em casa. Mas, a verdade é que se esqueceram do que também perdemos num ano de pandemia. É certo que, felizmente, trabalhar a partir […]
Quantos obituários do escritório foram escritos no último ano? A pandemia trouxe o teletrabalho para a agenda do dia e muitos se precipitaram no julgamento sobre um futuro do trabalho totalmente em casa. Mas, a verdade é que se esqueceram do que também perdemos num ano de pandemia. É certo que, felizmente, trabalhar a partir de casa já não é um impedimento na maioria das situações. Não porque a tecnologia antes não estivesse disponível, ou porque não houvesse metodologias estudadas e pensadas, mas porque a necessidade acelerou a democratização do conhecimento sobre o mundo remoto e desfez algumas crenças que se perpetuavam.
O que não era tão óbvio é que, à medida que ficava ainda mais claro que não precisávamos do escritório para fazer tarefas, também a necessidade do espaço físico para a nossa vida em comunidade, convívio e bem-estar começou a tornar-se evidente. Um escritório que seja um “local para fazer tarefas administrativas” tornar-se-á em breve um mero objeto dos livros de história.
A questão é que a experiência de trabalho não se reduz à mera execução de tarefas, já que tem toda uma componente humana e de socialização que é fundamental para o nosso bem-estar, para a nossa identificação com a cultura da empresa e para o alargamento da nossa compreensão sobre o nosso próprio trabalho. E tudo isto ganha uma outra dimensão quando o escritório cumpre a sua tarefa.
É neste sentido que é necessário repensar a experiência do escritório para a própria experiência do trabalho do futuro. Mais do que espaços de trabalho, serão espaços de cultura, bem-estar e criatividade, tornando-se num verdadeiro upgrade para a nossa felicidade, que fornecerá todas as condições para conjugar um modelo híbrido. Veremos, então, uma nova forma de trabalhar, onde as tarefas de foco podem ser desempenhadas em casa, e a inovação e cultura será potenciada ao máximo pelo convívio no espaço físico.
Os novos escritórios serão dedicados à interação entre indivíduos, e não à realização de tarefas. Como referiu recentemente Susan Lund, do McKinsey Global Institute, iremos aos escritórios para brainstorming e inovação, com espaços mais colaborativos, salas para equipas e phone boots para conversas privadas.
Concordando totalmente com esta ideia, penso que devemos ir ainda mais longe, tornando “o escritório” em espaço de criação de convívio, criação de conteúdo, ferramentas de bem-estar e de comunicação da cultura.
Uma ideia que obriga a pensarmos aquelas que são as três dimensões essenciais do novo escritório:
a) Um espaço físico pensado para potenciar a interação entre pessoas.
b) Condições que fomentem uma cultura de felicidade.
c) Software para ampliar a capacidade humana.
É com esta premissa que será criada a experiência de trabalho para a próxima década. É um desafio para todas as empresas, mas o que aprendemos em 2020 irá permitir reinventar a experiência de trabalho para o que na PHC Software chamamos de best experience at work.

Por Rute Ablum, Chief Management Officer da PHC Software







