A revolução digital em curso promete tocar as diferentes esferas das nossas vidas: o modo como vivemos, como trabalhamos, como nos deslocamos, como usamos os tempos livres. Esta revolução é o tema da edição que o leitor tem em mãos. O que sabemos sobre o processo transformador? Eis três ideias. Primeira ideia: a transformação digital […]

A revolução digital em curso promete tocar as diferentes esferas das nossas vidas: o modo como vivemos, como trabalhamos, como nos deslocamos, como usamos os tempos livres. Esta revolução é o tema da edição que o leitor tem em mãos. O que sabemos sobre o processo transformador? Eis três ideias.
Primeira ideia: a transformação digital não é um processo novo. Na verdade, a sua evolução tem décadas. Em 1998 Gary Hamel discutia os contornos da e-corporation na revista Fortune. É claro que o nome mudou, mas o processo é o mesmo, uma continuação da outrora chamada virtualização das organizações. A mudança já vai longa e é imparável.
Segunda ideia: este processo não vai dispensar as pessoas, mas exigirá um maior foco nas competências especificamente humanas. Ou seja, continuando um processo ele próprio com lastro histórico, o que puder ser automatizado vai ser automatizado. As pessoas farão aquilo em que forem mais capazes que as máquinas, nomeadamente pensar, criar, imaginar e desenvolver relacionamentos ricos. Novas formas de colaboração entre pessoas e tecnologias estão a ser testadas e expandidas – inteligência aumentada, assistida e outras em desenvolvimento.
Terceira ideia: não é possível imaginar o futuro. Nem sequer conseguimos antecipar o futuro do trabalho remoto, apesar das muitas certezas que por vezes parecemos ter neste momento. Uma coisa podemos saber, com certeza: o futuro será diferente porque a mudança é o estado natural. O futuro levanta, por isso, importantes dilemas ao binómio humano-digital. O desafio é grande: como utilizar as potencialidades das novas tecnologias digitais para expandir horizontes e possibilidades e não para nos prender numa distópica “jaula de ferro” como na metáfora weberiana? E não esqueçamos: agora, a jaula de ferro invisível à qual nos entregamos voluntariamente, está à distância de um simples clique.

Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder
