Esta foi uma semana rica em acontecimentos à volta da liderança na Europa. Na Hungria Viktor Orbán foi finalmente apeado. Até ver, revelou grande respeito pelas regras do jogo. Veremos se Magyar cumpre as expectativas, mas pior que Orbán é difícil.
A lição para a Europa dos anos Orbán é simples: a EU não pode ser chantageada e traída como foi. Se quer ser respeitada não se pode dar a tamanho desrespeito como ver o MNE húngaro passar informação ao seu homólogo russo. Como notou Teresa de Sousa no Público, «Como é que a União Europeia e os seus estados-membros permitiram este estado de coisas durante tanto tempo?»
No outro extremo, alguns cidadãos descobriram um novo grande homem: Pedro Sánchez. No Público, chegou a ser compado a Churchill. É evidentemente fácil estar de acordo com muitas posições recentes do primeiro-ministro espanhol. Trump e Netanyahu, descritos num artigo da Foreign Affairs como cleptocratas, são alvos justos e fáceis e Sánchez beneficia de fazer o que os seus colegas europeus não fazem por calculismo. A política precisa de valores e o PM espanhol tem-se publicitado como um homem de valores.
Mas esta liderança baseada em valores tem algo que se lhe diga. A sua entourage, nomeadamente a sua esposa e o chamado “bando do Peugeot” têm estado envolvidos em alegados casos de corrupção. Todos são inocentes até prova em contrário, mas não é certo que, como em Trump, esta hiperatidade internacional não tenha por fito diminuir a atenção para o que se passa no plano nacional. Creio ser mais prudente qualificar alguém como um Churchill só depois de se conhecer a história toda. Até lá vamos com calma.

